segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Você

Essa calça furada e surrada. Dá tesão mesmo.
Você é tão doce que embriaga. Não posso me dar o benefício da dúvida. Então não me venha com essas senhas, códigos, sei lá. Essa calça furada e surrada. Dá tesão mesmo.
A sua camiseta preferida também dá tesão. E eu não sei a cor dela, eu sei que não era vermelha e nem amarela. Mas ela era linda. Eu olhava pra sua camiseta e ela era linda. Eu olhava e via todos os conselhos do mundo. E eu sou uma filha da puta. E eu não canso de dizer isso. Você sabe — é isso que eu sou mesmo. E e esse puta (itálico), de filha-da-puta não se refere a minha adorável mãe. É uma mãe fictícia.
Foi lindo quando compramos um refrigerante cujo marca e nome desconheço. Dois litros. Bebemos pelas ruas de São Paulo. Era só refrigerante. Não era álcool, cigarro, maconha, cocaína, chocolate, suco de maracujá e não era nada disso que vicia e nos deixa alienados drogados bêbados idiotas. Acordei às cinco da manhã (madrugada). Estava chapada. E quem — acordando às cinco da manhã — não acorda chapado? Nem assim, nem aqui e nem agora. Ela tinha uns olhos verdes, azuis, sei lá. Ela tinha os olhos coloridos. Fiquei matutando aquilo. O pai dela tem os olhos castanhos bem escuros. E a mãe dela também. De onde que veio aqueles olhos? Não sei. Não sei mesmo. Não eram essas modernas lentes, porque era tão clarinho, tão clarinho e lentes nunca deixam os olhos da cor que é mesmo, sempre fica uma coisa estranha.
Desculpa? Eu acordei chapada naquele horário que não quero repetir e só dizia monossílabos. Demorei quarenta minutos pra perceber que eu sentia que tinha levado um soco. E ainda por cima tinha cólicas. Na época — como sonhos filhos-da-puta — eu não estava a fim de gastar dinheiro com lar, hotel, albergue, puteiro, motel. Eu só queria dormir, cara. Na época, eu dormi no aeroporto. Era crise aérea e nem fodendo eu poderia pagar uma passagem de avião. Mas eu fui lá, fiz pose de “meu-avião-só-sai-em-24h-tô-puta” e dormi lá. A imprensa chegou e eu dei meu depoimento, fula da vida.
— Presta atenção. Eu estou aqui há sete horas esperando o avião e ninguém tem previsão pra hora que ele iria decolar.

Sou uma cínica. Uma dissimulada. Uma filha da puta mesmo. Tudo mentira. Tudo. Tudo. Disse para eles que meu nome era Lurdes e inventei um sobrenome qualquer. Dormi no aeroporto por preguiça de ir pra algum albergue, puteiro, motel, hotel e por preguiça de gastar dinheiro. Quase não comi, economia é tudo. É ou não é? É sim. Lógico.
Quem sabe? E eu nunca contei isso pra ninguém. Praninguémpraninguémpraninguém. Eu só conto isso para que as pessoas pensem “que menina louca, hein, que porra-louca, hein” e isso faz um tempão. Já estamos em 2008? É? Nossa, já faz um ano e pouco isso. Saudade de São Paulo. Fui lá na época do aniversário da cidade, teve a merda de um bolo de quatrocentos e tantos metros e a decadência pairava. Era um absurdo, as pessoas corriam para pegar suas respectivas migalhas de bolo ou seus respectivos pedaços amassados. Merda de bolo não, porcaria de bolo. Devo ser sádica, mas eu ria tanto, que decadência, que besteira, que vontade de bolo. É só comprar trigo e fazer. Simples assim. Fiquei com vontade de fazer um bolo. Vou comprar o trigo. My junkie dispara:
— Comprou sem fermento?
— Está fermentado com o preço mais barato. Economia, meu caro.

Que antro profano em que você morava, hein, my junkie. Tô com puta saudades de você. Qual era o nome daquela loira bonitona? Você nunca me disse, disse que ia dizer depois e nunca disse. Qual era o nome da loira bonitona? Ela ficou passando a mão no meu cabelo, bagunçando, sei lá. Meio afrodisíaco, excitante, com alto teor sexual aquele ato dela. Mas aí você praticamente disse "xô" e ela foi embora, baby. Pra sempre.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Raquel

Sou uma pessoa “privilegiada” — moro perto do Sambódramo. E eu vou ficar em casa, esperando que todo esse negócio de folia termine logo-logo-logo. Eu tenho começado a escrever uma pá de posts. Só que eu não termino, sei lá o por quê. Dá um branco na cabeça e não me vem mais nenhuma palavra a cabeça.
Ano passado, lá pra novembro, eu peguei um ônibus. Eu raramente uso ônibus, porque eu sou distraída e (quase) sempre me perco e fora que eu tenho um medo ridículo de viadutos (viaduto não é um reduto de viados e sim um negócio de cimento assim ó, que não está no chão, que fica pelo ar, pelo céu, por onde algumas linhas de ônibus tem de passar para ir algum determinado lugar, uma estrada voadora). A pé, costumo evitar passarelas. Simples assim. E isso é só um comentário qualquer, sem nenhuma relação com o causo que eu vou contar.
Então tá. Ano passado, lá pra novembro, eu peguei um ônibus. Aí eu me sentei, bonitinha, olhando as paisagens tic-tac etc e tal. Então, ouço em um fio de voz — “Raquel” e como um instinto eu me viro e só ouço a menina ao meu lado dizer “Que foi, mãe?”. Não era uma menina de uns 7 ou 8 anos. Por mim ela tem entre 14 e 18 anos. Sei lá. E aquilo ficou ecoando na minha cabeça e eu tinha que fazer um comentário pra ela. Só que a minha timidez — meus caros, é absurdamente alta. Aí eu comecei a suar, meu rosto começou a doer e… Vou explicar esse negócio do rosto doer.
Quando eu sinto vergonha alheia o meu rosto dói. Quando eu sinto vergonha de qualquer coisa ele dói. Quando eu sinto a minha timidez mais latente em mim, o rosto dói. Quando eu estou com raiva, meu rosto dói. Quando eu faço, ou tenho de fazer, ou sou obrigada a fazer alguma coisa a contragosto, o meu rosto dói. Deu pra entender as situações? Meu rosto dói por muitos outros motivos, mas agora eu não lembro. Ele dói assim, é como uma dor de cabeça no rosto, sabe como é? Então.
Aí eu comecei a suar, meu rosto começou a doer, as mãos ficaram inquietas e eu sei que se eu não dissesse o que eu estava querendo dizer, eu iria ficar frustada pacas. Disse.
— Seu nome é Raquel?
Silêncio. Menina com cara assustada, me olhando como se eu fosse uma médium, só que mais moderna.
— Como sabe?
— Acho que ouvi em um fio de voz.
Silêncio maior. Ela dispara:
— Muito prazer, Raquel.
Eu estendo o meu braço, sorrio e digo:
— Muito prazer, Raquel. Meu nome é Raquel.
Que bonito isso.
— Acho que a quantidade de Raquéis está aumentando. Será que há mais alguma Raquel aqui? Daqui a pouco deve ser que nem “Maria”.
— Difícil. Maria é comum demais. Maria Eduarda é um nome bonito. Maria somente não. Nem Maria Carla, Maria Joana, Maria Joaquina.

Tá. Nós conversamos e o papo evoluiu de uma tal forma que eu descobri que ela não gosta de História! Deus! E ela gosta de geografia! Deus! Sou péssima em geografia, uma total retardada com relação a isso, odeio geografia, odeio quase tudo que é relacionado a ela e eu sempre ando com alguns mapas de alguns bairros (para não me perder, sou precavida), feitos por mim.
— Raquel de quê?
— Raquel Chaves. E você? (sim, quando eu pergunto "e você?" é porque eu realmente gostaria de saber)
— Raquel Leites. (é, assim, leites, no plural)

Ela usava um boné. Odeio bonés. Odeio. Mas é que ela era uma pessoa tão bonita por dentro! Sim, eu posso ver a aura das pessoas, a alma, o grau de maldade e essas coisas. Depois ela tirou o boné. E ela me lembrava alguém que eu não lembro quem até hoje. Ela era uma fofa. Uma fofa. Um muffin. Um Melocoton. Uma pelúcia dos olhos grandes.

Do nada, a mãe dela reapareceu e disse “Sua nova amiguinha?”, aí eu disse "Não. Nos conhecemos agora.". Então, a mãe dela disse para ela: "É aqui."
Arrastou a menina, ela desceu, apertou rapidamente novamente calmamente apressadamente a minha mão e acho que ela queria dizer alguma coisa, mas foi rápido. E eu nunca mais vi ela e também nunca mais peguei aquele ônibus, muito menos naquele horário. Cinco horas da tarde. Uma pena.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Peréio

Sabe o metrô? Sabe sim, então. Sabe o novo vagão com cruzadinhas nas paredes e nas portas? Isso não sei. Peguei minha super caneta e comecei a fazer as cruzadinhas. Perdi a noção do tempo. Elas são viciantes, mais viciantes que LSD, mais viciante que chocolate e mais viciante que boca refrescante e não dá mais tempo de terminar essa lista. Tinha uma guria de óculos e cabelo curtíssimo fazendo as cruzadinhas também. A diferença é que ela tinha um apoio e a letra saía perfeitamente. A diferença é que eu não tinha apoio nenhum e ela saía tremida. Penso que as pessoas ao meu redor, ao olhar aquela letra temida, provavelmente pensavam “tinha que ser canhota!”. Eu gosto dessas coisas — cruzadinhas e palavras-cruzadas. A porta se abre. Tenho que ir. Acabo esbarrando com um homem baixinho, mal encarado.
— Desculpa.
— Porra, você não olha por onde anda não. Que merda.

Eu normalmente abaixo a cabeça e vou andando, deixo pra lá. Mas sabe o que é? É que o meu sangue tava fervendo pacas, eu já estava puta porque eu já estava atrasada (como sempre, aliás). Olhei bem no fundo dos olhos dele, dei um de meus sorrisos mais cínicos e disse de uma vez só:
— Vai se ferrar então.

Ele ia voltar e ia dizer alguma coisa. Só que a porta fechou. Ele estava errado mesmo! Mas que idéia! Eu estava distraída e ele não deveria ficar de tocaia na porta. Que idiota, mas é lógico que quando ela (a porta) abrisse sairia algum ser humano dali. Eu queria, do fundo d'alma, com toda a vontade que existe dentro de mim que ele… Esquece. A coisa estava preta, estava ficando russa. A solução era simples — eu não iria. Pra quê? Trabalhar. Trabalho agora com papito, como secretária assassina das pernas cruzadas e do sorriso congelado. Mas não pretendo ficar nessa besteira por muito tempo. Mas eu precisava ir e fui. E não fiz absolutamente nada lá, coisa complicada. Três e meia a campainha toca. Levo um susto: um travesti de uns três metros parado bem na minha frente, começou a me perguntar umas coisas das quais não sabia a resposta. E nesse curto espaço contou-me toda a história de sua vida. Ele era um menininho e aos seis anos pediu para a mãe de aniversário o seguinte: queria virar mulher. Ela não disse nada e não esboçou nenhuma reação.
Ele foi pra Itália, escorregou em cima do queijo (Alzira, noveleiros vão entender) e voltou. Não sei contar a história dele, só sei que ele tem no mínimo 2 metros de altura e seios maiores que os meus. Disse-me que apesar de se vestir como mulher, também gosta de mulher, no sentido sexual da coisa. Não lembro mesmo o seu nome, acho que nem disse.

Essa semana conheci um cara igual ao Peréio. Igual. Na voz, no rosto. Mas a voz era muito parecida, aquele vozeirão sexy (quando a pessoa tem um vozeirão sexy, aprendam, não posso deixar passar). Nós dois estávamos sozinhos, ficamos falando sobre como é triste a solidão e como é a sensação de voltar sozinho pra casa. Determinado momento eu perguntei se ele era o Peréio. Paulo César Peréio. Aí ele disse “quase isso”. A solidão é uma coisa triste, ninguém deveria se sentir só. Sabe aquele momento em que você está rodeado de pessoas e se sente só? É triste, não? É, eu sei que é. O nome dele era Paulo. Só Paulo, não era Paulo César.
Ele viveu na época da ditadura. Que coisa, eu vivo conhecendo esses rebeldes que (sobre) viveram a ditadura. Ele disse que chegou a ser preso e só foi isso, que teve que fugir pro interior do interior do interior do interior e que suou frio quando o ônibus pro interior do interior do interior (…) foi parado para revista. Afinal, ele era um comunista rebelde querendo igualdade do caralho, mas não deu em nada. Ele era uma figura simpática, de boné, uma camiseta que nem as minhas (ou seja, toda ferrada, ou rasgada), calça de couro e sapato vermelho e preto. Uma mulher, daquelas intrometidas disse:
— Que bonito, um pai levando a filha no cinema.
— É, Marilza se orgulharia disso, era minha esposa. Foi na praia se bronzear e um tubarão pulou do mar e comeu ela. Ela já superou isso, com o auxílio do cinema.

Ela ficou calada. Um rapaz que estava na minha frente disse que isso de tubarões pularem na areia e comerem mulheres é muito comum no verão. A sessão ia começar (detalhe que eu cheguei muito cedo) ele beijou minha testa e disse que eu fui a filha mais legal que ele já teve. Encontrei-o novamente quando fui atravessar a rua, me convidou para mandar beijos para os motoristas. Atravessei a faixa mandando beijos, entrei na estação de metrô e ele entrou em uma loja de flores.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Holandês

Fecho os olhos na hora de tirar sangue. Sabe, agulha entra na pele, chuuuups, recipiente na bunda da agulha fica vermelho. Então, da última vez a mulher não era nem um pouco profissional. Enfiou a seringa como quem crava um punhal e tirou litros dos meu sangue, até me secar . Meu medo hoje em dia não é tão mais intenso quanto antigamente, mas eu ainda tenho. Hemofobia isso.
Eu lembro que eu tinha 6 anos, aí todo mundo tava brincando de recortar e colar. E eu cortei meu dedo. E eu vi todo aquele sangue, deu uma franqueza, as pernas bambearam e pf, desmaiei.
E o pior é que eu vivo me cortando! E é sempre sem querer. Uma vez eu estava no Centro, quando um corpo quebrado (!) cai do céu e corta a minha mão. Também quase desmaiei ao ver todo aquele sangue, a coisa tava feia.
Um moço tinha dito que não sabia se tinha caído do céu ou de uma janela. Absurdo. Essas coisas só acontecem com meu ser, mesmo.
Dessa última vez que fui tirar sangue para exames triviais, acho que eu perdi uns quatro litros do meu sangue, eu até senti uma fraqueza ao sair de lá. Cheguei em casa molenga e mamãe brigou comigo, disse que eu poderia ter tropeçado (como sempre), caído, batido com a cabeça no chão de cimento e morrido. Simples assim.
Acabei de falar com a Juliana no telefone, ela é a única pessoa com quem eu falo normalmente no telefone. Isto é, sem o rosto doer, sem as mãos suarem, sem eu gaguejar ou a memória falhar. Ela quer ir no CCBB hoje, mas se ela fizer o que ela fez anteontem (foi anteontem?!) eu mato ela. Mato não. A Juliana é ENTP. E eu sou INFP.
Isto significa que ela não possui sentimentos direito e eu sim. Ela é extrovertida e eu não. E essas são nossas diferenças básicas.
Estou com saudade da Thamires. Thamires é uma jovem de 19 anos. E estou com saudade do Nelson. E também do Leonardo ex-Jesus (ele tirou a barba). E da Marcela. E do Chapolin. E do outro Leonardo. Acho que eu não fico nervosa de tanta gente sair junta, porque com eles é diferente, sei lá. Estávamos a discutir sobre onde iríamos: coquetel ou cinema.
— A gente tira na sorte.
— Sabe aquela música infantil assim "Coca-Cola, Pepsi Cola quantos-anos-você-tem"… ah não. Ia ficar uma coisa meio capitalista, né.

E no dia resolvemos que íamos ao coquetel. E lá eu conheci um fotógrafo bonitão que me fotografou contra a minha vontade. Ele morou seis anos em Amsterdam e ele disse que quando foi pra lá pensava que ia encontrar somente drogas e sexo. E nessa parte eu ri muito, porque eu tinha visto um filme na madrugada em que quatro pessoas iam pra Amsterdam e ficavam se drogando (!) com “bolinhos de haxixe” (!?). Uma guria começa a comer a comida das outras pessoas com uma inconsciente justificativa de “tô alta! Drogada e alucinada, meu bem”.
Uma rapaz com o grupo profere “Ô garçom, esses bolinhos de haxixe não estão muito bons não…”
O garçom, que tinha dreads e uma bandana da Jamaica diz:
— Mas isso aqui são bolinhos holandeses.
O “efeito” dos bolinhos holandeses passa. Na hora. Total.
E como pode, em um coquetel, servirem refrigerante, logo em seguida um vinho e depois suquinho de maracujá? Como? Me diz!
Quero chocar. Posso dizer uma coisa?
Cu.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Sorte

O Telha ligou para minha casa. O Telha tem uma voz muito sexy, rouca, grossa, pausada, sei lá. Uma voz linda. O Telha, em si, também é bonito. Por dentro e por fora. Já conheci pessoas feias por fora e por dentro. Estão ferradas essas pessoas.Ontem eu peguei uma puta chuva, a Jurubeba melancia me disse que se eu fosse pro CCBB era pra ligar pra ela, porque aí a gente via um filme ou qualquer coisa assim. Saí do meu trabalho de secretária assassina, fui pro CCBB e de lá eu liguei pra ela e a mesma recusou! Aí eu vi o Roberto (não é o que me deu bolo), o Roberto é um moço que eu conheço. Baixinho. Não gosto dele, de verdade. Do fundo do meu coração. Não odeio ele, mas é que, sei lá! Ele é implicante, irritante, chato, ou alguma coisa assim. E o Bibo tinha me chamado pra ir no Odeon, só que eu estava sem dinheiro, mas se eu arranjasse uma carteira de estudante ele pagava pra mim. O problema é que a minha carteira de estudante, juntamente com outros pertences foram roubados dia desses. É que depois que acabou o expediente do meu lindo emprego, o papito patrão me alguma grana e eu já torrei tudo. E eu estava super querendo sair com alguém. Sempre acontece isso. Da outra vez (no sábado passado) foi o seguinte: eu acordei feliz, dei um mau jeito no pescoço e fiquei com torcicolo. Sorte, né.
Hoje é aniversário da Kate Moss! Ela no clipe do White Stripes está tão mágica! E eu poderia vê-la dançar o dia inteiro e nunca me cansaria. Hoje, enquanto ia trabalhar alegremente, uma mulher estava do meu lado, falando ao celular bem alto (altíssimo, diga-se de passagem):
— Mas isto não é pra mim fazer! Não é pra mim fazer! Isso não é serviço pra mim fazer! (ela gostava de enfantizar isso e o “mim”), que droga, eu vou estar falando com ela amanhã! Vou estar falando sim! Como não? Você não vai estar falando com ela! Deixa isso comigo! Não desliga! PORRA!

Mim não quer estar do lado dela!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Diálogo

O diálogo começa comigo.

— É melhor parar. Sério.
— Por quê?
— Não gosto dessas tuas idéias. Cadê a tua Teresa de Calcutá interior? Onde é que tá ela? Cadê a tua Janis Joplin interior? Tanto bábábá em comum e não entendo essas suas idéias.
— Desenha alguma coisa aí.
— O que você quer que eu desenhe?
— Qualquer coisa.
— Isso aqui é uma câmera digital com antenas e asas.
— Percebi.
— Cara, eu já tentei tudo. Já tentei essas coisas de signos, Freud, natação, cantar lálálá blábláblá, gays, treinar sorriso no espelho e parar com esse nosso papo de mal amada. Bife de hambúrguer. Agora eu faço o quê, menina?
— Sei lá. Acho melhor você dançar até cair ou ouvir aquela música, sabe? Aquela música que faz a chorar, dizer todos os palavrões do universo e no final dizer “obrigado pela depressão”.
— Sabe quem eu vi ontem? Eu vi aquele rapaz dos olhos de azeitona. Sabe o que a gente fez? A gente pulou o muro, burlamos o trem. O guarda começou a correr atrás da gente e o trem chegou. Quase não tinha gente no vagão, quase não tinha alma viva lá. Ele colocou um boné e trocou de camisa. Eu tirei esses metais da minha cara, baguncei o cabelo e coloquei minha camiseta do avesso. O guarda entrou no vagão e perguntou de nós. Não nos reconheceu. Jovens do caralho, que não tem um puto no bolso pra poder andar de trem.
— Sei quem é ele. E o resto da história?
— Acho que fomos andando pra um lugar que eu não lembro e aí eu vi o bonitão. O bonitão, lembra? O bonitão, ele mesmo. O resto eu não lembro. Acordei na minha cama. Qualquer dia desses eu acordo na cama de alguém, nua. De algum desconhecido, ou desconhecida, vá saber… mas por enquanto eu sei que sou racional o suficiente pra ter controle dos meus atos. Mas eu continuo sendo impulsiva e é isso aí.
— Quando é que a gente vai pra Europa? Avôs portugueses, meu bem. Pedimos dupla nacionalidade, pegamos a porra do visto e supimpa bambambam, querida. Vamos rodar a Europa!
— Não gosta mais das terras tupiniquins, menina?
— Não tô mais a fim de chorar e suar. Sul não serve. Fui pra Curitiba dia desses, dei um bom dia pra um cara e ele não respondeu, quase mandou-me pro inferno. Curitibanos grossos, sei lá. Eu já morei um tempo em Porto Alegre, mas não tô mais afim de Brasil. Tá tudo errado, tá tudo torto.
— Conheço um cara que o irmão dele foi pra Itália, engravidou uma italiana e tudo, ele quer vir pro Brasil pro pimpolho ser brasileiro, mas ela não está querendo.
— Adoro o seu cabelo.
— Idem. Te liga, menina. Acho essa música linda, cara. O original, linda. Catedral. Não gosto muito da versão que fizeram em português, não lembro quem canta, como era o nome mesmo da fachona? Não lembro mesmo. Cathedral song. Essa música é bonita. A versão em português toca um pouco o fundo da alma. Só um pouco. Mas eu não gosto não. Tá ouvindo esse trept-trept? É o Thiago. Ele é meu vizinho, chegou bêbado, um alcóolatra. Fico com uma puta pena dele, porque quando a gente bebe, a gente bebe um pouco e mesmo assim é de vez em quando, porque a gente não esbanja grana. Mas ele esbanja, cara. E ele bebe todo o dia e ele faz muita, mas muita merda por isso. Menina, quando eu sair dessas férias, te compro um violino.
— Violino?
— É, isso aí. Falo demais, né. Mas é que eu tô a fim de falar demais. Te compro um violino. A gente vai tocar violino lá na Central, a mesma música sempre. Vai ser poético. Vai ser bonito pra caralho, guria! Tá vendo aquela pipa ali? Somos nós! Soltas, livres, alegres pra caralho. Foda-se se somos fodidas! Nós vamos é arrasar! Te amo! Te amo porque você fala demais, porque você é uma impulsiva do sorriso cínico e safado. Bife de hambúrguer. A gente é muito mal amada mesmo! Vamos sair? Tô afim de sair! Vamos invadir um casamento, tô sabendo que vai ter um coquetel, vamos com esa roupa do corpo, adoro essas suas calças, elas são lindas, cara! Suas calças são lindas, bonitas pra caralho! Seus olhos são lindos! Porra, que olhos lindos, que olhar 43 natural. Vamos, você tá linda assim. Não muda. Não se mexe. Só anda. Não se ajeita. Vamos lá, bonitona.
— Menina, tu não presta! Nasceu com o olho junto! Mau caráter!
— Nunca disse que prestava, baby!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mirela com razão

A Mirela tem toda a razão. Era realmente tem a cara da tarja preta, olhar alucinado. Ela é realmente apaixonante. Lindíssima. Mamãe disse que achava ela sem graça por causa do cabelo e das tatuagens, mas muito pelo contrário, é um plus plus. Sabe? Então. Não tem problema. Chega. Chega.

Comecei essa semana a ler “Sybil” de Flora Rheta Schreiber. Comecei a ler porque eu tinha um tio que “Peggy” porque, segundo ele, na infância, eu era descarada e só desenhava em preto-e-branco. Até hoje é assim.
— Mas isso não é ruim?
— Nada. Isso é bom. Muito bom. Muito bom.
— Tá bom então.

Depois de um tempo, ele me falou sobre o livro. E Peggy era uma das personalidades de Sybil. Ah, ela possuía múltiplas personalidades, não é bem isso… É mais complexo. Tá-tá-tá.
Nossa, é uma coisa maravilhosa, ótima de se ler! O livro tem umas trezentas e poucas páginas e eu já passei da metade. Em menos de quatro dias.
Estou com vontade de ir no cinema. Sem vontade de sair de casa. Preguiça. Sei lá. Alguém me anima? Alguém me alegra?
Estou escutando um rapaz que eu julgo lamentável dando dicas de “como paquerar”. Ele fala coisas como “paz de espírito”, “roupas limpas e claras”, “conseguir manter uma conversa com uma mulher”, “não olhar para a bunda de mulheres bonitas na praia, não demonstrar interesse sexual”, “demonstrar interesse a partir do momento em que começar a sedução”.
Pelo amor de Deus! Quer dizer que é assim que se seduz as pessoas? Não sou seduzida tão facilmente. Estou revoltada! Que absurdo!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ontem, mamãe e eu estávamos na sala, no sofá, assistindo uma febre nacional chamada Big Brother Brasil, onde as pessoas ganham uma puta grana e ficam famosas.
Tinha uma ruiva, acho que ela ruiva natural. Tinha sardas e até sobrancelhas ruivas.
— Qual é a primeira coisa que se precisa saber sobre você?
— Ah, eu sou uma bicha!

Tensão. Minha mãe olha pra mim e diz:
— Como que é? Colocaram um travesti no programa? É isso?
— Não, isso faz parte do nosso vocabulário jovem e moderno. Falando nisso, acho na quinta farão cinco anos que o Lafond morreu. Uma pena.
— Eu também. Mas ele não deixava de ser um travesti.

Aí eles começaram a fazer uma prova lá, duma tal de imunidade, que é para o participante não sair na primeira semana. Mas esse posto é reservado a poucos.
1. Mulheres (ou homens) feias (os) e sem carisma
3. Mulheres brigonas e escrotas (homens não, porque isso significa que ele é um supermacho)
4. Pessoas irritantes naturalmente.
5. Pessoas que fazem intrigas.

Ontem, eu estava a conversar com o Roberto. Aquele que faz bolos. Aquele que me deu um bolo. Ele mesmo.
Estávamos falando sobre nossos sonhos no BBB. Chegamos a conclusão que o ideal é o seguinte:
Mulheres, brigando debaixo do chuveiro. Uma com lingerie e a outra com biquini. De preferência, com palavras de baixo calão. Pode ser de duas ou mais mulheres. De preferência com direito a sangue. Depois elas cairiam no chão do banheiro e continuariam nos tapas e depois começariam a se beijar. Essa última parte é mentira, eu inventei agora. Em suma, o que Roberto e eu concluímos foi até a parte do sangue, nada de beijos.

Voltando a tal da imunidade, fizeram uma votação de duas meninas.
A primeira era uma lindíssima loira, do sorriso em stand by, gaúcha.
A outra era uma lindíssima (no BBB, todas as pessoas são lindíssimas, mentira) menina do chanel, cara de nojenta, cara de menina cheia dos não-me-toques, tatuada louca.
A segunda, eu adorei. Aliás, eu quero mais é que ela ganhe mesmo, porque o resto é o resto. Adorei ela mesmo.
E por um ridículo percentual a garota que eu adorei ganhou.
Que coisa tosca, ficar assistindo a vida dos outros. Mas a proposta é interessante, ficar confinado com pessoas, todo mundo olhando e falando da sua vida etc e tal. A proposta é interessante pra quem participa.
Mas oras, eu sei muito bem que mais da metade dos telespectadores desse tal progama são de pessoas que de manhã vão trabalhar e dizem “viu o que Fulana fez? Tão dizendo que nãnãnã…”

Fui dormir. O Pedro Bial me assusta.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Dia bonito

Dona Cláudia e dona Mirela são umas tolas. Oras pois! Quem é que ia se prestar a publicar essas coisas que eu escrevo? Essas besteiras? Hein? Hein? Hein?
Cês sabem que eu até tenho um filme aqui? Aqui que eu digo é na minha cabeça. Mas, eu tenho um senso crítico muito exagerado e tenho essa mania de achar que tudo o que eu escrevo é uma porcaria. Então tá. Tá.
Ontem o dia estava lindo. Chuvoso. E meu corpo estava doendo pacas, acho que a dor no corpo era em decorrência dos exercícios que fiz anteontem. Não sei como tem gente que acha divertido ficar fazendo exercícios horas a fio. Não é porque cansa nem nada não — é porque não tem graça nenhuma mesmo.
E eu comecei a ter dor de cabeça. Dor nos olhos e febre. Minha mãe ficou preocupada.
— Sabia que febre pode matar? Será que você está com dengue?
— Mãe, eu sou garotinha de apartamento e não saio do meu lar fazem uns 4 ou 5 dias. Impossível.

E eu estava com um puta frio. Aí eu deitei e comecei a ver “Anaconda 2 — A Caçada da Orquídea Sangrenta” (ou qualquer coisa assim)
O filme é bizarro, mas se você prestar atenção no enredo do filme até que faz algum sentido, mas o filme não deixa de ser horrível.
E estava chovendo. Aí eu desliguei a TV e fiquei olhando pro teto. O teto originalmente é branco, mas eu estava tão chapada de sono que ele foi mudando de cor e tudo. Mas as paredes do meu quarto continuavam como sempre foram: vermelhas.
Então eu me inclinei mais e fiquei vendo o céu. Da minha cama, dependendo do lugar em que você estiver, você pode ver o meu teto ou o céu. Aí eu senti uma vontade incontrolável de ouvir The Cure, Friday I'm in Love, lálálá… sabe? Pra alegrar o meu coração. Nossa, The Cure é uma banda tão bonita. Muito bonita mesmo. Acabei dormindo.
Acordei com a enorme insistência da minha mãe com que eu fosse ao médico. Acontece que eu acordei muito bem, obrigado.
Aí me alguém me ligou. Não lembro quem é e nem sobre o que conversamos. Mas uma coisa ficou na minha cabeça.
— Raquel. A história é o seguinte: mocinha gosta de mocinho. Mocinho gosta de mocinha. Mocinho beija mocinha. E tudo o que é consequência acontece. Mocinha acorda de manhã com um beijo do mocinho. Como isso é possível? Já experimentou conversar com alguém que acabou de acordar? A boca tem cheiro insuportável quando se acorda. Como pode? Como pode?

Faz todo o sentido do mundo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ponte

Se é isso, eu não sei: nunca vi. E isso não faz o mínimo sentido. Ela olha pra baixo, perdida em seus pensamentos e parece estar fora da roda.
E então eu sei que vai ficar tudo bem. Ela toma o café dela que nem bêbado sem nenhum centavo. Aprecia, toma devagar e parece que não quer que não acabe nunca. E realmente parece que não tem fim. Quantos anos ela teria? Vinte e um? Pois tem cara de dezesseis. Faz um puta frio aqui dentro e eu estou quase indo lá e pedindo um pouco do café interminável dela, mas não. Eu fico aqui, sentada, passando frio e pensando no que ela estaria pensando, ela está totalmente absorta, tomando o tal café interminável, lendo e fazendo palavras cruzadas. Meus olhos devem se projetar para fora, porque até três horas, os meus óculos que quebraram há um mês realmente me faziam alguma falta. Me lembro até hoje quando comecei a usá-los, eu tinha uns 7 anos ou 8 anos e eu odiava, porque eles eram enormes e de uma cor que eu odiava: vinho. Não odeio mais essa tal cor, sou indiferente. E as crianças, ingênuas, perguntavam se quando eu os tirava eu conseguia enxergar. Lógico! E eu, meu amor, no meu humor que herdei de papai e mamãe, pegava a maior dose sarcástica que se concentrava em meu corpo e dizia “você não sabe? Sou cega! Se tiro os óculos, tudo fica escuro. Se os ponho, posso ver de novo. Não é incrível?”
Com o tempo acostumei, passei a achá-los charmosos até, uma marca registrada. Mas eu vivo quebrando eles, pisando, sentando em cima e mais coisas bizarras.
Ela continua pensando. E no momento parece que ensaia alguma coisa pra dizer. Ela tem ombros lindos, os ombros mais bonitos do mundo e eu não sei descrevê-los, lindos ombros.
Ela parece não se importar com as coisas em volta dela e nem de alguém que parece analisá-la o tempo todo. E agora faz um puta frio. Mas eu gosto.
— Minha cunhada se casou ano passado e no verão! Foi horrível, porque estava um calor daqueles e a amiga falsa e ridícula foi com um vestido curto. Sorte que a maldita só apareceu em uma foto. Um vestido curto e amarelo. Vou me casar no inverno, precisamente em Florianópolis, todo mundo bem vestido, cheio de panos. Lindo.
— Faz sentido. Mas não imagino eu, Raquel, dentro duma igreja, de vestido etc e tal. Mas eu tenho uma idéia de como meu casamento seria divertido.

Agora ela começou a chorar. Sinto pena por vê-la chorar, acho que ela se sente uma idiota. Idiota dos ombros lindos e maravilhosos. Acho que gosto dos olhos dela também, são tão profundos. Eu realmente queria saber o por quê ela chora, não é curiosidade-fofoca, é que eu me importo mesmo. Me importo com o sentimento dos desconhecidos. Que mania horrível de ficar se preocupando com os outros, ainda mais com pessoas que nem se conhece. Continuo vendo aquela cena — o coração amolece ainda mais. Mas que merda, não sou de pedra, essa é uma característica boa, não é? É bonito ver alguém se importando com os outros, independente de tudo.
Não se intromete. Fica na tua. Não dá! Dou 13 passos e me sento ao lado dela. Aí ela não entende, seca as lágrimas rapidamente com a mão, larga a caneta, fecha o livro e espera que eu diga alguma coisa. Se passam três segundos intermináveis, eu respiro rápido e digo tudo o que estava engasgado de uma vez só.

— Faz uma hora que eu tô te vendo tomando esse café, é café aí? Não sei. E eu queria saber que mal anda lhe acometendo para ficar chorando em lugares públicos que todo mundo pode ficar te olhando chorar. Sabe por quê? Não, não sabe. Eu sei que não é da minha conta e que eu deveria ter ficado na minha. Mas sabe o que é? É que isso tá me deixando triste pra caralho, mais do que eu já estou. E você não tem esse direito de fazer isso comigo. Então vê se desabafa e conta os problemas que é o melhor pra ti, garota. Então vê se já se prepara pra contar a história toda que eu tenho paciência e posso ficar aqui esperando a vida toda, esperando você proferir alguma coisa qualquer, nem que seja um “foda-se você”. Seus ombros foram esculpidos pelos deuses, sabia? Vamos tomar um café, que eu já tô ficando nervosa, café acalma e me faz feliz. Que horas são? Não importa, faz um favor? Salva a minha vida. Isso já tá mexendo aqui dentro e se você tentar fugir do assunto eu te dou uns tapas!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Reveião

Primeiro post do ano!

Peguei o metrô no sentido que iria para a Tijuca, com o intuito de ir para a praia de Copacabana sentada. Tudo vai bem. Um grupo entra no metrô e eles falam alto e riem demais e isso me soou plástico, uma forma de chamar atenção. Não sei. Um deles era um oxigenado que parecia o Tony Ramos no que diz respeito às artes de ser lobisomen e outros dois que prensavam suas respectivas namoradas (?) contra a parede. De repente, o vagão encheu e um grupo muito maior chegou fazendo O Escárceu, cantando o mais novo hit carioca “CRÉÉÉÉÉÉÉUUUUUUUUUUUU! CRÉÉÉÉUUUU! CRÉU! CRÉU! CRÉU!” e ao longo da viagem cantaram todos os pancadões etc e tal.

Saí de lá e fui andando em direção a praia e não sei se é meu olho clínico ou se mais alguém reparou, mas eu via gays por toda a parte, casais de mãos dadas. Era uma coisa bonita, sei lá. E continuei a andar, a praia estava fervendo de gente e de repente eu começo a escutar um pancadão e logo grupos de pessoas começaram a dançar e eu não conseguia mais me mover. E aí chegou um moço me dando um beijo no rosto e dizendo "Feliz Ano Novo!", educada que sou, retribui com um "Feliz Ano Novo." e aí ele me deu mais um beijo no rosto e depois começou a falar "agora um beijo de despedida" e aí ele tentou me agarrar, e eu dizendo "não, não, não". Aí eu fiz assim : Sabe como é? Colocar a boca pra dentro, sei lá... é isso e fugi, sem beijo de despedida, graças aos céus!

Aí eu vi o Fabiano! Fabi, Fabz, Fabiano, Telha… acho que eu já comentei algo aqui sobre a minha saudade dele recentemente ou algo assim. Ele trajava uma bermuda muito velha e bonita, um tênis preto e umas meias pretas, acho que era pretas, ou roxas… e estava sem camisa (calor, calor, calor) e eu adoro seu cabelo colorido de 39289013 cores. Ele tem o símbolo do anarquismo nas costas. Também tinha o Henrique, mineiro do cabelão, sotaque de pão de queijo e barba bem cuidada. E o Ezófe, mas que eu chamo de Zó, porque é mais simples. Teve uma hora que uns playboys bêbados ficavam enchendo a paciência pra tirar foto com ele, “Bob Marley! Hic! Tira foto! Foto! Foto! Foto (coro)”.

Aliás, ele possui uns dreads e parece o Falcão! E tem o Danilo… acho que é Danilo, ele também em uma tatuagem que cobre as costas e ela parece uma foto, de uma qualidade incrível e umas loiras o abordaram pra dizer que ele era gostoso ou alguma coisa assim. E tinha a Juju. Jujuzinha melancia. Resolvemos que iríamos ver os fogos de frente pro mar, nada de ficar vendo do calçadão ou na areia, ficamos tão perto que a água molhou meus pés. Estávamos falando alguma coisa sobre quem iria pedir um isqueiro quando ouvimos o barulho de champagne e um altíssimo “Feliz Ano Novo, porra!”, então nos abraçamos e o Fabiano disse “nossa, mas que céu brilhoso! E esses fogos, dá até vontade de comer.”

E fomos para Ipanema, e no meio da muvuca eu vi o Marcelo. Marcelo. Marcelo é um hare krishna que eu conheci uma vez e conversmos sobre tudo, já falei dele aqui. Ele estava no meio de uma multidão de pessoas com batas cantando “Haaaaaaaaaaare, hare krishna, hare, hare krishna, hare krishna… lálálá” e plaquinhas… e para dar uma força eu cantei também, bati palmas e tudo. Prosseguimos nosso caminho no vuco-vuco para ver a tal rave que todo mundo tava falando, mexer o esqueleto… não sou muito fã de música eletrônica, mas eu queria dançar, sei lá. Chegando lá a música era meio lenta e enfim, babau. Não vou esquecer o momento em que uma menina falou super alto “se me arranjarem uma loira linda, eu pego!” Babau, babau. o Telha pegou umas rosas. Aquelas rosas que oferecem pra Iemanjá, sei lá, só sei que eram daquelas coisas de oferendas, sou tola demais pra entender essas coisas e ela era cheia de espinhos, estávamos pensando em dar uma para um policial e puxar ela pra cima e ele apertar a parte com espinhos. Maldade.

Jurubeba viu um grupo de mocinhos bonitinhos e deu uma rosa para um deles. E toda a hora cruzávamos com ele e sua trupe e eu dizia “Muso! Muso! Muso!” e saibam que ele não jogou a rosa fora! Um fofo, um amor de pessoa. Ai, esse post está muito grande, mas eu sou uma chata e gosto de detalhes. Tá, tá, tá, o Ezófe sumiu e eu não lembro pra onde ele foi. Voltamos pra Copacabana, eu brinquei de ser águia, abri meus braços e fingi que voava. Já eram 4 e pouca da manhã, mas Henrique e o Danilo (será que é esse o nome?) precisavam ir e foram embora. Então sentamos em um lugar, um palco de boêmia, cheia de latinhas de cerveja, cigarros etc e tal, falando sobre as coisas da vida, cultura, música e várias coisas. Depois-depois fomos pra uma praça qualquer, praça linda e sentamos em um banco gostoso, chapados de sono e nos abraçamos — sem vontade de ir pra casa e aí já eram 6 da manhã, nessa altura falávamos coisas sem sentido.

Cochilamos e fomos para a casa dele, para que nós fizéssemos bolinhos de arroz, depois cochilamos de novo, ele fez comida (olha, cozinheiro!) e nós fomos ver uns filmes. Aliás, eu liguei milhares de vezes para minha mamãe, então não digam que sou uma irresponsável que preocupa os outros. Mas ela não atendeu. Quatro horas da tarde liguei e Deus e o Mundo estavam preocupados comigo, gente nada a ver com a história, todo mundo preocupado. Achei aquilo tudo uma bobagem, odeio essas preocupações exageradas e mamãe disse que um amigo meu disse que tinha me visto na praia com uns “roqueiros drogados e esquisitos” (?). Para ele, então, eu sou o quê? Só não sou drogada, porque eu consigo ter altas viagens naturalmente. Fiquei com um certo receio de dizer a verdade, que eu fiquei conversando até altas horas, cochilei e vi filme. Talvez ela não acreditasse, mas a realidade era simples assim. No caminho para nos levar ao ponto de ônibus, escutamos de um grupo machista, autóritário, homofóbico (palavras do Telha) o seguinte:

— Bando de gay! Cabelo de viado!

Expliquei para o Telha, que os tais viados agora possuem um corte universal e são iguais, para se diferenciar da população hétero cujo cabelo é curtíssimo ou raspado. E por onde passávamos, as pessoas nos secavam e era tão estranho. Telha explica: “eles querem saber se a gente é homossexual ou toma pico na veia”. Foi divertidíssimo e eu adorei. Chegando em casa eu expliquei tudo, toda a história e a minha mãe acreditou. Que bom. É isso aí. Eu sei que ninguém achou divertido, interessante e blábláblá. Mas eu achei. Uma beija e um doce pra quem ler até o fim.