quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ex

No dia de hoje, o papo mais produtivo foi falar sobre ex, ex dos outros, sobre a importância dum-duma ex na vida das pessoas e sobre a minha vida sentimental, sobre a minha relação com o mundo, sobre as atrizes globais que pegavam mulher a rodo em baladinhas, sobre a fase biscate da vida das pessoas, sobre as pessoas em geral e sobre gente bonita — porque ter computador no trabalho é isso aí.
Daí que ligou uma mulher mór grossa pra cá e eu quase, por um fio, não mandei ela se ferrar. É que as pessoas tem disso, achar que é superior a todo mundo e o caralho só porque eu sou a pessoa que atende e ouve. Desabafei. Hoje choveu tanto! Uma coisa linda. Daí que eu peguei a maior chuva também. E eu vi uma senhora, daquelas poderosas, em cima de um salto, terninho, capa de chuva e guarda-chuva. Deveria ser daquelas que morrem com um resfriado.

domingo, 27 de abril de 2008

dignasindignasdignins...

Eu sou meio aberta a tudo. Digo no sentido de julgar, então, eu compreendo o fato de algumas pessoas serem filhas da puta e tudo. Ou certas atitudes que as pessoas em geral consideram indignas. Ou as pessoas que já são “indignas” si só. E se as pessoas não tem um pouquinho disso dentro de si (isso de aceitar e gostar e entender todo mundo), então, eu fico meio irritada, ou triste ou não falo nunca mais com a pessoa em questão. Mas não sou muito adepta as modernidades. Tipo ménage à trois, porque… Sei lá. Três pessoas, né? Aliás, tudo que é feito a três nunca dá certo. Imagine só, três pessoas conversando (em fileira)
1. Uma pessoa fica fora do assunto. 2. Todo mundo fala ao mesmo tempo. 3. Duas pessoas começam a conversar sobre uma determinada coisa que a terceira pessoa não entende, ou não tem opinião, sei lá. 4. Silêncio geral. 5. Uma pessoa falando sem parar para evitar o nº 4. Outro exemplo? Beijo a três. É como um amigo disse “você sempre tem a sensação de que alguém ali no meio tá beijando mal”. Três pessoas falando sobre uma outra — fofoca (quatro pessoas falando de outra é intriga). Três pessoas comendo. Assim, já parou pra pensar o quão constrangedor é ter duas pessoas olhando pra você no seu momento de comida abaixo da goela? Então. Nossa, eu sou muito chata, tenho que parar de dar tantos exemplos em cima de alguma coisa idiota.
Sabe que ontem eu quase deletei essa porcaria? Quase, porque eu iria contra os princípios que eu estabeleci. Sou meio impulsiva, sabe? Mas consegui, pela terceira vez na vida, segurar os impulsos. Ser impulsivo, no meu caso, só dá uma coisa: merda.

Gente, sabe que hoje, eu lembrei do meu pai e aí eu lembrei que ele é um fanático em mandar livros para mim (no aniversário)? E cartas. Nossa, assim, muitas cartas e muitos livros! Absurdo.

Às vezes eu fico com uma puta vontade de ficar no meu mundinho e não postar nunca mais. Mas só é coisa de momento, sabe?

Cara! Acordei com essa música na cabeça (juro que não tem nada a ver com o meu estado de espírito): “É assim/Signo do destino/Que surpresa ele nos preparou/Meu amor, nosso amor/Estava escrito nas estrelas/Tava, sim/Você me deu atenção/E tomou conta de mim/Por isso minha intenção/É prosseguir sempre assim/Pois sem você, meu tesão/Não sei o que eu vou ser/Agora preste atenção/Quero casar com você…”


segunda-feira, 21 de abril de 2008

Marvada pinga

Estou com um vizinho novo. E meu relacionamento com os vizinhos em geral continua nulo. Só com o porteiro que tinha um bigode super bonito e tirou. Aí eu fiz um comentário qualquer e só. Meu novo vizinho fala absurdamente alto! Ontem acordei com a voz (e sotaque) dele. O sotaque dele é aquela coisa clichê e caipira, sabe? Absurdo! Ontem fui acordada pela voz dele ao telefone, levantei-me e me dirigi a janela a fim de olhar o céu. Só que assim, ele faz parte do núcleo de vizinhos que eu olho pra cara, não sei explicar, é assim, tem o prédio e no meio tem um quadrado que possibilita olhar o apartamento de todo mundo, dá pra entender? Lógico que não. A fim de olhar o céu, acabei olhando pra ele. Acenou pra mim e disse “Bom dia!”, desligou o telefone e iniciou um diálogo a distância comigo (quando eu fico puta por ser acordada quando eu não deveria ser, a timidez vai embora):
— Vem cá, você não quer tomar umas cervejas aqui?
— Não sou dessas coisas não, senhor.
— Vamos!

(nossa, o telefone acaba de tocar, sou tão sem jeito com ele — o telefone — que comecei a suar, gaguejar e falar frases sem concordância alguma “Não é que aí na Barra os pessoas tem três olho…”)

— Vamos! Pra onde você tá indo?
(eu realmente ia sair)
— Visitar uns tios.
— Onde?
— Até mais, tá?!
— Você é casada?
(porra, casada?!)
— Não, senhor. (ênfase no “senhor”, mas o cara deveria ter uns 30 anos, no máximo)

Estou escutando uma música de um homem que eu nunca ouvi falar! Pelo o que eu descobri, ele morreu em decorrência da obesidade (!), era do Havaí e só tocava músicas de praia. Ele tem a voz tão bonita que eu esqueço o violãozinho escroto no fundo.

O sotaque do meu vizinho novo me lembrou, inevitavelmente Inezita Barroso!
O caipira é ligado à tradição, à raiz, ao amor à terra, a qualquer coisa que ele tem dentro e tem necessidade de exprimir.
(Inezita)

Sabe que, dia desses, eu estava ouvindo (sim!) a TV e tocou uma música dela, provavelmente vocês não conhecem. Enfim: “C'a marvada pinga é que eu me atrapaio! Eu entro na venda e já dou meu taio! Pego no copo e dali não saio. Ali memo eu bebo, ali memo eu caio! Só pra carregar é que eu dô trabaio. Oi lá! O marido me disse, ele me falou: “largue de beber, peço por favor”
Prosa de homem nunca dei valor…” (Marvada Pinga, Inezita Barroso)

Hahaha. Ai! Ela é foda, podem dizer…

quinta-feira, 17 de abril de 2008

H.M

— Parou de cantar?
— Essa música é de “Um Amor pra Recordar”, sabe?
— Sei!
— Jura?! Mentira?!
— Sério.
— Essa música é linda.
— Linda mesmo.
— Lindona!
— Parou de cantar por quê?
— Ah… Minha voz… Sabe…

Aí eu comecei a olhar pro céu. Para as nuvens — na verdade — tentando achar um formato nelas ou um significado, sei lá. Só que elas estavam muito juntinhas e eu só via cenas obscenas. Essa última é mentira. Daí que tinha vernissage. Três. E acabei não indo em nenhum e pegando uma chuva escrota linda. E hoje teria uma festa de… O que mesmo, Ju? Como é o nome daquela do nome bonito e reluzente! Pois é, a festa da loja da menina do nome lindo e reluzente. Não é bem uma festa, é um misto de várias coisas. Ipanema — se não me engano. Não quero ir, na verdade. Sou meio anti-social, ficaria calada e, fora o meu medo das pessoas com aquele ar de sou-muito-melhor-que-você. Ontem eu conheci uma menina hiper fofa chamada Natália (não é a fofa da Nathália, é outra, sem ciúmes, hein?) e a Mia! Poxa, a Mia é uma pessoa divertidíssima. E eu vi o Nelson. Uau, muito tempo que não o vejo! E o Fabiano. E a Thamiris, que aliás, eu conheci, não vi nunca mais e, vejam como minha memória é incrível, eu lembrei do nome dela de primeira! E a, hm, a Thaíse! E o teto do banheiro feminino do CCBB está um horror! Onde está aqueles negócio de mandar a opinião? Hein? Banheiro feminino é algo sagrado!

— Raquel, eu, como sujeito macho não sei o que é que tem de mágico no banheiro das mulheres.
— Meu amor, tem sinuca, sofá, dados, massagens eróticas tailandesas…

Falando em massagens, preciso de uma. Ando tensa! Se alguém tocar no meu ombro agora eu dou um grito. Muito tensa. Aí eu lembro da praia, areia fofa, o divã… Massagem na praia, sabe? Isso existe? Ou é coisa da minha cabeça?

Perdi totalmente o foco do que eu queria dizer, eu queria falar sobre o dia de ontem. Vi um cowboy japonês e um pai de família — era um rapaz, com uma bermuda jeans colada e curtinha, de chinelos e com uma camiseta frouxa. E uma garotinha, no máximo 4 anos. Vi ele chamando-a de filha e apertando as bochechas dela. Me derreti. Uma coisa linda! Eu quase fui lá apertar as bochechas dos dois, mas… Não estava impulsiva e eu estava escolhendo os biscoitinhos que eu ia levar.



Fico tão emocionada (emocionada não é palavra) quando eu vejo essas pessoas do acaso que fazem um comentário ao acaso que ao acaso eu li e que ao acaso aparecem em minha vida. Acaso. Será que ele existe? Ou será que o destino existe de verdade? Estou chata com esse papo novamente. Um saco! Desculpa. Um, dois, três. Destino é como Deus: tenho medo de dizer que não acredito e ir pro inferno. É sério isso.
Perdi totalmente o foco do que eu ia dizer! Tenho que pensar um pouco. Ah, sim! Fico muito emocionada (emocionada não é a palavra) quando as pessoas aparecem pra mim. Tipo assim ó, pf!
Estou me sentindo especial, ó, menina sem nome (que não é Marina), te digo uma coisa: eu só sou uma garota fodida na vida que prefere acreditar que pode mudar o mundo.
Eu sempre digo isso. Gosto de dizer isso pra mim pra não acabar sonhando demais. Defeito de INFP é sonhar demais. Ou de menos. Mas é mais de mais mesmo. Você me entende? Tenho dificuldade pra me expressar direito como todas as pessoas diretas e coerentes conseguem. Acho que insegurança. E eu nem sou direta e coerente.
Ó (parte dois), fica tensa não! Nem tem exatamente um por quê disso! Sério, guria. Sério *tom de voz séria*.
Sim, eu sei! As pessoas devem ser felizes e quando elas não são… Poxa, se elas não são felizes elas são umas fodidas (eu)! Não é isso? É sim, você sabe. Mas não é que eu não seja feliz… É que a tristeza e o pessimismo ficam comigo a maior parte do tempo! Mas eu sou uma pessoa que se alegra fácil e fica toda animadinha e, mesmo que a felicidade seja momentânea, ela é super intensa!
As pessoas deveriam ser felizes mesmo. Elas deveriam mesmo.
Sim, eu posso dizer que você me conheceu, mas eu tenho o costume de dizer que, sei lá, eu sou um perigo de pessoa e não presto. É isso que você imagina de mim? Então! Se é, você me super conhece, parabéns! Tá… Não era isso que eu queria que fosse… Mas é melhor alertar antes, não é mesmo?
E esse negócio de amor platônico por pessoas desconhecidas é algo horroroso. Gente conhecida também rola, mas… É mais raro. Eu tenho um caderninho em que eu anoto essas coisas! Sim! Eu tenho o meu amor platônico, então eu faço uma descrição mental e escrevo, pra não esquecer nunca mais. eE eu acho que isso nem passa, sabia? Nem quando você está perdidamente apaixonado esse negócio de amor platônico por gente desconhecida termina. Ontem tive exatos 7 amores platônicos. E o que me alivia é que eu não vou ver nunca mais, porque aí, sabe como é? Medo de virar uma psicopata, dar uma de Giulia Gam em Mulheres Apaixonadas, seguir a pessoa em questão com vááárias perucas… Esqueci o que eu ia dizer. E o que eu escrevo te deixa mais feliz? Caramba, que coisa mais… Feliz! Sentimento de “abalei Bangu” mesmo. E, seu comentário é especial. Sério. Não é merda de frase feita que eu disse pra alegrar você não. É de verdade meishhhmo.

E beijinho pra ti também, guria.

domingo, 13 de abril de 2008

Desencontros

Certos encontros acontecem simplesmente. Inesperados e, por isso, espontâneos. Essas coisas espontâneas, talvez, sejam as mais importantes — pelo menos pra mim. Porque aí entra toda a questão do destino — a ordem natural estabelecida do universo. Isso não é bonito? Apenas admita: é.

Não acho interessante colocar toda a culpa dos acontecimentos absurdos no destino ou em Deus, sei lá. Algumas coisas acontecem porque tem que acontecer. Lembro de todos os meus encontros inesperados e eu nunca vou esquecer. Eu queria fazer um filme só pra colocar tudo lá e na minha cabeça imaginativa e tola, uma pessoa iria ver no cinema e pensar “Raquel!”. Tudo bem, não sou tão inesquecível assim e o destino é um filho da puta. Porque tudo seria muito fácil se fosse programado. Mas eu odeio facilidades — então tá. E porque coloca gente horrorosa na nossa vida também. Mas é muito divertido colocar a culpa de tudo no destino e nessas coisas que nós não podemos ver e nem pegar: só sentir. Como os sentimentos. O cheiro, sei lá! Esses encontros são presentes que o destino nos reserva. Por que eu estou falando tanto de destino? Não sei… Deu uma vontade de fazer uma análise assim.

Há alguns meses (lembrei disso hoje), tive uma crise de extroversão glitter pink. Fiquei tooooooooooda alegre, uma coisa de bicha feliz, só que mais sóbria (Cláudia! Glitter-pink! Haha!). Pois é, lá estava eu na Lapa, super alegre, feliz e impulsiva. Impulsividade é algo bom para certas coisas e não muito bom para outras. Até que eu tropecei — e não caí. Vi uma menininha super simpática do cabelo vermelho perguntando como eu me encontrava. Pois eu coloquei meu braço em volta dela, beijei o rosto e disse “Tá tudo ótimo!”. Parecia uma bêbada, sei lá. Mas é que, às vezes, a alegria faz isso com a gente. Mas é a alegria sem motivo que me deixa toooda boba. O nome dela era Marina. Já conheci muitas Marinas. É algo incrível isso. Marina é um nome lindo. Ar, mar, narina, amar… Já disse isso? É um nome lindo. Sabe aquelas pessoas em que você conhece só porque um fato que não deveria acontecer mas que acontece? Então! E se… E se…?




Aliás, hoje é aniversário da Nathália! Então, parabéns (?) pra ela. Parabéns porque, pensa bem, parabéns por quê? Pelo fato dela ter nascido? Realmente, eu deveria dar os parabéns para a mãe dela, por ter gerado uma menina tão fofa! Nhoun! E, apesar de ser quase 17 horas agora, eu realmente desejo que ela tenha um dia alegre e feliz. Hum!
P.S.: A Nathália foi um presentinho que o destino reservou pra mim.

E beijos pra todo mundo, porque hoje é Dia do Beijo! É? Meu vizinho disse que era, mas eu não sei. Deus, mas por que o meu vizinho inventaria que hoje é o Dia do Beijo?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pernas

— Senhorita Certinha!
— Eu não sou certinha e nem santa, meu bem!
— É sim.
— Eu não sou! Só não te conto os meus podres porque você já me contou os seus e não foram poucos. E eu lembro! Daqui há dez anos você vai ficar na minha mão, porque a minha memória é ótima e você nem vai lembrar mais!
— E você tem tantos podres assim?
— Mas é lógico! Mas é lógico que não! Sou uma santa, amorzinho! Eu deveria ser canonizada!
— Sim!
— Imagino-me com aquele ar de santa — pra não dizer satã e aquela cara compaixão. Impossível!

Eu comecei a rir! Muitos pensamentos absurdos.

— Já parou pra pensar em anestesia? Sério! Outro dia eu fui no dentista, sei lá! Tive anestesia. Anestesia é algo tão divertido! “Agora, meu amor, vou anestesiar você”
— A melhor anestesia que tive foi quando fui colocar aparelho. Bom, tive que arrancar uns dentes fixos e… Complicado! Mas foi tão divertido!
— Eu lembro! Você sibilava (sibilante é aquela pessoa que fala que nem o Frajola)! Nossa, eu acho gente sibilando muito sexy. Estranho, né? Mas pra mim é absurdamente sexy! Assim, quase incontrolável!
— Vou tentar voltar a sibilar de novo! O que mais você acha sexy?
— Poxa, eu adoro ombros.
— Vou andar de regatinha agora!
— Odeio regatas! Eu também gosto muito de vícios de linguagem alheios. Acho bonitinho. É.
— Tá!
— Eu gosto de pernas também, mas eu gosto mais de calças do que das pernas propriamente ditas. Depende da calça. Sou chata pra elas. Imperfeitas demais. Quer coisa mais imperfeita que o amor, as pessoas e as calças? Nossa! Que comparação horrorosa!
— Faz todo o sentido do mundo!
— Talvez. Acho certas imperfeições tão bonitas.
— Que tipo?
— As da alma! Eu fiquei um tempo com uma pessoa quase perfeita: me entendia, me compreendia, gostava de mim, me fazia feliz, detestava moralismo, detestava sentir coisas inexplicáveis e adorava programas não muito jovens, algo como museus. Só que não prestava a coisa, porque eu gostava de gente que não me entendia, não me compreendia, não me fazia feliz, não gostava de mim e não tinha nada a ver comigo! Sabe o que era? Faltava conflito, entende?

terça-feira, 8 de abril de 2008

Alôu!

Vi um aparelho do meu lado. Vi um telefone anotado.

— Alôuuuuuuuuuu!
— Alô, eu poderia falar com a Nathália? (eu ia dizer senhorita Nathália, para ela pensar que sou uma dessas idiotas de telemarketing)
— É ela! Quem está falando?
— Se você adivinhar quem é, te dou um doce! (disse a primeira coisa que me veio a mente)
*um milésimo de segundo depois*
— É a Raquel!
— Cara! Como assim? (fiquei ab-sur-da-da!)
— Eu disse que sou Deus.
— Isso não tá certo! Não tá! Como você fez isso? (absurdo! Fiquei chocada, sem saber o que dizer)
— Eu pensei: Voz que não faz parte do meu dia-a-dia querendo saber por mim? Só pode ser a fofa da Raquel!
— Não vale… (eu ia dar o doce mesmo! Ia! Mas ela tinha que errar primeiro!)
— Tá me devendo um doce!
— Não tô não. (nossa, puta mundo injusto, meu!)
— Lógico que está! Você prometeu.
— Mas você deveria entender que as promessas tem o intuito de não serem cumpridas! Oras! (sabedorias da Raquel)

(…)

— E aí que eu ganhei um palhaço, tipo a Bárbie, ele olhava pra mim e dizia coisas como “eu amo você!”, “me dá um abraço!”…
— Que horror!

Esqueci que dizer que ele tinha quebrado e aí ele dizia o que ele queria em horários aleatórios.

Brain

“Ai! Ai, minhas nádegas, meus braços, minhas pernas, meu nariz… Ok. Vamos pensar pelo “pró” da coisa? Pelo menos não preciso me segurar! Estou ouvindo meus ossos quebrarem! Créc!
Um, dois, três. Respira. Não! Não dá pra respirar! Ah, se eu fosse claustrofóbica! Fazia um escândalo! Chega. Vou tentar sorrir. Não, não dá! Porque se eu sorrir eu vou beijar alguém na boca sem querer.

A porta se abre e ninguém sai — só entra. Ouço um amoroso “não tá vendo que cabe ninguém aqui não, caralho?”. Fecho os olhos. “Vamos pensar em coisas felizes, Raquel? Vamos!”.

A cabeça perdida em pensamentos. Começo a pensar em guaxinins. Eu estou sóbria, mas, já reparou que quando a gente tá bêbado a gente só pensa em guaxinins? Eu penso! E penso em salões de beleza, pentear o cabelo e essas coisas. Fico absurdamente carente de afeto também, mas isso é pra esquecer.
Isso dá um monólogo de duas horas inteiras! Guaxinins e álcool. O Guaxinim Bêbado Apaixonado. Prós e contras. Vamos pensar no contra da coisa? Adoro! Estou sendo amassada por gente que eu não conheço e nunca vi na vida. Por que motivo mamãe escolheu de marcar logo no horário mais cedo? Pra me fazer sofrer? É! Só pode! Homem é bicho complicado mesmo. Não homens-sexo-masculino. O Homem, sabe? A raça humana!
É obrigação da dentista, como é mesmo o nome? Não lembro! É Sônia? Acho que é! É obrigação da Sônia me deixar com um sorriso perfeito. Isso é impossível, mas, é bom pensar nela, colocar a culpa toda em cima dela. Uma mocinha muito simpática. Bonita! Aquela beleza que ninguém discute — padrão. Acho que ela é casada! Sempre olho pra mão das pessoas e, se vejo uma aliança, fico chocada! Porque eu fico pensando como teria sido o casamento, se algum bafão aconteceu lá na cerimônia. Alguma stripper saindo do bolo, o vestido da noiva rasgando, sei lá! Poderia ser só no civil também, não? Mas pra mim é tudo na igreja, com um padre. Aquela coisa católica mesmo. Mas nunca achei bonito e nem nada.
Acho que, às vezes, o casamento estraga tudo. É como uma senhorinha que conheci disse “você vê que aquele cara maravilhoso ronca!”
Pisaram no meu pé agora. Vida imbecil e injusta. Por quê? Tudo seria tão mais fácil se eu fosse uma madame rica que anda de táxi all the time. Cheguei. Muito bom. Muito bom. Ufa! Levei uma cotovelada. Opa, isso não é legal! Está doendo um absurdo e acho que amanhã vai parecer que eu levei um soco aqui. Ou uma mordida. Mas parece mais soco! Putz! Tá doendo pacas! Saí do vagão. Posso respirar! Se eu fosse claustrofóbica fazia um escândalo! Onde já se viu? Uma lady sofrendo? Lady… Lady não. Lady é quem pega táxi all the time!”

Eu, às 7:30 da manhã, dentro dum vagão de metrô. Monólogo interno.

domingo, 6 de abril de 2008

Pole

Hoje eu acordei, liguei a TV e fiquei pensando “vamos ver o que de incrível está passando” e estava passando um programa in-crí-vel de caminhoneiros. Comerciais. Dia das mães chegando.

Ontem, eu acordei. Estava sozinha. Tomei o café mais feliz da minha vida. Porque na correria desse mundo ridículo, nós não temos tempo nem de sentir o gosto do café. Aí eu pensei “caramba, queria morar sozinha. Seria legal. Ou dividir o apartamento com alguém que não fosse um parente ou um filho da puta.”
Tomei o café mais feliz da minha vida — só pra repetir. Sem pressa e nem nada. Estava com muito sono, coloquei um música dançante, dancei um pouco, escorreguei a caí. Caí sorrindo. Mas aí eu fiquei com um mau humor absurdo! Deitei na minha cama e, não olhei pro céu. Olhei pro teto. Acho que o teto é branco. Fiquei olhando pro teto, deitada na minha cama e ouvindo umas músicas que tocam a alma. O dia estava tão bonito nublado. Agora está chovendo. Eu olho pra chuva e sinto uma vontade de chorar. Só vontade. É tão bonito. Às vezes eu sinto uma tristeza inexplicável. Ontem eu senti isso enquanto escutava as músicas profundas e tocantes da alma. Mas ela passou, assim, no nada e as músicas profundas da alma ainda faziam algum sentido pra mim. Do nada eu me senti super feliz. Do nada. Não foi exatamente do nada, eu fiquei pensando em algumas pessoas das quais gosto muito. Certas pessoas podem mudar o nosso humor.

Ontem eu fiquei pensando “se eu tomar cappuccino agora eu vou me sentir muito feliz”. Aí eu quase arrebentei meu pé — é uma coisa complicada. Quando eu adentrei o elevador, vi um cara baixinho, ele deveria ter 1,59. Senti um nervoso incontrolável! E ele parecia um go-go boy! E estava com uma regata preta, colada no corpo. Um horror! Acho que ele era go-go boy mesmo, daqueles que ficam nos trios elétricos nas Paradas Gays. Mas acho que ele não era gay, fazia o tipo pitboy. Machinho, do tipo em que um cara olha pra namorada e ele já abraça ela só pra marcar território. Ainda fez um comentário na portaria com o porteiro sobre o jogo de hoje.

Fiquei sabendo que há alguns meses teve um concurso de pole dance. Pole dance — dança do mastro. Coisa da novela, escorregar em cima do queijo, dar uma de Flávia Alessanda que não esquece o passado de dançarina. Lendo a matéria eu descobri que várias mulheres casadas mentiram para os maridos dizendo que iam andar com as amigas em um shopping, quando estavam de camisola e calcinha vermelha escorregando em um mastro (não disseram isso com todas as letras, mas foi isso que deu a entender) pra todo mundo ver.
Uma vez, eu estava com alguns amigos, num domingo (!) e com o vagão vazio. Então eu disse “vamos brincar de stripper americana?” e eles, mais que depressa, aceitaram. No metrô tem aquelas barras, sabe? Estávamos nos empolgando na hora de dançar, quando um casal de velhinhos adentrou o vagão. Foi constrangedor.

P.S.: Acho que já comentei disso.

sábado, 5 de abril de 2008

1.

À loirinha dos olhos azuis, vulgo, Nathália:


Raquel says:
Então você é chata que nem eu! Não, é mentira. Você é um amorzinho de pessoa.
Nathália says::
Somos um amorzinho!
Raquel says:
Eu não sou. Eu me disfarço de amor.

“Eu me disfarço de amor.”

Nathália says:
Cara, isso foi lindo! Coloca isso no blog! Registre! Coloque sua patente! Linda a frase.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Não

Posso dizer? Sou cafona mesmo — já nem acho mais divertido mostrar a realidade tosca e cruel de que tudo acaba — absolutamente. Posso dizer? Acredito no amor eterno. Eu ainda vou encontrar alguém pra ficar pra sempre.

E aí que, eu tenho medo de ir no supermercado e encontrar o amor da minha vida. É medo mesmo. Gosto da minha vida de garota calma e zen meio hardcore, sei lá. Sabe que o povo é fogo mesmo? Não gosto muito de dizer que sou dois extremos porque eu nunca sou extremo de nada, mas é por ali.
Conheço um cara que tem tesão por freira, aquela coisa de “andar toda coberta e tal”, é só tesão e blá. Ele nunca vai se casar com uma freira. Assim que é comigo, enquanto não encontro o amor da minha vida dentro dum supermercado vou vivendo intensamente e levando e é isso aí. Essa coisa de curtir a putaria da vida. Putaria da vida não — isso soa feio.
Às vezes é tão intensamente que eu namoro por duas semanas, termino e ninguém fica sabendo. E eu nem comento mesmo. Mas sempre marca, não? Sou meio sem expectativas. Queria ser animadérrima — tipo pinto no lixo. É aquela coisa meio bate cartão pra vida.
Todo mundo (ou quase todo mundo) gosta de falar de dor-de-cotovelo, né? Pois eu adoro. Acho lindo mesmo, falar do sofrimento coisa e tal. Eu tenho horror a levar um fora e nunca sei lidar bem com isso. Aí eu fico na minha. Sou super na minha. Mas isso não é sempre. Eu tenho os meus momentos em que eu não me reconheço. Mas eu sou super doce! Muito doce mesmo! Mas tenho os meus momentos.
Eu gosto de misturar tudo, sabe? Deus, do que eu estou falando? Perdi a linha de raciocínio totalmente.

Sabe que eu estou sentindo falta de sair um pouco? Pois é, uma falta da minha vida mei hardcore da noite. É isso aí! Vontade de andar o Rio de Janeiro inteiro e revirar tudo o que dá. Faz tempo. E eu sinto falta. E sabe que, todas as manhãs eu vejo um cara na fila do pão e ele me dá “bom dia” toda as vezes que me vê. E aí a gente reclama do preço do pão. E do preço das outras coisas. Absurdo. Acho super bonito dividir as coisas! Dia desses comprei um bolo e aí chegou um mendigo, dizendo que tava passando fome, me pedindo uma grana pelo amor de todos os santos do universo e de Jesus Cristo. Ofereci o bolo e ele não quis — “não, não, eu prefiro o dinheiro!”. Quase mandei-o pra puta que pariu mesmo. Perdi totalmente o fio da meada mesmo.

Então, eu gosto de amar todo mundo intensamente e pra sempre, já que nada tem fim nessa vida! Errei tudo. Errei tudo. Ah! Estou doente! Tossindo e quase morri dentro do elevador com uma mulher com o perfume mais forte que existe. E eu não estou n-e-m a-í pra dengue! Adoro café. Adoro o cheiro do café! Mas é que aqui onde eu estou trabalhando nesse exato momento compraram do mais horrível que tinha na prateleira (leia-se, mais barato). Nem sei se essa porcaria de marca de café existe mesmo. Hoje eu vi uma garota chorando. Morri de pena, fiquei com o coração partido e o povo totalmente indiferente ao sofrimento da menina. Coitada. Sentei-me ao seu lado e perguntei qual era o sofrimento dela pra ficar chorando assim, na frente de todo mundo. Em quinze minutos ela contou a história inteira da vida dela que foi uma putaria só, mas que era uma história linda. E a história da vida dela era tão bonita que se eu contar vai estragar tudo. E aí eu vi que tudo começa quando você percebe o ridículo da vida.


Um beijo pro Gabriel — por ser quem é.
E pro Mykhaell (?) por não ter desistido de mim, ainda (stalker!). Ha.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Primeiro de abril

— Alô?
— Raquel?

“Como é incrível que de ontem pra hoje todo mundo deu pra me ligar praticamente de madrugada.”

— Mãe?! São 6:30! Aconteceu alguma coisa?
— Vi seu tio.
— Ele está vindo pra cá?
— Foi pra comentar que ele está com umas lentes meio verdes… escolhidas pela Ângela.

“Ele virou meio pau mandado mesmo. E ela é cafona mesmo.”

— Sério?
— Muito!
— Caramba, que coisa… Ainda bem que os óculos disfarçam.
— Brinks! Primeiro de abril!
— É hoje?
— É!
— Ah!

Fiz uma expressão de indescritível desgosto.

— E a senhora me ligou pra dizer isso?
— É!
— A senhora não deveria estar trabalhando?
— Resolvi parar no caminho pra ligar pra você.
— Mas nos vimos há 15 minutos!
— Eu sei! Beijo! Tchau, filha! Mamãe te ama.

1. Mentir é podre e horrível. Então, não mintam.

2. Vou falar de uma maneira chata e cansativa sobre a mentira.

3.­­­ Eu minto.
Tu mentes.
Ele mente.
Nós mentimos.
Vós mentis.
Eles mentem.

Acho impressionante como quase todo mundo odeia mentira e não se lembram que todo mundo mente. É realmente impressionante! Parece um fenômeno. Eu, Raquel, não sou lá muito de contar mentiras — até porque, a minha realidade é relativamente agitada.
Mas eu minto, por mais podre e horrível que seja (ainda não garanto a minha entrada no inferno) e não sou nenhuma justiceira levantando as bandeiras da verdade. O que é mentir? Uma mentira constitui somente a verdade (absoluta) ou constitui a verdade em que a pessoa acredita? E se eu tiver certeza que eu arrebentei o meu pé, sendo que ele está intacto? E se eu acreditar nisso? Constitui uma mentira?
A maioria (existem as minorias!) das pessoas que gostam de destacar e de expressar seu ódio pela falsidade, justamente, são até as piores. Chega dessa vontade de perfeição alheia. Mas é que eu estou cansada de gente que estampa na cara um “eu-odeio-mentiras-eu-odeio-gente-falsa” e depois saem dizendo por aí que amam todo mundo.

P.S.: Eu sei lidar muito bem quando mentem pra mim. Mas tem que admitir depois! Humpf.