A teoria de Pior Virada do Século XXI está em vigor. Esse ano está sendo muito cheio de emoções. Dia 3 de janeiro de 2012, fiz uma viagem roots ao Maranhão, de onde provém a família da mamãe, foi uma experiência enriquecedora pra caralho, eu reflexi tanto e olha que eu sou uma pessoa cheia de reflexões, altos pensamentos nessa vida corrida, no metrô, no ônibus, almoço corrido.
Aí você pensa, filhinha modernosa do sotaque carioca forte, garotinha de apartamento... sei não, hein, deve ser metidinha, Nordeste quente pra caralho... mas nem é, ó, o coração é humilde, dorme em qualquer chão e não tá nem aí. Inclusive, quando eu era criança, eu só dormia no chão, adormecia de tanto brincar, essas coisas.
Uma consideração: eu sou a mulher mais alta da família, isso porque eu não devo ter nem um e setenta. A segunda consideração é que a menor tem um metro e quarenta e cinco centímetros e isso me chocou muitíssimo. E a minha avó era super gata e eu tô meio que com a fixação de tatuá-la na coxa.
É bacana uma tia que mal te conhece te dizer "eu te amo porque você é sangue e sangue é uma parada muito forte e, mesmo que não fosse, o nosso sobrenome é o mesmo". Todos os tios-avôs choraram quando me conheceram.
Horas e horas de estrada pra conhecer a família inteira: o tio-avô riquíssimo de 84 anos, que bebe e tem a saúde perfeita, dizendo que "mandou buscar uma índia" pra cuidar dele; o outro tio-avô que teve mais de 30 (!) filhos; o outro que se derreteu todo e ficou pegando na minha mão pra mais de meia-hora e sorrindo, dizem que é o mais emotivo, que chorou horrores quando soube que um tio meu passou pelo município e não foi visitá-lo... tá que esse fato me fez ter uma crise de riso no avião e aquela peninha branca. Um tio falou que ficou cheirando a minha cabeça enquanto eu dormia só pra chegar a conclusão que a pequena cheira bem demais. A outra tia contando que quando alguém morria e tinham aqueles velórios de corpo presente, ela dava um jeito de ver a cara do morto, um dia cruzou com uma cara meio... meio assim e nunca mais conseguiu e que ela era tipo a feminista da época, andava a cavalo, pescava... e não queria nem saber.
Putz. É que eu não sei me expressar, mas pensa, você escutando Canto do Mundo do Caetano Veloso, não me perguntem o porquê eu cruzei com essa música, nem chegada nesse cara eu sou, mas tava lá, eu tava lá, num lugarzinho chamado Outeiro... onde dormi numa rede literalmente a beira-mar, olhando a ressaca do mar e o céu estrelado, porra, lindo.

2 comentários:
Suspiros.
Bem-vinda ao Brasil de verdade. A gente aqui embaixo vive numa coisa que não tem nada a ver com o que é a maior parte do país.
Estou de volta. Beijo.
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