sábado, 31 de maio de 2008

Aline ou Rebeca.

— Tá vendo aquela garota ali, mãe? Conheço ela. Somos ótimas amigas, mas faz tanto tempo… Estou irreconhecível, não é? Ela tem a cabeça boa, é bonita, inteligente, coração de ouro.

(Muito arrogante! Ela e aquela amiguinha dela… A Priscilla! Duas arrogantes, puro baixo-nível, umas escrotas, umas vadias, filhas da puta, ridículas… Ela adora ficar olhando os outros com desdém, com arzinho de superioridade. Uma insuportável. Odeio com todas as forças existentes no meu ser. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Imbecil. Se acha o máximo de gostosura, a mais interessante e inigualável dentre todas as pessoas do universo. É muito surreal como uma pessoa pode ser tão detestável. Vai pro inferno, sua escrota!)

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Laurinha

Raquel diz:
Me fala do meu lado evangélico.
Raquel diz:
Adoro.
Ana Laura - diz:
Ai, essas coisas de gostar das pessoas da rua, de achar tudo fofinho e bonitinho, de sorrir pra estranhos, de cultivar sentimentos nobres, enfim.
Raquel diz:
Ai, adourei. Mentira. Você tá me humilhando! Terei de matá-la…
Ana Laura - diz:
Até o nome do seu blog é puríssimo. Angelical…
Raquel diz:
E tu queria o quê?
Ana Laura - diz:
Raquel odeia você.

Raquel diz:
Não posso falar de coisas feias/nomes feios.
Raquel diz:
Então tá.
Ana Laura - diz:
Hahahahahaa
Ana Laura - diz:
E o outro: Abra seu coração
Raquel diz:
[censurado]
Ana Laura - diz:
Olha que meigo, gente!
Raquel diz:
Já deu o seu recado, ok? Já deu... Já deu!
Ana Laura - diz:
Ahhh você odeia tanto assim ser boazinha?
Ana Laura - diz:
Acho tão fofolete, li todos os seus posts desde o primeiro. JURO!

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Dito e feito.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Resolução

Acho que rajjjguei o coração mesmo no post anterior. Antigamente eu tinha uma tendência de destruir coisas que eu escrevia por achar piegas demais. Descobri que gosto de viver de nostalgia e ponto. Nossa, piegas demais, piegas demais tudo isso.
A partir de hoje vou contar minhas histórias escabrosas de putaria-abaixo, que iriam pro caixão comigo.

M-e-n-t-i-r-a. Elas vão pro caixão comigo mesmo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Forever

Sabe quando você se sente ridículo por algo que fez? Um dia deve ter feito algum sentido.

Como sou contraditória. Dito os conceitos para mim, para os outros e para tudo e não sigo nada. É que, às vezes, eu realmente acredito naquilo. E consigo acreditar de verdade em outra coisa totalmente oposta. Às vezes eu acredito que tudo é pra sempre, mas tenho a consciência que que tudo acaba. Sei lá.
Achei que era pra sempre. Essas coisas de amor etc e tal. É só um conceito, sentimento, fetiche, lenda, sei lá. Nem sou mal-amada, só acho que sei de tudo e sempre tenho alguma coisa na ponta da língua. Amor, pergunte-me qualquer coisa que eu sei. Cansei de não olhar nos olhos de ninguém. Agora eu vou olhar bem fundo pra deixar a pessoa constrangida. Vou deixar o meu cinismo contido transparecer. Porque eu sou cínica mesmo. O problema é a timidez. Fico com os olhos baixos, esperando não ser notada e apreciando alguma pessoa absolutamente desconhecida em cima dum pedestal e achando-a perfeita. Mania tosca de idealizar. Odeio idealizar, até porque, nunca correspondem as minhas expectativas e essa que é a graça. Passo a gostar de todo mundo do jeito que é.

Cheguei a conclusão que melhorei. Antigamente, isto é, há um ano, eu olhava andando fixamente pro chão em decorrência da timidez sem fim, às vezes, em picos de impulsividade, levantava a cabeça e olhava nos olhos de todo mundo. Depois abaixava a cabeça de novo. E esbarrava em todo mundo. Hoje ando com a cabeça erguida, sei lá o por quê… Acho que é porque não canso de ficar olhando pro céu. Acho que é solidão, carência, sei lá. Só que, agora eu já nem olho pro chão, logo, tropeço. Andar é coisa tão difícil.

“Mas continue se apaixonando por estranhos, por favor, acho isso fofo e me faZ acreditar no amor, mesmo que por breves e raros momentos.”

Não estou querendo fazer nenhuma análise amor vs. paixão. Vamô fingi que é tudo a mescoisa! Gente, amor é uma coisa tão bonita, vamos amar! Adoro coisas intensas. E acho muito bonitinho namorar até os oitenta anos. Meu pai vive dizendo que eu sou uma avessa a casamentos e a vida de balzaquiana. Eu discordo, nem sou avessa a nada não. Só sou avessa a ménage a trois (eu sempre acho engraçado dizer isso) e lycra.
Ah, eu falo de amor outro dia. Preciso pensar. É que, às vezes, eu acho que é pra sempre.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A nova Raquel 3.1

Às vezes o estômago embulha só de pensar em certas possibilidades. Blé. Nada demais. Ontem peguei o metrô e abri um livro. Livro do amigo do meu tio. O mocinho já não tão moço, tinha um Sr. Bigode. Por um momento, fiquei olhando de um modo imbecil para o papel, tipo “o que é que eu vou fazer mesmo? Ler? Isso?”.
Esses dias ando estranha, estou trocando o nome dos atores, tudo o que leio dá margem a uma interpretação errada, tudo só faz sentido na minha cabeça, ando esquecendo tudo… Será que algum dia eu vou acordar sem saber quem sou? É uma possibilidade interessante, posso fazer que nem o moço do filme Amnésia, começar a me tatuar para lembrar das coisas.
Talvez eu mudasse totalmente a minha personalidade, hm, poderia ser uma pessoa melhor. Vou começar a escrever um diário em que eu tenho uma vida incrível, porque quando eu perder a memória, vou me achar extremamente foda quando reler. Preciso de algum ego, Jesus. Uma auto-estima, sei lá. É coisa da infância. Infância sempre é uma parte meio traumatizante da vida de gente esquisita. Só possibilidades. A nova Raquel é uma pessoa menos impulsiva, mais sagaz, com um senso de humor incrível. A nova Raquel é quase a tradução de perfeição, a nova Raquel é a tradução de extroversão e não tem nenhuma timidez, é segura de si e… Estamos falando da mesma pessoa?

O livro em questão é dum tal de Lásaro Venceslau. Leio a tal página, hm, uma frase de Fernando Pessoa. Bonita. “Desde menino me choro e ainda não me achei.
Bonita. “Ainda não me achei.” Hm, isso aí não se aplica a mim. Ainda. Ainda. Porra, eu nunca que vou me achar, nunca que vou saber plenamente que diabo eu sou e blá.
O senhor do meu lado começou a falar várias frases rimando. Quase bati nele.
— Olha a Central, quem salta aqui passa mal. Já comentei com meu pai, que essa sua calça cai…

Um saco. O trema foi abolido, de vez. Me recuso, serei como o seu Marcelino, um ex-vizinho meu que era português e teimava em escrever 'facto' e 'óptimo'. Ponto final. Me recuso a aderir a esta nova reforma da língua portuguesa — ridícula. Ridícula e ponto. Não ouse discordar de mim.

Acabei não lendo nada, sabe? Monólogo interno, senhor que rima a todo momento do lado. A Internet aqui do escritório pifou. Jogar Pinball e Paciência para preencher as lacunas de ócio, realmente, é super interessante. Adoro máquinas de Pinball! As de verdade.
Não a do joguinho mais que entediante em 3D. Vi umas calças lindas por aí. Mas, deve custar a própria alma. Elas são diferentes, hm, lindas. Mas devem custar a própria alma. É triste não ter um poder aquisitivo decente e perdoe-me se você fica irritado da minha pessoa ficar falando disso o tempo todo, mas, cara, você não tá einteindeindo! Até pra fazer revolução socialista se precisa do capitalismo. Que merda que é a vida material. Por que eu não sou que nem o meu pai? Por que eu não vivo uma vidinha simples em frente a uma praia me contentando com o mar? É tão bonito. Caramba! Mas a minha vida é simples sim, não tem luxo algum. No máximo, um luxo não tão luxo que eu me dou a cada seis meses, como ir a um cinema ver a estréia dum filme qualquer. E, bom, a calça super diferente e bonita que eu vi, fica pra próxima vida.

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— Raquel…
— Diz, amorzinho.
— Sabe que eu reparei que você chama todo mundo por nomes fofos e amorosos?
— Querida, você está enganada. Enganadíssima, sim? Não fico chamando ninguém por nomes fofos, muito menos amorosos, xuxu.
— Ah, é?
— É, amorzinho.
— Tem certeza?
— Certezinha, docinho.

sábado, 17 de maio de 2008

Ocasionalmente, sabe?

Às vezes adoto o discurso da indiferença. Às vezes, eu sou tão sensível ao mundo que chega a doer em mim — passo mal. Não gosto de ser interpretada nem entendida. Às vezes é bom não fazer nenhum sentido plausível e eu, absolutamente, não faço sentido. Como tantos mais. Não tenho certezas. Não sinto ciúmes e eu sei que isso é uma mentira absurda. É que algumas vezes eu perco a noção. Não sei de porra nenhuma da vida, nem de mim. Também não acredito em horóscopo, só quando me convém. Maior putaria. Sou de Gêmeos.
Já vi de tudo nessa terra de Deus, mas boniteza que nem a sua é a primeira vez.
Quem é que diz isso? Quem? Em sã consciência? E como existem pessoas que se apaixonam pelas outras sem trocar absolutamente nenhuma palavra? Gueto de gente esquisita — onde eu me incluo. Memória apaixonada a curto prazo. Isso existe? Não creio e nem duvido. É que esse negócio de gostar a curto prazo não me basta. Sabe que eu tenho sonhos? Mas nem sei direito quais são. Quais são?
Adoro ficar olhando nos olhos das pessoas. Tentando desvendar, sei lá. Sou tipo Carmen Sandiego — adoro um mistério. Ui.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Caso do acaso

Daí que eu não sei mais direito o que é encher a cara com o amigos e conversar com alguém até às cinco da manhã. Acho que estou perdendo o jeito — pra tudo. Absolutamente.

Hoje eu estava no metrô, muito irritada. Irritadíssima mas aí… Eu vi aqueles vagões cheios, as pessoas todas espremidas e me deu uma vontade tão grande de rir. E eu fiquei o tempo todo sorrindo, todo mundo deveria estar pensando que eu estava muito-louca pra ficar sorrindo. Sorrisinho bobo, imbecil e débil. Já é mais ou menos a minha marca registrada. A Juliana diz que adora e eu não sei se amo ou se odeio os meus dentes. Tem gente que diz que é um charme, mas eu não gosto.
Nunca soube lidar com elogios direito. Hoje eu estava no mercado, fazendo compras bem alegres, quando um mocinho que trabalhava lá disse que eu era linda e blá.
Reação nº 1: “esse cara deve estar me zoando ou algo do tipo.”

Mas aí ele descambou a falar, baixou Vinícius “as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. E eu vi que a coisa era séria mesmo. Isso me lembra a minha reação com relação aos amores platônicos.
“Tá olhando pra mim. Acho que o meu zíper está aberto. Ou então eu estou babando. Deve ter alguma coisa na minha cara, uma espinha, sei lá.”

Reação nº 2: “o que dizer numa situação? Sorrio? Agradeço? O que eu falo? “muito obrigada, herdei tudo de mamãe”, bah.”

A Arte de Lidar com Elogios. Dei um sorriso muito amarelo e ele começou a falar como é que mulher tem que ser, estabelecer padrão em tudo. Detalhe: com a minha mãe do lado. Cada vez mais eu ia ficando sem jeito, sorrindo e não dizendo uma palavra, achando aquilo tudo a tradução de uma situação estúpida e constrangedora. As pessoas não tem noção do perigo. As pessoa não tem senso do ridículo.
Então ele começa a dizer “acho que você não está gostando do que eu estou dizendo” e eu respondo “não, que isso, muito obrigado”, foi a única coisa que eu pude dizer.

Reação nº 3: preciso sair daqui agora.

Ele se tocou e foi. Nunca sei e nunca saberei lidar com elogios. Nem com meus amores platônicos olhando pra mim, sempre acho que é o zíper. Pior que isso, é você pegar chuva com uma camiseta branca e todo mundo ver que tem um coração em cada milímetro do seu sutiã.

Estou ouvindo uma música mexicana muito triste. A mulher está sofrendo de verdade. Queria ter um sombreiro. Queria visitar o México. Queria ter jeito com as palavras e entrar nos pensamentos das pessoas.

Acabei de dizer uma coisa que nunca tinha passado pela minha cabeça. A cada momento da sua vida você ama alguém de verdade e pra sempre. A maioria das pessoas ama e depois esquece. Eu já amei e depois odiei. Nem sei direito o que é gostar de alguém pra sempre. É uma concepção muito bonitinha. Também acho muito bonitinha a concepção de não casar e namorar até os oitenta anos. E eu acredito demais no acaso. “Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô”, frase cafonérrima de uma música cafonérrima.

Então, não sei mais direito o que é encher a cara com o amigos e conversar com alguém até às cinco da manhã porque mamãe anda me privando. Que lindo. Ela tem medo de que eu faça coisas jovens e erradas que as pessoas fazem na noite.

É só.

Preciso comprar um sombreiro. Preciso ir pro México.

domingo, 11 de maio de 2008

Sapatos vermelhos

Meu vizinho está cantando “My Heart Will Go On” num karaokê na casa dele. É a mesma coisa que beber sozinho: deprê. Cantar sozinho essa música é triste, não? Mas, agora ele arrumou uma parceira pra fazer um dueto super romântico com ele. Opa, parou o som, agora é um canto acapella. Achei lindo, mas a voz dele é toda grossa e máscula, sei lá… Não tá prestando não. Esse povo não tem vergonha não? Será que beberam? Lógico que eu já cantei uma coisa ou outra e já fiz declarações de amor totalmente bêbada, mas, Jesus, quem é que bebe às 14: 38 de um Dia das Mães?
“Near, far, wherever you are/I believe that the heart does go on”

Daí que ontem eu fui comprar o presente da minha mãe e vi os sapatos mais fofos e lindos do universo. Comprei os da mamãe, dei meia volta e comprei um mais ou menos parecido. Trinta e sete — o número universal da mulher.
A minha mãe ia implicar demais se eu saísse pra comprar o presente dela escondido, poxa, era escondido, na cabeça dela eu nem lembrava de nada e tal. O que eu digo?
— Mãe, vou sair com a Nathália, tá? A gente vai no cinema, ver um filme, comer uma pipoca, um chocolate, tomar um suquinho… Ok? Beijo.
Nathália = amiga que minha mãe conhece, longa data, mora ali na esquina, é loira (!), alta, modelete e o caralho.

Dei a invejosa e comprei um sapato parecido com o da minha mãe e fiquei mó tempão pra entrar em casa. Tomei ovomaltine no Bob's e tudo, gente, shopping é uma coisa linda, lógico que eu não comprei os sapatos no shopping, porque é tudo muito caro e eu sou pobretona. Entrei na Saraiva e li meia-dúzia de livros, entraram umas colegiais do Pedro II, sabe? Fiquei nervosa, porque elas me lembram aquelas colegiais católicas e strippers.

Quando adentro a minha casa, minha mãe está na sala e diz:
— A Nathália ligou logo após a sua saída e aí eu pensei que ela ia te dar um bolo e perguntei se vocês não iam sair e aí ela disse que não e eu não sou boba, né?
— Ah!
*fiz uma expressão de indescritível desgosto*
— Sabe o que é, mãe? Poxa, senta aí, vou te contar a história toda.

Contei toda a minha saga de comprar sapatos fofos na Tijuca, passando pelo elevador que parou duas vezes (ficar presa no elevador duas vezes numa única vez é dose). Entreguei minha cartinha, cujo papel em formato de coração fazia todo um discurso mãe-filha-vamos-lidar-com-as-diferenças.

Onde eu estava com a cabeça de fazer uma carta em formato de coração, meu Deus?
Então ela disse “Você é uma escrota (único palavrão que ela consegue dizer)! Me fez chorar.”

Fiquei com o coração partido, gente, momento mãe e filha. Fiz café pra ela da manhã e tudo. Sou incrível, estou pronta pra casar. Onde é que estão os convites?

Nuóóóssa, estou revivendo hoje todas as minhas aventuras de menina chapadíssima que não-lembra-de-nada. E tipo, eu estou pensando: por que é que nas novelas (e na vida real), a pessoa fica bêbada, daí dão um banho dela, dão café e põem ela pra dormir?

Eu hem. Por que é que todo mundo não me chama mais pra casar? Devo ter perdido a casa, sei lá. Todas as sextas eu passo em frente a um cartório, acho tão lindo as pessoas casando no civil e vestidas de noiva e tal.

Vou dormir, moçada. Dormir a tarde é decadência. Uma vez acordei às 16: 00. Quase chorei. Juro. Meus olhinhos ficaram marejados. E meus sinceros pêsames ao… Ao… Poxa, aquele menino com um pseudônimo super simpático que tá morando na Califórnia e as americanas parece que são frígidas e não gostam dele, mas, ele é um bonitão. Só que ele não tem carro e o transporte público de lá é uma merda. O transporte público nem existe, tem que ter carro e ele não tem carro, então ele não tem ninguém.

Não ter ninguém é triste. Deprê mesmo, tipo cantar “My Heart Will Go On”, não ter gente pra aquecer e essas coisas de tempo frio lindo chuvinha fina do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Aulas de Teoria da Literatura

— Então, é isso. O que você acha?
— Anh?

Ele ficou me olhando como se eu fosse uma débil.

— Você ouviu alguma coisa que eu disse?
— Lógico, você estava pedindo a minha opinião sobre uma determinada situação relacionada a sua vida. Não era? Prefiro não dizer nada. Minha opinião não é importante.

Ele ficou me olhando como se eu fosse uma débil mentirosa.

— Não tá falando a verdade!
— Estou sim.
— O que eu disse há cinqüenta segundos?
— Alguma coisa.

Sim, era fato. Ele me pegou num momento em que eu não consegui contornar a situação. Estava absorta em pensamentos. Um milhão, sei lá. Fiquei pensando sobre um fato e terminei pensando em uma coisa nada a ver. Com nada mesmo, lembro exatamente do ponto inicial.

Daí que eu estava absurdamente irritada, nunca tinha me visto assim e fiquei até meio chocada. Andava reto e de uma maneira toda mecânica — de tanta raiva. Sentei em um banquinho em frente a estação da Arcoverde. Olhei pro céu e vi a lua, toda bonitinha. Derreti.
Uma garota irritada e que sabe meia dúzia de palavrões é um perigo. Daí que eu estava em um lugar onde eu não queria estar, discutindo com quem eu não queria discutir, sobre um assunto do qual eu não queria falar, em um lugar impróprio.
A pessoa em questão, era minha doce e adorada mãe. Discussão motivada por uma divergência de opinião. Um cara ouviu e disse algo como “Ela é sua mãe, você não pode tratá-la assim, filha desnaturada…”, então, eu, menina irritada que sabe meia dúzia de palavrões disse “Vá pro inferno (na verdade não foi bem isso que eu disse, sabe?)! Cale-se porque não sabe de nada!”

A situação tornou-se insuportável. Virei-me e saí andando, andei tanto que parei sentada em um banquinho, na estação de metrô da Arcoverde, olhando para as estrelas e para a lua. Estava muito bonita, como sempre, o céu. O céu é lindo. Sim, eu sei que a mãe é uma coisa sagrada, mas, até quando brigamos, chamo-a de “senhora”, sem ironias. Poxa, eu gosto dela, mas essa mania que querer brigar sempre nos afasta.
Acho uma coisa tão bonita saber lidar com as diferenças, agora, lembre-se de sua infância e a tia do Jardim ensinando a você, como lidar com as diferenças. Se bem que as diferenças, na época da minha mãe, se resolviam com a régua, se é que me entendem… Na época dela, os canhotos apanhavam para serem destros. Maior filha da putagem, das grandes. Eu sou canhota. Filha da putagem do destino. É bom ser destro?

Aí que eu estava absorta em pensamentos, comecei num ponto inicial de briga mãe vs. filha, passando pelas estrelas e terminando na possibilidade do meu conselho não-dado. Naquele momento eu pensava naqueles ex-drogados que dizem que agora que saíram daquele mundo horroroso, encontraram a Deus, agora eram de Cristo e só pensavam no bem de todo mundo e por isso queriam compartilhar aquela experiência. Não sei como fiquei pensando nisso. Também fiquei pensando em como agora, nesse momento, eu estou quase surda em decorrência de uma voz estridente da filha da esposa do meu tio, que é meu adorável patrão e eu considero pai. A guria tem uma voz naturalmente aguda.
Pois ela deveria ter uma voz tipo a minha, suuuuuuuuper sexy. Não, não é sexy. É anasalada. Mentira novamente, não é anasalada. É, sei lá… Ela muda. Assim como a minha letra muda. Sabia? De acordo com meu humor, hora… Esqueci.

Preciso de um ego maior. Ontem fiquei pensando em mim o tempo inteiro, sobre o que eu sou, blábláblá. Todo o discurso. Mas, meu ego nem aumentou e eu nem me achei super foda, como eu queria. Maior coisa isso, maior coisa.

— Não tá falando a verdade!
— Estou sim.
— O que eu disse há cinqüenta segundos?
— Alguma coisa.
— O quê? Então?
— Viu só? Você me deixou nervosa com esse interrogatório todo e agora eu esqueci tudo. Ok? Tudo!

Respira, Raquel. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito…

— Me diz, no que você tava pensando?
— Em ex-drogados que encontraram Cristo.
— Dá pra ver. Mas, por quê?
— Sei lá! Você lê meus pensamentos pela íris dos meus olhos? — falei, muito, mas muito irritada. Putz, me arrependi, na hora. Na mesma hora mesmo.

Quando conheci o Dé (só eu o chamo assim), foi de uma maneira muito espontânea. Depois conto. O fato é que duas semanas depois estávamos grudados e ele disse “você vai me amar!” e me apresentou o melhor pão de queijo do mundo. Fizemos o pedido como se fossemos dois mineiros do interior do interior do interior, nada contra. Acho interior uma coisa bonitinha, mas não serve pra mim. Terminado o fingimento mineirístico, eu disse “você vai me amar” e o levei para tomar um adorável suco de abacaxi com hortelã. Então, ele disse “é, eu amo você!”.

— Desculpa, Dé. — falei, sinceramente arrependida, com o coração na mão, angústia, insegurança e… Peraí! Que drama.

— Tá desculpada, serviçal. Agora vá preparar meu banho de champanha com rosas. Quero que nem naqueles filmes da Emanuelle.
— Cara! Esses filmes marcam a nossa infância! Tipo Goonies.

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Raquel diz:
Então, explique-me o meu estilo.

Lalinha (empregada da Paola Bracho que diz “pois não, dona Paola?”) diz:
Esse termo “Stream of Consciouness” foi criado pelo psicólogo William James pra caracterizar aquele estilo de narrativa que se dá através de um fluxo de consciência não fragmentado, mas contínuo. Você descreve suas impressões e sensações conforme essas vêm a sua mente, e vai misturando com monólogos interiores, análises mentais e toda essa coisa que os outros chamam hermética e sem sentido, mas que na verdade é mór style!

Estilo de Clarice Lispector, por sinal. Mas que você usa de uma forma contemporânea, menos séria-formal e mais “cute” que ela. Ela era mezzo-depressiva e incapaz de (con)viver com ela mesma. (tipo eu assim)

Eu, sou assim pelas influências da minha personalidade e escrevo assim pelas influências dela, a Nathália pode ser que também, porque também é clariceana, mas você, eu até classifico, mas não sei de onde vêm… Hahahaha.

Raquel diz:
Nem eu.

Lalinha diz:
DESCULPA, É QUE DOU AULAS DE TEORIA DA LITERATURA E BAIXOU UM ESPÍRITO AQUI! HAHAHA!

P.S.: Conserteza.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ditadura dos relacionamentos

Fui trabalhar com a minha poderosíssima camiseta dos Thundercats. Meu bem, você sabe o que é isso? Trabalhar com uma camiseta dos Thundercats? Cale-se! Você não sabe de nada. Daí que ontem eu estava no metrô e vi os cabelos mais brilhantes e reluzentes da minha vida inteira, eram loiros. Sei lá! Eram? Não lembro. Daí que eu disse:

— Que horas são?
— Faltam 20 minutos para as 16 horas. (eu lembro!)
— Poxa… amspo opsmapsmps… — falei uma frase durante um impulso.
— Quê? — o impulso já tinha passado, comecei a gaguejar e a mente ficou em branco.
— Você… Você tem um… Um cabelo mui… Muito brilhante. Me lembra as, as… As?! As propagandas de shampoo.
— Anhnnnnhhhhh, brrigada!

Ficou estrábica e disse um “brigada” muito nasal. Fiquei rindo sozinha, na minha. Ela super me lembrou aquelas gurias poderosas e descoladas da MTV. Fiquei rindo sozinha, mas muito contida, é por causa da timidez. Cheguei a fazer duas aulas de teatro por causa da dela, a mardita (lembrei da Marvada Pinga agora)! Sérião.
Ele (o professor) me pôs pra conversar com um mocinho lá, depois era pra eu dizer quem que ele era e vice-versa. Só que, depois, ele me pôs, no meio da sala, pra falar sobre mim sem parar. Gaguejei um monte! Não, eu não sou gaga, é que, putz, nervosismo faz isso com a gente! Começo a morder os lábios sensualmente (mentira, não tem nada de sensual), as pernas ficam inquietas, eu não consigo olhar nos olhos de ninguém, a visão fica embaçada (mas só ao falar em público), fico tremendo, às vezes fico com um puta sorriso débil congelado… Muito triste! Mas eu não sou assim all the time, normalmente eu tenho uns impulsos. Impulsiva de carteirinha. Uma droga. Nem sei desde quando eu sou assim: imediatista. Esse post inteiro é um impulso, não estou a fim de escrever. Estou trabalhando, tá?

Lembrei, Cláudia, eu queria dizer pra você que eu não sou cínica, ok? Eu sempre esqueço de dizer, mas hoje eu lembrei! Céus, temos tantas coisas em comum! Até aquele site suspeito de signos-abafa e o meu segredo. Sabe qual é o segredo? Eu sou tipo a Giulia Gam em Mulheres Apaixonadas, só não coloco peruca pra seguir ninguém. Só que não é uma pessoa em especial, são várias! Acompanho a vida amorosa de cada uma, oras pois. Bofe escândalo, estou de olho em você.

Trabalho com um advogado que parece o Papai Noel, dizem que é o Lula, mas é o Papai Noel com uma dose exagerada e irritante de sarcasmo, eu, fico irritadíssima.

Pois é, sou toda tímidazinha. Na infância, noooooooossa, eu era super extrovertida, era desejada da forma mais inocente e era tudo muito feliz.

— Raquel, me diz, como que é que eu faço pra me livrar de um ex que não larga do meu pé? Finge que tá passando mal, chora…
— Quando ele fingir que passa mal, você diga “páre com esses faniquitos, ou morra logo. Aliás, se você morrer eu vou achar ótimo, pois adoro andar de preto! MORRA! MORRA! MORRA!”. Deixe-me ver o orkut deste psicopata! Ô, mineirinha! Você errou, né? Não pode ser apaixonante, porque só dá nisso: merda. Eu, com o tempo, aprendi a lidar com isso, já que só atraio gente louca-possessiva-doida-sem-limitesss.

Eu poderia ser psicóloga, não? Meus clientes iriam adorar meu senso de humor (?). Eu ia chamar, inclusive, os depressivos para tomar um chopp. Mentira. Quem precisa de psicólogo sou eu, oh, céus, por que eu existo? Por que as coisas são assim? Que merda de vida, que merda de tudo, cansei da vida, cansei de você, cansei da merda das pessoas, cansei dos domingos, cansei de ser tímida, agora eu vou beber até cair e ter uma overdose de chocolate. Não uso drogas ilícitas, se é isso que você pensa. Só as que estão dentro da Lei. Proibiram a Marcha da Maconha (que nome horroroso)! Caralho, mas que falso moralismo do cacete é esse? Cadê liberdade de expressão? Abaixo a ditadura! Hip! Hip! HURRA!

Ai, mas que raiva desse tempo que não passa! Será que é o relógio? Não é possível! Não pode ser, ele está girando. Caramba. Vou comer alguma coisa que me faça engordar três quilos e manchar minha adorável camiseta com kepchup, entendeu? Ah, se não fosse pra voltar. Mineirinha, o cara é um psicopata! Foge dele. Vocês não tão entendendo, ele ainda a considera uma namorada e fez um álbum de fotos no orkut só pra ela. Não quero relacionamentos nunca mais!

Muito obrigada você, muito obrigada mundo. *cara de maior filha da puta do século*

segunda-feira, 5 de maio de 2008

— Que voz… Que voz…
— Hein?
— Estou falando da voz da mocinha que canta.
— Norah Jones.
— Hein?
— Come Away With Me. Norah. Norah Jones.
— Pára de falar desse jeito.
— Desse jeito como?
— Desse jeito "James Bond".
— Pára de ser tão implicante, Raquel.
— A mocinha, realmente, tem uma voz muito bela.
— Quem?
— A tal da Jones.

(…)

— Raquel?

Lá estava eu, sentada e analisando o céu. Já reparou como o céu é bonito? Digo, já parou para ficar olhando para o céu? Eu já, inúmeras vezes. Faz isso um dia. As pessoas ficam a te olhar como se fosse uma idiota. Ou param pra olhar também.
Lá estava eu, sentada, olhando pro céu com meus olhinhos brilhantes, analisando-o. Senti uma mão em meu ombro.

— Raquel?

Reação nº 1: gritar — não, sou tímida demais pra isso.
Reação nº 2: levar um susto — não, eu poderia morrer do coração.
Reação nº 3: virar-me bruscamente e, com olhar inquisidor perguntar "o que é?" — não, eu sou doce demais pra isso.

Raquel. Nome bonitinho, inesquecível.

Então, com toda a minha doçura disse um "oi?" todo tremido.

— Cara! Quanto tempo!
Olhei bem para a cara da menina. Tinha um olharzinho um tanto melancólico, voz doce, sonora.

— Senhorita Sofia! — quase gaguejei, mas nenhuma voz é tão deslumbrante assim.

Aí ela me abraçou tão forte. Putz! Quase chorei. Sofia é a única pessoa da qual eu conheço que dirige. Acho incrível e morro de medo dela me matar. Ela colocou um CD com uma mocinha cuja voz tem as mesmas características que as dela: doce, suave, meio tristinha, etc. Ela, cheia do bom gosto, colocou uma música super bonitinha de uma mocinha da qual já tinha até ouvido falar. O trânsito do Rio é caótico.

Soube que a tal mocinha está atuando em um filme desses aí. Eu n-u-n-c-a que vou assistir esse filme, porque sempre estraga toda a minha idealização de pessoa perfeita e cara, sou tão chata com atuações, acho tudo superficial. Tá, é que, bom, estou sentindo no meu íntimo que se eu assistir esse filme só pode dar uma coisa: merda. Nu e cru desse jeito mesmo.

A Sofia é uma garota da qual gosto muito. Desapareceu de minha vida da mesma maneira que entrou, de uma maneira da qual nem percebi, em um desses cursos que eu vivo fazendo e dos quais eu não tiro nenhum proveito.

— Me dá o seu número! Celular.
— Não tenho.

Ela pára.

— Como assim? Toda modernésima e não tem celular?
— Não. Simplesmente faz parte da minha atitude modernésima, sabe?
— Cara! Isso é sério?!
— Seríssimo!
— Cara… Cara… (ela não conseguia falar e começava com esse "maneirismos" cariocas, assumo: culpa minha, mas é que é inerente a mim)
— Diz.
— Cara! Isso é foda!
— Quê?
— Você consegue ser inerente a essa nossa realidade tosca e cruel, tecnológica.
— Que bonito isso! Mas eu uso internet.
— Cale a boca! Não estraga a minha imagem bonita de você, ok?

P.S.: Lembrei desse fato após a Nathália falar da Norah Jones.
P.S.²: Um beijo pra Mexy, cujo nome não ouso falar. Garota fofa de meu Deus! Nhoun!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Primeiro de Maio

Eu j-u-r-a-v-a que hoje era dia 1 de maio. Sim, eu tive a consciência de que ontem que era o Dia do Trabalho coisa e tal. Só que, de repente, esse dia adquiriu 48 horas. Só acreditei mesmo quando vi no jornal. Daí que eu lembro que eu ia falar sobre trabalho e que o trabalho sempre estragou o conceito de liberdade. Dá pra entender? O raciocínio é esse. O trabalho e o dinheiro estraga o conceito e liberdade, mas só para gente desprovida de algum poder aquisitivo (eu). Vamos fazer uma viagem a adorável infância de Raquel? Raquel sempre pensou que poderia ser tudo o que quisesse. Na boa? Eu posso e nem é arrogância não, é que eu gosto de pensar que eu posso ser tudo, que eu posso fazer tudo e essas coisas que só gente muito idealista e sonhadora pensa (INFP — eu). Nem que seja na hora de dormir, sei lá. Ou então naqueles aniversários dos seus primeiros oito anos de vida, na hora do desejo, de assoprar as velinhas, sabe? Você só pensava coisas egoístas na hora de pedir, não é? Pois é. Daí que eu posso ser tudo, mas… Prefiro meu emprego informal de secretária. Sabe que hoje chegou uma mulherzinha toda arrogante pra falar comigo? Deus, só atraio gente arrogante-psicótica. Ou mega-mega fofa. O exemplo 1 e o exemplo 2 estão mais ou menos empatados. Ah, sim! Estava falando sobre a infância e, trabalho? Sim, meu sonho era cantar a capella em algum ponto estratégico do Rio de Janeiro e ficar rica. Rica, entendeu? Mas, nem deu. O resto eu não lembro.
E esse negócio de não ter dinheiro caindo do céu é uma coisa meio chata, entende? Acaba total com o conceito de liberdade.

Daí que seria super interessante se você pudesse fazer o que bem entendesse da sua vida e não ter muita diferença de grana. Digo, no sentido das pessoas que trabalham com coisas que eu julgo tediosas (e são ricas), essas coisas relacionadas com exatas em geral. Odeio exatas! Engraçado que eu sou a única toda errada na família, já que quase todo mundo é da área de exatas. Menos o meu pai, que odeia elas também. Ele era socialista roxo e ainda é. Ai, Jesus! Por que eu sou tão parecida com ele? Quer dizer, não sou socialista roxa, mas sou toda chata com essas coisas que quase ninguém se importa mais. Meu pai fez Medicina, Direito e História somente pelo fato de adquirir conhecimento. Bonito, né?

Ontem teve um show em tributo ao Cazuza! Lá estava eu, passando pela praia, sorridente e feliz. Ney Matogrosso com todo o rebolado e as pessoas… Paradas. Totalmente. Pareciam mais o meu sono: puro e casto. E aquela gente toda parada me dava um nervoso.

— Você viu o Ronaldinho? Pelo menos aqui em Copacabana você sabe que tem mulher. Mas não, ele foi lá em… Hm… Lá naquele lugar onde só tem travesti e queria o quê? Eu hem. Cara estranho.

Poxa, o Cazuza era um cara tão legal. Merecia um beijo na testa. Ele tinha a língua presa! Uau, isso é tão… Sexy! J-u-r-o. Juro que é sexy. Também é muito sexy gente que sibila (fala que nem o Frajola). Devo ser esquisita.

Ando tão cansada. Hoje comprei calças perfeitas! Fiquei muito feliz, muito feliz mesmo. Muito feliz. Você passa a vida inteira tentando achar calças perfeitas, já reparou? Estou muito feliz. E comprei uma camiseta dos Thundercats, remember? Thunder, thunder… Thundercats, HO! Não lembra? Acorda, amor!

Um beijo pra você.