segunda-feira, 21 de julho de 2008

Modernidades e casaco rosa

Tédio é um sentimento modernésimo. Eu tenho tendência ao tédio. Acho que a minha mãe (carinhosamente chamada de Madre Lis) nunca sentiu isso. Mamãe é que foi feliz. Eu sou cheia das tendências: tendência ao tédio, tendência a engordar, tendência a falar demais, tendência a platonicismo momentâneo (tesão platônico), tendência a idealizar calças demais e me decepcionar com elas — elas não parecem tão bacanas depois de uma semana. Camisetas são eternas.
As pessoas são engraçadas. Hoje eu fiquei que nem uma babaca no metrô, caindo pros lados de sono, quase abracei a moça do lado. Hoje eu fui tomar café aqui na esquina e descobri que eles (da esquina) não vendem cappuccino. E eu tenho tara por cappuccino, poxa. Café, cappuccino e álcool me dão tesão. Juro por Deus!

Relatos de Júlia (a amiga gostosa do shortinho que achou que meu nome era Rafaela):

(parte 1)

— Olha, eu tenho uma coisa muito séria pra te dizer, eu realmente não sei se você vai continuar falando comigo depois dessa dúvida. Agora tanto faz, eu já comecei, não é mesmo? Bom, é que eu fico sem jeito de falar isso com você olhando pra minha cara desse jeito. Pára de olhar pra mim. Olha pro chão. Não me censura. Então, eu bem estou pensando em comprar um casaco rosa pra você, o que é que você acha?

(parte 2)

— Vai ficar linda nesse casaco rosa!
— Esse casaco não é pra mim, na realidade é pra um amiga, a Raquel. É que hoje é aniversário dela e eu queria dar uma coisa diferente pra ela e tudo, porque todo o ano eu envio um CD com uma mensagem horrorosa (todo ano não, todo o mês) e tudo e mais umas músicas que eu sei que ela vai gostar, porque eu fico rodando a internet inteira atrás das músicas que ela vai gostar. É uma amizade quase que de anos, eu nem sei direito. Raquel o nome dela. Raquel, Raquel, Raquel… Soa forte, não é? Ela odeia quando eu fico falando das coisas desse jeito, de “nome forte”, de signo, de energias, de roupa e tudo, mas é que eu não consigo. Poxa, eu sou assim. Complexo de Gabriela, sabe, vendedora — “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim…”. E não mudo. E faço questão de continuar sendo assim. Mas a Raquel é toda chata, poxa, ela não reclama e nem tenta ficar me mudando. Que saco.
Então, eu gosto da Raquel e eu pensei em dar esse casaco rosa pra ela e costurar umas coisas benlocas que eu sei que ela vai adorar, mas ela não vai gostar da cor e eu bem estou achando que eu vou trocar esse casaco rosa por um tênis. Pra mim.
— Tá bom, então.

(Júliammm, querida, mon amour, baby, docinho, onde é que você estava com a cabeça de querer comprar um casaco rosa… pra mim?)

Depois dizem que o inferno são os outros. O infernum samos nozes! A gente mesmo, da puta da zona.

6 comentários:

Alex&Elisa disse...

Gostei, e eu tenho um casaco rosa, kk, q td mundo malha, mas eu gosto...

Alex&Elisa disse...

Eu >>>> Elisa.

=)

Alex&Elisa disse...

Vamos combinar que casaco rosa era demais...

Sou bi e não gay...bi é totalmente diferente de gay...é quase o extremo oposto, só que tb gosta de pinto...hahaha

Beijos...ótimo o post...adorei a forma como vc escreve...algo "cecilia meirelles"

Beijos do Alex

Amanda Pillar! disse...

Adorei o post!!!!

bjs


=*

*Raíssa disse...

Tédio é um vício moderno. uando mais paradas ficamos, mais o tédio se acomoda sobre você. Uhull!

Vai que o casaco rosa era bonito? hahaha

Beijos

Nathália disse...

Tédio?
Meu segundo nome.
Ia ser Kelly, mas colocaram Tédio.

Mentira (a parte do tédio).

Roupa rosa... Sei não.
Acho sem graça.

Beijo, morango!