terça-feira, 29 de julho de 2008

Pensar putaria: 1, 2, 3, 4

Eu pensava na vida e nessas coisas escrotas que as pessoas gostam de pensar. Surto de percepção, escuto dois caras conversando.
— O seu cadarço está desamarrado!
— Eu sei.

Pensamento número 1: “que anormal, Jesus!”
Pensamento número 2: “por quê?” — então, eu digo — por quê?
Ele me olha como se fosse a coisa mais óbvia do universo. Mania das pessoas de olhar como se tudo fosse a coisa mais óbvia do universo. Desvendo pensamentos alheios pela íris dos olhos. Continuo — “é que, escute, não parece tão óbvio pra mim”.

— Ah, é para parecer moderno.
— Jura? Mas… Isso é sério… mesmo?
— Sério demais.

Falamos sobre modernidades e Peanuts. Muito clichê. Muito clichê. Aí me vem todo o pensamento sobre as coisas clichês. Um saco. Um dia um cara pensou que tocar uma musiquinha num violão na porta da pessoa amada (que, inclusive, não gostava dele) era a coisa mais diferente e criativa da face da terra.

(dois meses dispois)

Eu pensava na vida e nessas coisas escrotas que as pessoas gostam de pensar. Surto de percepção, escuto dois caras conversando.

— O zíper está aberto!
— Eu sei!

Pensamento número 1: “que anormal, Jesus!”
Pensamento número 2: "por quê?" — então, eu digo — por quê?
Ele me olha como se fosse a coisa mais óbvia do universo. Mania das pessoas de olhar como se tudo fosse a coisa mais óbvia do universo. Desvendo pensamentos alheios pela íris dos olhos. Continuo — “carajo, é que isso não parece tão óbvio pra mim!”.

— Eu quero parecer anormal.
— Jura?
— Sério.
— Mesmo?
— Super mesmo.
— Então você é como eu. Então eu vou abrir o zíper da minha calça e desamarrar o cadarço, tá? Só por você!
— Será o último grito da moda.

---

1 round:

— Dé… Você lembra, sei lá… do que eu te dei no Natal? Eu passei na sua casa e tal, beijei o rosto da sua família inteira, abracei todo mundo! Você ficou feliz e tudo em me ver!
— Não.
— Porra, como assim? Foi um cavalo de madeira! Cavalo de madeira!

2 round:

— Dé… Cê lembra de um filme, assim, droga! Você não vai lembrar! Você lembra de um filme de uma menina, que tem o cavalo chamado Relâmpago, então, ela fica cega e ela fazia uns shows.
— PUTZ! CLARO QUE EU LEMBRO! Ela ficava cega e, toda auto-suficiente, foi colocar as meias… de cores diferentes! Aí o marido dela avisou que as meias estavam trocadas! HAHAHA! Mas ela começou a chorar, porque se ligou que era cega.
— Você lembra?
— LÓ-GI-CO! MARCOU A MINHA INFÂNCIA! A PARTE MAIS ENGRAÇADA DO FILME! Que que tem?
— Porra, André! É um drama! Mas, é um drama! Eu te odeio! Cara, que sacoquesacoquesaco… Bom… é que passou anteontem na TV.
— Como? Por que eu não soube disso? Ai, que mór vontade de chorar…

domingo, 27 de julho de 2008

O atraso e Natalie

Estou atrasada. Caramba, ela vai me matar com requintes de crueldade! Não, ela não faria isso. Ela não vai nem ligar, ela sabe que eu sou a eterna noiva atrasada. Pena que nunca vou casar, porque eu não sirvo pra isso. A minha amiga que é mãe de família casou-se de vermelho. Ela disse que era pra simbolizar o amor, mas não é o amor! Vermelho é luxúria! É sexo! É ser de Escorpião, puro sexo, puro sexo!
Preciso correr. Opa, tropecei, não, eu não posso escorregar, não posso quebrar meu quadril, morrer agora não, ops, eu não posso quebrar o meu crânio no asfalto. Morrer com o crânio cravado no asfalto é tão sem glamour. Não tem graça, não vão me achar incrível e nem uma pessoa que morreu em decorrência da entrega desenfreada aos ideais, à paixão, sei lá… Não posso me dar a esse luxo. Luxo, luxúria, luxo, luxúria… Nervosismo. Puta nervosismo, taquicardia, suor. Chiclete, não, uma bala! Chiclete não, chiclete faz a gente perder a classe, cair do salto — no sentido figurado — é claro, nunca vou ter O Equilíbrio Suficiente para esse pedestal disfarçado. Até porque eu vou parecer um travesti. Ou vou parecer po-de-ro-sa. Mas eu não quero parecer um travesti, nem po-de-ro-sa. Escute, vou lhe dizer baixinho, eu sou uma conservadora disfarçada, no fundo dos meus pensamentos existe uma louca subversiva sem pai nem mãe, que é egoísta e que só pensa em coisas imorais e quer ser uma travesti po-de-ro-sa quando crescer.
Lá estava ela, séria demais. Muito séria. Eu fiquei acenando igual a uma imbecil pra ela. Só que ela não viu. Me aproximei — oi, desculpa o atraso, viu, olha, eu realmente queria chegar mais cedo.
Ela diz “não, que isso, tudo bem, olha, eu até posso mudar de idéia. Me dá uma bala? O seu hálito!” e me abraçou. Quase morri. Quase chorei. Mas eu não sou tão sentimental assim… Ou eu sou?

Obs.: A Natalie Portman é tão linda que eu acho que eu casaria com ela e eu, veja bem, meu bem, eu acho que nunca brigaríamos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sim, senhor

— Você é tão desinteressada com tudo! É isso que mata, sabia?
— Eu sou desinteressante, amor! É diferente.

Tenho a ligeira impressão de que meus vizinhos discutem em alemão. Mas eu nunca vi vizinho alemão aqui… Sei lá, esse prédio parece que não tem viv'alma mesmo. Bom, eu gosto de olhar pro céu. Hoje na volta eu ouvi um barulho, as nuvens estavam escuras e tudo. Aí eu sentei, sentei naquele banquinho e esperei chover, tipo que nem uma perfeita babaca esperando a chuva. Eu senti uma gota na minha testa, mas… nem sinal dela, da chuva. Aí eu desisti e resolvi comprar alguma coisa, sei lá. Essa gente esquisita que anda com guarda-chuva sempre. Eu nunca ando, eu sempre pego chuva, querendo ou não. Uma vez, uma amiga e eu fomos passear, andar pelo Rio de Janeiro inteiro, conversar sobre esses absurdos que ninguém normal adora conversar, que ninguém vê que é importante (tipo o fato de gente de escorpião ser puro sexo). Começam a cair as primeiras gotas e, putz, você tem guarda-chuva? Não, não tenho. Nem eu. Acontece um dilúvio, e, na volta para casa, escute, eu menti, eu tinha um guarda-chuva sim, foi a única vez que eu tive um guarda-chuva comigo. O quê? Você também mentiu?
Às vezes eu pego chuva e depois pego o metrô, todo mundo me olha, eu olho pro chão, o chão olha pra mim. Hoje eu lembrei o seu nome inteiro, o primeiro nome (que você não diz pra ninguém), o segundo nome (que todo mundo conhece, mas não sabe que é o segundo nome e pensa que é o primeiro) e o resto (o sobrenome complicado de judeu e fora o fato da sua família ser imigrante… por que o Brasil? Justo o Brasil? Porque é o país do amor).
Um nome grande da porra, acho que até inventaram alguma coisa pra colocar aí no meio desse quase texto que está no seu RG. Bom, eu anotei no meu braço e tudo, no meu braço direito, eu queria anotar no braço esquerdo, mas é… Impossível. Eu tenho uma amiga, ela é casada. Putz, ela é casada. Muito estranho isso.
Olha só, olha só pra ela, ela é casada, ela usa aliança e tudo. Pior que ser casado de fato e usar aliança, é namorar e usar aliança. Aliança fode a relação. Já reparou? Meu amor, pessoa que namora comigo, comprei duas alianças para mostrar ao mundo que a gente se ama. Pena que daqui a uma semana a gente vai terminar em decorrência desse fato tão cuidadosamente planejado. (exemplo)
Ela é casada e ela é mãe de família, isso é bem chocante pra mim, porque mães são mães, são seres inatingíveis e intocáveis (tipo eu), sagrados e virgens. Ela é casada e ela é toda tatuada! E ela disse que pior do que a dor de tatuar a costela, é a dor de parto. Eu realmente gostaria (um dia) de usar esse exemplo. Mas eu não vou tatuar porra nenhuma e nem ter um filho. Pelo menos não saído de mim, porque faz parte do Código de Ética Raquelístico não ter nenhum pimpolho saído dela. Mas eu adoraria educar alguém, sou ótima.

Filhinha, é a coisa mais normal do mundo alguém querer pisar em cima de você e vice-versa, mas não é legal, tá? Isso vai te traumatizar pro resto da vida!

Não. Isso não. Isso é muito horrível.
Aí que eu anotei no meu braço porque eu lembrei que você anotou o seu endereço no meu braço, sendo que eu nem te conhecia! Um absurdo! A primeira coisa que eu fiz foi lavar o braço ao chegar em casa, mas aí eu cruzei com você de novo e, porra!, que inferno! É! Você lembra que eu disse isso, que eu disse “que inferno!” quando eu te vi pela segunda vez, mas foi muito coisa de pensamento alto e tudo. Eu tinha ficado feliz, por isso que disse “que inferno!”. Desculpa, pela centésima vez.

A vida é constituída de momentos. Momento nº 1 — quando eu enfiei os meus dedos na tomada e levei choque. (sim, isso aconteceu, será que é por isso que a minha mão não se desenvolveu o suficiente para ter um tamanho de mão normal e sim um tamanho comparável a de uma criança de cinco anos? Oito, sei lá…?)
Mas eu não planejo o futuro, não planejo nada, nada, nada, nada, nada — absolutamente. Eu gosto dos fatos que acontecem, ao acaso, de um jeito aleatório, cousa do destino, do Além… O Além vive me usando de cobaia, para ver se eu posso, realmente, mudar o curso das coisas — que são pré-determinadas. O Além é imbecil — que nem eu, mas O Além não pára no meio de um caminho pré-determinado, de um lugar a outro, simplesmente para esperar a chuva. Make it rain.

Nathália, olha, eu estou com saudades, ok? (só isso, porque eu sou simples e direta, ah, mas você sabe que isso é mentira, não sabe? Eu não sou simples e direta porra nenhuma)

Laura (presténção na seriedade da coisa), ai, nunca faça aquilo, nunca faça aquilo. (você, leitor, pergunta, “o quê?” e eu respondo: sonhei que ela aparecia aqui e, bom, eu sou desorganizada e ela ficava querendo entrar e eu dizendo pro porteiro segurar ela lá em baixo. Um horror! E ela ia ver esse gato, o felino, que tá desenhado na parede do meu quarto e ia começar a me zoar e reclamar da bagunça, uma louca, uma louca!).
Alguém me dá “Juno” de presente? É que a Ana Laura disse que a protagonista dizia algumas coisas que eu diria, sei lá, alguma coisa assim. Só que eu n-ã-o vi praticamente nenhum filme do ano 2007 (esse filme é de 2007, né? Ou é 2008?), eu nunca vejo os filmes no ano, né. Nem esses de Oscar.

— E aquelas canetas que dão choque? Um horror! Um horror!
— Imagina, você vai fazer prova pro vestibular e “oi, você tem caneta?”, “tenho sim!”, “Toma! Toma! Toma!”…

Hoje eu vi um senhor, com uma puta voz de Zé Ramalho, cantando a única música da Preta Gil que fez sucesso. Ele estava num banco de uma praça, com um violão — tipo o bêbado que conta as suas histórias de amor pra quem quiser ouvir (eu acho, veja bem, eu acho que ele estava feliz — o bêbado, é claro). Eu senti pena dele (o senhor)… Porque ele tocou uma nota errada!

P.S.: Recordar é viver porra nenhuma! Porra nenhuma!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Submarine Dream

— Poxa, eu adoro ficar passando a mão no seu cabelo assim.
— Passando a mão no meu cabelo não, meu amor! Bagunçando! Bagunçando!
— E você diz isso como se te incomodasse! E eu adoro ficar colocando o seu cabelo, assim, na luz, porque aí ele fica castanho! Adoro o modo como o seu cabelo brilha castanho quando o sol bate.
— Então tá.
— Como você é grossa! Escute, por que é que você escreve tanto?
— Sei lá.
— Tem algum fim específico?
— Eu jogo fora de tempos em tempos.
— Hm.
— E aí que eu escrevo muito, sobre esses fatos corriqueiros que me marcam, tipo quando eu conheci você assim, sabe. Você me odiou logo quando me viu e foi recíproco, sabe? A primeira coisa que eu fiz foi escrever sobre você e sobre como eu achava você uma filha da puta.
— Foi tão recíproco! O que eu odiei na primeira vez é o que eu mais gosto em você.
— O quê?
— Sorriso cínico, de filha da puta mesmo, meio bobo até, putz, doce e melancólico, ai, não vou ficar te analisando. Mas você parecia ser do tipo insuportável que irrita os outros por prazer e eu não gosto de gente assim, você sabe.
Muito espontânea, do tipo que acha que pode tudo, mas você é do tipo de pessoa que tem que se cuidar como se fosse um vidro, que pode quebrar, tão frágil — isso foi cafona. Eu odiei, puta insuportável. Irracional e escorregadia. Filha da puta! Cara, não canso de dizer isso. Eu achava que você era volúvel, mas, ai, que imagem horrorosa que você passou pra mim naquele dia? Não conseguia ser mais normal, mais gente? Porra, Raquel! Que raiva, que ódio… Mas, justamente, essa imagem horrorosa que, atualmente, me faz gostar de você. Caralho, você tá um trapo, hein. Que horror.
— Você começa me detonando, depois elogia, detona de novo… Depois eu que pareço ser A Volúvel.
— Por que é que você não gostou de mim?
— Porque você me odiou primeiro.
— Isso é mentira!
— É mesmo. Eu não liguei, na verdade. Na realidade, eu nem te odiei, nem desgostei de você e nem nada! Eu fingi o tempo todo! O tempo todo! Era uma implicância fabricada, falsa. Te contei, pronto, falei. Está feliz? Espero, do fundo d'alma, que você fique com um puta peso na consciência!
— Você gosta de Apples in Stereo?
— “She likes the ocean caves, the world beneath the waves…”? Mas, isso foi fora de contexto!
— Eu adoro essa música.
— Eu adoro você!

[:D]

Ela ficou calada, eu fiquei calada. Cada uma com seus pensamentos naturalmente bobos. Nada de silêncio constrangedor, nada de blabláblá. Mas eu sou insuportável, naturalmente insuportável, parecia até a Jéssica, que não suportava um silêncio.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Modernidades e casaco rosa

Tédio é um sentimento modernésimo. Eu tenho tendência ao tédio. Acho que a minha mãe (carinhosamente chamada de Madre Lis) nunca sentiu isso. Mamãe é que foi feliz. Eu sou cheia das tendências: tendência ao tédio, tendência a engordar, tendência a falar demais, tendência a platonicismo momentâneo (tesão platônico), tendência a idealizar calças demais e me decepcionar com elas — elas não parecem tão bacanas depois de uma semana. Camisetas são eternas.
As pessoas são engraçadas. Hoje eu fiquei que nem uma babaca no metrô, caindo pros lados de sono, quase abracei a moça do lado. Hoje eu fui tomar café aqui na esquina e descobri que eles (da esquina) não vendem cappuccino. E eu tenho tara por cappuccino, poxa. Café, cappuccino e álcool me dão tesão. Juro por Deus!

Relatos de Júlia (a amiga gostosa do shortinho que achou que meu nome era Rafaela):

(parte 1)

— Olha, eu tenho uma coisa muito séria pra te dizer, eu realmente não sei se você vai continuar falando comigo depois dessa dúvida. Agora tanto faz, eu já comecei, não é mesmo? Bom, é que eu fico sem jeito de falar isso com você olhando pra minha cara desse jeito. Pára de olhar pra mim. Olha pro chão. Não me censura. Então, eu bem estou pensando em comprar um casaco rosa pra você, o que é que você acha?

(parte 2)

— Vai ficar linda nesse casaco rosa!
— Esse casaco não é pra mim, na realidade é pra um amiga, a Raquel. É que hoje é aniversário dela e eu queria dar uma coisa diferente pra ela e tudo, porque todo o ano eu envio um CD com uma mensagem horrorosa (todo ano não, todo o mês) e tudo e mais umas músicas que eu sei que ela vai gostar, porque eu fico rodando a internet inteira atrás das músicas que ela vai gostar. É uma amizade quase que de anos, eu nem sei direito. Raquel o nome dela. Raquel, Raquel, Raquel… Soa forte, não é? Ela odeia quando eu fico falando das coisas desse jeito, de “nome forte”, de signo, de energias, de roupa e tudo, mas é que eu não consigo. Poxa, eu sou assim. Complexo de Gabriela, sabe, vendedora — “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim…”. E não mudo. E faço questão de continuar sendo assim. Mas a Raquel é toda chata, poxa, ela não reclama e nem tenta ficar me mudando. Que saco.
Então, eu gosto da Raquel e eu pensei em dar esse casaco rosa pra ela e costurar umas coisas benlocas que eu sei que ela vai adorar, mas ela não vai gostar da cor e eu bem estou achando que eu vou trocar esse casaco rosa por um tênis. Pra mim.
— Tá bom, então.

(Júliammm, querida, mon amour, baby, docinho, onde é que você estava com a cabeça de querer comprar um casaco rosa… pra mim?)

Depois dizem que o inferno são os outros. O infernum samos nozes! A gente mesmo, da puta da zona.

domingo, 20 de julho de 2008

O Manual

— Você quebrou a regra número um do Manual. Isso é mau!
— Que Manual?
— O que eu inventei há dois meses. Está lá em casa. Toda a semana eu escrevo uma regra nova pra deixar a minha vida ridícula mais feliz.
— E qual é a regra número um?
— Não tem regra. Você inventa.
— Raquel, me diz. Mas fala sério. Você gosta de poesia?
— Não.
— Mas uma vez você me disse que vivia a poesia!
— Eu nunca disse isso.
— Mas, pelo menos… você gosta de mim?
— Você é tolerável, sabe.

(…)

— Você é um amor, sabia? Mas eu só te tolero.
— Eu não sou o amor — eu vivo o amor.
— Isso foi bonito.
— Você costuma dizer coisas mais bonitas.
— Eu penso nelas quase a todo instante. É só alguém me dizer “me diz uma coisa bonita” e eu vou fazer um discurso ridículo e apaixonado sobre alguma coisa bonita na minha concepção de boniteza.
— Eu sei.
— Ainda bem.
— O que é que você quer pra vida?
— Eu tenho cara de quem quer alguma coisa pra vida? Me diz.
— Talvez. Você tem essa cara de sonhadora. Putz! Tem que ver a carinha que você faz às vezes. Parece até uma formiguinha que adora um açúcar nhamm-nhamm.
— Pois eu não quero nada pra vida. Eu queria, na realidade, passar num concurso público. Alguma coisa séria. E depois me encher de tatuagens e desgrenhar os cabelos.
— Me diz uma coisa bonita. Na sua concepção de boniteza.
— Eu acho que a sinceridade é uma coisa bonita. A sinceridade de falar de certas coisas. Eu tento ao máximo ser assim, falar de certas coisas com o máximo de sinceridade que eu tenho. Isso tá soando tão moralista, honey… Tão tradicional e bobo. Mas eu vou continuar, eu acho que você vai entender.
E eu tenho um apego pelos detalhes e eu fico imaginando se alguém entende isso. Mas eu sei se você entende, posso continuar com o meu monólogo? Adoro esses meus monólogos, porque você só fica escutando e tudo. Eu sei que você não me interrompe só para não acabar com a minha linha de raciocínio. Daí que eu nem sei, cara, isso não faz o mínimo sentido… Mas me deu vontade de falar isso e eu vou continuar.
E aí que eu acho que tudo tá sempre tão inacabado que precisa de um fim. Na realidade eu menti, eu não te tolero não. Juro que não te tolero. Mas eu não sei se o fim é algo que se necessita, tipo as frases inacabadas, os sentimentos inacabados. Bem assim. Desculpa por tudo. Eu ainda nem entrei nessa questão do forever e eu vou tentar não entrar. E eu tenho medo de admitir muitas coisas e tudo, tipo o fato de eu odiar essa sua camisa. Mas você sabe que no fundo é isso que eu acho, que isso é bem verdade e que você só usa essa camisa pra me irritar. Isso é um detalhe, essa sua camiseta. Sabe? Eu fui sincera agora, mas não era nesse quesito da sinceridade que eu ia entrar.
E todo o dia eu chego a mesma conclusão, de que se eu sou assim, esquisita, romântica, imbecil e toda a porra, de que se eu sou assim desse jeito, deve ser coisa do destino ou da genética, filha da putagem da vida e dos momentos, né, porque a vida é constituída de momentos, e se esses momentos não acontecessem eu não seria assim, isso deve ser coisa do Satanás — só pra me provocar. E todo o dia eu faço as mesmas besteiras pra me arrepender depois. Todo o dia é assim e eu não canso nunca. Eu só finjo que cansei. Porque cansar mesmo… non non non.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

The queen

Quando eu era criança, eu disse para a minha mãe que eu queria virar homem. O que ela não entendeu é que eu queria virar homem pra poder virar travesti e andar com plumas, plataformas e mandar beijos purpurinados pra todo mundo sem peso na consciência. Mas eu sou tão bicha que já nasci mulher.

No mundo das plumas você é livre. Voar é permitido e tudo parece que é eterno. Você não enxerga mais nada, as coisas perdem o som (sem a voz do diabo!). Você só sente vontade de ser tudo o que você quer ser, vontade de ser divertido e agir de um jeito bobo. Você deixa de ser a habitual pessoa que sempre é e vira um super alguém, onde você pode tudo.

Que putaria da vida. A vida é uma puta.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Recado

Hoje eu acordei pensando em encher a cara. É terça-feira. Que tipo de pessoa acorda pensando em encher a cara numa terça-feira? Não é nem meio-dia ainda. Me sinto aquelas ex-drogadas que dizem que encontraram a Jesus e agora querem o bem de todo mundo. Mas eu não encontrei ninguém. Não hoje, pelo menos. Nada contra Jesus também. Acordei sentindo um puta frio e agora… Agora a temperatura local está quase a do inferno. Eu tenho um amigo, que é argentino, mas espanhol de coração. Ele diz que não gosta do céu do Rio de Janeiro, porque é muito claro (?) e que nunca vai esquecer o céu da Espanha porque, de dia, é mais escuro (?). Ele gosta do céu escuro. Eu ia dizer que achava que ele era louco, mas… De perto todo mundo é normal mesmo.
Querido, eu gostaria de dizer para você que te dedico este pão de queijo que agora estou comendo. Te dedico também a dança que fiz na sexta-feira, bêbada. Ela foi pra você! Só pra você!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ramón

— Vai ficar aí largada, menininha?
Dei o meu sorriso mais cínico, enigmático em estilo La Gioconda, irônico, ilegível. Tudo junto.
— Adoro me sentar na calçada e ver os bêbados voltando pra casa, após dançarem horrores.
— Não parece ser do seu feitio.
— Eu adoro a calçada, o asfalto… Quem inventou o chão? Ele tem dono? Veja só, há duas horas eu caí e resolvi ficar aqui mesmo, sentada, pensando num monte de bobagem. Nem queira saber.
— Tem money?
— Sem dinheiro, como cumpre o verdadeiro franciscano da noite. É noite? Dependendo do horário. Não importa muito. Não agora. Não hoje. Não nesse momento. Não pra sempre. Por que é que quer saber? Adianta me assaltar?
— Não vou te assaltar. Já é madrugada. São 3:06,
— Como você sabe?
— Eu vejo pelas estrelas. Olha, eu sou um bêbado da madrugada que volta pra casa.
Aí eu olhei pra ele. Não tinha olhado. Não olhado direito. Olhado, sabe?
— E é só. Você é um bêbado dançarino que parece sóbrio, que volta pra casa na madrugada.
— E você? O que é?

Mas que merda! O que é que se responde quando alguém pergunta isso? Olhei para o ser ainda não-identificado e quase convulsionei. Só por não ter idéia do que dizer.

(O que eu sou? Como assim? Olha, eu vou te contar um segredinho: eu sou uma escrota que senta na calçada e fica fingindo um ar desinteressado. Como sempre. Eu sou Raquel e eu faço parte da massa que gosta de se fazer de intocável e inatingível. Eu sou uma retardatária. Desculpa, mas eu sempre chego atrasada, eu nunca chego na hora certa, aliás, eu nunca sou certa em nada, eu não sirvo pra ser cosmopolita. Eu não sei o que é que raios eu sou. Deus poderia responder por mim. Eu sou uma ridícula dos sonhos perdidos. Ah, como isso soou bonito. Eu tenho idéias indefinidas e complexas. Um dia eu te explico. Não, mas é claro… mas é claro que existem os dois lados da questão. Eu posso ser tudo o que você quiser que eu seja. Mas é claro que eu não sou nada, nem ninguém.)

— Eu sou a pessoa que conversa com os garçons porque se sente só.
— Incrível.
— Absolutamente. Olha, eu odeio o Brasil. Não o Brasil porque é Brasil, não vou adotar aquele discurso pronto de que brasileiro é ignorante, etc. Acho cafona. Cafona não… Cafoninha. E eu não odeio o Brasil. Eu desgosto. Nunca vi lugar pra gostar tanto de escada. Eu contei. Para sair do metrô, meu transporte predileto, é, eu sou pobre, é eu não tenho dinheiro, eu não ando de ônibus porque eu tenho medo de nunca mais voltar, ehr… bom, para sair de lá eu preciso subir 156 degraus.
— Imagino que esteja indignada.
— Tão indignada que eu sentei aqui e pretendo ficar aqui pra sempre. É vodka aí?
— É. É sim. Eu roubei.
— Vai me roubar também? Olha, eu tenho um papel, tá meio amassado, mas tem alguns pensamentos meus. Os desconexos. Olha, eu tenho uma vida, eu gosto muito de muita gente, mas pouca gente gosta de mim, eu tenho uma vida, eu te dou o papel e você me deixa ir, não pega o canivete não, nem me aponta uma faca. Querido, eu tenho uma vida, eu tenho uma família, tá certo que eu não gosto muito dela, mas isso é sempre argumento. Não é? Vê, eu preciso salvar a vida de muita gente, olha, eu ainda tenho que amar muito, evoluir, pelo amor de Nossa Senhora, sei lá, não me rouba não, olha, você não precisa me salvar. Eu te conto a minha vida inteira. Eu te conto até o que é que eu sou. Eu tento contar, eu tento explicar. Mas, meu senhor, meu querido, não faça isso comigo, isso, you know… de me roubar, porque senão eu vou ter que te matar e tomar um gole dessa tua vodka aí.
— Ficou louca?
— Eu sempre sonhei fazer esse discurso de honestidade, cara. Eu poderia ser carpideira. Escute, você tem nome?
— Tenho não.



— Você vai pra casa?
— Eu vou.
— Escute, eu sei que nos conhecemos hápouquíssimo tempo. Eu nem sei o seu nome, olha, talvez eu esteja indo rápido demais, menininha, ai, céus, nunca tive uma coisa tão difícil pra falar na minha vida medíocre, olha, bom, eu tenho um nome feio, pode me chamar de “Jão”, eu não sei se você quer, se… se você pode, sei lá. Vou respirar e dizer tudo de uma vez, tá?
Quer ir ao supermercado 24h comigo comer bolo de abacaxi?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Top top

Relendo todo o meu relato-eu-desejo sobre amorzinho da vida, eu notei uma coisa que eu não lembrava que tinha escrito. De tempos em tempos, a minha memória falha. Aí eu pensei que não dá pra por aqui na íntegra. Eu tenho uma imagem a zelar, uma imagem meio saída da boca do cachorro, mas uma imagem. Então eu só vou colocar os itens abordados lá e uns comentários.

1. Criatividade e loucura.
Eu não sou uma daquelas que fica achando a loucura uma coisa ótima. Loucura que eu digo é bem no gênero deitar no asfalto pra olhar as estrelas. Ou sentar numa calçada e ficar ensaiando uma coisa pra dizer e não se importar com as pessoas que passam. Quem é que, em sã consciência, faria isso? Então, bem isso.

2. Beleza (nos meus padrões que oscilam, lógico). Porque beleza importa, ué!

3. Super me compreender! Porque eu sinto a necessidade de ser compreendida. Imagine só “amorzinho, hoje eu conheci um cara que se apresentou como Lunequinho” (verídico) e a pessoa em questão diz “Tá. E aí?”

4. Gente das artes ou jornalista. Ou qualquer pessoa falida no quesito emprego.

5. Não pode saber muito do que quer pra vida (tipo eu assim! Haha!) tem que me amar muito, assim e não acreditar em amor único e eterno, aliás, pode acreditar no eterno, mas esse conceito de acreditar tem que oscilar. (porque gente que é acorda a mesma pessoa todo o dia não pode ser legal. Pelo menos não pra mim.)

6. Ciúme, pô. Porque eu sou muito desapegada com esse negócio. E olha que eu nem me garanto não.

7. Olha, tem que gostar de cinema. Cinema cabeçammmm. Preferência que seja marromenos INFP, sabe, ter esses meus picos de impulsividade também, de extroversão, amar desconhecidos de um jeito fácil. Tem que gostar de café e seus derivados. E chocolate. De preferência com cookies, you know…

8. Calças apertadas! Isso é sério. Absolutamente! Poxa, eu acho calça apertada um tesão, mas tem que ser até o pé! Super sério isso, daquelas que não pode nem sentar no chão que já rajjjga. Então! Próóóximo…

9. E saber decifrar as pessoas pela íris dos olhos, os sentimentos, coisa e tal. Já disse que tem que me amar muito? Pode odiar. Mas só um pouquinho. (ai, como eu sou flexível!)

10. E não ter muito jeito com as palavras (tipo eu assim [2]), ah, eu queria que tivesse umas tatuagens também, muito bem escolhidas e bonitas, tipo uma caveira nas nádegas. Sei lá. Não precisa não. Por aí, algo assim.

11. Eu detesto gente previsível.
— Não gosto mais de você.
— Por quê?
— Porque você é totalmente previsível.

E eu ligo demais pra altura, okz. Então, gente candidata, eu tenho um filtro pros moços, se você possuir menos de 1.75, xô.

12. Grande apego pelos detalhes e gostasse dos meus defeitos. Sim, tem que gostar dos meus defeitos, porque eu sou o próprio defeito da fábrica, cheia deles, uma coisa… Assim, uma coisa. Uma coisa.

13. Olha, que de preferência que não tenha vícios, tá. Mas eu não me importo de beber ou fumar assim, de um jeito aleatório, tipo quando der na idéia (tipo eu assimmmm) e que use shortinhos bem curtinhos e apertados! E umas camisetas ferradas. Ai, idealizei demais. Tem que ter mais ou menos o mesmo gosto musical que eu, porque eu respiro música, música é uma coisa importante (se você gosta Spacemen 3, eu gosto de você).

14. Sei lá… Eu gosto de ombros magrinhos e gente que sibila (eu acho super bonitinho, eu acho uma belezinha assim gente que fala igual o Frajola), mas não precisa sibilar não, é só falar de um jeito bem sexy e ter um sotaque forte, não tão forte, mas um sotaquezinho.

15. Tem que saber cozinhar, porque eu não sei cozinhar direito, não pros outros e que caso a gente termine um dia, ainda me ligue para perguntar as novidades.

Eu me sinto apta a escrever um livro sobre amor e tédio, meus causos e sentimentoshorríveis em três volumes.

P.S.: Depois eu faço uma coisinha mais detalhada.

Ontem (ou será que foi anteontem?) eu estava tomando um café, ali na esquina. Eu só tomo ali na esquina por causa da xícara. A xícara é linda. De repente, eu noto que o cara trabalhava lá, olhava fixamente para a minha pessoa tomando o café (é que quando alguém olha você tomar ou comer alguma coisa, você já se enxerga comendo de um jeito todo retardado e imbecil, com baba escorrendo e dizendo “ããã!¨). Engasguei na hora e quase morri.

sábado, 5 de julho de 2008

Lá estava eu, de novo, pela milésima vez, olhando pro céu e fingindo um ar desinteressado. O céu não anda dos mais bonitos esses dias, sim, é verdade. Mas é tão azul. De um azul que chega a emocionar. Eu não sei o que ocorre, mas eu ando facilmente emocionável. Eu juro que eu não sou assim. Eu tenho um coraçãozinho de pedra. Diamante, pra ser mais objetiva.
Aí eu fico olhando pro céu, olha, céu azul, que bonitinho, sem nuvens, tempo oscilando loucamente e tal. Daí que eu fico pensando na vidinha perfeita, sabe. Vidinha perfeita alheia vidinha perfeita minha. Olha, eu detesto falar sob pressão. Sim, é lógico, qualquer pessoa (normal) detesta falar sob pressão. Eu funciono até que bem sob pressão. Eu nem sei o que me faz pensar que você é uma pessoa normal, se é que esse conceito existe.

Aí eu penso nos conceitos que não podem existir tipo felicidade. Uma pessoa que é feliz ad aeternum não pode ser normal, assim, no conceito geral de n-o-r-m-a-l-i-d-a-d-e! O que existem são momentos felizes e só! Olha, deveriam abolir a palavra felicidade do dicionário. Sério! E vida perfeita não existe também, o que existe é vida fodida em diferentes graus. Agora eu vou colocar aqui (com modificações e comentários nos parênteses) o que eu disse sobre vida perfeita quando disseram “idealize aqui a sua vida perfeita” (isso foi anteontem, aliás):
Vou dizer uma verdade bem crua (olha, eu não sei o que eu quis dizer com isso, verdade crua onde, meu Deus…?) aqui: eu não quero vida perfeita, eu não quero ter metade dos meus objetivos alcançados. Porque eu gosto é do momento, eu não faço planos futuros, a minha vida perfeita é essa mesmo, de agora, sabe, ferrada e fodida, dentro duma solidão sem fim onde eu me acho incompreendida e satisfeita (essa palavra eu substitui, olha, eu tinha colocado infeliz, mas aí vão pensar que eu sou uma depressiva sem futuro), com picos de alegria, onde eu choro baixinho vendo algum filme ridículo (comédias 80s). Sabe? Bem isso.
Aí, hoje eu penso que ficou muito revoltadinho isso aí e acrescento:
Ah, poxa, é que, olha… Eu bem queria estar com um amorzinho no futuro, tá. Um amorzinho que eu já idealizei direitinho mas eu não vou ficar dizendo aqui, porque vai que alguém se encaixa no perfil e eu vou ter que ter o meu amorzinho futuro agora, não é?

Continuando a série sobre conceitos impossíveis, eu vou encaixar aqui o fato de alguém realmente achar ba-ca-na se fantasiar de caipira e fazer um sotaque forçado e dançar quadrilha. Olha, eu fui numa festa junina, não lembro quando, vai… Mas eu fui numa festa junina tipo GLS. Hahaha! Uma coisa! Assim, uma coisa! Assim:
— Olha a cobra!
*pessoas do sexo masculino sentam no chão e levantam e sentam e…*
— Ai! É mentiiiiiiiiiiira!
— Ah…

Ai, foi muito engraçadinho, sabe… Uma gracinha. Um amorzinho. Uma coisinha! Uma fofurinha, sweet, sweet, sweet…

Parece que acharam o corpo do padre voador em Maricá. Mas alguém realmente acreditava que ele ainda não tinha atravessado a portinha pro céu (no sentido figurado e literal)? Olha, boa noite, bom domingo (se é que algum domingo pode ser bom), porque agora eu vou. Eu vou dançar um pouquinho.
Beijo.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

1 de julho, 18:56

— Que cara é essa?
— A única que tenho.
— Não, está diferente!
— É que depende muito do horário em que eu acordo, sabe?
— Sei.
— Escuta, você marcou com o loiroso que horas? É que eu tô com pressa.
— Quer comer alguma coisa? Ele disse que chegava em quinze minutos.
— Como que ele é, afinal?
— Muito alto. Muito loiro. Com banda.
— Ah… Eu aceito sim! Olha ali, um biscoitinho.
— Mas eu quero biscoito doce!
— Doce não, é que eu ando sentindo muita doçura em minha vida, coisa e tal. Aí se eu comer alguma coisa doce eu irei engasgar e morrer.
— Tá.

(…)

— Olha, se ele aparecer, diz que eu sou uma moradora de rua e a gente finge que não se conhece.
— Por quê?

Olhei pra ela como se fosse a coisa mais óbvia do universo.

— É que eu sou tímida.
— Ah… É verdade.
— Olha eu vou cantar uma música pra você. (…) — eu entendi que ela tinha se jogado de um prédio, mas acho que foi no sentido figurado…
— É mesmo.
— Ju, me diz, do que é que você não gosta?
— Cara baixo e legging.
— Faz todo o sentido. Tem coisa mais chocante que homens com, sei lá… 1m e 60cm?
— Realmente. Do que é que você não consegue falar abertamente, assim…?
— Sexo e sentimentos. Não os dois juntos. É separadamente. Porque se for juntar os dois me remete a expressão “fazer amor” que eu acho o auge da cafonice no século XXI.
— Fala mais.
— Exemplo, eu não consigo falar “eu te odeio/amo/tolero” sem travar, sem gaguejar ou ficar cega, ou não conseguir mais ouvir nada, ou tudo ficar com a voz do demônio, sem a boca secar, sem uma dor de cabeça absurda me acometer, sem quase morrer. E eu também não consigo dizer “poááááááárra, caaaaara, trepei de todas as formas no banheiro de um bar”, não que isso realmente tenha acontecido, enfim, não dá.
— Faz sentido.
— Olha, me dá um beijinho no rosto que acho que tá na hora de você ir e tal. Acho que até já chegou.

De longe eu vejo um cara alto e loiro. Sorrindo. Acho que pra mim. Mas não poderia ser.

Feliz 2 de julho (leia-se “Feliz Dia do Pálio de Siena”).