sábado, 28 de junho de 2008

1/2

É que, às vezes, eu não tenho paciência de escrever, não tenho paciência de de pensar, sem saco, sem noção… É que eu penso tudo em forma de texto, sabe como é, Nicky? Acho que esse é o seu nome, pseudônimo, sei lá… Dizem que escrever é exercício de solidão. Eu não acho, entende? Porque faz um tempo que eu não pego numa caneta, faz tempo que eu não abro o notepad pra escrever qualquer coisa… Mas é que esses dias eu ando, ando não, eu sou, bom, mas é que eu estou sentindo mais do que deveria sentir a solidão. Sei lá, é que eu não sei lidar com isso, é que eu sou muito egoísta, eu quero demais, uma coisa…
Hoje eu fui pro interior do Rio. Só mato, formigas e cavalos. É que é aniversário do meu tio e ele quis ir pra um sítio esquisito do tio da esposa dele. Aí eu fui. De carro. E eu vi duas pessoas. Uma garota e um cara. Quase desci do carro e perguntei se os conhecia de algum lugar, mas… Eu realmente não sou tão impulsiva assim. Eu acho que se eu fosse mais impulsiva, as besteiras que eu faço se multiplicariam por mil. Não me lembro de tê-los visto anteriormente. Na fila do banheiro, dentro do cinema, num bar, em frente a um motel, sei lá… Ela tinha o cabelo descolorido, quase branco, meio loiro, sei lá, não sei definir porra nenhuma. Tinha um ar modernésimo, um puta ar modernésimo. Ele tinha uns dreads e costeletas.
O tio da esposa do meu tio pergunta para mim se eu aceitaria viver aquela vida de interior. Pensei e respondi:
— Nunca. Porque eu gosto de cidade, ar poluído, gente, barulho, estresse, porrada…


Olha, eu sei que você não vai acreditar, mas eu não sou pessoa de ficar fazendo isso, eu não sou assim, eu não gosto de ficar viajando pro interior do Rio, eu não gosto de afogar as mágoas, eu não gosto de me sentir mais ou menos do jeito que eu tô me sentindo agora, sensação indescritível, eu gosto de ter o controle da situação, sobre tudo. Eu gosto de lembrar e não esquecer. Eu serei uma filha da puta pra sempre. Olha, eu cansei. Eu queria ser bem do tipo que se deixa levar mas… Olha só que ótimo, eu sou do tipo que vamos ver no que que dá. Não gosto de fazer planejamentos a longo prazo, porque eu gosto é do momento, sabe, amorzinho? Do sangue e dessa porra toda. E eu tenho tantos receios ridículos. Olha, again, eu sou uma ridícula. Uma ridícula e ponto — pra sempre. Eu bagunço o cabelo pra tentar parecer moderno e eu sempre sonho que estou em cima duma plataforma com calças de couro. Você não sabe, mas é isso.

— Eu li o que você escreveu e aí que eu achei lindo, sabe. É como se eu tivesse escrito pra mim. Agora eu posso me amar. Mentira, eu sou tão abominável, poderia ficar listando todos os meus defeitos, que, aliás, não são poucos. Pensei que só eu tivesse essa linha de raciocínio. Pensei que somente eu soubesse de como certas coisas são absurdamente importantes. Olha, em duas semanas eu já te amo! Eu acho incrível isso, sabe. Porque você é que nem eu. Não gosto de gente muito diferente de mim, sabe… É que eu sou egoísta, olha, mais novo adjetivo pra mim: egoísta. Não é bem egoísta, mas é que eu sou escrota pra lidar com certas diferenças, sabe… Escrota, intolerante e egoísta. Olha, eu não sou egoísta. Ai, como eu sou contraditória. Mas olha como eu sou feliz, eu sou contraditória, eu sou filha da puta, eu sou escrota e tô amando… Então vê se larga esse seu discurso e escuta o que eu vou te dizer daqui pra frente. Eu não sou de ficar fazendo isso, nem é necessário, mas é que me deu uma vontade de te explicar tudo da vida, de apontar um caminho, sabe? Como se eu fosse importante, como se eu soubesse de alguma coisa da porra da vida. Olha só, eu te conheço há duas semanas? Ou seriam oito meses? Sei lá, não tenho noção do tempo mesmo. Pois é, eu te conheço entre duas semanas e oito meses e tô com saudade, entende? E isso é incrível. E eu posso ficar aqui, falando sozinha ad infinitum, mas é que eu tô atrasada, entende? Um beijo na testa! Hoje eu olhei pro céu e eu vi a imagem mais lindinha de toda a minha vidinha.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Edi

Às pessoas acham que eu devo ficar sorrindo o tempo inteiro e pra todo mundo. Mas não é bem assim, em certos dias, eu fico no meu redome com uma cara fechada, despedaçando o coração de gente desconhecida…
Hoje choveu. Quase chorei, mas… Nesse momento começou a tocar uma música da Cyndi Lauper. Ela tem a voz linda, é linda por dentro, por fora, etc etc etc. Cyndi, case-se comigo! É isso, adoro dias chuvosos e dias frios. Aí eu fico pensando e reparando demais. Hoje fiquei reparando no jeito de como um mocinho no metrô olhava para o próprio anel, sei lá. Mordi a minha língua agora a pouco e quase arrebentei meu joelho na cama, como sempre. Odeio sangue. Bleargh… Odeio também sentir os meus batimentos cardíacos. É que sangue me dá um treco assim… Hm. Daí que eu estou usando um short azul e jeans. Coisa da Júlia. Ela que gosta de shorts azuis e jeans e curtíssimos, de potranca.

Sabe o que eu acho um inferno? Tropeçar na rua. Há tempos, eu andava olhando fixamente pro chão e esbarrava em todo mundo. Aí eu passei a andar com a cabeça pra cima, uma barreira vencida na timidez, blábláblá. Só que agora eu não olho mais pro chão e tropeço o tempo inteiro. Que inferno. Que diabo!
Queria voar. Hm. Adoro café. Hoje eu ouvi uma música tão bonita, não era da Lauper, era de uma outra aí. Uma qualquer, uma herege, uma perdida na vida, uma música de gente sem princípio, sem moral, sem ética…

Cara, por que é que hoje eu peguei chuva? Uma coisa! Sério! Por que é que eu não me lembro de pegar um guarda-chuva? Acho que vou deletar esse post absolutamente inútil.

Hoje eu recebi um e-mail de um moço chamado Ivan Turkovic, sueco, 24 anos, um metro e oitenta e bonitão.

P.S.: Você esperava alguma mensagem edificante?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Uma auto-análise assim

Não sei que tipo de pessoa sou eu, Deus. Não sei que tipo de pessoa chora lendo, lendo um desabafo ou um currículo. Tanto faz. Porque a sinceridade dói na alma. Ela fala dum jeito sincero demais, de um jeito muito cru e eu gosto disso. Porque ela é sincera. Porque ela fala de um jeito que me faz chorar. Porque ela me faz chorar. Ela fala de um jeito absolutamente incrível, fala de umas coisas que, pra mim, seriam as coisas mais ridículas do universo, coisa de gente comum. Mas é só um exagero que nasceu com ela, mas é que eu fico imaginando como se desse pra mim. Mas não dá. Não nessa vida. Não agora. Eu sou diferente. E eu nunca que vou esquecer aqueles olhinhos brilhantes.
Eu sei que ela não precisa olhar ninguém nos olhos pra saber o que a pessoa em questão pensa. Ela nem sabe que eu acho tudo isso dela. Uma coisa.
Nesse momento, eu estou trabalhando, vendo um jogo. Gol da Alemanha. O outro time, ignoro.
Eu tenho insônia. Eu sempre quis dormir como todo. Mas nas madrugadas não-dormidas eu costumo pegar um papel e escrever sem parar, com uma xícara de café do lado. Clichê, mas é verdade. Uma xícara de café que em uma rotina constante se esvazia e enche de novo, porque eu tomo muito café. Eu preciso. É um vício.
Eu escrevo muito pra ninguém em especial. Se existir alguém em questão, normalmente faço uns quinze rascunhos. Ou nenhum. Porque quando eu escrevo pra alguém-ninguém é normalmente em decorrência da impulsividade.
Eu não sei por quê eu sou assim. Acho que deve ser karma, sei lá. Eu queria que Deus ou algum bêbado fizesse uma análise detalhada de mim e explicasse o por quê de tudo. Porque eu cansei. De tentar. Freqüentemente não sei o que fazer com as mãos. E eu tenho pernas inquietas. Ninguém consegue deitar no meu colo porque eu fico balançando as minhas incessantemente. Mas eu gosto que deitem no meu colo, porque dá vontade de pegar a pessoa pra cuidar, balançar nos braços e dizer que vai ficar tudo bem. Preciso de um psiquiatra. Porque psiaquiatra pode ficar me entupindo de remédios. Psicólogo não, acha que um papinho resolve tudo e não pode receitar remédios. Um dia eu vi um filme. No dia seguinte era aniversário de um amigo. Será que ele lembra que eu existo? Num impulso, fui numa igreja (católica) e pedi umas velas. Queria rezar. Mentira. Comprei um bolo do tamanho da minha mão fechada (mãos pequenas, imagine), enfiei a vela no meio e apareci na porta da casa dele. Às 6h e 13min. Da manhã. Madrugada, sei lá. Não sei. Não sei.
Aí eu fico olhando pra elas, as minhas mãos, tentando decorar as linhas, como a perfeita imbecil que eu sou. Penso por que Deus não me deu uma mãozinha maior. Aí eu poderia aprender a tocar violão.
Algumas pessoas dizem que certas coisas que acontecem em minha vida parece até coisa de filme. Eu nunca disse isso para essas pessoas, mas é que elas parecem coisa de filme porque eu vejo mágica nas situações corriqueiras que as pessoas comuns não vêem. Deu uma vontade de fazer uma auto-análise assim.
Ontem eu falei com uma tal de Priscila que eu melhorei muito com a timidez, que eu não atravessava sinais fechados porque todos dentro dos carros iriam me notar desfilando, etc. Tenho que dizer pra ela que não melhorou porra nenhuma. Fui numa exposição e eu tenho mania de lavar as mãos (só quando eu lembro da mania) e não consegui entrar no banheiro.
Por quê? Porque tem um espelho enorme e eu não estava querendo ver a minha cara, mesmo que digam que eu sou bonita, etc etc etc. Bonita pra mim é ironia e eu fico ofendida. Hoje não consegui comer num ristourânte que eu fui. Muitos grupinhos de gente feliz e extrovertida. Essas pessoas nunca vão entender qual é a tristeza de voltar pra casa sozinha numa sexta-feira fria.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Dove

A gente nunca pára pra pensar. São idéias prontas de uma suposta maioria.
Qual é a probabilidade dum pombo fazer suas necessidades exatamente na página de um livro cujo parágrafo inicia-se falando em pombos? Um dia a gente calcula isso.
Cansei sobre a o fato de você não reflitir sobre o mérito da questão, a análise do fato, do pombo, dos excrementos na página.
17 de junho — O Dia do Pombo.

Hoje peguei um metrô e ouvi uma conversa horrível de um senhor sobre a vida para com uma mocinha. Aquela conversa de matar o tempo e a vida. Conversa horrível como um pombo. Falou de absolutamente todas as merdas da vida com a alma e contou que, desde que se tinha dado conta disso, passou a viver de sonhos. Como assim?

Acabei perdida em meus próprios pensamentos. Como sempre. Estava a ler um livro, a cada palavra eu pensava em mil coisas, não conseguia me concentrar. Ficava imaginando situações em minha cabeça, como seria se tal coisa acontecesse. Pensando nas hipóteses prováveis etc etc etc. Eu escolhia por tópicos de reação. “O que faria meu rosto queimar? (no sentido figurado)”, “O que teria de acontecer para eu sorrir? (não é difícil, eu sorrio por tudo)” e fiquei nisso até reparar que já tinha passado da estação. Estava na Siqueira Campos.
“Mas que merda! Vou ter que voltar. Humpf.”

Sempre é assim. Não reparo nas músicas que escuto. Não presto atenção nas letras (só EU se eu tentar na concentrar). Ela acaba e eu sinto falta. Eu só me sinto idiota porque ajo como uma.
Saí no metrô decidida a ler o capítulo não lido e não compreendido. Sentei na calçada (é) e eu vi a página se tornar uma coisa nojenta. Não iria. Pra onde? Oftalmologista. É que há uns três ou quatro meses eu quebrei meus óculos. Sem querer. Acontece é que eles estão fazendo uma puta falta e eu me sinto uma cega que não consegue ler propagandas sem ser de perto.
Inevitavelmente me lembrei de uma amiga. Estávamos falando de família. Eu falei que tinha uns parentes lá pra Manaus, sei lá… Índios. Ela deu um gritinho fino e disse:
— Ai! Então é por isso que você tem esses olhinhos assim!
— Assim como?
Ela desenhou no ar o formato dos meus olhinhos.

Ontem um moço veio aqui no trabalho e começou a pegar no meu braço e me chamar de “moça linda”. E começou a fazer comentários desnecessários, como “mulher tem que ser assim, exótica (leia-se: feia).”

Iaiá, se você ler isso, perdoe-me por encher o seu saco a ponto de você perder a aula ontem! Explico:
— Perdi a hora da aula, veja bem, tenho -7 minutos, porque, blábláblá…
*fiz as contas, marromenos 30 minutos de atraso, sei lá*
— Ah, não vai não. “Eu tenho um bom poder de persuação. Hm.”
— Realmente! Nem posso me atrasar mesmo. Olha, eu tenho um amigo que é ________ (dono, trabalha, sei lá) de uma lan-house. Eu vou pra lá e a gente bate um papo.

Vou me especializar nisso de persuadir.

Elogio necessário (exclua-se o moça-linda-exótica) proferido pela mesma: “você falando.. é muito bonitinha. seu sotaque é adorável.”
Quase emocionei. Quase, até porque eu não sou tão sugar in the rain assim. Hoje eu fiz vários desenhos numa folha, onde todos estão interligados e com informações sobre pessoas e dúvidas sobre elas. Tenho medo de quem alguém veja e saque tudo. Mas não… Quem é que vai associar um diabinho e um anjinho a alguma coisa, não é?



pensar-refletir-julgar-o-merito-da-questao
ideia-concebida-a-priori-sem-consistencia-alguma
hemogenia-do-pensamento de uma suposta maioria, ignorante e frustrada, inconsequente, fraca, egoismo, maledicencia.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Nesse Dia Horroroso

Nesse Dia dos Namorados, desengavetei um texto que, atualmente (para o meu estado de espírito), é ridículo. Vou transcrevê-lo (é que ele tá no papel, nossa, minha letra era bonita). É só um rascunho.

Esse aqui é o seu décimo primeiro drink. Você não acha que isso é muito? Eu acho. E eu acho incrível a sua habilidade de fazer sotaque francês e simultâneamente falar alguma baixaria fazendo biquinho. Eu acho que eu gosto mesmo de você.
Mas é o que acontece quando eu fico olhando pras tuas bochechas com cara de imbecil apaixonada. Realmente — acho que nem faz sentido. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Um momentinho.

Eu tenho todo o tempo do mundo pra você. O resto, ah… Que vá pro inferno. Daí que quando a gente gosta muito de alguém, mais do que deveria, a gente fica muito assim mesmo — possessivo. Mesmo que você não acredite, meu amor, eu não faço a linha romântica. Tenho os meus momentos. Tenho picos de não-romantismo. Minha definição de paraíso,atualmente , é beijar até perder o limite, a noção… Sempre digo isso. Ou nunca digo isso. Tanto faz. Acontece que nunca vai dar certo, nem em um zilhão de reencarnações. Não era pra ser. Nunca vai ser e nada é pra sempre. Eu sei que um dia eu vou te odiar e eu vou te odiar pra sempre. Nem sei se um dia consigo te dizer tudo isso sem tropeçar nas palavras, gaguejar. Daí que de repente eu sinto o meu rosto queimar. Muito. Na realidade eu nem gosto de você. Desculpa a contradição. Sua voz é absurdamente sexy. Muito sexy. Amo quando você coloca o cabelo atrás da sua orelha direita.

Eu queria você só pra mim. E eu passo mal com todo esse meu ciúme sem fim e exagerado. Um dia eu vou entender verdadeiramente o conceito de liberdade e entender que eu não sou dona de ninguém. Adoro quando você se ruboriza ao ver pelos meus olhos não-profundos todos os meus pensamentos de garota promíscua. Acho seus jeans as coisas mais perfeitas que existem na face da terra. Inclusive você. É, eu te amo. Eu acho que ando pensando muito em ti. Que sentimento da porra… Assim eu me sinto uma pervertida. Sempre me disseram isso. Só hoje eu me dei conta.

— Você tá bem?
Baixei a cabeça. Não, não tá tudo bem. Tá tudo uma merda.
Ótimo.

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom

(…)

Eu sei que é um conceito absurdo. Eu sei que você vai fazer isso em vão. Mas eu não me importo com o futuro. Fica comigo pra sempre?

12

No fim das contas: hoje é um dia horroroso!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Só casando

Eu estou com tanta raiva de você que vou prender a minha respiração até defiñar. Eu estou com tanta raiva da sua pessoa que eu vou lembrar do meu atual ódio todos os dias e renová-lo. Tudo bem, eu nunca vou sentir isso. Preciso aprender a odiar. Odiar de verdade, do fundo d'alma. Ódio não existe, a gente finge que acredita, a gente finge que ele existe. A gente gosta de fingir que acredita em muita coisa, tipo que os coelhos existem. Esses pensamentos super lisérgicos que volta e meia me vem a mente. Hm-hm.
Lá estava eu, resolvi mudar, não tomar o habitual suquinho refrescante de abacaxi com hortelã. Resolvi mudar, pedi um cappuccino. Daí eu me liguei em um cara na mesa da frente, me olhava de um jeito esquisito. Fazia o estilo armário, meio bruto. A primeira coisa foi certificar o zíper, depois passei a mão na cara. Ele só queria me olhar dum jeito esquisito mesmo, pra me preocupar.
Na outra mesa tinha uma moça, toda loirosa, dos olhos castanhos e bem escuros. Parecia modelete, alguma coisa assim. Cabelo curto, cara de rebelde. Mas era baixinha, juro por Deus que acho que ela deve ter 1.55 no máximo. Ela lia os classificados e sorria de um jeito meio afetado, sei lá.
Eu também faço isso, mas só quando leio a parte de prostituição nos jornais. "Morena, carioca (o lugar onde a pessoa nasceu sempre é um toque a mais) 1.70, coxas grossas, bunda grande, peito grande, gosto de sexo e faço tudo. Atendo homens e casais. Tel.: XXXX-XXXX"

O celular dela toca. Ela atende. Ela fala alguns impropérios e desliga. É a minha vez de sorrir afetadamente, concluindo que eu sempre estou certa — toda baixinha é briguenta mesmo, um furacão. E você sabe que o que eu digo é verdade. No caso dela, uma anã.

O dono do lugar onde eu tomava meu cappuccino calmamente é um doce. Puxou a cadeira pra mim e tudo. Tem um jeito de português, um bigodão super bem cultivado. Agora tanto faz.

Perdi o RG, agora ando com meu nome e telefone, em caso de acidente. Vocês não vão ler o meu nome no jornal e tudo mais, porque eu não tenho grana pra por no jornal. Essa vidinha é uma merda. Agora eu sou rica, ponto. Eu sou rica e eu tenho todo o dinheiro do mundo. Não, eu não tenho problemas mentais. Queria falar inglês direito, mas eu só improviso e tudo. Meu inglês é péssimo. E não é britânico como o da massa moderninha. É bem americano mesmo, tudo embolado, extremamente States. Não sou certinha mesmo e nem quero ter sotaque britânico.



— Eu sou uma psicótica-ciumenta-louca. Mas me garanto.
— Atualmente sou bem relaxada com essas coisas de ciumes. Sou bem zen, light, assim… Mas não me garanto não. Insegurança total. Uma coisa! Assim, uma coisa! E, quando sinto, guardo pra mim. (eu)
— Eu explodo!

P.S.: Núbia, só toca em mim casando. Beijos. Aliás, seu nome é lindo, meeeeeeeu! Meu nome agora é Raquel Núbia Marina. Porque Marina também é um nome lindo. Raquel Núbia Marina Júlia, porque eu gosto muito dela. Não fique com ciúmes. Beijos.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Jota

Ela tinha um sorriso esquisito no rosto. Acho que deveria se sentir como eu me sinto.
Não posso dizer nada, acho meu sorriso estranho, torto e todas as outras características que canso de dizer que ele tem. Nada demais. Dentes estranhos. Odeio.
Hoje fiquei exatamente sem saber o que fazer com as mãos.

Sinalizou com a mão e perguntou se eu me chamava Rafaela. Não, não me chamo Rafaela, chamo-me Raquel e tenho um sorriso esquisito no rosto que nem o teu. Ela me contou a vida inteira. Eu contei a minha inteira, sem omitir nada. Era só uma desconhecida que pensou que eu me chamava Rafaela. Rafaela não sei onde. Era engraçada, se atrapalhava no meio das palavras de tanta empolgação. Fiquei pensando o tempo inteiro “gente! Minha alma gêmea”, o que é um conceito meio estranho, já que eu nunca que vou aceitar que a minha alma gêmea é uma xerox minha que existe em decorrência do destino. Não sei o por quê, mas aí eu lembrei de um amigo.

— Fabiano, seu short não dá em mim.
— É impossível!
— Não, é por causa da bunda, sabe. Eu tenho muita bunda, nádegas! Você não tem. É liso.
— É chato ser mulher. É chato ter bunda e ter peito.
— Queria ser lisa que nem tu.

Acho que é porque ela fazia o estilo peitão-bundão-cabelo-liso, sou meio avessa aos padrões existentes na nossa sociedade, é uma revolta voluntária e muito bem fabricada. Mas era bonita, tinha uns olhos expressivos, pareciam inté azeitonas.

— Me fala uma coisa engraçada.
— Não sei ser engraçada. Não tenho muito humor.
— Tem sim. Diz alguma coisa.
— Chamo-me Rafaela, estou me guardando para o casamento. Você sabe… O selo da honra.

Ela era parecida comigo, a tal xerox do destino. Eu não faço planos a longo prazo, sou meio assim, imediatista, sei lá como é o termo. Eu gosto das pessoas, costumo gostar muito facilmente. Nossa, um papo muito intelectual, muito cabeça, assim. Do nada. Por uma estranha do sorriso esquisito que me confiou toda a história de sua vida, que pensa que eu me chamo Raquel, que odeia picles, que odeia azeitona, que não gosta de morangos, que acredita em umas coisas sem sentido. Gosto do “não fazer sentido”. Acho um tesão. Um tesão. Acho quase tudo um tesão — sou muito fácil (ui!) e eu disse isso há sete ou quarenta minutos. Não tenho noção do tempo, a gente não precisa do tempo. Tempo pra quê?
Tem coisas que só estragam as coisas. A gente foi coisar o coisa. Bem esse raciocínio lógico.
Ela tem um português todo de livro. Muito certinho. Muito certinho, como o da francesa que eu conheci num cinema no ano passado. Duas pessoas do português de livro. Não acho irritante, acho bonitinho pra caramba. Acho tudo bonitinho — um tesão.

Acho tão esquisito quando isso acontece — os tais encontros inesperados, coisas do destino, mentira, coisas do caso do acaso bem marcado em cartas de tarot. Eu não vou esquecer isso nunca mais na minha vida, nunca mais. Eu nunca esqueço do que é importante pra mim. Existem tantos fatos, tantas pessoas e tantas frases que são importantes. Frases sim, não posso esquecer. Não posso esquecer certas piadinhas internas. Lembra, Ju? “Maria Auxiliadora, seis horas, lá no poshhxto que o movimento vai tá bom.”
Júlia, ela tem nome sim. Júlia, é um nome bonito, você faz biquinho.

— Sinto como se te conhecesse há séculos. — disse ela. Eu jamais diria isso, meu manual moderninho me impede de dizer tal cafonice.
— Eu também. Me dá um abraço.

Terceira vez. Quase chorei pelo abraço. Terceira vez que quase choro. Ando tão a flor da pele. Vapor Barato -> Flor da Pele. Ando tão a flor da pele, que qualquer beijo de novela me faz chorar, ando tão a flor da pele, que teu olhar flor na janela... Nãnãnã. Música bonita por demais. Júlia me fez prometer que vamos aparecer em frente a um cinema com um short curtíssimo, jeans, azul e envelhecido. Eu a fiz prometer que terá um short curtíssimo pra usar mesmo.
— Acho muito sexy gente com um short jeans curtinho, acima da coxa, gatinha.
— Juuuuuuura? Ui, ui, ui!
— Juro.
— Vamos no cinema?
— Não vou no cinema há tanto tempo. Cinema é cousa de rico.
— Páre de bancar a pobretona, sim?
— E você é o quê? Vai me bancar? Vai nada, você é tão ferrada quanto eu. Me dá um abraço, daqueles de me fazer chorar, vai.
— Não sei como faz isso.
— Estúpida.
— Idiota.
— Retardada.
— Imbecil.
— Viadinho.
— Isso é totalmente fora de contexto.
— Gosto de tudo o que é fora de contexto. Gosto de você também, principalmente por ser disléxica & psicótica como eu. E por odiar azeitonas. Olha, desculpa esse discurso católica apostólica romana século XV. Tenho uma vizinha que é católica. Ela já me perguntou mais de seis vezes se eu sou católica.
— Cara de católica onde? Você é o próprio pecado em pessoa.
— Não sou o pecado. Mas ela me perguntou se eu sou católica e disse que se eu fosse evangélica, ela iria rezar muito por mim, porque evangélicos vão direto pro inferno porque renegam a autoridade de Maria.
— Ah!

Isso não foi em um encontro só. Na realidade, isso tudo aí é um conjunto de vários encontros casuais, inesperados e, talvez por isso, os mais importantes e marcantes. Adoro gente. Gente vicia. Gente vicia mais que LSD.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Então me diga você. Quem pensa que é, hein? Uau, isso foi tão batido. Mas a linha de raciocínio é mais ou menos isso.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Purê

Não dá pra não se apaixonar por alguém que come cachorro-quente com purê.

Acabo de ser recebida com toda uma situação arquitetada por Raphael (escreva o seu futuro com pH!). Respondi tudo com tudo o que eu faria. Basicamente é um homem de terno com um cachorro-quente com purê na mão, uma pasta noutra e um relógio pifado no Centro do Rio de Janeiro. Pergunta para mim que horas são e eu olho pro sol e respondo.

– Ele pensará que você é louca e vai te ignorar
— Por ser um homem de terno, eu pensaria que ele é um homem suficientemente instruído para saber que dá para ver o horário pelo sol.
— Mas a hora não é exata,
— Pra mim é. Com uma margem de erro de vinte minutos para mais ou para menos.

Resumindo: eu ia deixar o moço ir embora pra sempre.

— Escreveria um poema por tê-lo deixado ir?
— Talvez.

Aí me vem a cabeça Marcela, defendendo com unhas e dentes os hábitos proveninentes do local de seu nascimento, falando do cachorro-quente-com-purê-maravilha e pizza-com-azeite-maravilha, quase me chamando de carioca anormal, etc etc etc. Fico rindo sozinha só de lembrar da cara dela ao notar indescritível minha cara de nojo ao saber dessas coisas. Perdoem-me.

— Vai ver é uma coisa que só tem no interior onde você mora…
— São Beirrnado não é interior! “Já ouvi isso antes. E esse seu sotaque?

Cara, tá um cheiro ridículo de piscina aqui (leia-se cloro). Trabalho com um sósia do Lula dos cabelos castanhos. Véspera vocês sabem do quê, um inferno.

P.S.: Hoje eu tô tããão fatal, mas tããão fatal. Só a cara. Porque na hora de encarar todo mundo e ser superior, eu só abaixo a cabeça e cantarolo calada uma músiquinha bem feliz.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Parzim

Realmente! Fui à igreja com minha mãe. Eu não gosto, ela gosta, mas eu gosto dela, então, quero agradá-la. Sentei-me lá atrás. Um rapaz sentou-se do meu lado, me cumprimentou e beijou minha mão. Discretamente ele colocou a mão no meu joelho, discretamente afastei-a de mim. Fui cortejada sem parar. Quase bati nele pra calar a boca, cantava mentalmente uma musiquinha do Polyphonic Spree.
Expliquei para ele que estava comprometida com uma pessoa da qual amava muito e pretendia me casar e disse que me chamava Fairuza.

Neste momento, Raquel, você passa a travar contato com sua própria ambigüidade, dando-se conta de suas pessoais duplicidades. Você compreende melhor que as certezas não são tão absolutas quanto parecem e que a dúvida – a despeito de incomodar – é libertadora.

O Mago também sugere este momento como sendo o de desenvolvimento de novas perspectivas e habilidades amorosas. Você aprenderá muitíssimo sobre a arte de amar nos próximos dias, seja através de leituras, debates, conversas, conselhos.

Tudo verdade. Muito obrigado, aliás, monsters, já arrumei parzinho pro Dia dos Namorados, hoje em dia tudo é tão simples.

“Acontecimentos não planejados podem ser a força motriz de um processo de renovação de toda a sua vida afetiva. Prepare-se para uma série de encontros inesperados que lhe proporcionarão conversas inquietantes, estimulantes, provocativas e libertadoras. ”

Toda essa previsão tá me deixando excitada… Aliás, amanhã eu volto a falar do amor, falarei sobre exalar amor por todos os poros, amar em questão de segundos gente desconhecida-conhecida, tudo o que é fofinho e bonitinho, coisas meigas, sentimentos nobres etc etc etc.

Dona Mayara,

Só o fato de você me conhecer da comunidade dos Amores Platônicos já é uma boa, podemos falar horas a fio sobre a (as) pessoa (s). Eu tenho uma promiscuidade sentimental que é uma coisa incrível. Muito obrigado por dizer que eu sou legal e apaixonante. Acho dizer “muito obrigado” uma coisa escrota demais, mas… O que eu posso dizer? Que você está errada (o que, de fato, não é nenhuma mentira, poxa, legal e apaixonante onde?)?

Agora a senhora pode fazer um apelo para as pessoas que são apaixonadas por mim escreverem uma carta. Obrigado. Meu parzinho não ficará com ciúmes.

domingo, 1 de junho de 2008

12 de fevereiro

Eu sou de Gêmeos com ascendente em Touro (segundo o Personare) eu nasci no dia 5 de junho (contagem regressiva para a não-festa dos Reis Barbudos), às 5 e 20 da manhã (madrugada).

O Tarot do Dia (grátis!) do Personare me disse o seguinte:

“(…) em conhecer novos lugares e se abrir à amizade com novas pessoas. Esta renovação, ainda que seja profissional ou estudantil, termina afetando positivamente outras áreas mais abstratas da sua vida, como a espiritual e principalmente a afetiva.”

“O planeta Vênus, junto com sol e mercúrio aliviam um bocado a sensação de peso que tem sentido desde a entrada de Saturno no signo de Virgem. Você tem se sentido obrigado a rever algumas questões, principalmente as relativas ao amor e relacionamentos. Procure falar o que sente de forma sensível para não provocar mal entendidos.”

Tudo bem que eu estou realmente afetada com esse clima de amor Dia dos Namorados e todo esse estardalhaço e… Deus, eu odeio Horóscopo! Hahaha!

Olha, eu lido muito bem com a minha solteirice. Ela é por opção e ao mesmo tempo não é. Dá pra entender? É por aí. Isso é absolutamente entendível. Cara, ver “Dia dos Namorados” estampado em tudo quanto é buraco deste mundo deixa qualquer um na fossa. Qualquer um! Até eu. Daí que hoje eu me achei absurdamente irresistível e tô querendo ficar em casa, sem procurar o tal parzinho e tudo. Alguém se habilita? Não, não foi de verdade. (ctrl c+ ctrl v)