sábado, 1 de junho de 2013

Cartinha

"Faz muito tempo que eu não sento e escrevo, seja pra alguém ou pra mim (ainda mais a mão). Pensei em te entregar o presente e simplesmente esperar que você achasse tão incrível quanto eu achei, mas eu não sou assim. Tive a idéia do que escrever ontem enquanto lavava as mãos. Sabe, coração, eu ando numa fase muito introspectiva da minha vida, daí eu sumo e espero que a minha falta não seja notada, mas você aparece e me tira da toca.
Você sabe que eu tenho tendência a bagunçar as coisas que se encontram ao meu redor, né? Nessa analogia estão contidas pessoas, situações e, principalmente, objetos. Enrolei tanto só pra dizer que bem achei o CD do Morrissey que você me deu. Ele estava pregado na parede do meu armário pois uma monstruosa pilha de roupas o havia escondido
Sabe o que eu mais gosto no Morrissey? Ele é uma pessoa feliz, eu sinto isso... apesar de escrever coisas tristes. Daí eu lembrei que em algum ano desses, você me elegeu para ser a sua companhia de aniversário. Saudade. E, novamente, eu me senti especial (porque eu não sou o tempo todo, só às vezes). Foi assim também quando eu ganhei o CD e quando o ouvi. Como retribuir (sem ser com a minha presença e elegância)? 2013 é um ano especial, sabia? Porque é ímpar, 13 é um número primo e tudo o que é irregular é bom, é perfeito porque é torto.
(Perceba que eu desaprendi regras de pontuação, parágrafo, etc. Acabo de começar um parágrafo com parênteses) Foi assim: duas semanas atrás cruzei com essa caneca: linda, feita a mão, tamanho ideal (de maneira que não precise repetir pois a segunda vez nunca é igual)
Apaixonei (foi-se o tempo que eu me apaixonava por pessoas), era a última da loja.
Amanhã de manhã comparei o jornal e tomarei um café nela e, aí sim, de fato será ideal e especial, porque haverá a intersecção das coisas simples que mais me dão prazer no mundo: que é presentear e tomar um bom café lendo o jornal, hahaha.
Os dias andam tão corridos... mas eu páro qualquer um deles por você! : ) Porque eu te amo pra caralho, mesmo que eu não diga ou demonstre... bom, isso ninguém tira de mim (ou você). Você merece conquistar o mundo, espero chegar a tempo... embora nossos papéis de noivas atrasadas se invertam o tempo todo, os nossos caminhos sempre se cruzam.

Quequel"
Hoje eu peguei um ônibus e estava preparada a dormir (e acordar sendo arremessada), porém, uma senhora mais ou menos da idade da minha mãe (uns cinquenta anos, portanto jovem) parou na minha frente, ofereci o meu lugar para ela, apenas porque eu podia, porque eu curto ser gentil e ela respondeu que só aceitaria caso eu estivesse descendo no próximo ponto.
— Não vou descer no próximo ponto, não... mas você parece um pouco cansada...
—  Então, fica aí! Precisa não! com uma cara de deixa disso.
—  Tem certeza? Então tá, você que sabe... .... eu vou fechar meus olhos e dormir por resto da viagem, ok?
—  Não, pera... ai, tudo bem, aceito sim, obrigada!

Juro que ganhei o dia.
Faz um bom tempo que eu não possuo vontade de escrever aqui, mas hoje bateu saudade.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Todo ano meu blógue faz aniversário e eu esqueço. E já é uma criança grandinha, de 6 anos, se iniciando na fase de alfabetização.
— Fiz um café, quer um café?
—  Aceito! Se eu tiver atrapalhando, me avise... é que eu gosto muito de conversar.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Na Buenos Aires com a Avenida Passos

– Raquel, tá vendo aquele cara ali? Cruzo com ele desde antes de a sua irmã mais velha nascer. Eu morava na Ilha do Governador e sempre o via por lá, comecei a trabalhar naquela livraria aqui perto e o vi também... quando a gente se mudou pra Glória, ele também tava lá, mas que coisa! São mais de 30 anos de encontros e desencontros e o mais estranho é que a gente nunca se falou, mas ele me reconheceu. Já conheceu alguém assim?
 – (Pior que já. A primeira vez foi na palestra do no CCBB, você sentou na minha frente, levemente a direita, seu cabelo era tão cool que era impossível não reparar. A segunda num bar no Flamengo, você tomava açaí. Odeio açaí. A terceira foi em uma livraria na qual você trabalhava. E a quarta fio esses dias, no Carnaval, você andando pela Lapa vestida de Arlequina...)

No provador

–  Mariana, acho que vou levar essa blusa... ela é bonita, que você acha? Gostei que ela deixa as costas nuas, acho que vou usar um sutiã tomara-que-caia.–  Tomara-que-caia? Mãe, por favor, não!Ai, Mariana, que que tem? Você acha que eu malho na academia pesado pra conseguir esse corpinho e não exibir?Mãe, você tá me ligando?
Claro que não, né, Mariana... tô aperreada com essa blusa aqui, você acha que eu vou te ligar? Alô? Marcos? Mãe, liga pro Marcos e pergunta o que ele quer que eu tô no provador e tá sem sinal! Mariana, quer saber? Eu vou usar essa blusa sem sutiã mesmo!

quarta-feira, 13 de março de 2013

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Esse negócio de tráfego do Blogger é mindfuckíssimo, eu páro e leio "400 e tantas visualizações no mês passado", claro que eu tenho ciência que a grande maioria parou aqui por acidente, tentando conquistar a pessoa amada, pensando "será que alguém é tão revoltado/a quanto eu com carros que molham as pessoas em dias de chuva?" ou procuravam a música do The Cure (e eu não lembro como é o raio da música, só a letra), mas porra, tem gente visualizando coisa de 2007, de hoje e nem parece, mas já são praticamente 6 anos e nego não me dá a alegria de fazer um comentário pra me fazer feliz? Não que eu faça questão, mas um agradinho é bão de vezenquando.

Obs.: Tô com um medo absurdo de morrer atingida por um raio, a matéria do Fantástico me deixou impressionada e eu sou muito impressionável.
"Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem." Engraçado o jeito que a vida move as peças do xadrez que é a vida, nas situações mais inusitadas, nos lugares mais inesperados e lá estávamos nós. Eu procurando moedas no bolso, olhei pra você e pensei "não, não pode ser", apertei os olhos porque meus óculos estão em avançado estado de decomposição (com as lentes riscadas, coisa e tal) e eu ainda tenho miopia, mas sim: lá estava você, o silêncio constrangedor deixava de ser um conceito abstrato, talvez eu não soubesse o que dizer, mas nos segundos que eu tomava coragem e enchia meus pulmões gritar o seu nome, o metrô chegou e você desceu as escadas desesperadamente. E eu acho engraçado, juro que acho engraçado: íamos para caminhos opostos. De novo. Mas será que linhas pararelas de fato se encontram no infinito?