Amanhã, sexta-feira 13 é aniversário da minha mãe. A matriarca.
Não sei comprar presentes, mas é uma data feliz e especial. Pensei em comprar um relógio (amarelo, que depois eu tomaria pra mim), mas não.
Andando loucamente, pois faço tudo em cima da hora. Meio olhando pro chão, pés molhados, puta que pariu de poça. De repente, surge na minha vista um boneco, tipo mago, com chapéu pontudo, todo de branco, cabelo zoado. Achei lindo. Olho pro dono. Telha. O Telha é uma amigo muito querido que não vejo tem mais de ano. O Telha parecia uma estudante católica virgem quando eu o vi, gravatinha e aquela camisa branca, de calça e um lindo sapato.
— Oi, Telha, quanto tempo eu não te vejo! Vi o seu boneco voodoo e resolvi olhar o dono e era você!
— Não é meu! É da minha amiga, que foi comprar pijamas pro filho dela.
— Pijamas!
— É, quem usa isso?
— Achei que tivessem sido abolidos.
— Pessoas normais não usam pijamas.
— Você sumiu!
— Eu estava em São Paulo.
— Fazendo…?
— Atrapalhando.
— Bonitos sapatos.
— Obrigada. O nome é mocassim.
Porra, o Telha é lindo.
— Posso experimentar? Quanto você calça?
— 38/39.
— Ah, ficou um pouco frouxo, que pena, vou comprar um pra mim um dia.
— Você deve calçar acho que 37, mas, não liga, é só usar uma meia bem grossa que cabe!
— Sim, claro. Lindos sapatos, lindo mesmo.
— É mocassim. E o que você estava fazendo?
— Comprando presente pra minha mãe.
— O que você vai dar?
— Pensei num relógio.
— Relógio não, é muito clichê.
— O que você quer que eu dê?
— Ah! Uma roupa bem bonita!
— Isso não é clichê?
— Não se for um vestido.
— Ah.
— Quantos anos ela fará?
— Meio-século.
— Qual é o gosto musical dela?
— Ela não tem.
— Ela gosta de ler?
— Gosta sim, mas acho que ela tem narcolepsia, porque ela lê três palavras e dorme.
— Você tem muito dinheiro? Por que não dá um violão?
— Telha! Eu não posso comprar um violão!
— Ah! Ela gosta de dormir?
— Gosta sim. Eu realmente gostei dos seus sapatos.
— É mocassim!
— Sim, eu sei! Eu já entendi que é mocassim! Eu já entendi!
— Então, dá uma fonte de água pra ela. Uma fonte bem bonita, pra ela ficar feliz e dormir mais fácil.
— Ela dorme relativamente fácil.
— Não, pra ela dormir mais intensamente!
Porra, a voz do Telha é linda e ele é lindo.
— Ai, tá bom, então, vou lá buscar a fonte.
Não sei comprar presentes, mas é uma data feliz e especial. Pensei em comprar um relógio (amarelo, que depois eu tomaria pra mim), mas não.
Andando loucamente, pois faço tudo em cima da hora. Meio olhando pro chão, pés molhados, puta que pariu de poça. De repente, surge na minha vista um boneco, tipo mago, com chapéu pontudo, todo de branco, cabelo zoado. Achei lindo. Olho pro dono. Telha. O Telha é uma amigo muito querido que não vejo tem mais de ano. O Telha parecia uma estudante católica virgem quando eu o vi, gravatinha e aquela camisa branca, de calça e um lindo sapato.
— Oi, Telha, quanto tempo eu não te vejo! Vi o seu boneco voodoo e resolvi olhar o dono e era você!
— Não é meu! É da minha amiga, que foi comprar pijamas pro filho dela.
— Pijamas!
— É, quem usa isso?
— Achei que tivessem sido abolidos.
— Pessoas normais não usam pijamas.
— Você sumiu!
— Eu estava em São Paulo.
— Fazendo…?
— Atrapalhando.
— Bonitos sapatos.
— Obrigada. O nome é mocassim.
Porra, o Telha é lindo.
— Posso experimentar? Quanto você calça?
— 38/39.
— Ah, ficou um pouco frouxo, que pena, vou comprar um pra mim um dia.
— Você deve calçar acho que 37, mas, não liga, é só usar uma meia bem grossa que cabe!
— Sim, claro. Lindos sapatos, lindo mesmo.
— É mocassim. E o que você estava fazendo?
— Comprando presente pra minha mãe.
— O que você vai dar?
— Pensei num relógio.
— Relógio não, é muito clichê.
— O que você quer que eu dê?
— Ah! Uma roupa bem bonita!
— Isso não é clichê?
— Não se for um vestido.
— Ah.
— Quantos anos ela fará?
— Meio-século.
— Qual é o gosto musical dela?
— Ela não tem.
— Ela gosta de ler?
— Gosta sim, mas acho que ela tem narcolepsia, porque ela lê três palavras e dorme.
— Você tem muito dinheiro? Por que não dá um violão?
— Telha! Eu não posso comprar um violão!
— Ah! Ela gosta de dormir?
— Gosta sim. Eu realmente gostei dos seus sapatos.
— É mocassim!
— Sim, eu sei! Eu já entendi que é mocassim! Eu já entendi!
— Então, dá uma fonte de água pra ela. Uma fonte bem bonita, pra ela ficar feliz e dormir mais fácil.
— Ela dorme relativamente fácil.
— Não, pra ela dormir mais intensamente!
Porra, a voz do Telha é linda e ele é lindo.
— Ai, tá bom, então, vou lá buscar a fonte.
1 comentários:
"o Telha! caaaaaara. (...)"
"hahaha, você nem sabe quem é ele!"
"claro que sei! você (...)!"
"CARALHO. (...)"
e mocassins são lindos! *-*
e QUANTAS COISAS *-*
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