sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Feliz Ano Novo

— Então, vamos para Copacabana mesmo?
— Acho que sim.
— Ah! E você prefere ficar na parte civilizada de gente chique e nojenta, com ar de sou-muito-melhor-que-você ou você prefere o vuco-vuco, povão, gente bêbada e música ruim?
— O que é menos pior?
— Não sei. Não gostaria de ficar no povão, mas é mais animado e tal. Mas eu também não quero ficar na parte civilizada, porque não quero me arrumar. Então, se eu for para lá como eu gosto, me sentirei deslocado.
— Idem. Sabe, hoje eu estava lendo umas besteiras sobre cores. Todo mundo de branco na praia, porque significa “paz”. Mas na prática isso é toda uma mania besta, porque todo mundo sabe que o ano inteiro de paz não tem nada, nada de banquinho e violão, zen, light, aroma de rosas… O vermelho significa amor. Sabe, eu vou usar vermelho, mas não é por isso não, na verdade, eu acho de usar vermelho no intuito de se vestir de amor é coisa de mulher que quer por tudo nessa vida arrumar alguém logo, de mulher que sente essa necessidade tosca. Mas é que eu adoro vermelho, acho que é algo bonito. Espero que ninguém me veja como uma garota que acha que se vestindo de paixão vai achar um amorzinho. Eu gosto de vermelho e só. Sabe aquelas coisa de “solteira e não disponível”? Então! Gosto de você porque me entende. E ainda aquelas simpatias. Horrível.
— Acho que isso daria um ótimo artigo para jornal, realmente, é algo a se pensar seriamente. Você me faz refletir sobre essas coisas incríveis da vida, Raquel.
— Então! Nós vamos flertar com gente típicamente gostosa na praia? Você sabe o que eu penso sobre essa beleza típica, essa coisa loura, Bárbie, perfeita, plástica.
— Pretendo flertar com aqueles surfistas héteros. Sabe, sou lindo, irresistível… um perigo.
— Não posso te perder para surfistas héteros, não mesmo. Não vamos flertar coisa nenhuma. Então, povão ou elegância?
— Na hora a gente decide.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal

Aline, Aline. Menina. Gosto de você. Beijo.

Minha visão sobre o Natal e Ano Novo são alegres. É legal esse clima de nostalgia, esse clima de fraternal, pernil, peru, bacalhau, São Nicolau. Eu gosto disso. Gosto dos presentes também. E eu gosto dos fogos de artifício. E eu gosto de rir das pessoas totalmente de branco. É isso. Eu gosto, não é ironia. É verdade! Bom, nesse momento, eu me sinto alegre, porque encontrei um professor.
— Viadinho!
— Meu bem, viadinho eu era na infância, querido. Hoje em dia eu sou um viadão, um viadaço! Ai, querido, você sabe que eu vou me vingar, seu… seu… seu… bom, não posso dizer porque você é menor de idade, mas você sabe muito bem o que eu estou pensando.

Então, feliz natal. Beijos estrelados, purpurinados e coloridos!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Palhaço

Tenho um certo medo de palhaços. Mas eu gosto deles. Há um ano, eu estava na Glória, dando um daqueles meus típicos passeios solitários, meio melancólicos, talvez.
E aí eu vi um palhaço. Ele me parecia o rapaz com maquiagem e roupas frouxas mais triste que eu já havia visto.
E eu gostei dele, era sincero. Então ele levantou a cabeça e sorriu para mim, um sorriso melancólico. Aí como estávamos perto, ele estendeu a mão e disse que seu nome era Lucas.
— Lucas, me diz, porque as pessoas são assim, porque elas querem se enganar? Me diz.
— É o medo do desconhecido, menina.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

C*

“Não posso pegar tétano.” pensei. Depois de assistir um documentári o— ter instrução suficiente para falar horas a fio sobre tétano e outras doenças — foi esse o meu pensamento. Pensamento esse que se deu porque cortei minha perna (corte gigante, aliás) em um metal retorcido na rua. Estava na minha cama, pensando sobre tétano, pedindo a todos os santos e deuses que eu não tivesse isso, pensando nas consequências. Horrível. Acho que não tenho tétano. E aí eu comecei a pensar sobre a gangrena, fiquei pensando de como preciso de minhas pernas intactas. Coisa terrível isso, coisa louca.

Calor está matando, mais do que todos os anos, mais do que todos os dias, estou sofrendo de modo ridículo. Droga. Chega logo, inverno da putaquepariu.

Recebi meu pequeno salário informal, provenientes de meus serviços de secretária assassina. Meu salário é minúsculo, porque trabalho com meu pai que não é pai, mas que é pai sim, mas que nas leis do mundo é somente um tio. Não o chamo pelo seu nome há anos. Ele é O Tio. Só.

Pensei em vários investimentos bestas, o primeiro foi comprar um Chocolícia. Comprei. O outro foi comprar roupas, comprei calças vermelhas, lindas. E umas camisetas. Saí um tanto da decadência em que eu me encontrava, vivendo de roupas surradas.

Preciso comprar um tênis novo, os outros nem sola possuem mais. Preto ou branco, simples, direto e honesto. Simples.

Estou com preguiça.
Me mandem um e-mail com seus respectivos telefones que eu ligo procês no Ano Novo! Beijo no c*… coração.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Raquel que fala demais

Para usar a internet (sim, a internet, porque utilizar o computador para jogar paciência é dose), começo a invadir escritórios de advocacia para prestar meus serviços de secretária assassina. É isso. Estou incomunicável: não tenho celular, computador morreu, telefone pifou.

Celular eu não faço questão alguma, a não ser para jogar O Melhor Jogo do Mundo, vulgo Jogo da Cobrinha. Computador eu faço questão sim, faço a maior questão da porra. Telefone, apesar de meu ser utilizá-lo praticamente nunca, é legal até. As pessoas poderiam me ligar, mas aí eu rosto começaria a doer (qualquer dia explico essa história de meu rosto doer etc e tal), minhas mãos suarem, eu começar a gaguejar, ou ficar calada… sei lá.

Acordei um bagaço, porque ontem eu fui exercitar meu lado capitalista e meu ego patricinha de ser — fui ao shopping. Sei lá, não comprei nada. Pra dizer a verdade, eu fiquei analisando os típicos seres que passavam por ali. Haviam umas garotas com saias que mais pareciam cintos se projetando em cima de um pedestal, digo, tamancos de borracha brancos. Haviam outros seres, os mocinhos que usavam roupas caras, tênis caros, coisas caras etc e tal. Etc e tal, essa gente engraçada.

Eu ia pra São Paulo no fim do ano. Sabe o que é que é? Preguiça. Então, vou ficar no Rio de Janeiro mesmo, (e como a maioria das pessoas que vão sair) especificamente na praia e rindo das pessoas vestidas de branco.
Sim, porque elas pulam um bilhão de vezes as ondas, depois elas se jogam na água, na areia e fazem várias simpatias toscas pra se foderem no ano que vem. É isso. Isso mesmo. Nem adianta.
Acho que vou comprar um cartão e vou ligar para algumas pessoas, talvez elas se sintam especiais ou mandem eu me foder, ainda não sei.

Aqui no escritório, tem um ar condicionado. Nossa, é tão bom! Só.

Pelo visto, ninguém no orkut sentiu a minha falta. Queria mandar um beijo pra algumas pessoas aqui, porque hoje eu estou a fim de mandar beijos, para desconhecidos e para conhecidos. Eu quero mandar um beijo pra Amanda, que mora em Curitiba e tem um sotaque carregado pacas, eu quero mandar um beijo pra outra Amanda que me adicionou no orkut (e eu tenho preguiça de aceitar, não é escrotice de minha parte, juro), eu quero mandar um beijo pra Cláudia, eu quero mandar um beijo também pra Ana, mineirinha (que, aliás, nunca vai ler isso) que eu amo pra caralho, que some e volta, faz todas as filhas da putagem do universo, quebra todas as promessas do mundo, mas que eu amo assim mesmo, eu quero mandar um beijo pro Thiago, que mora na Espanha e entende de todas as artes e pro Fabiano.

Chega.
Gosto das nuvens — elas são tão soltas e livres. Acho lindo. Acho que vou pra Quinta da Boa Vista, deitar na grama e admirar as nuvens.

Encontrei com uma antiga professora de português. Ela me disse, atônita, nervosa e chocada que descobriu que é uma ignorante, porque ficou sabendo que mussarela se escreve com cedilha. MUÇARELA! QUE ABSURDO! GENTE! QUE ABSURDO ISSO! QUE ABSURDO!
Tá.

Estou com saudade do Telha, ele nem tem internet, não tem orkut, não sabe que eu possuo um blog, ele é quase um mendigo, mas eu estou com saudades dele, daquele cabelo rosa e mau pintado e daquela cara, composta por um nariz grande e olhos profundos, que são um charme. Telha, Fabiano, Fabz.

Rio de Janeiro oscila muito no tempo. Oscila demais e isso me irrita, porque no momento que todo mundo está derretendo de calor, eu espirro e denuncio que estou resfriada. Meu estado de saúde absurdo. Porque ninguém repara que eu faço parte de uma pequena parte que população que é canhota, das mãos pequenas, INFP, Reis & Rainhas da Introversão, que fogem de pessoas que nem conhece e que, e que… esquece.

Cachaça é uma coisa da qual não tenho uma opinião formada, é que nem sobre jornalistas (acho que gosto de Arnaldo Jabor, ele é do meio? Ele é jornalista?), é que nem sobre essas coisas estranhas que ninguém nunca se adaptou como óculos, ar condicionado, calça de lycra entre outros. Hoje peguei o metrô e fiquei lá dentro e vi pessoas lindas e graciosas. Lindas dentro de meus padrões. Vi a palestra no CCBB do Jorodowsky sobre Tarot. Ele é um cara incrível! Teve uma hora que ele olhou bem no fundo dos meus olhos. E eu vi uma garota super fofa na minha frente, aí toda a hora a gente se olhava e ria, ria não… dava um sorrisinho. Nossos olhares se encontraram e eu acho que não teve nenhum romantismo e a gente não se pegou, porque eu sei que todo mundo aqui é tarado e lê esse fato de uma forma que não deve ser vista e ficam pensando coisas pervertidas.

Oh sim, nossos olhares se encontraram, e aí eu, INFP, fiquei muito constrangida e dei um sorrisinho. E aí ela retribuiu. E aí eu deu um tchauzinho e aí ela retribuiu de novo e enquanto a palestra não começava ficamos nisso. Foi legal. Estou falando demais, acho que é falta de escrever alguma coisa trivial.

Corinthians foi rebaixado. Uma pena. Não sei se gosto do Corinthians. Não empresto o poster do Thom Yorke, porque ele é o meu guru, o cara que me ajuda em todas as horas, o diabo que eu tanto amo e que eu gosto de olhar o dia inteiro. Beijón. Escrevam-me cartas, qualquer coisa é só pedir o endereço.

Como vão as suas vidas complicadíssimas?