segunda-feira, 1 de setembro de 2014

No táxi

E como você conheceu sua esposa?
Na fila do cinema.
Fila do cinema? Puta que pariu... destino, hein?
Destino mesmo. Era Dia das Mães.
Você com a sua mãe e ela com a dela?
É... Eu tava na fila, aí a menina da frente virou e disse muito séria "você poderia segurar o meu lugar na fila enquanto levo minha mãe ao banheiro"? Tão séria que parecia uma jornalista apresentando uma catástrofe... Gata pra caralho.
E aí?
Aí eu disse "mas é claro que não!".
Cara, não acredito nisso! E aí?
E aí ela disse bem cheia de marra: "como é que é? Você é muito mal educado e grosso!" e eu não podia deixar passar. Eu olhei bem fundo nos olhos dela e disse "ou você leva sua mãe no banheiro e vai pro final da fila ou você fica aí e assiste o filme do meu lado, tudo em família". Ela sorriu. Linda. Na semana seguinte estávamos namorando.

sábado, 16 de agosto de 2014

Quem me lê aqui e não me conhece pessoalmente não sabe mas a minha voz é grave pra caralho. Daí que o meu vizinho (sempre ele) resolveu reclamar (de novo) que tava tendo muito barulho vindo do apartamento. Esse vizinho é cheio de manias e "carne de pescoço" segundo o morador anterior, portanto, minha medida fio: falar com ele de uma vez só sem respirar, direta e muito firme e o maluco terminou pedindo perdão em nome de Jesus. Vrááá.
Pra escutar de manhã e ficar de bom humor o resto do dia:
https://www.youtube.com/watch?v=D_Bj8wrXslk

Pra pensar (Meu segredo é que sou rapaz esforçado/Fico parado, calado, quieto/Não corro, não choro, não converso/Massacro meu medo/Mascaro minha dor/Já sei sofrer):
https://www.youtube.com/watch?v=B9utRQ8EGsM
Peguei um táxi ontem (tudo a trabalho, hein, continuo pobre e sem recursos). Após dizer o meu destino, fiz uma única pergunta: "qual é o tema de hoje?" – tava passando Casos de Família no carro do cara. O tema era de mulheres que se casaram com ex-presidiários e não tinham o apoio dos amigos ou filhos e tals, acho que era "o seu amor ainda vai acabar na cadeia". Mas o cara desembestou a falar, começou falando sobre violência doméstica, humilhação, amor, relacionamentos gerais e terminou com a seguinte frase:
– Foda é continuar acreditando depois de dois casamentos, viu? Só arrumo mulher maluca, mas isso é porque eu sou maluco também. Mas uma coisa eu não faço é trair, porque eu penso "porra, a minha esposa é gente fina, me ama, me trata bem... não merece isso", mas é aquele lance, né? Desejo todo mundo tem, tanto ela quanto eu... mas te falar que ficando no sapatinho, mal não tem.
Há coisas que o vento leva (jornal do dia), o álcool (dignidade), o tempo (amores não-correspondidos e ressaca), os amigos (o seu livro favorito), imaginem meu ascendente e lua em touro que ficam louquíssimos com essas coisas, porque pra mim tudo tinha é de ser constante e eterno.

terça-feira, 22 de julho de 2014

“Quem é essa? Marina? Eita, mas Marina tá uma diaba lindíssima.”

— Fala tu, Quequel.
— Fala aí.
— Como cê tá? Me veio seu nome da cabeça do nada e resolvi te mandar essa mensagem.
— Que louco, ontem mesmo também me veio seu nome a cabeça... Tô ótima, tá tudo lindo.
— Me conta da sua vida, pô! Tá amando, né? Te conheço... falando desse jeito, deve estar com o coração cheinho, cheinho...

terça-feira, 10 de junho de 2014

Tava comentando esse lance de ambientes gente como a gente porque queria pontuar o meu passeio no Rio Sul. Fiz vários posts porque tô com preguiça de criar uma relação que faça sentido entre os assuntos sem perder o fio da meada.
Ah sim, Rio Sul tem esse lancezinho de sou-melhor-que-você, sei lá... a campanha de Dia dos Namorados de uma loja aleatória tem um manequim comendo alguém em pé, coisa fina e rica. Enfim, daí a minha irmã me convidou pra comer algo que parecia um pastel de forno, mas também parecia uma empada e parecia um monte de outras coisas e eu não vou lembrar o que era, mas era em um lugar que tinha umas pizzas bacaníssimas.
Na mesa do lado, começo o meu hobbie favorito, o qual é escutar conversas alheias. São dois caras sentados na mesa ao lado com fenótipos totalmente diferentes, mas irmãos, assim como minha irmã e eu (*pausa flashback* "Desculpa perguntar, mas vocês são namoradas, né? Quê? Ela é sua irmã? Então você foi adotada, né?").
O cara ao lado da minha irmã diz que odeia pizza com borda grossa, aí eu páro e penso que eu amo pizza de borda fina, mas que a minha irmã também odeia borda grossa. E aí eles começam a conversar sobre a vida, sobre destino, sobre signos, assuntos que eu particularmente adoro. Até que o que está ao meu lado diz que o aniversário dele é na quinta-feira. Daí eu páro, penso, faço as contas enquanto como e penso "putz, meu aniversário é na quinta-feira também", olho pra minha irmã que está semi-boquiaberta com as coincidências. A vontade era de cumprimentar e falar "olá, prazer, Raquel, nós não nos conhecemos mas...", mas eu fiquei ali, parada, chocada com essas pequenas coincidências. Como não há de existir destino, minha gente? Que coincidência da puta que pariu.
Não sei se já contei aqui, mas eu cresci numa rua que ficava entre Lapa, Santa Teresa e Glória, que é Centro do Rio e eu me entendi por gente no eixo Centro-Zona Sul. Lá pelas tantas da minha vida, eu me mudei pra um bairro minúsculo que as pessoas inexplicavelmente desconhecem (e ainda tem metrô, hein) chamado Estácio, ainda no Centro, mas eixo Centro-Zona Norte. E, na moral, que amor morar aqui, bairro com cara de gente como a gente, é silencioso a noite mas nem é perigoso nem nada, tem um monte de velhinhos, executivos e árvores.

Dia desses eu fui no mercado, cuja fila do pão era longa e imóvel, o que me deixou bem amarga. De repente, ouço atrás de isso:

- Que isso, maluco... 200g de manteiga a R$ 16,00? Que porra de manteiga é essa? Tem um fio de ouro escondido aí dentro? Só se for, né... sás paradas não são pra mim não, que isso, se eu comer é até capaz de eu passar mal pq né, ó as coisa que eu como, né... mocotó e tals... sás coisas tem de ser vendidas na Zona Sul, que isso, só o povo de lá pra comprar isso.


Muito amor.
Tô pra contar isso há uns 10 dias.

— O senhor não vai me deixar entrar?
— Não, senhorita.
— Mas ainda não são 17h.
— Mas não entra mais ninguém.
— Por favor, é muito importante, eu preciso enviar essa correspondência.
— Não insista, por favor.

E minha única alternativa era sentar na calçada e chorar. E foi isso o que eu fiz, só que em pé. Frustração pura e simples. Eu precisava enviar aquela merda, andei pra caralho, corri pra caralho e o porra do cara da agência dos Correios fechou a agência na minha cara (tão linda) Resolvi ligar pra minha irmã.

— Não pude enviar o pacote, acredita?
— Jura? O que ocorreu?
— Eles fecharam a agência alguns poucos minutos antes das 17h. Achei uma filhadaputagem tão grande que eu até chorei, acredita?
— Acredito. Mas não seja por isso, a gente vai na agência dos Correios que tem no Rio Sul, ela funciona até as 22h.
— *silêncio* (...) Tá de sacanagem?
— Não, tô falando sério.
— Jura?

Aquele sentimento de quando você desperdiça aquele fluido lacrimal composto de água, proteínas, sais minerais e gordura, também chamado de lágrima.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A vida realmente é cíclica demais, tô deixando de ser o espírito mais evoluído que eu conheço pra virar alguém como todo mundo... sabe como é, meio limitado porém fascinante.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Madrugada linda, tô só de calcinha e camiseta e fone de ouvido, pensa que charme, pensa que loucura. Por algum motivo atípico, eu não consigo dormir, creio que estou ficando insone novamente e com isso vem a inspiração pra falar um monte de nada pra ninguém novamente, pra cruzar com coisas aleatórias novamente, pra pensar em coisas que eu não penso durante o dia, pra consultar meu horóscopo.
Quem me conhece sabe que eu não possuo o hábito de fazer leituras de blógues coisa e tal, mas dessa vez foi diferente, cruzei com uma linda fotografia, busquei a fotografada, cruzei com os textos da fotografada, me apaixonei pela fotografada e uma das coisas que ela escreveu me fez pensar. Não uma reflexão profunda nem nada disso, mas sabe quando alguém dá o nome aquilo que você sempre pensou mas nunca conseguiu expressar? Não porque fosse difícil nem nada do tipo mas porque você nunca tinha tido a oportunidade de ter um momento para definir aquilo, ai, esquece, tô me enrolando e tô saindo do foco, ando precisando tirar esse geminianismo (ismo de doença) de mim.
Bom, ela dizia que tudo aquilo que é líquido flui. E que tudo que flui não pode ser agarrado com as mãos, apenas sentido. Talvez eu já tenha feito essa analogia com fumaça ou cheiros, aliás, adoro cheiros, adoro gente cheirosa, é o tipo de coisa que me faz ficar com alguém na cabeça durante dias.
E aí eu lembro que algumas as pessoas dizem que eu tenho senso de malandragem carioca inerente a minha pessoa, que eu não me apego ou me apego e sumo, mas aí eu concluo: eu escorrego pelas mãos.
Daí eu páro e penso, sabe? Cara, eu fluo.
"Receba meu beijo e não suma mais, por favor."