terça-feira, 12 de outubro de 2010

Segunda-feira

Posso falar a minha história banal, patética e desnecessária do dia? Que ninguém quer ouvir, mas que eu quero registrar?

Puta que pariu, tá muito frio. Muito frio mesmo, o tipo de situação em que a solidão te deixa nas situações e desejos mais inimagináveis: colo. E isso me deixa bem puta, porque eu quero muitas coisas que não dependem unicamente de mim, eu quero beber, eu quero carinho, eu quero colo, eu quero sexo, sei lá, cigarro e eu nem fumo. Só tenho cara, jeito e tudo de ordinária, mas o meu coração é puro.

Hoje eu esqueci o blazer no trabalho — voltei pra casa debaixo de chuva, andando normal, como sempre… o meu passatempo é ver as pessoas correndo, como se fosse adiantar alguma coisa., molhar menos, como se fizesse alguma diferença. A minha mãe perdeu o meu guarda-chuva caro que eu comprei há mais de um ano. Sentei num banco que estava (parecia estar) relativamente seco e fiquei lá. Pensando nas coisas que eu desejo, que por ora parecem ser necessárias e vitais para o meu bem-estar, mas que amanhã ou depois, serão supérfluas e desnecessárias. Algumas vezes eu não queria ser assim, tão instável. Se bem que isso é bem paradoxal, visto que escuto de quase todo mundo que eu não mudei em três anos. O que significa que eu ainda sou a mesma filha da puta ordinária preguiçosa boa porra nenhuma que não evolui verdadeiramente, só conceitualmente, planejar e não colocar na prática. O que eu queria dizer que não foi como se fosse uma chuva torrencial, foi uma chuva fina que engrossava aos poucos, enjoativa. Raciocinei um pouco sobre a realidade que eu acho que me cerca e momentos nostálgicos e eu espero realmente que não tomem o meu blazer prá Cristo, porque eu comprei numa promoção muito especial há uns meses e ele é capaz de me aquecer, bem do jeitinho que eu quero.

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