sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

29

Vinte e nove de fevereiro de dois mil e sete. De quatro em quatro anos. Importante, tipo Copa do Mundo. Na verdade não, mas ambos são de quatro e quatro anos. E isso é inútil.

Verei Bob Dylan.

Manoela,
Acho que até sei de onde você tirou essa idéia da UFRJ. Aquiiilo era uma piadinha interna. Nem me agradam direito os cursos da UFRJ.
Beijo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Lucky

— Oi, aqui vende café, assim, já pronto? Tamanho médio?
— Sim. Temos os tamanhos: pequeno, grande, média grande e média pequena.
— Não tem média-média não?
— Não-tem-não-senhora.
— Médio grande ou pequeno?
— Grande, vai.

Aí eu fui comprar uma bala assim, daquelas de menta em uma banca de jornal.
Uma mocinha muito fofa e simpática comprou um cigarro e ficou lá, jogando charme, acompanhando os meus passos. Daí, me deu uma vontade incontrolável de dizer uma coisa pra ela, porque me veio na cabeça e tudo mais.
— Olha, menina, ó. Eu não gosto desses moralismos e tudo mais, mas ó. Fumar causa câncer! Eu me preocupo com as pessoas, mesmo que elas sejam desconhecidas. Então, você pode fumar loucamente até os trinta que eu deixo. Ou depois dos sessenta. Tá bom?
— Nos trinta eu paro. Te prometo.
— Olha, eu tô atrasada, tá? Beijo, tchau. Amanhã te vejo fumando o seu cigarro diário.
— Não, espera. Você fuma também?
— De vez em quando. Lucky Strike.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Momento

Um momento dura noventa segundos. A vida é constituída de momentos. Logo, a vida é constituída de vários blocos de noventa segundos.
Eu sou uma mais sonhadora dos sonhos inúteis. Os sonhos mais inúteis que você pode imaginar. Eu queria, eu só queria, muito mesmo, fazer um filme. Queria que alguém de muita importância criticasse, falasse todos os adjetivos que designam coisas más e dissesse que o filme não passava de uma merda sem sentido. A pessoa importante teria de me detonar em algum programa da TV aberta.
Aí eu invadiria o programa, olhava bem no fundo dos olhos da pessoa importante, mandaria um beijo pra todas as pessoas inesquecíveis e aleatórias da minha vida e (em tom ameaçador), diria: “olha aqui, presta atenção, seu filho da puta, olha bem pra minha cara, me respeita.”

Estou ferrada e meio sem rumo, baby. E aí? Eu me ajeito. Eu posso ser tudo, eu posso fazer tudo. Eu posso até viver só de amor, sabia? Mas me escuta, escuta porque o que eu ando dizendo é muito importante. Olha bem no fundo dos meus olhos. O que você vê? Não, não diz agora. Eu olho no fundo dos seus olhos e te vejo do avesso. Eu posso ver todo mundo do avesso, quando tem um olhar profundo e cheio dos significados que nem o seu, assim. Sabe que em outubro, acho que foi outubro. Em outubro ou novembro eu conheci uma francesa que voltou pra França no fim do ano. Mas ela volta. Ela vai e volta, que nem aquele brinquedo infantil, que tem umas cordas e um banco desconfortável. Como que é o nome? Balanço? É alguma coisa assim.
Eu sei, exemplo horrível. Ela era o tipo de pessoa que sabia usar bem as palavras, usava tão bem que ela tinha o português melhor que o meu e vivia me impressionando com pensamentos indignos. Um dia, ela disse “amorzinho, tô indo pra casa ficar um tempo com a família do meu papai. Vê se não esquece de mim, tá?”.
Nos conhecemos no cinema, eu fingia um ar desinteressado. Aí ela me abordou. Não lembro direito o que ela me disse, mas ela me deu um papel. Depois eu lembro.
Mas eu não me importo. Nem lembro o que eu ia dizer. Olha que eu tenho uma memória ótima. Estou falando demais. Mas é sempre assim, eu sempre falo demais eu sempre faço tudo em excesso, eu não sei usar a vírgula, o ponto, o ponto-e-vírgula. Eu não sei pontuar. Mas eu não me importo. O pensamento continua o mesmo. Você sempre me fala dos seus dias ruins com um puta sorriso. Acho que eu acabei pegando isso de você. Mas não é sempre.
A maior parte das vezes eu falo super irritada, falando tudo sem parar, sem pausa e sem vírgula. Sabe que hoje eu engasguei almoçando? Foi uma cena hilária, linda mesmo, digna de Oscar. And the Oscar goes to… ! Vamos, fale-me de você, da sua vida. Como que anda a sua vida? A minha anda mais ou menos, mas eu minto dizendo que vai bem. Amanhã talvez mude. Talvez tudo mude. Eu não queria que fosse assim, você sabe. Mas as coisas são assim, eu gosto assim e foi porque Deus quis. Sabe? Então, sabe sim, você entende e acha tudo plausível demais. Cansei. Vou tomar um café. Café é viciante. Nunca tome. E, logo após você tomar café, escove os dentes. Pelo amor de Deus, meu bem. Faz o favor, tá bom? Beijo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Fight

Ela fez aquela cara. E eu já conhecia aquela cara, teria que pedir desculpas mil vezes seguidas depois. Aquela cara. Começa o discurso dela.

— Não sei quando terminará seu arsenal de desculpas.

Ela estava de frente pra mim, com os braços cruzados e batendo o pé no chão, esperando uma resposta. Estava brava comigo porque eu ando meio afastada, nunca tenho tempo pra sair com ela, alguma coisa assim, sei lá. Ela continua falando alguma coisa e eu não consigo ouvir direito. Não consigo me concentrar. Respondo monossílabos. Tô tentando me concentrar.

“eu já nem sei direito como falar com você, já que percebo que você não está ouvindo uma palavra, cara, você é muito filha da puta…”

Fecho os olhos, imagino uma areia bem fofa, um dia bem frio, o mar, uma praia vazia. Volto a realidade. Ai, que saco. Raquel, respira, um, dois, três, quatro, cinco. A garota em questão é a Juliana. Poxa, eu gosto dela, quero ficar numa boa, ela é uma ótima amiga, divertida. Mas somos diferentes demais e ela não entende isso. Temos diferenças absurdas de uma pra outra e me irrita toda a vez que entramos em atrito por coisas que eu julgo bestas e ela faz uma tempestade. Respira. Um, dois.

— Ok, desculpa, tá. Eu errei, eu sempre erro e sempre vou errar, tá legal? Perdoe-me. Eu não deveria ter dito que ia lá no negócio, onde que é mesmo? Então, eu não deveria ter dito que ia com você lá-no-lugar-xis pra depois não ir. Mas eu tô com dor de cabeça e cólica, tá bom?

Já estava me irritando toda aquela briga imbecil.
— A questão não é essa, Raquel! Mas é que toda a vez que nós combinamos alguma coisa você desmarca, ou não aceita, ou então inventa alguma coisa… Que falta de compromisso.

Me transporto pra praia de novo. Shiiii. Aí eu começo a ouvir uma música bonita, música linda, daquelas que você sente vontade de cantar em todos os lugares, aquela… como que é o nome? Só sei que essa música é linda. Quem me apresentou foi a Luiza. A Luiza, atualmente, me odeia e eu nem lembro mais direito o por quê. Na verdade eu lembro sim. Eu não afasto ninguém, sabe? Aliás, não gosto de brigar e de afastamentos, mas isso acontece sem que eu queira porque… Deus! Só arrumo gente complicada!

A Luiza era o tipo de garota volúvel, feminista, porra louca que namorava um cara de de um outro estado, do outro lado do Brasil. Ela era tão impulsiva que viajou escondido e ficou uma semana lá. Ela era bem mais impulsiva que eu. Ela já foi totalmente desvirtuada — que nem eu. Ela cresceu e eu não, não crescer literalmente. Mas a Luiza se transformou numa garota séria, totalmente diferente. Lógico que eu também sou “séria”, mas eu oscilo. Ela não.

Eu sempre disse que aquele namoradinho dela ia acabar fazendo isso. Os dois não tinham nada a ver. Eu sempre vejo ela, dia desses, converti minha timidez inteira em coragem e disse que estava com saudades dela. Ela foi tão ríspida que eu quero distância.
Gente ríspida me traumatiza.

A Juliana é extrovertida, sociável. Ela também é mais imatura que eu. Aliás, ela se irrita facilmente! E quando a gente briga, eu fico calada e aí ela fica puta. Se eu digo alguma coisa, ela fica mais puta ainda. Fiz ar de tédio. Ela é uma pessoa linda (por dentro e por fora), a gente tem uma pá de coisas em comum, ela é uma das pessoas mais legais que eu já conheço, mas essa mania dela de querer brigar por tudo me irrita.
— Presta atenção: eu já pedi desculpas, estou arrependidíssima.

Ela saiu como um furacão. No dia seguinte, ela utilizou o tom de voz mais ameno e delicado (infalivel), me abraçou e disse que eu não tenho jeito mesmo e que me perdoava.

— Mas quem tem que perdoar alguém aqui sou eu. Você estava errada que eu e foi injusta.
— Quê? Eu venho aqui numa boa, em missão de paz pra dizer que perdôo e você diz que sou injusta? Dá licença.

Começou tudo de novo.

Sonho

Sonhei que cantava “Fuscão Preto” em um pub de Londres. Tinha um loiro bonitão do meu lado, com violão e um sotaque francês. Todo mundo sorria e parecia gostar. Só pode ser sonho mesmo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Beijinho pra mamãe e pra você

Madrugada do dia 16 ou 17. Não lembro. Nem ia postar isso aqui, eu estava meio… Alta.
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Eu tô cansada, cara. Eu tô irritada também. Sabe como é? Irritabilidade e cansaço. Eu tô cansada do ócio, eu tô cansada da vida, tô cansada de pensar, eu tô cansada de tudo. Tudo mesmo. E aí? Como é que fica? E aí? Vê se não me enche o saco e me escuta. Me escuta, porque o que eu vou dizer é importante.
E aí que eu estou sobrevivendo nessa selva, mas isso cansa. Cansa muito, cansa tanto que você até cansa de ficar cansada do cansaço das coisas que cansam na vida, que cantam. Nem consigo mais dizer coisa com coisa.
Todo mundo tá bem situado na vida, inclusive eu. Mas é que eu queria ser uma puta de uma filha da puta corrupta que ganha milhões. Eu ganharia milhões e poderia fazer aquela mesma manhã permanecer por dias e eu poderia fazer tudo, poderia fazer com que o tempo parasse. Acho que estou ficando meio bêbada, sei lá. Meu rosto queima e quando eu estou bêbada eu começo a falar sem parar e o meu rosto queima, aí eu fico puro charme e aí eu sou toda sorrisos, canto de lábio, entre dentes, fico toda boba e sorrio por tudo e me alegro por tudo e acho que a vida é uma coisa formidável.
Peguei um cara feio pra diabo. Acho que ele era feio, sei lá. Fui agarrada e o absurdo, o cara tinha uns trinta anos e a maior cara de quem já fez de tudo nessa vida. Sem tirar nem pôr. E isso acaba com a gente, o desgraçado acabou comigo, estragou meu dia e fodeu a minha vida vida.
Não acredito que eu seja tão irresistível a ponto de ser agarrada, devo estar com a aparência horrível, porque o gosto popular é uma coisa de louco.
Uma guria quis me bater do nada, quis se atracar comigo do nada, apontou o dedo pra mim e tudo. Estou bêbada mesmo, caso contrário entenderia aquele dedo na minha cara como uma grande afronta. Mas não, comecei a rir, pensando “nossa, que guria engraçada, apontando o dedo, querendo me marcar pra vida toda, sei lá”
Uma bonitinha ela. Ao contrário do cara que tem cara de revendedor Avon que me agarrou. Ele era horrível. Nossa Senhora! Todo mundo achou ele bonitinho, mas ele não deixava de ser horrível. Que proeza, hein, Raquel, que proeza.
Voltei pra casa de metrô. Simples, rápido e garantido. Não vou me perder por aí, nem posso. Não sou pipa nem nada. Só sei que quando cheguei demorei uns dez minutos pra encaixar a chave na porta. Estou irritada.
Estava irritada. Estava irritada porque um moço com a quase-idade do agarrador de pessoas vulneráveis e inocentes (eu), porque ele ficou me falando de toda a puta vida feliz e bem-sucedida dele. Contou a vida toda. Mas eu queria ficar só, não estava pra ele. Mas ele não entendeu, não entendeu que eu não tinha aquele nome que eu disse e não entendeu que eu não estava pra ele. Ele contou tudo-tudo. A puta história dele, da puta da mulher dele, da puta da filha dele, da puta que pariu.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Atualmente, a minha felicidade se dá no sábado, precisamente às três e meia da manhã (madrugada), de mãos dadas com alguma pessoa xis — incógnita. Eu olharei pro céu e verei estrelas tic-tac plim plim. Se chover, se pingos caírem do seu, certamente eu lembrarei do céu São Paulo. Mas aí eu vou olhar pro céu acima da minha cabeça e vou pensar como seria morder aquelas estrelas lindas e continuarei andando, pensando na vida complicada, virando na esquina e chegando em Portugal.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Bubu

Dez comentários! Eba!

Lembro-me exatamente o motivo pelo qual criei este dito blog. Na verdade é mentira. Eu lembro que conversava com Larissa Xavier (tu mesmo!) e aí ela falou alguma coisa sobre alguma coisa e eu criei. Simples.
Eu me lembro também que foi em uma época da minha vida que eu estava quase enlouquecendo e resolvi ficar escrevendo. Aliás, eu escrevia em um caderno sem um fim específico. Assim como tudo isso que vocês lêem eu não escrevo para um fim específico. Gosto de registrar acontecimentos, narrar fatos aleatórios que me marcam de alguma forma e ficar falando da minha vida (chata).

Eu nunca parei pra pensar que isso realmente virou um ponto de encontro do acaso e que o acaso vive me trazendo pessoas que volta e meia falam comigo, aparentemente do nada. Vou listar aqui quem aparentemente do nada já apareceu, ao acaso, pra falar do acaso e de como apareceu aparentemente do nada e de que lê meus devaneios de menina desocupada. Disse que estava trabalhando? Secretária. Hoje uma senhora ligou, uma tal de Ozélia-Eucélia-sei-lá. A voz dela era de quem fumava três maços de cigarros todos os dias há, pelo menos, quarenta anos. Ela foi uma grossa. E eu tentava transparecer a maior doçura. Mas não deu.

A primeira pessoa que apareceu do nada foi o Gabriel (não o Botelho). Ele traduz aquelas tiras do Cianeto e Felicidade. Ele mesmo. Depois foi a Karine, que mora no Maranhão, mas é de Brasília. Ou ela foi antes do Gabriel? Antes. Depois, depois eu não lembro mais.
Depois veio a Mariana, de Curitiba (tu mesmo!). Vez em quando ela aparece, me manda um recado pra falar sobre o seu dia. Eu gosto disso. Uma vez, uma única vez, uma Ana, de Curitiba também se manifestou. Ela gostava de Sonic Youth.
Recentemente, uma menina de Rio Branco (Acre!) apareceu, Veriana Ribeiro, cujo nome me soa como um pseudômino, sei lá. Acho que a Magda é amiga dela. Guria, como que tu pode ter 1,52? Tão baixinha! Que fofa. (gente mais baixa que eu é fofa)

Mirela! Mirela! Mirela! Nós fomos ao shopping (?), juntamente com Dani. Resolvemos tirar fotos, mas a maldita câmera nunca enquadrava nós três. Entonces, tivemos a bela idéia de pedir a alguém para tirar a foto. Eu mandava um singelo "Psiu!" e uma piscadela. As pessoas faziam cara de "é pegadinha?" ou de "não tenho esmola". Aí, uma garota me deu atenção, deu meia volta e o namorado dela, apertou forte a mão dela dizendo não-não-não e ela dizendo sim-sim-sim. Só que o ego dela falou mais alto e ela se desvencilhou dele. Ela havia entendido que queríamos fotografar ela (?)! Quando ela entendeu que era pra nos fotografar, sem ela no meio, ou sem ela individualmente, bom, ela brochou, tirou uma foto tremida e foi embora. Nessa uma hora e meia, ficamos vendo uma guriazinha sozinha, provavelmente esperando alguém. Até hoje chamo ela de "O Retrato da Solidão". Mirela! Putz! Ela pode confirmar que eu sou uma pessoa desprovida de beleza e acima do peso.

Nossa, pensando bem, já apareceu tanta gente que eu não me lembro no momento. Lídia! A outra, de São Paulo, como que é o nome, a do blog do Angels nãnãnã, Deus, como que era o nome dela, acho que era Mariana. Tem o Thiago também! E o Botelho! Botelho, você faz parte do meu dia. Te gosto muito!

Atenção especial: (meu comentário no blog do Botelho: Eu realmente fico impressionada com essas pessoas que aparecem do nada! Mas as que eu mais gosto é uma tal de Cláudia dos olhos coloridos e uma tal de Nathália dos olhos coloridos, todo mundo do olho colorido deve me perseguir)
A Cláudia se manifestou através de um comentário dos comentários mais cute-cute que eu li. Eu li, na minha não-lucidez, chapada de sono, às duas da manhã.
A Nathália, com toda a certeza do mundo, deve ter os olhos mais coloridos do universo! Eu gostaria que ela soubesse que ela possui os poderes de fazer comentários fofos e cute-cute, legais, bonitos e emocionantes. Não sei bem se o blog está bombando, diria mais que, sei lá. Acaso?!

Vê, a Nathália deve ser tipo aquelas gurias loiras de shopping, tipo aquelas que tem cabelos ao vento em slow motion. Se eu freqüentar uns 7 meses de pura academia ficarei gostosa, típica brasileira, típica carioca, só faltando samba no pé e felicidade all the time. Eu praticamente só ando de tênis, porque eu ando muito, eu vivo andando pelo Rio de Janeiro, porque a pé (apesar de cansativo) tudo é mais divertido e bonito. Acho. A Juliana melancia (é que ela tem uma tatuagem super escondida de borboleta, aí eu levei ela pra colorir a borboleta e o mocinho coloriu ela de forma que parece uma melancia), o que eu ia dizer é que eu ando muito e que uma vez Juju e eu fomos andando de Ipanema até a Tijuca, só conversando e que o dia estava lindo. Gosto da Juliana porque me entende. Nesse dia, quando chegamos na Tijuca, pegamos mór chuva, dançamos e cantamos. Pegamos um ônibus, aí eu disse "Bem que na verdade eu tinha um guarda-chuva", aí ela disse "Eu também".

Hoje! Hoje fez um calor infernal! Nossa, eu estava suando baldes no café da manhã (não dispenso o café e ponto final). Cara, eu estava triste de tanto calor! Que calor! Jesus! Que calor!
Eu queria que aqui nevasse, ou pelo menos, ao menos, assim, um pouquinho que fosse como Petrópolis. Petrópolis é um lugar lindo, mas só pra visitar — pra morar não.
Sei lá o que eu faria com a neve.

Hoje, eu com toda a doçura e sensibilidade que habite o meu ser, atendi o telefone do escritório em que trabalho com meu pai-que-é-tio-patrão. Uma senhora, com uma voz de quem fuma quarenta maços todo santo dia há, pelo menos quarenta anos queria falar com a Vaneide. Aí eu, com toda a doçura e sensibilidade disse que não era o escritório da Vaneide e que, se caso ela aparecesse, gostaria de deixar um recado.
— Mas aqui é a irmã dela.
(detalhe que a Vaneide é amiga do meu tio e não tem irmã)
— Ok.
— Que horas ela aparece?
— Não sei. Alguma hora ela aparece.

Daí ela desligou na minha cara. Fiquei magoada. Sério.

— Uma tal de Ozélia, Eucélia, sei lá, ligou pra cá querendo falar com a Vaneide.
— Ela tem uma voz de velha, né?
Gosto do meu tio porque ele capta rápido o espírito da coisa.
— Isso!
— Sei quem é. Voz de fumante e grossa ainda por cima.
Gosto do meu tio porque ele capta rápido o espírito da coisa.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nathália,

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Segunda pessoa que admite que pensou em mim alguma vez, recentemente: Nathália. A primeira foi o Gabriel B., que dia desses disse que pensa em mim ao menos uma vez ao dia. Não sei se foi bem isso, nem lembro direito, aliás. Faz um tempo. Quer dizer que você passou o Carnaval inteiro na praia? Own, que bonitinho! Pulando na areia. Eu já estava meio que em depressão-de-folia, até que me deu um negócio assim, um treco do nada, sabe, menina? Aí eu saí, fui pra bloco de Carnaval em tudo. Juro. Lógico que em companhia de meus amiguinhos animadores de Raquel e aí eu conheci um inglês de olhos inegavelmente azuis e sua irmã ruiva. Não fiz nada de incrível, mentira! Fiz sim, fiz coisas incríveis e felizes.

A Nani, que é uma menina do Espírito Santo disse que viu pessoas caipiras, bregas e muito feias comendo uma pizza e ficou assustada e ela disse que lembrou de mim (?)! Aí eu disse “eu, por acaso, dou a impressão de ser muito feia, brega e caipira”? Aí ela disse “não, é porque você sempre repara nessas pessoas”. De fato, é isso mesmo. Mesmo com meus amiguinhos e um bloco de pessoas que pareciam que possuíam um demônio no corpo, eu não pude deixar de notar certas figuras estranhas.

Juro que queria saber o que leva alguém a lembrar de mim. Olha, tem muita, mas muita gente que diz que sou mordível e não só dizem, mas como mordem! A inglesa ruiva, irmã dos inglês loiro dos olhos azuis, me deu uma mordida. Cara, doeu! Mas eu não me importo. Ela era mordível também, mas eu não vou morder uma inglesa que mal conheço, certo? Errado.
Mordi mesmo. Pronto.
Quando alguém pergunta como eu sou (fisicamente) eu não sei mesmo o que dizer. Sinto dizer que não sei como eu sou. Sei lá. Cabeça redonda que nem um prato, mãos pequenas, sou baixa (minha altura oscila entre 1,62 e 1,65, não sei ainda, sistema métrico estranho). Sei lá.
Cabelo preto. Nariz de batata. Olhos castanhos escuríssimos, que aliás, dependendo do meu humor, ficam tipo de cachorro sem dono, dão pena (segundo algumas pessoas). Cara, o que eu digo? Eu não gosto do meu nariz, como a maioria dos seres mortais. Eu sou gorda. Ok, não é gorda-gorda, só gorda. Sei lá, calço 37 (o número universal). Desisto. Não devo ser mordível. Eu deixo tu deixar a sua arcada dentária em mim, fico lisonjeada.

Ciúme pouco e disfarçado é fofo. Ciúme louco não. Esqueci de especificar isso na minha cartinha, eu já mandei. Quis transcrever pro computador para ela não se perder por aí. Ciúme louco me dá medo, só entrou uma pessoa na minha vida com ciúme louco de tudo. E aquilo me assustava muitão. Agora, o resto é bonitinho.
Sabe por que me dá medo? Porque eu lembro daquela época de Mulheres Apaixonadas que o Marcos batia na Raquel (Raquel, hãn, hãn, eu, personagem, medo). Não quero ser morta.

Ok, então você diz que é uma branquela loira (acho que você disse isso alguma vez na vida, não lembro), magrela chupada, tipo modelete? Que engraçadinho. Essa gente que nem tu é engraçadinha.

Acordei com meu queixo doendo, parece que eu levei um soco. Dia desses foi meu rosto. Tá doendo. Será que eu bati na cama?
Como eu disse no post anterior, ando escutando baladinha romântica hard rock, que são em inglês. São trágicas, menina! Muito trágicas! Mas, entre essas músicas ridículas, eu escuto música trágica em inglês de verdade, daquelas que doem no coração, na alma, que dá vontade de você chorar litros forever. Realmente é divertido. Em espanhol também, mas é que o Estevão é um argentino que adora um tango e músicas trágicas em espanhol, então. Bom. Quais são as tuas novidades?

Ah sim! Eu estou bem!

Identidade

Toda a hora em que eu sentava no sofá pra escrever alguma coisa (pelo menos tentar), alguma coisa acontecia.
Ou eu me cortava sem querer com alguma coisa que eu nunca sei o que é, ou eu chutava a quina da mesa sem querer (isso no trajeto para o sofá) ou alguma coisa, sei lá.

Ontem tirei a identidade. De novo, pela milésima vez, porque ela foi roubada há uns seis meses, sei lá. Não tenho noção de tempo. Tempo pra quê?
Fui no Detran, aí a moça disse que lá não tiravam foto, porque a merda da câmera quebrou há duas semanas. E eu estou enrolando com isso há três semanas! Que raiva! Que ódio.
Fui andando (uma distância enorme) até o lugar que tirasse foto mais próximo, com uma mão no bolso e outra no coração, paguei o preço “módico” de dez reais. Uma merda de foto!
Qualidade horrível, o cara não era nem um pouco profissional e era um escroto! Um grosso. Em vez dele tirar a foto certinho, ele tirava a foto de cima!

Que raiva (parte dois)! Quando vi, saí sem nenhum centímetro ou resquício de pescoço. Odiei a foto e pedi pra ele apagar, além da minha cara de bêbada constrangida. Só que é algo dele tirar a foto de cima das pessoas, ou seja, em todas as fotos saí lindamente sem pescoço. Ok, paguei com muito ódio mesmo a minha linda foto despescoçada. Daí eu fui lá no Detran de novo e sempre tem um porém. A minha certidão de nascimento era uma cópia autenticada e não a original e teria de ficar retida. Ai que saco! Calma, Raquel, um, dois, três.

— Como assim vai ter que ficar retida?
— Quando é original a deve devolve. Quando é só uma cópia autenticada ela tem que ficar retida.

Culpa do meu pai, eu já tinha tido problemas com essas cópias que ele inventa que é a original. Pra quê que ele quer ficar com a original? Ele está bem longe de mim, eu não vejo ele fazem uns cinco anos e ele está vivendo uma vida calma em um apartamento em algum lugar de Alagoas, em frente a praia, provavelmente. E provavelmente lendo. Ou incentivando gurias a chutarem os guris quando eles tentarem bater nelas. Já tinha sofrido muito — agora iria até o fim.

— Tá tudo bem então. Deixa, tudo bem.

Aí eu dei tudo o que tinha que dar, incluindo a minha foto ridícula e ela, as digitais e pá. Ela era muito bruta na hora que colocar as digitais no papel! Nossa Senhora! Uma mulher muito grossa, que nem o cara que tirou a foto. Ok. Ela disse para eu voltar lá em trinta dias.

Fazem quatro dias que escuto músicas deprimentes, de bandas que eu não escuto há uns… 5, 4 ou 6 anos. Tempo, né? Eu já fui viciada nessas porcarias musicais, por influência de um mocinho de Juiz de Fora. Ele era legal, porém era previsível demais.
E um dia eu enjoei dele, tornou-se insuportável. Ele era tão previsível que eu saberia que ele jamais largaria-me de mão.
Ele era tão previsível que eu sabia que ele iria namorar uma amiga feia dele. Essa menina tinha uma irmã gêmea, só que a irmã gêmea dela era bonita (!). É que eu reparei que a amiga desse amigo previsível tinha o queixo estranho, diferente. Não é que eu fique reparando no queixo das pessoas, nem ligo, aliás. Deixa pra lá. É que às vezes dá uma nostalgia e eu ando meio triste-trágica. Aí eu lembrei dele! E das músicas horríveis e viciantes que me me apresentou.
Sabe balada, que é aquela música com solos enormes e românticas? Então, baladinha hard rock que dá aquele aperto no coração? Era exatamente o tipo de música que ele adorava! Não sei.
Aí um dia eu contei uma mentira bem tosca pra ele, porque ele, como previsível que era, iria atrás da verdade. E foi. Aí ele nunca mais falou comigo e eu dei graças aos céus! Foi isso.

Hoje, consegui escrever alguma coisa qualquer sã e salva.

Marie, aceito nutella sim. E fazem 4 anos que eu não como nutella! (anda caríssima, sabe?)

Victor, eu não sei fazer charme. Não é charme! Como faz? Acho que devo ser louca por não gostar de (quase) nada do que eu escrevo.

E, moça de Rio Branco: o site me arranca sorrisinhos, mas confesso que me peguei rindo descontroladamente às 3 da manhã no post do casamento Margô (Margareth Menezes).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Estevão

Estevão, meu querido

Hoje lembrei de você. Eu estava a ouvir “Vapor Barato” em um daqueles negócios pequenos e modernos, em que você escuta música. Então eu lembrei daquele filme, lembra? Terra Estrangeira. Chorei horrores vendo aquilo e lembrei de você. Cortou o cabelo? Estou com saudades absurdas de você. Volta logo, porra! Tô te devendo um abraço, né? Sabe que hoje eu conheci um inglês? Eu me esforçava muito pra entender o que ele dizia. Você sabe, o meu inglês é americano. No inglês americano, todo mundo fala embolado, misturando palavras, colocando uma por cima da outra (e isso se torna entendível pra mim) e no britânico não, é tudo certinho, a pronúncia é diferente. Inglesinho típico ele: loiro dos olhos azuis.
Engraçado ele. Azul mesmo, não era verde e nem castanho claro. Ele tinha os olhos coloridos, mas agora eu posso especificar, porque eram olhos ridículamente azuis.
Eu continuo andando pelo mundo, escrevendo algumas coisas pra passar o tempo, pensando demais se alguém pensou em mim durante esses dias, pensando em possibilidades, em pessoas no geral, ouvindo músicas que me lembram você e me apaixonando loucamente por muitas pessoas e ao mesmo tempo — eu sou um perigo. Você sabe que eu nunca fui de ficar cheia de derretimentos por ninguém, mas dia desses algumas pessoas enfurecidas de ciúmes de mim (?) apareceram. Três pessoas. Você sabe que eu sou uma pessoa muito “dada”, não no sentido dou-pra-todo-mundo, sou-promíscua, sou-de-todo-mundo, puta-vadia. Eu só sou desencanada e não acredito que alguém possa sentir ciúmes de mim. O “dada” que eu digo é que eu trato quase todo mundo com uma intensidade, sabe? Eu sei que você sabe. Preciso discutir a relação com os amigos. Sorte (?) que estou solteira. Isso é bom. Nada de compromissos com ninguém, de cobranças, de amor, de paixão, sexo, beijos, presentes, palavras diabéticamente doces, ciúmes, blábláblá. Anteontem eu estava estressada demais. Muita enrolação, muito estresse, pouca putaria, pouca alegria. Então, não tô muito a fim de ter uma corja de ciúmentos atrás de mim. Mas (dos quais se manifestaram) só são três. Ou seriam dois? Acho que são dois. Ciúme disfarçado. Tinha que ver — não deixava de ser uma fofura. Ciúme é uma coisa fofa. Dá vontade de comer, sei lá. Acho. É ou não é?
Todo dia está chovendo. E eu amo isso. Eu gosto de chuva. Os pingos caindo no céu e pf, molhando o chão e as casas e as pessoas. Hoje caí da cama. E você? Conte-me de sua vida. Vamos morar em uma ocupação com gente fodida na vida que nem a gente? Estou te esperando para fazermos bolinhos de arroz e travessuras.
Te amo, seu estúpido.

Abraço, aperto na bunda,

Beijo.

P.S.: Tô te esperando também pra gente cantar músicas trágicas em espanhol e dançar um mambo bem caliente por aí.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Folia

São exatas 6:03 da manhã e eu não dormi. Ontem dormi quase nesse mesmo horário e acordei às quatro horas da tarde. Estraguei o meu dia de ontem. Até ontem (e anteontem e todos os dias que antecedem o anteontem), eu estava muito irritada com a folia, com os blocos, com a Sapucaí e a Nathália tá certa: é sambódromo mesmo. Eu sempre escuto tudo errado.
Mas aí, eu acordei às quatro da tarde tão feliz. Sei lá, sem motivo aparente. Feliz, completa, nãnãnã. Raríssimo isso!
Os meus vizinhos estão escutando todos os sambas enredo do universo. Aí eu coloquei um róquenrou no último volume. Ficamos competindo. Eu nunca ouço música em volume alto, pois não gostaria de atrapalhar meus vizinhos.
Daí eu fiquei com uma vontade louca de sair, dançar, beber, desenhar, pular, sei lá. Mas deu uma preguiça. E falta dinheiro! Só sei que eu estou querendo pegar alguém, morder. Ui! Pronto, falei. Essa é a verdade nua e crua. E aí? Cadê os convites?

P.S.: Peço encarecidamente que Mirela comente do jeito que bem entender. Sem tentar dizer coisas vazias por “não conseguir me acompanhar” (hmmnsanmn…). Eu gosto de comentários grandes e complexos, você pode debater em um comentário todos os tópicos que dariam conversas de horas, tá me entendendo?



Obs.: Tarja preta, Bianca, baby, amorzinho, fica comigo forever?