sábado, 30 de agosto de 2008

Tédio

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O tédio de uma tarde de sábado faz isso.

Ãnhmh

Se você está com a boca anestesiada, nunca pronuncie a palavra “mãe”. Sabe, você pode babar.
Ontem cheguei em casa e pensei “vou olhar pro teto!”, aí a minha mãe, do nada, diz “o que é P.S.?” e aí me dá um surto, eu explico e começo a falar animadamente de todas as expressões em latim do Universo (com letra maiúscula, porque eu acho que soa meio ironia e eu acho isso engraçado).
Eu gosto da minha mãe. Eu sei que é recíproco, mesmo com essa mania de querer me modificar o tempo inteiro (eu não sei se eu consigo me tornar aceitável aos padrões da sociedade — inclusive, o que é interessante para a sociedade, perdão, não é interessante para mim).
Inclusive, amo ela, afinal, não é só porque ela é mamãe, só porque eu saí dela, só porque ela ficou nove meses pensando no meu futuro nome bíblico. Não é por isso. Eu gosto dela, como pessoa. É uma pessoa absurdamente bonita por dentro e por fora (pena que eu não sou bonita por fora como ela). Ela é um pouquinho parecida comigo no quesito humor (o resto é oposto).
Pena que ela é tão cheia dos moralismos bobos, caso contrário, nos daríamos muito bem e não brigaríamos meio que o tempo inteiro. Quando estamos de bem, tudo fica ótimo, aquele relacionamento de fim de ano, sabe? As famílias felizes preparando a sua mesa de Natal.
Moral da história — somos bobas. Ela é somente boba. Eu sou boba e idiota. E isso lá é novidade? Não, não.

P.S.: Só sei que esse ar também de super protetora me irrita (“você não pode ser amiga de alguém e não sair com essa pessoa, sem conversar com ela, sei lá?” — detalhe que ela sabe que os meus programas com as amizades são os mais pueris, como museu e cinema e não wild sex on animal planet, como essas pessoas ditas jovens e cheias de hormônios fazem, se bem que eu não sirvo pra ser Mãe das Virgens).

I Love You (remix)

Sei lá, mas é que ontem fazia tanto sentido. E tudo soava tão bonitinho, tão revival, replay. Perfeitinho e lindinho.
Hoje parece que nada faz sentido. Nada parece revival, nem bonitinho e nem nada. Será que eu agora me tornei a mesma insensível de dois anos e alguma coisa atrás? O disfarce de coração gelado. O disfarce que sempre ferrava com tudo. Eu sou assim desde sempre, eu acho, não consigo falar tudo o que se passa na minha cabeça, tenho medo de parecer ridícula e sugar in the rain demais, sei lá. Alguma coisa por aí. Sobrou só um nó no peito. Ontem, fiquei inspiradíssima e escrevi as coisas que eu tratarei de jogar no lixo. Tá tudo no meu bolso. Direito. As coisas sentimentais sempre estão no meu bolso direito da calça, da frente.
Eu quero repetir tudo novamente. Algumas pessoas vão. Pois, não deveria ser assim. As pessoas vão, do mesmo jeito que entram na minha vida, de rompante, de um jeito que eu nunca noto — porque eu sou absurdamente distraída (também sou ligada no mundo, meio-termo meio Boderline).
­
— Como diria a raposinha — você tem que me cativar — disse ela.
— Como faz? — disse, eu.
— Você compra pronto, baby. Diga que eu pareço legal numa foto qualquer.
— Só se você gostar de mim.
— Eu posso gostar de você.
— Tudo bem.
— Pelo menos ela sabe escrever uma palavra que eu não sei.
— Você é a ignorante mais legal que eu conheço. Ou conhecia. Sei lá.
— Você quer me conhecer de novo? Eu penso se posso aceitar o seu presente.
(há dois anos, eu devia um presente)
— Quero. O que é que você tem pra me contar da sua vida?
— A primeira regra: você só deve saber da minha vida o que eu quero contar. Escute, você tem coração?
— Tenho sim. Não sabia? (eu desenho um coração no ar e digo “este é o meu coração!”)
— Que bonito isso, cara! Vou me apaixonar por você.
— Eu deixo. Só por hoje que eu deixo, tá? Amanhã eu posso mudar de idéia.
— Eu não sei se eu quero me apaixonar hoje! Eu disse que vou. Mas não disse quando.
— E quando pode ser?
— Sei lá. Vamos ver até quando você vai me surpreender. Com declarações do tipo “eu tenho coração”.
— Eu não sei surpreender ninguém.
— Desenha outro coração? E escreve o meu nome dentro. Não. Esquece, assim é previsível. Faz isso daqui a um mês. Você sempre foi a maior caloteira comigo…
— Sempre fui do ramo da sacanagem e filha da putagem, amor.
— Case-se comigo.
— Eu tenho que pensar. Segunda proposta de casamento que recebo hoje. Tenho que pensar. Um mês.
— Um mês é muito tempo.
— Quinze horas. Quinze horas é muito tempo?
— Dezessete horas e trinta e seis minutos. Os segundos ficam por sua conta.
— Você vai dormir?
— Vou.
— Vai pensar em mim, pelo menos?
— Talvez.
— Te amo. Mesmo que eu não te conheça.
— Ironia.
— Não é ironia.
— Uma vez me disseram isso e eu acreditei. E era mentira.
— Eu não sei mais brincar… Sou séria agora. Séria e sisuda.
— Acho que ele poderia ser o amor da sua vida. Perfeição.
— Pois eu detesto perfeição. Gosto de defeitos. Adoro todos. Perfeição, já diria a moça desconhecida, é coisa de menininha, tocadora de piano!
— Vou aguardar a sua resposta.
— Até amanhã.
— Beijo.
— Espera. Não, espera. Você vai enjoar de mim algum dia?
— Eu não sei dizer. Tchau.
— Eu não sei surpreender ninguém. Tchau.
­
Isso tem mais de 24h. Eu acabei dormindo. Atrasos. Atrasos e atrasos. Coisas não ditas, propostas perdidas, amizades fodidas, coisa e tal. Tem coisa que dá até roteiro de filme. Eu não sirvo pra fazer um roteiro de filme. Basicamente seria uma compilação doentia dos momentos e conversas bonitas da minha vida. E algumas bobagens que eu penso. Se a minha vida e a sua fosse um filme, talvez, tudo fosse diferente (ou não). Pensa nisso e depois me conta. Hoje eu ia comprar um livro, a julgar pela capa. Mas nenhuma capa me agradou. Eu gosto de capas. E eu vou ganhar uma aquarela, através de um escambo com o Luísa Mandou um Beijo.
Roteiro de filme não. Teatro, isso, porque seria um monólogo. Pura falácia é claro, falácia minha, da Raquel, todo o blábláblá sem fim, sem sentido, sem nenhuma pretensão de onde realmente quer chegar. Eu sentaria num banquinho, teria um café ou um cigarro, para fazer pose. Tudo muito clichê, mas eu beiro o clichê todos os dias. Eu sentaria num banquinho e começaria o monólogo. E improvisaria. Eu sou boa de improviso.Clichês e clichês. Chove lá fora, uma chuva linda, a água caindo no asfalto, pinc. O céu de uma cor indescritível, que não é cinza, nem azul e nem roxo. Então, eu não sei. Inclusive, vou dedicar essa chuva pra paraguaia de farmácia. Eu acho que eu avisei isso pra ela — “Olha eu estou dedicando-lhe a chuva, tá?”. A Paraguai, inclusive, nunca me decepcionou. Incrível. Só me irrita um pouco. Como pessoas rudes. Gosto de gente que é poço de simpatia.
­
Perdi totalmente a linha de raciocínio.
­
Tudo é tão cafona, Quase uma lona. Daquelas falsamente de nylon. Não queria te perder nunca mais. Porque eu não lembrava que você existia e que um dia você passou pela minha vida louca, cheia dos acontecimentos. Então, vê se não esquece. Nunca mais. Não quero sufocar.Aí numa noite qualquer, eu lembro que você existe e que passou pela tal da minha vida louca e cheia dos acontecimentos. Cheguei a conclusão de que te odeio. E que eu exagero. Nada faz sentido. E isso é sacanagem. A minha vida mudou, absurdamente.Hoje me senti sem vontade, de tudo. Já não fujo mais da realidade. Eu quero que fodam-se os meus medos — todos. Eu queria fazer um monólogo bem maior que esse.. Mas eu não vou fazer hoje. Hoje não. Talvez amanhã, ou no domingo, aquele dia horrível. Parece tão tarde. E aí? Aí que a saudade vem e fica aquele negócio no peito. É que eu só detesto esquecer de alguém. Só isso. De madrugada, quase venci a timidez absurda e liguei para a senhora. Quase, primeiro porque eu não tenho e nunca tive o teu telefone. Já são dois anos. Dois anos. Por que é que eu lembro que alguém existiu dois anos depois, quando já não temos mais nada em comum? Um dia eu caí da minha imagem coração gelado. Era só pose. Eu acho que já parti corações. No inconsciente, eu perco a noção. Do amor e de tudo, amizades e saudade. Obrigada, por não me odiar. Acredite, eu fiz muitas coisas que eu não deveria ter feito nesse tempo vago. Juro que te conto, sei lá. Não sei se eu vou ter jeito. As palavras sempre com seu peso absurdo e suas conotações inexistentes. Eu não tenho jeito com as palavras, então, no tempo vago, eu disse coisas que eu não deveria ter dito. Nada demais. Engraçado que o que eu deveria ter dito pra você, eu nunca disse. Não era nada demais também, era só um desabafo rápido, super rápido, vapt-vupt, fast-food, you know. Você. Vê se lembra de mim algum dia. Uma hora do dia. Das nossas conversas totalmente sem sentido. Meu amor, não esquece, das nossas loucuras. Pelo menos, por hoje.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Opinião

Por que é que nesses dias eu ando pensando tão absurdamente em adotar uma criança daqui a dez anos e colocar um nome bem sacanagem pra criança me odiar pro resto da vida? Acho que é influência da mulher do nome impronunciável, amiga minha, cabelo comprido, ar de paraguaia, hare krishna e tal.
P.S.: É sem graça mesmo. Mas, eu acho bacana e eu falo do jeito que eu quiser! Nhem!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Maria de Lurdes

E a tal da Mallu Magalhães? Muito simpática e fofa, até apaixonante. Mesmo com aquele ar de Mãe das Virgens. Só que, pra mim, gente insegura, cheia dos receios e timidez (eu sei, porque eu vejo através dos olhos da menine) não serve! Não serve! Pelo menos não pra se apaixonar, é claro. Muito algodão oinc.

Essa metapraxis é que tá me fodendo. Eu posso me definir como uma menine jovem, criativa, antenada, meio-termo e cheia de tesão!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Tombo

Hoje eu caí da cama. Ótima maneira de se começar um dia. Eu caí da cama e eu mordi a minha língua, por causa da queda, sei lá. Só sei que dói! Pela segunda vez. Quase arranquei os meus dedos da mão esquerda, porque fechei a porta neles. Tudo dói. Tudo dá errado hoje. Que coisa sobrenatural. Muito sobrenatural.
­
­É tudo tão diferente quando você tem uma opinião formada sobre tudo, tudo teoria, que na prática, talvez, não seja nada daquilo, blábláblá. Uma teoria qualquer, quando não se tem a vivência da coisa, da situação. Hoje eu levei três cotoveladas no metrô, o vagão. Eu tinha uma opinião formada sobre levar cotoveladas no metrô, que era uma coisa engraçadinha, eu adorava uma discussão no meio do vagão, ria e fazia o meu dia inteiro ali mesmo. Não é engraçado. Dá indignação e dói. Tudo dói. E eu não sinto mais o meu braço direito. Mas eu fui faceira, convencida, cheia da autoconfiança, cheia dos saltos e não disse nada. As pessoas devem ter me dado uma cotovelada só porque hoje eu acordei da pior forma possível, mal-humorada, péssima, ridícula, abatida, séria, apática, porque eu fiquei brincando de lembrar das pessoas que foram importantes pra mim em algum momento da minha vida. Foi bacana até. Mas me deixou triste e nostálgica. As pessoas vão. Elas saem da minha vida do mesmo jeito que entraram, de rompante, de um jeito que eu não notei e, quando vi, pf. E eu não gosto disso. Amizade e amorzinho tinha que ser pra sempre. Tipo casamento. Não sorri, não fiquei séria. Indescritível. Tantas dores juntas, incluindo a cólica, que eu fiquei praticamente em êxtase.
­Filhos da puta! Me pisotearam e me deram inúmeras cotoveladas. Apenas três? Jamais. Eu chuto de quinze pra cima!
­­
­­Preciso aprender a aplicar o meu dinheiro. Eu vou entrar pro ramo dos empreendimentos e eu quero ver quem é que vai me segurar. Quero ver.
Cansei de gastar meu dinheiro com camisetas, sucos, chicletes e um pouco de vodka. Dane-se, não quero mais não ter dinheiro, só porque eu esbanjei tudo.
Por que eu não sei lidar com dinheiro? Que grandes merda. Raquel, pensa, na tua mente, a infância, a tua mãe, a professora, ensinando a importância do dinheiro, os valores burgueses, não esbanjar, economizar, lembra, Raquel! O falatório absolutamente desnecessário, a hipocrisia besta… O cofrinho! Lembra? Você tinha um, era de ferro, você enchia de moedinha, parecia que tinha pedido uma grana na porta da igreja! Guardiã da moral, dos bons costumes, quase franciscana, chinelo marrom, cabelo curto!
Você sabe, Raquel, que nunca pediu dinheiro na porta da igreja, porque é na igreja católica e você nunca foi católica, nunca teve A Vocação pra ser beata…
­Por que é que eu gasto tudo sem pensar? Cansei. Eu vou me encher de dinheiro e eu vou ser rica, vou mostrar pra todo mundo que eu posso, que eu posso tudo, que eu sou super super, que eu sou incrível, que eu consegui tudo sozinha. Sem a ajuda de ninguém! Sem a ajuda dessa gente da igreja católica, papai, mamãe, loteria, Cenor Abravanel… Sozinha. Você é auto-suficiente, querida. Cadê o seu cinismo mesmo?
­­­
­­­­Agora toca uma linda música do Sonic Youth no escritório. Como é bom ter feito um ótimo investimento, vulgo Comprar Fone. É tão bom ouvir Sonic Youth no seu ambiente de trabalho.
­Dá uma leveza, vontade de ser alegre e divertida. Sonic Youth me embriaga, me deixa zonza e o caralho. Culpa do Thiago. Thiago, seu filho da puta, aí da Espanha, me fez gostar de Sonic Youth, seu sacana! Pensa que eu não sei? Só porque eu, do alto do meu salto, disse que detestava! Ando tão a flor da pele. Eu preciso relaxar. Acho que vou me mandar pra praia, isso, hoje não está tão calor, eu me mandarei pra praia e vou me enfiar na cama com um buraco pra minha cara, aí alguém trepa literalmente em cima de mim e faz massagem.
É claro que não! Na orla! Que absurdo. Todo mundo verá. Todo mundo. Todo mundo. Até Deus. Desequilibrei.
­Ando tão empolgada com a vida que eu acho que amanhã mesmo eu irei conhecer todos os pontos turísticos do Rio de Janeiro.
Como eu sou instável.
­
Versatilidade. Nesse mundo moderno, é preciso ser versátil. E não ser versátil é demodé.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

MSN

Eu adoro a minha irmã. Apesar de morarmos na mesma casa, nunca nos vemos. Horários.
O Tio —> meu tio, meu chefe, amigo e irmão

Raquel diz:
Jujus, estou com saudades.
Raquel diz:
Que dar uma saidinha no fim de semana, gatas?
Juliana diz:
Quero! Mas espere aí, tenho que ver minha agenda de atividades acadêmicas.
Juliana diz:
Nesse fim-de-semana não tenho nada!
Raquel diz:
Só porque marcou atividade pro dia do seu aniversário, agora tem agenda, é?
Juliana diz:
=D
Raquel diz:
Hahaha.
Juliana diz:
Eu tenho!
Juliana diz:
=/
Raquel diz:
O Tio me mostrou a agenda dele.
Raquel diz:
E disse:
Raquel diz:
- Ooooooolha, todo o dia você veja o que o Tio tem de fazer! Todo o dia!
Raquel diz:
*vira a página*
Raquel diz:
*vira a outra e repete “todo o dia! Toooodo dia!”
Raquel diz:
Eu já estava achando aquilo doentio... Mas ele parou.
Juliana diz:
hahaahahahaa
Juliana diz:
É natural da segunda geração da nossa família ser repetitiva até querermos matá-los.
Raquel diz:
Aham! Tipo, a terceira geraçaum da nossa família vai ser assim, né,
Raquel diz:
primeiro que a família vai se dividir em duas, porque nós daremos linhagem a outra família,
Raquel diz:
porque eu não quero mais ter contato com pessoas chegadas num fanatismo religioso, então.
Raquel diz:
Aí, óquei, a gente vai infernizar a nossa geração! Tipo a coisa da agenda.
Juliana diz:
Eu acho que sou a coisa mais estranha porra louca que a família já viu!
Raquel diz:
- Fulaninha, você me mostra o que eu tenho que fazer! Todo o dia! Todo o dia!
Juliana diz:
Oi, família, apareci com tatuagens grátis nas costas e na coxa!
Raquel diz:
E ensinar a lavar meias.
Juliana diz:
Oi, família, ganhei uma tatuagem na perna inteira.
Raquel diz:
Não! DE grátis,
Raquel diz:
pra mostrar que além de louca,
Raquel diz:
é ignorante!
Raquel diz:
Hahahaha.
Juliana diz:
O meu sonho infantil era ser tatuada igual as pin-ups que vi num filme sobre o Pearl Harbor, que tinha umas mulheres prostitutas todas tatuadas...
Juliana diz:
=/
Juliana diz:
hahahahahaha
Raquel diz:
Sei lá. O meu sonho infantil era quebrar a perna e só.
Raquel diz:
Sou tosca.
Raquel diz:
Quebrar a perna e andar MANCANDO.
Raquel diz:
Não pelo gesso, é claro...
Raquel diz:
Pra andar que nem aquela mulher da novela mexicana, lembra? A Maribel, sei lá...
Juliana diz:
Sei, sim!!
Raquel diz:
E ela tinha uma amiga toda escrota que ficava chamando ela de manca e tal.
Juliana diz:
Mas acho que nosso caso é doentio demais, uma quer ser manca a outra se espelha em prostitutas americanas do século passado.
Raquel diz:
Hahaha. Uhum.
Raquel diz:
Poxa, eu acho que seria um puta desgosto se a nossa linhagem da família assim,
Raquel diz:
for norminha, sabe?
Juliana diz:
hahahahaha
Juliana diz:
Sim, sim...
Juliana diz:
Eu acho que sou uma mistura de orgulho e vergonha.
Raquel diz:
Ah, querida, daqui a pouco estarei pior que você!
Juliana diz:
“Essa é a minha filha que conseguiu bolsa integral em direito! Ei, não olhe as tatuagens dela, juro que são de canetinha”
Raquel diz:
Hahaha.
Raquel diz:
“Pilot! Pilot! De escola, sabe?”
Juliana diz:
Ah!
Juliana diz:
Deixa eu te contar o drama que sofri.
Raquel diz:
Cara, estava pensando, assim, eu p-e-n-s-o. Então, antigamente, não sei se você lembra, mas todo mundo ficava em cima do salto pra ir pra aeroporto, né. Hoje em dia é favela style!
Juliana diz:
Metade do meu desenho foi carimbado na perna a outra parte foi desenhado a mão com caneta definitiva.
Juliana diz:
Aí, na hora de lavar tinha um risco solto, de um centímetro que não fazia parte do desenho.
Juliana diz:
Comecei a chorar, pensando que o tatuador enlouqueceu e fez um risco nada a ver.
Juliana diz:
Hoje eu vi que o desenho estava mais fraco, que na verdade era parte do desenho de canetinha que ele tinha feito e já estava sumindo...
Juliana diz:
hahahahahha­
­
­Eu posso ser legal quando eu quero. Eu acho.­­
­
(carência)

domingo, 24 de agosto de 2008

Para os bons conhecedores da Cinelândia

Cinelândia, Rio de Janeiro.
Sério.
Hoje eu passei por lá e eu acho incrível o fato do Francisco Serrador, que foi o criador daquilo ali (segundo a placa) ter uma rua com o nome dele. Uma “rua”. Entre aspas, veja bem… Aquilo ali é um beco! Um beco! Nunca que seria uma rua! Beco do Francisco Serrador. Isso sim! Todo mundo tem medo de passar ali. Deve ser point do crime e tudo.
Inclusive, ele que trouxe o cachorro-quente pro Brasil. O ruim é que alguém teve a idéia de girico de acrescentar purê.

W

Cansei de obedecer e de ser obcecada. Eu não sou assim, ué. Eu não sirvo pra ser assim, nunca servi. Não nasci pra isso. Não nasci pra nada, aliás. Sou fruto de um acidente, absolutamente não planejada. Adoro um improviso.
Hoje eu cantei todas as músicas do mundo voltando pra casa. Um frio da porra. Inacreditável. Totalmente inacreditável, totalmente inacreditável. Eu passei a semana inteira com cólica e calor. Simples assim. Agora é cólica e frio. Peguei chuva, a chuva mais bonita do mundo, quase chorei. Hoje eu estou sensível sentimental insuportável babaca bocó. Será que eu tenho salvação? Sei lá, um dia eu bem gostaria de mudar radicalmente. Eu não sei, mas eu acho que uma lobotomia presta. Eu não sou muito chegada numa lobotomia, mas, tá tudo bem, tá tudo ótimo.
Eu sou cara de pau, nesse frio do absurdo, eu resolvi sair de casa de short. Eu acho que é saudade. Saudade dos amigos de shortinho curto. É isso. Saudade. Absurda. Ando sentido saudade demais e isso não é bom, eu não quero ficar me apegando as pessoas, eu detesto me apegar as pessoas e sentir falta. Por mim, eu faria a pose de mal-amada e seria feliz. É feliz a vadia, feliz, é feliz mas é triste. Simples assim. Feliz, mas é triste. Um frio absurdo. Detesto ar-condicionado. Eu não sei por que é que Deus me faz cruzar com todas as pessoas do mundo. Pessoas com quem eu quero e pessoas com quem eu não quero cruzar. Nunca, ou sempre, vida e sonho, acaso, contradição, não do acaso, sei lá. Amém.
Eu acredito em Deus. Desculpe-me, mas eu não consigo ser incrédula pra não acreditar em porra nenhuma, que morreu e ponto, que não existe um Ser Superior. Desculpa, eu também não sirvo pra isso. Inclusive, eu acredito em tudo.
Peguei chuva. Eu sentia pena dela, a mulher do convite das performances, Cinema ao Vivo, blábláblá — “só vocês que vieram hoje, pô, tá sobrando um monte de convite, meu, maior coisa foda, ah, já viram a exposição, vocês, pô, meu, vocês, que gostam de cinema, ah, cara, vocês vão gostar, vão achar bacanérrimo”.
Brigitte Bardot tem um charme tão absurdo que eu fico até sem graça. Eu queria ter um charme absurdo também. Mas, eu sou tão sem jeito. Quero ser charmosa.
Pronto, agora eu sou charmosa. Eu posso conquistar todo mundo, todo mundo basbaque por mim, uma admiração alheia para com a minha pessoa, uma admiração que, naturalmente, beira o insuportável. É isso.
Tudo bem que nada disso é possível, eu nunca terei o charme absurdo de Brigitte Bardot. Todavia, é bom sonhar. E ser exagerada. É bom sim. Demais. Óptimo!
Então, eu vou dizer que nem fico chocada com esse mundo. Nada me choca, nada me impressiona. Só palavras e pessoas. Palavras ditas por pessoas. Determinadas pessoas. Eu vou até anotar, pra não esquecer. Não esquecer nunca, inclusive. Não, eu não vou anotar. Isso, anota pra mim. Para eu tirar do meu bolso quando eu estiver irritada. É sério que funciona. Nem mantra é tão eficaz. Bilhetes são eficazes. O resto é o resto.
Eu bem acho que ano que vem, eu irei viajar bastante. Hm. Tipo pau-de-arara, entende? Tentar a vida no Sul Maravilha. Mas, eu já estou no Sul Maravilha e eu não tô a fim de ir pra São Paulo. Então tá. Somente tentar a vida. Tentar a vida porra nenhuma. Mentira, mentira, mentira. Eu só quero me divertir. Vou rodar a América do Sul. Eu bem acho.
Encerro por aqui a reflexão.
Porque agora eu vou falar de coisas absolutamente tristes.
E eu não quero deixar ninguém na depressão.

Por que é que eu tenho que ser tão emocionalmente fodida?

Saturrrrday

(Raquel, sem dinheiro, para pessoa desconhecida:)

— Oi, você tem dinheiro? Assim, dinheiro. Eu quero voltar pra casa. Não é que eu queira, eu preciso.
— É pra beber, né? Pode falar. Vem cá, eu pego uma cerveja pra você. Não é?
Pega as cervejas.
— Ah, obrigada — mas é sério, tem algum dinheiro aí? Um real.
(eu não tomo cerveja. Vou ter que jogar no lixo. Será que alguém da galerinha alegria vai querer? Tem gosto de mijo. Depende, se eu estiver bêbada, absudamente, eu até tomo, porque eu não sinto o gosto… eu não sinto o gosto. Pessoa me dá R$ 2, 00)
— Tem troco?
— Tenho.
— Não… Fica. Pode ficar.

Quase dei um beijo na boca na pessoa em questão, como agradecimento, retribuição. Mas, eu não sei se o meu beijo é bom.
Só por isso.
Só por isso.
Ah, como eu sou idiota. E pobre.

Vi quatro performances de CJs — “cine-jóqueis”. Mixação de áudio e vídeo. O primeiro foi interessante, introduziu ao meu ser um novo termo “chocrível” (chocante + incrível), a segunda foi alguma coisa com bolhas que quase me fez chorar, um terceiro que fez um remix doentio “polícia policiais polícia policiais” durante uns oito minutos e o quarto, que era diferente. Uma câmera filmava a platéia (eu apareci mais que todo mundo, inúmeras vezes, olharam pra minha face envergonhada, um milhão de vezes, mais que todo mundo, uma coisa, horror) e um texto que era falado por uma voz robótica.
E o texto falado da voz robótica mexeu comigo. Muitas idéias, muita informação, muita coisa, muita coisa, muita coisa. Falando alguma coisa sobre entender o seu próprio eu, o interior, um monte de coisa. Eu não lembro. Mas aquilo me inspirou. E agora eu vou escrever sem parar por horas. Eu não consigo dormir. Eu não comi nada o dia inteiro. Eu estou psicodélica. Psicodélica e elétrica. Louca, louca e pedindo dinheiro pra gente com cara de rica na Lapa. Minha doce Lapa.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

JV,

o grande problema é que eu já pensei em fazer tudo na minha vida. Vou acabar é não fazendo nada. Papo sério. Quando eu fizer 24 anos, eu farei Cinema. Sou eterna contradição, confusa. Mas não sou sempre assim. Às vezes eu sei de tudo.
Não atribuo nada a idade, sabia? O post anterior — absolutamente verídico. A senhorinha tinha cinqüenta e poucos anos. Eu sempre cruzava com um garotinho no elevador, uns cinco anos... A mãe esperava ele na portaria. Eu sempre falava de umas coisas lindas com ele. Eu tentava explicar o mundo de um jeito bonito e eu acho, veja bem, eu acho que ele ficava encantado. Sei lá. E eu gostava muito dele. Sei lá.

21 de agosto, aniversário alheio

— Eu falei pra minha filha “você quer foder? Você quer foder? Não é sexo, amor… Não! É foder mesmo. F-o-d-e-r. Não faz essa cara de escandalizada. Porque aí, eu te levo no médico e ele te ensina tudinho e você dá logo pra esse seu namorado escroto e micareteiro”. Mas a garota é virgem, dezoito anos e é virgem.
Caralho, eu queria que ela fosse como eu na juventude — piranha. Nos meus dezoito anos, conheci o meu atual marido. E, ele sabe, a minha filha sabe, todo mundo sabe que eu já não era mocinha intocada há tempos… Tempos! Um dia eu descobri que poderia sentir “coisas boas” por outros meios, se é que me entende… Filho da puta! Não consegui largar até hoje, sabe? O sexo era bom. É, sei lá… Bom pra caralho. Eu posso ser essa velha ferrada aqui, mas, ó, eu posso dizer que venci na vida, minha filha, ó, dezoito, d-e-z-o-i-t-o anos, fala inglês fluente, toda certinha, toda não-faço-merda-nunca, estuda em colégio intelectualóide, onde as menininhas usam saia rodada, bem ninfeta assim. Minha filha! Minha filha, que saiu de mim. Com dezoito anos, aliás, eu descobri que não era todo mundo que nascia de cesariana… Que os bebês saíam pela buc… Não, pela bonitinha, e aí, que a minha mãe escondeu isso de mim. A vida toda. Só quando eu me liguei na vida é que fui saber que os bebês saem pela buceta. É isso.
Aí me chamam de depravada. Mas eu sou aberta, tô no futuro. Eu vou e volto. O presente não é muito legal. Depravada é o caralho!
Pelo menos alguma coisa de boa eu devo ter. Veja bem, porque ela gosta de mim. Mas eu bebo mesmo, eu fumo mesmo, sou viciada em fumar e beber e ela é católica… E isso fodeu. Toda metida a santa, mas não serve pra ser puta como eu. Porque tem aquele fetiche da estudante católica high school virgem, não tem? Que é stripper? Mesmo assim — não serve. Eu não sirvo mais, porque eu sou casada, mas não tô morta, mas, veja bem, eu tenho talento pra arte. Então, seus filhos da puta… Vão pra puta que pariu. Aqui ó! Olhem pra minha cara. Um dois três. Toma!
— Eu não sei escolher um caminho qualquer pra seguir. E aí que eu tô vivendo, sabe? Eu tô vivendo e tô amando e tô me ferrando todos os dias. (eu penso: e eu sou uma depravada escrota)
— Parabéns!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Capas de chuva

Duas frases e eu escrevo coisas horríveis, no sentido horrível da coisa, entende? Tipo sangue jorrando do seu dedo.
Detesto, de um jeito absurdo, o calor do Rio de Janeiro. Sério que toda a vez que eu fico suando de madrugada eu penso em sair daqui e não voltar nunca mais. Sério. Nunca mais. Nunquinha. Nem pagando. Mas eu sou chata, eu não gosto de muito calor. Nem de muito frio, porque me remete aquele clima de frigidez e clima de frigidez me dá uma coisa! Respira, Raquel. Muitos pensamentos por segundo. Um, dois, três.
Eu estou usando calça. Uma linda calça, nova e tudo (não é linda porque é nova, é linda porque é linda). Ela tem uma ou duas semanas, ou três. Eu tenho que fazer as contas, porque a calça nova me remete a um fato que ocorreu, só que eu não lembro se esse fato tem uma, duas ou três semanas. A calça nova em questão está grudando na minha coxa, porque eu estou suando loucamente, porque está um calor do inferno — 35ºC.

Aí eu peguei o metrô e o ar estava quente! O ar-condicionado que, teoricamente, deveria agir em prol conforto das pessoas, sei lá, deveria estar com defeito — um forno. Todo mundo suando em conjunto. Que bonitinho. A porta abria e todo mundo, né, desesperado pra respirar! Arf, arf.
E eu super calma, não estava nem um pouco irritada, com toda a finesse, com pensamentos bobos tipo “será que tem a possibilidade de alguém confundir o calor desse forno com tesão, sei lá?”, mas é que eu sou toda boba. E isso não é novidade.

— Você está brilhando, Raquel.
— Literalmente, né, eu sei. Então é que no vagão, do metrô, então… (…)

Antes de pegar o metrô, entrar no vagão porta do inferno, eu fui tomar o meu habitual suquinho. Não foi de abacaxi com hortelã dessa vez, foi outro, sei lá, eu não perguntei, eu disse que qualquer um estava ótimo e eu não sou muito boa no que diz de associar gostos e nomes e imagens e tudo. Não sou boa em associar nada. Eu sou boa mesmo é no que diz respeito a jogar conversa fora.
Aí, eu não vou saber explicar, eu tomava o meu suco indefinido e eu vi as pessoas. Duas delas, sentadas, numa escada, de um jeito absurdamente sexy. Eu preciso registrar esse fato, porque eu fiquei lá, que nem babaca, pensando nisso, que ali se encontravam as pessoas que sabiam sentar-se numa escada do jeito mais sexy que eu já minha vida toda.
O jeito mais sexy, mais sexy. Eu poderia passar lá e perguntar como faz pra cruzar as pernas daquele jeito, naquelas escadas, daquele jeito tão absurdamente sedutor. Mas, não. Três pessoas. Reunidas. Eu ia me sentir a pessoa mais idiota do mundo e eu não gostaria de me sentir assim. Não mais. Nunca mais. Nunquinha. Porque eu já me senti idiota a maior parte da minha vida, porque eu não sei como agir e tal, porque eu sou impulsiva e eu já fui muito cara de pau, absolutamente, um cinismo que beirava o insuportável. Eu ainda sou assim. Basta alguém dizer “Raquel, seja mais cínica. Tipo quando você gostava de analisar mãos” aí, eu serei. Mágica. Pra sempre. Isso não tem nada a ver com cruzada de perna, puta que pariu, eu acho incrível como eu sei dramatizar. Vou abrir um parêntese, fluxo de consciência, escrevi no papel, no guardanapo, aliás, num guardanapo roubado, foi o tédio, os pensamentos, os milhões de pensamentos por segundo.
(­_______________­)

Eu precisava registrar, nem que eu esquecesse pra sempre no bolso da minha calça, é tipo obrigação. Eu não escrevo pra ninguém. Eu escrevo pra mim, sim. Mas eu não me considero ainda um alguém. Eu também escrevo pro nada. Querido nada, vácuo, vazio. Blábláblá e tudo. Experiência que foi destinada a minha pessoa. Preciso registrar, porque ela é única. Mas tá, as pessoas que conseguem chegar e tipo, me fazer parar, ficar total basbaque, ah, essas pessoas, sei lá, eu bem acho que essas pessoas não tem muito o que me dizer, gente feliz com a vida regrada, namorando uma pessoa gostosa e maravilhosa, sei lá, não dava pra ser amor platônico momentâneo e isso fode. Eu não presto.

Eu comecei a escrever isso ontem. Hoje é um novo dia. Um dia feliz. Mentira, eu estou sentindo uma coisa inexplicável. Caramba, eu detesto isso. Com todas as minhas forças. Detesto mais que lycra e calor. E isso, de sentir coisas inexplicáveis, tem se tornado constante na minha vida. E isso começou nesse ano. Mas, é lógico, ele começou de jeito todo errado, fadado ao fracasso. Mas eu não vou continuar falando isso, porque eu ainda preciso ir lá, falar com a cartomante e saber se é um caso do acaso bem marcado em cartas de tarot — piadinha interna, externa e com fundo de verdade. Um puta fundo de verdade.

Sabe que, hoje, eu ia pegar o metrô, daí um moço pegou na minha mão e disse “meu amor!”. Aí eu fiquei escandalizada e saí correndo, como de praxe. Agora eu fiquei pensando, sabe… É melhor do que “oi, gostosa, quer fazer um amorzinho gostoso?” ou qualquer coisa do gênero. Eu fiquei pensando em umas coisas. Em umas coisas das quais eu não sirvo pra pensar. Caramba, mas me bateu uma confiança tão grande, me achei tão auto-suficiente. Eu só fico triste porque essa auto-confiança só durou três minutos. Três minutinhos.

O fato é que hoje é um novo dia e eu não quero mais falar de ontem. Ontem foi um dia bonito, eu encontrei duas pessoas. Pessoas que eu gosto. Adoráveis! André e Camila, que eu conheci ontem. Quase passei mal com o fato de ter de sair com o André e uma amiguinha dele, porque, caramba, uma grande merda, porque eu detesto com todas as forças encontros com três pessoas, porque alguém fica por fora, alguém fica excluído, etc e tal. O bom é que isso não aconteceu. Incrível. Agora eu vou tomar café.

A única coisa que eu reparei, no supermercado, é que a mulher do pão nunca sorriu pra mim. Aliás, arrisco dizer que rola até um ódio, porque eu gosto que ela faça um nó no saco do pão, que é plástico. Só que ela pega a etiqueta do preço e faz tipo um pacote e aí não tem onde segurar. Só pra me deixar desconfortável!

Eu fico triste quando eu não faço uma besteira que eu deveria ter feito. Já sentiu isso? É triste. Exato. Eu gosto de luzes. E mendigos — porque eles se vestem mais ou menos como eu.

Hoje eu fui no Centro Cultural do Banco do Brasil. Eu sempre vou lá, eu fico olhando os atendentes bonitinhos da livraria, por dentro e por fora. Tem uma atendente bonitinha, que assistiu a uma palestra comigo. Ela tinha o cabelo descolorido, loiro, meio platinado, sei lá. Agora ela tem cabelo preto. Ela não lembra de mim, é claro, essa palestra foi no ano passado, do Alejandro Jodorowsky, mas eu lembro, porque eu sou Raquel e eu lembro de tudo. E eu lembro também que eu comentei que eu achava que ela ficava mais agradável de cabelo preto. Ela não lembra, mas eu lembro. E tem o atendente não tão bonitinho, ele seria mais bonitinho se ele não tivesse a cabeça tão grande! Ah, pelo amor de Deus, é meio desproporcional, tipo Tila Tequila. Eu sinto que ele tem bom coração, que é uma pessoa bacana. Mas eu também sinto que ele é cheio das ironias pretensiosas, caramba, eu nem conheço o cara, ele nem sabe que eu existo e eu cheia dos julgamentos. Parei. Mania feia, Raquel. Mania feia.

Sim, eu vi a exposição da Clarice Lispector. Eu não tenho uma opinião formada sobre Clarice Lispector. Desculpa, mas eu não tenho. E eu não faço questão. Mas, eu até gostaria. Eu nunca li muita coisa de Clarice, mas, eu sei que era uma mulher bacana, dos olhos mais bonitos do universo e que tinha jeito com as palavras. E o seu filho também.
Eu não quero usar minha capa de chuva,
porque ela é grande demais e ela é comprida demais.
Quero é outra capa.
Essa capa é chique demais para mim.
Não vou usar a capa hoje.
Capa mixuruca.

Ela escrevia coisas tão tristes… Eu não sei se ela era triste. Talvez. Porque no meu julgamento falho, eu posso me tomar como exemplo. Eu escrevo as coisas mais tristes quando eu estou feliz. E quando eu estou tristinha, oinc, eu escrevo coisas mais ou menos felizes. Será que era assim com ela? A minha visão das coisas é sempre limitada.
Clarice, eu acho, eu não sei, mas eu acho que ela conseguia ver as coisas de um jeito não-limitado. Pelo menos ela tentava, compreender a natureza dos sentimentos e a sua própria natureza. Alguma coisa assim. Por aí. Clarice é atemporal.
“Caótica, intensa e inteiramente fora da realidade da vida”

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O Amor

Ela, cheia de sonhos, jovem, linda, voz intelectualóide, contraiu matrimônio no auge de seus vinte e um anos, embalada por um sentimento ímpar. Ciumenta, possessiva, louca e impulsiva.
Ele, não tão jovem, acima do peso, comum, cheio de amigos, que toma cervejas às sextas-feiras, joga futebol no domingo e é botafoguense até não poder mais. Ciumento, possessivo, calmo e calado, sempre com seus cigarros da madrugada.
Mudaram-se há sete meses, um ninho de amor e ódio, com direito a gato de estimação. “O primeiro dia do resto da sua vida.” — parte um de um futuro que julgavam ser eterno.

A traição é descoberta — dele. Ouve-se um interrogatório minuciosamente planejado, trabalho de meses — perfeito. Ela diz que não irá perdoá-lo e cita, um a um, todos os sonhos perdidos.
Ele diz, baixinho, que não pode negar a sua natureza masculina, mas que ela se trata do amor da vida e que uma aventura sem futuro, sem amor, baseada no tesão, não conta.
Ouve-se também ao fundo, uma linda música do Polyphonic Spree. Silêncio. A música continua a tocar, música cortada por palavras, lindas palavras, sonoras: “cajafeste escroto! Filho da puta! Descarado, imoral do caralho, você não passa de um lixo! Lixolixolixo. Porra, por que é que você fez isso comigo?”, ele tenta explicar mais uma vez, cada vez mais sem sucesso.
A mãe de família, vizinha do casal, realiza a sua leitura diária da Bíblia, cada vez mais constrangedora, em virtude dos fatos e das palavras. Um espetáculo! A filha ri. Ri e pensa na vida, na putaria da vida, nos conceitos, no cotidiano, comum, rotineiro. Silêncio novamente. Cortante. Ele recomeça, pedindo perdão didaticamente. Um monólogo que é interrompido por um barulho. Socos na parede. Ela grita:
Mentchéra!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

T

Sétima vez em três dias! Eu chuto o estabilizador (sem querer, é claro) e desligo o computador. Você tem noção? Você está ali, no seu chat pornô básico e desliga. Pf! Não é chat pornô básico, mas, sei lá, baixar trilhas sonoras no meu local de trabalho e… pf.
Eu sou secretária, acho putamente incrível dizer isso, porque eu não me visto como secretária e sim como uma subversiva do século XXI, jeans surrado, sabe. Se bem que eu achei que pegava muito mal e agora só uso jeans novos! Oh! E um sapatinho básico, ou uns tênis, coisa e tal. Incrível! E, cara, não consigo deixar de ouvir Tetê Espíndola. A principal música, do tarot, “eu nasci pra ser seu bem, cartas claras sobre a mesa, meu meu amor, nosso amor, blábláblá” (ad aeternum). Mas o que eu não consigo deixar de fazer mesmo é não ver esse vídeo dela no YouTube. O que era aquilo? As pessoas vestidas de coração? Aquela calça? Meu Deus, aquela calça…!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Chocqzzz

Eu estou só de calcinha, na minha casa, andei pela casa inteira, ui, escutando músicas tradicionais irlandesas (nunca falei tão sério). É que eu peguei o metrô, comecei a ler um livro que, a julgar pela capa, era ótimo. Começo a ler, sei lá. Primeiros temas abordados: cinema, jazz, abstinência sexual e mentiras. Eu continuo lendo e vejo uma parte retirada brutalmente de um filme. Acho que foi proposital. De repente, nada começa a fazer sentido no livro, eu estava na página 91 e agora estou na 50. O que é? Eu notei que as páginas não seguiam a ordem cronológica. Ótimo, páginas que não seguem a ordem. Que ótimo! (engraçado é que a página 60 ficava num canto e a 61 só procurando pra porra e elas ainda se completavam). Antes do meu ser absolutamente racional se dar conta desse fato, o meu ser, absolutamente racional, achou que estivesse numa viagem psicodélica provocada pelo sono.

E eu dormi. Acordo, suando, com o mocinho da puta voz sexy do metrô “senhores passageiros, informamos que ao acionar o botão de alarme, o trem pára imediatamente”, alguma coisa assim, e eu logo pensei “ótimo, as pessoas adoram acionar o botão de alarme do nada!”. Vejo moças se despedindo, beijo, foi ótimo te conhecer, amanhã a gente se vê, o bolo e tal e eu continuo com os meus pensamentos “mas, que porra é essa?”, sorrio, pergunto para a velhinha da frente “o trem parou? É isso?” e ela sim que sim e tal, que demorou uma vida, várias amizades foram feitas, pessoas encontrando suas respectivas almas gêmeas coisa e tal.

E, hoje o céu estava tão lindo. De um jeito, sabe, noite. Como há muito tempo eu não via, sei lá, estrelado. Estreladíssimo. Um amor de céu. Eu sei, eu sei, eu sei que eu fico insuportável falando do céu desse jeito, sem parar, todo o santo dia, sempre a mesma coisa.
Comprei uns fones e foi a melhor coisa que eu fiz. O Melhor Investimento. Putz, é que eu realmente preciso de um fone. Não, eu não tenho nenhuma dessas coisas moderninhas que vocês usam pra escutar musiquinha. Não, eu não tenho, eu não tenho grana mesmo, eu sempre prefiro gastar com alguma coisa super banal, tipo numa pizzaria e numa camiseta que não vai durar muito porque eu vou enjoar. Eu enjôo de todas as camisetas, mas não jogo fora. Eu tenho a gaveta das camisetas perdidas e esquecidas. Antes camisetas do que pessoas. Ando sonhando com muita gente que passou pela minha vida. Puta que pariu, eu começo a me achar uma esquizofrênica. Sonhar com gente que eu não lembrava que eu existia, sabe? Gente que fez parte de uma época linda da minha vida, mas que ficou lá… No bonitinho e perfeito.

Eu não lembro exatamente o por quê o bonitinho e perfeito não progrediu. Eu acho que é porque eu estraguei tudo, porque eu sou filha da puta. Ééé, filha da puta. Você pode até não acreditar, mas um dia eu conto todas as merdas que eu fiz, tudo quanto é sacanagem, pura sacanagem, todos os livros que eu não devolvi, tudinho. Tudo! Mas ó, eu posso ser essa pessoa que você pensa que talvez eu sou, super certinha, ai, eu sou tão certinha, quase cem por cento correta em tudo. Eu consigo falar com a alma! Eu era uma desalmada! Só chorava vendo melodrama e olhe lá. Ou chorava sozinha, escondido. Mas eu sempre achei isso muito coisa de mulherzinha infeliz. E eu não era infeliz. Eu sou, eu era, sei lá… Mas eu tinha uns momentos intensos do caralho. Então eu era feliz. E ninguém pode me dizer que não. Eu destesto mesmice, com todas as forças, eu ando tão replay, que merda, eu não quero mais ser assim, eu quero mudar todos os dias. Eu mudo todas os dias! Só que muita gente não nota isso. Todo o dia eu sou uma pessoa diferente, um alguém, sei lá… Hoje, meu amor, você não sabe, mas eu usaria uma plataforma e andaria pela cidade maravilhosa todinha, todinha, todinha! Mas ontem… Sei lá, ontem eu estava mal pacas, por um motivo indeterminado, inexistente e tudo.
A babaquice humana é tão engraçada. Ela parece tão engraçada. Eu adoro a minha babaquice-boba-humana.
Então, eu falava que O Melhor Investimento que eu fiz foi comprar uns fones, né, três reais! Eu cansei de ficar constrangida por escutar músicas não-religiosas com a minha mãe em casa. E eu gosto de música meio alta, só que eu nunca escuto, porque eu não quero incomodar os vizinhos. Mas com os fones, putz, eu finjo que eu lembro a letra da música inteira, porque ela tá na cabeça, no cérebro, na alma… carajo, eu acho que foi o café, meu, colocaram alguma coisa no café, eu tô elétrica, eu tô elétrica, eu tô elétrica!
Detesto sentir cólica. Assim, eu detesto. Não que alguém ache maravilhoso, a melhor sensação, melhor que orgasmo, sei lá… Cara, eu ando tropeçando. Uma merda! Aí ok, eu sorrio, só pra fingir que eu tô ótima e que tá tudo bem, mas, beleza, é mentira mesmo, não fica tudo bem, nem com remédios, nem com porra nenhuma que essas doutoras e o caralho passam. Desculpa a quantidade de palavrão, mas eu não sei falar bonito e eu sou Jão Gordo versão light. Sério que eu fico com espasmos de tanta cólica. É uma coisa absurda! Sério, dia desses, eu estava me jogando na cama, mas eu tava no meio da sala, escorreguei, bati na estante, bati na mesa de centro (como eu detesto aquela mesa de centro ridícula!) e, finalmente, no chão. Sério que quase chorei. Várias dores juntas! Mas aí eu já não sentia nada, e o teto ficou rosa, porque eu queria, né. É sério isso. Fiquei quase que em êxtase. Menstruo quando não estou grávida. Olá, sou louca.
Então, eu já não estou só de calcinha, eu peguei uma calça, meio velha, manchada… A minha mãe disse que eu ia parecer modernésima com aquela calça manchada, só que ela não entendeu que aquilo não era um manchado moderno e sim um manchado-manchado. Tipo a coisa da média-pequena-média-grande do café que é vendido no café que fica em frente ao escritório de advocacia onde eu trabalho, todo o santo dia, atendo telefones com a voz mais sexy possível, não, é mentira, eu faço uma voz nada sexy, bem anasalada, pra traumatizar. Eu vou excluir o resto dos teus 527 traumas. Aí eu cortei a calça manchada-manchada e fiz um short. Bem curtinho. Do jeito que o diabo gosta.
Acordei de jeans, cara, é tão ruim dormir de jeans, desconfortável. Aí eu me lembro de todas as pessoas com quem eu fiquei, que tinha algum jeans absurdamente sexy. Eu li no jornal que o Lula escreveu “belesa” no livro, de, ai, sei lá, 85 do Copacabana Palace… Sendo que a paradinha tá meio que em exposição lá e tal. Aí todo mundo passa e vê aquele “belesa” estampado, em letras garrafais. Ah, vá pra puta que pariu! Aí a minha mãe, oh, sempre ela, ela fala que o Brasil elegeu um cara que não tinha ______ anos de estudo (eu só lembro que era pouco) e, aí, eu digo “mãe, você votou nele!”. Ela ri, porque é bem verdade. A questão não é essa, entende? Se fosse, sei lá, uma coisa que ninguém sabe escrever tipo “muçarela” (sim!) até que ia, né… Mas palavra cotidiana! Você vê estampada em tudo quanto é buraco desse mundo, na mídia. B-e-le-z-a. A b-el-e-z-a é uma coisa tão relativa. Tenho tesão por idéias e a beleza plástica de high society que é vendida por tudo o que tá aí que vá pra puta que pariu. De novo. De novo.

sábado, 9 de agosto de 2008

Quadril

A cama totalmente desarrumada durante três dias. Isso soa tão óbvio pra mim, mas eu imagino que é um absurdo (pelo menos para as pessoas que eu classifico como Cem Por Centro Corretas em Tudo). Preciso aprender a me organizar. Ser normal. Não, isso não. “Ser normal” me remete ao estado do comum, cotidiano, pedante. Acho insuportável a idéia de ser comum, de gente comum, dias comuns e seja lá o qual seja a sua concepção de comum, ou a minha — se é que eu tenho concepção de alguma coisa. Não é assim.
Raquel, seja normal, seja organizada e feliz. Que vontade de fazer uma lista! Deus, que vontade de fazer uma lista! Sabe, aquelas da última semana de dezembro, bem do tipo promessa de fim de ano. Estamos em agosto. E eu não quero mudar nada. É fingimento, eu adoro ser desorganizada com tudo (até nos pensamentos).
Eu preciso aprender a lidar com a gravidade, não tropeçar tanto e cair. Ou bater com a cara num poste porque fiquei olhando para alguma coisa indeterminada, provavelmente tola e imbecil.

Aline, hm, esse sua idéia de… Sei lá, o que você disse, sobre “o que é viver”. Veja bem, eu nunca parei pra pensar no sentido profundo da questão sobre “o que é viver”. Não desse jeito, sabe? Não desse jeito! Até pouco tempo, sei lá, trinta segundos, eu achava que eu tinha uma não-vida, relativamente aproveitada, bem triste e feliz. Não triste ou feliz, triste e feliz, junção dos sentimentos, eles não alternam, eles convivem entre si. Eu não queria mais sentir isso. Mas, eu acho que eu posso falar com toda a vivência, toda a moral da vivência e… Ó, esquece! Eu não vou saber explicar o que eu quero dizer. Então, eu não digo nada, porque eu não sei dizer nada. Eu não disse nada.

JV, esse negócio… -> de ir embora, nisso, eu penso todo santo dia, todo o santo dia, todo o santo dia da minha vidinha vivida. Eu não iria para “recomeçar” (nunca!), porque eu acho isso muito coisa de cabocla arrependida, sei lá. Eu não me arrependo de nada do que eu fiz. Não, isso é mentira! Eu me arrependo de inúmeras coisas, mas não sei se eu teria feito diferente. Não quero recomeçar. Eu gosto das coisas assim. Por incrível que pareça — eu gosto! Eu só queria ir! Somente, sem mais! Mas eu voltaria, ah, com toda a certeza eu voltaria, nem que tivesse que assaltar um banco! Ah, meu amor… Eu voltaria! Eu voltaria sorridente, com o orgulho tupiniquim nas costas, dizendo que consegui vencer na vida. Mais ou menos vencer na vida, pelo menos! Nem que fosse pra dizer que mais ou menos vencer na vida, era concluir que eu consegui ser amiga da maior cafetina do México! A-m-i-g-a, veja bem, a-m-i-g-a e não uma das suas meninas da vida.

Hoje o céu está tão cinza. Eu acho que é cinza. Eu acho que o céu, talvez, cinza, é mais bonitinho que o azul. O azul inexplicável de todos os dias, que ainda sim, é único. O céu cinza, apesar de tudo, apesar dos clichês, olha, o céu cinza foge do óbvio. Fugir do óbvio é bonito. Não é? É sim, é algo lindíssimo. Eu quero fugir do óbvio (mas é difícil). Agora eu fugi do óbvio e estou renovada. Olá, meu nome é Raquel e eu gosto de falar de céu azul e cinza, fazer uma comparação, tipo guerra dos sexos, feminino e masculino, tipo guerra da sexualidade, héteros e gays, tipo guerra política, direita vs. esquerda. Tipo isso. Tipo tudo. Pensamentos transitórios. Passageiros. Efêmeros.



Eu sentei ali, naquela escada. Eu acho que era uma escada, talvez fosse um banco, ou o chão. Com um livro na mão, resolvi anotar os trechos bonitos do livro. Um trecho em especial, inclusive.
Que trecho bonito. Diz tanta coisa! Tantos pensamentos resumidos! Que lindo! Não quero esquecer isso nunca mais. Vou tentar decorar. Putz, muito bonito mesmo! Intenso… Que me faz sentir um misto de emoções, será que eu vou conseguir escrever? Ou será que o arame do caderno vai atrapalhar? Será que eu vou conseguir escrever sem que a letra saia tremida? Isso me lembra Isabelle, a menininha francesa da letra tremida. Não era tremida, mas da primeira vez que eu vi era.
Acho que ela estava nervosa, assim como eu estou nervosa para anotar este lindo trecho de um livro que ignoro o título e o autor! Ela ficava tão bonita nervosa, eu acho que ela ficava nervosa, eu acho que ela ficava bonita, sei lá. Sempre roendo as tampas das canetas. O problema é que eu fico facilmente distraída! Aí ela ficava com as suas viagens (pré-) históricas e eu não ouvia, porque eu pensava em coelhos saltitantes, comedores de bolo de cenoura. Aí, eu acho, eu não sei, mas eu acho que ela pegava um cigarro (eu não me incomodo com o cheiro do cigarro) para perfumar o ar. Eu prefiro achar que era pra perfumar o ar. Ou porque ela esperava um tapa meu, logo depois, eu deveria dizer pra ela parar de usar aquela porra e largar aquele bastão cancerígeno. Eu gosto dela, sinto sua falta e tudo. Volta e meia ela aparecia com dois livros, me dava um e começava a ler o outro. Uma leitura em dupla! Coisa incrível. Determinado momento, eu desviava da leitura, ajeitava os óculos (os meus óculos prediletos!), levantava os meus olhos, devagarinho, e dizia, tentando fazer aquela voz sexy e cheia de moral, com alguma convicção, que ela deveria largar o cigarro, porque eu gostava dela assim, sem câncer. Puta sorrisinho infantil. Um amorzinho. Dava uma vontade absurda de abraçar pra sempre. Fluxo de consciência.
Anoto o trecho: “Eu não quero ter a sensibilidade anestesiada, não novamente. Possibilidades e incertezas e açúcar, totalmente fora do contexto. Não existe explicação lógica — eu odeio a lógica. A boca não acompanha o pensamento. Detesto. E finjo que não digo e não penso.”
Mas isso não é do livro. Isso provém dos meus pensamentos. Ah, como isso soou sincero. E o trecho bonito eu já até esqueci. E eu não quero ler novamente e eu não acho que tenha uma conexão com os dois. Eu perdi uma anotação minha, que sempre me acalmava e me deixava feliz. Isso é triste. Agora eu posso explodir, porque eu me irrito fácil. Inclusive, cheguei a essa conclusão há algum tempo. Mas eu ainda posso ser Madre Teresa. Eu sou. Porque eu tenho paciência pra quase tudo!
Escrevi e fiquei pensando, perdi o tal ar desinteressado e fiquei com cara de perfeita ignorante pensante. Pensando que a tal menina francesa poderia aparecer naquele instante dizendo que largou o cigarro, sorrindo e tal, de braços abertos, dando beijo na testa e tudo, falando todas as besteiras do mundo, com um livro na mão direita e outro na esquerda, rá, muitas coisas.
Mas não. Isso não aconteceu. Nem que eu utilizasse a filosofia de O Segredo. A filosofia que eu imagino que seja, já que eu não leio best-sellers. Eu não leio nem os clássicos. Não, meu bem, eu não li nenhum daqueles clássicos. Não faço e não fiz questão. Mas teve um best-seller, que eu li e gostei (aquele da Sybil e suas personalidades múltiplas). Não aqui no Brasil, nos… Estados Unidos, eu acho. Eu não lembro. Mas era interessante. Papai que me indicou. Ele lê qualquer coisa mesmo.
Na realidade eu nem queria que acontecesse. Eu queria ficar sozinha, na minha e tal. Aqueles momentos que você precisa da solidão. Sabe? Sabe sim. Eu sei que você sabe.

A luz, meu amor, a luz está bem ali naquela curvinha. Vê se não escorrega, você não pode e nem precisa quebrar o quadril agora.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Porque com tanto potencial, nós nascemos numa geração falida, baby.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Adivinhar

(quem ler até o final ganha um doce, mentira)

Já havia feito todas as merdas do mundo, todas as putarias possíveis. Era melhor assim, sem expectativas das pessoas, sem cobranças, sem querer, sem “eu achei que (…)”, sem nada, aquilo ali mesmo e ponto. Cansou-se, como todo mundo cansa um dia, sei lá, de tudo, das pessoas, da rotina, das ruas, preguiça de viver, alguma coisa assim, ela nunca soube explicar direito. Não era bem isso o que ela queria dizer, não sabia direito as palavras certas, ela nunca teve muito jeito com as palavras, não era de palavras, era de momentos, talvez ações. Mas ela sabia o que queria, só se fazia de tonta pra irritar. Adorava irritar os outros por prazer. Só pra disfarçar a solidão, a tristeza que ela tinha nos olhos, a infelicidade 96%.

Todo o dia meditava como é que raios se transformara naquilo. Naquela pessoa, naquele ser, com tantas idéias (ainda que absurdas, sonho impossível, sonhadora demais — incurável) e tantos pensamentos, tipo qualquer ser humano assim, pensando que numa dessas se perdeu na vida. Acho que com oito ou sete anos, sei lá. Um dia decidiu que queria ser livre e diferente de todo mundo, diferente de gente pedante (quase todo mundo na concepção egoísta e imbecil dela — quase todo mundo, menos os amores platônicos e breves).

Ela sentava num banco daquelas praças (o nome das praças ela ignorava, detestava nome e detestava gente pedante), cruzava e descruzava as pernas inúmeras vezes, com o objetivo de cruzá-las de maneira realmente desafiadora (pra sempre). Mentira. Ela queria admirar a manhã, só que não conseguia, porque o que mais tem no Rio de Janeiro é gente filha da puta e mal-educada pra caralho, que não consegue ficar em silêncio e apreciar a porra de uma manhã. Linda manhã — “se eu pudesse, faria essa manhã permanecer por dias”.
Sol que não frita, nostalgia que não dói, frio, respirar, solidão feliz, momento 1 e momento 2, felicidade que não é descomunal e nem tão escrotamente intensa, mas que na realidade é satisfatória coisa e tal. Ela ficava de um jeito indescritível quando não conseguia se lembrar do que ela considerava importante (é que eu acho que as memórias são muitas), enfim, os intermináveis momentos, que não passam nunca (ou que passam num segundo). Deus decidiu que quem agüentar Raquel por mais tempo (amigos de infância -> excluídos) ficará com ela. E até agora ninguém quis! Está ganhando do destino. Entretanto, Deus obriga algumas pessoas a ter que ficar com Raquel por um determinado período, como castigo por falta de obediência.

— Eu tenho essa necessidade de ser lembrada por você, quem quer que seja, alguma vez no dia (ela pensa, mas não diz: todos os dias), sabe? Escuta, hoje eu não te falei do meu dia, de ontem, claro, porque o de hoje está decorrendo. Ontem aconteceu tanta coisa, encontrei tanta gente, 1/3 eu não queria encontrar, é claro. Pessoas doem. Mas eu falei tudo o que tava no fundo da garganta, sabe? São 15:11. Preciso ir tomar café. Já volto.
Olha, eu queria tanto ser mais uma anônima qualquer. Não uma qualquer — mais uma anônima qualquer. É que eu tenho o meu cachorro, a minha mãe, os amigos, as amigas, blábláblá, o cara da esquina que sempre me dá “bom dia!”. Não posso me queimar com ninguém. Por enquanto eu só sou uma pessoa, meio que sem rosto, sem sentimentos, nem nada. Ninguém. Isso. Espera, vou tomar mais café.
Eu não sei. Não me importa mais. Acordei com um gosto ruim na boca, mau-humor (inclusive, parecia até ressaca), falando puta que pariu e o caralho, todos os palavrões do mundo. Deve ser sinal divino. Auto-explicativo.

Ela achava que estava com uma aparência péssima — “preciso comprar roupa, putz, que cara sofrível, detestável, argh”. Não pode parecer assim. Um cara loiro e alto disse pra ela, hoje (dizem, eu não sei, mas parece que o nome dele é Fabiano), que sentia saudade. Como assim? Saudade de ser vomitado por ela enquanto ela estava mega bêbada? Dos desabafos, é isso? Da sinceridade meio dolorida? Só pode. Mas a vergonha é tão grande que ela não sabe o que dizer, porque ele mais ou menos sabe o que ela sente no fundo d'alma. Ele conseguiu acabar com a imagem de menina do coração gelado que não precisa de ninguém em trinta minutos, dois segundos, duas horas, sei lá. Sem noção de tempo. Tempo pra quê? Abraço, ó, abraço! Abraços acabam com a imagem de coração gelado que não precisa de ninguém. Sei lá, o mundo é louco. As pessoas são loucas. Montada na própria loucura. Adorava todos os males do mundo. Adora, na realidade (excetue o aquecimento global).

— Você fuma?
— Não.
— Como não? O que é esse bastão cancerígeno na sua boca, então?
— Nada. Deu vontade.
— Mas, e se você se viciar?
— Não consigo me viciar em nada. Não sirvo pra ser fumante, nem alcóolatra, nem nada. Eu não sinto falta desses prazeres.
— Ui! Mas você fuma com o maior ar de marginal, hein? Puta que pariu!
— Obrigada. Eu também acho.
— Seu pulmão deve estar tão feliz.
— Acabou. Não fumo o filtro. Pronto, não faço mais isso.
— Eu te amo.
— Você sabe que é meu amorzinho? Tipo aquele jardim. É um jardim ali? É, não é?
— É sim. Flores, flor feliz, flor sorridente.


Dia desses ela andava pela rua, apressada (ou ela anda apressada ou ela anda em slow motion). De repente, ela pára e esquece por um segundo quem é. Acha bacanérrimo, ainda que não tenha se dado conta. Num segundo, ela se transforma em alguém. ________ (insira nome inventado aqui), é uma pessoa muito infeliz, aí um dia ela tropeçou e caiu no meio da rua e tal, aí ela encontrou o primeiro marido e tal, aí ele deu um livro pra ela, em branco, pra ela escrever a vida todinha, uma auto-biografia, alguma coisa assim, nem explicou direito, ela tinha um ar falso de sou-muito-melhor-que-você.
Só.Porque.No.Fundo.
Não.Tinha.Coragem.De.Assumir.
Que.Não.Era.Assim.

Auto-biografia, coisa moderna. Biografia escrita pelos outros, por alguém que não se conheceu, lá, muito cafona e tudo, sim, isso, pochete. Já fez um curso de dois dias de interpretação de sonhos e tudo.

Não faz planos da vida. Ela vive dizendo isso, que não faz planos, que vive o momento, blábláblá, todo um discurso decorrente de uma filosofia barata que ela não sabe desde quando tem. Talvez, desde sempre, sei lá. Um dia decidiu que queria herege (no mesmo dia que decidiu que queria ser livre), digna da fogueira. Não quer vida perfeita, não queria ter metade dos objetivos alcançados. A vida perfeita é essa mesmo, atual, sabe, ferrada e fodida, dentro duma solidão sem fim (“porque Deus determinou que quem conseguir agüentá-la por mais tempo ficará com ela e até agora… you know…”), onde se acha incompreendida e infeliz com picos de alegria, onde ela chora baixinho vendo algum filme ridículo.

Em suma e em tempo: Idealista e filha da puta.

domingo, 3 de agosto de 2008

An Angel!

O Roberto diz que eu sou tudo o que ele gostaria de ser — “despreocupada”. Eu realmente sou despreocupada. Essa não é uma característica boa. Eu queria ser menos desapegada com tudo. Preciso parar de ser assim. Ele disse e eu fiquei chocada. Absurdamente chocada, escandalizada e tudo. Ele continua, ele diz que acha que eu sou feliz! Logo eu! Que tenho tendência a depressão e ao tédio. Tendência ao tédio. Hum. Que tipo de pessoa pode achar que eu sou feliz? Isso me choca ainda mais. Me choco fácil. O Roberto continua falando, eu quase convulsiono, falando que ninguém deve se irritar comigo e que as pessoas devem me achar charmosa e agradável. Quem sou eu? Um absurdo. Hoje o teto do meu quarto parecia mais bonito. Gostar, gostar mesmo, de verdade, eu gosto de Graciliano Ramos e José J. Veiga e seus reis barbudos. “Rei barbudo” pode soar muito bonitinho pra você, mas rei barbudo, pra mim, é tipo um integrante do Hells Angels, naturalmente barbudo e bucaneiro, macho, que toma litros de cerveja sem parar e cheio e eshxxxxxxperma!
Eu posso falar muito da natureza macha, sem esses preconceitos ridículos, macho que é macho não precisa ser hétero, sabe? Mas eu não quero falar disso. Pelo menos, não agora. Eu quero falar, hoje eu quero falar, hoje eu quero falar da indiferença do mundo. Eu sinto a indiferença do mundo para com tudo. As coisas importantzes, sabe? Tipo o fato da minha pessoa possuir marcas felizes (uma é em decorrência de um corte num ferro com tétano) na perna decorrência de tropeçadas e caídas. Preciso me entender com a gravidade.
Acharam o corpo do padre mesmo! É dele! Mas deve ser tão ruim morrer afogado. Na primeira vez que eu entrei numa piscina, cuja água não passava da cintura, eu meio que me afoguei. Juro por Deus! Mas depois eu provei que não sou de negar fogo e super aprendi. Nadar é legal. Pena que o padre não sabia. Ou ele sabia? Mas é uma anta mesmo! Uma mula! Morrer desse jeito imbecil. Tipo deslocar o maxilar bocejando.

Roberto, você me choca!

Hoje eu estou escutando umas músicas tão bonitinhas, uma bandinha super lindinha que mistura folk com punk com reggae com tudo com música tradicional ucraniana. Eu dancei e tudo, aí eu deitei no chão e fiquei olhando pro céu, ele está meio escuro, o céu está tão bonito hoje. Agora eu escuto músicas bonitinhas normais. Sinto vontade de fazer com as músicas o que eu quero fazer com o céu — comer. Comer o céu! Nhac! O que acontece, Roberto, é que quase ninguém é feliz, excetue as pessoas que se contentam com pouco, muito pouco, tipo casa com cerquinha, cachorro, money e amorzinho. A minha “felicidade”, no caso, é um pouco… Um pouco é escroto de dizer, é muito mais complicada que isso, porque eu quero muito. Então, eu não sou feliz. Eu tenho tendência a depressão e ao tédio. E aí?
N-a-d-a. Só sou despreocupada. Um amor, “moranguitcho” (como diria Nathália, Nathália e seu auge da cafonice). Meu vizinho, eu sinto tanta pena dele, porque ele é budista, porque ele é sozinho e porque ele canta My Heart Will Go On todo o domingo, inúmeras vezes, num karaokê que ele tem. Mas ele tem a puta voz grossa e máscula e não soa legal. Voz grossa, máscula e sexy — tipo a do Gabriel. As pessoas são referências pra mim. Eu gosto de gente. O problema é a voz dele, não dá certo cantar essa música. Não essa, sabe? O Vizinho Que Para Matar A Solidão Canta My Heart Will Go On.

— Você quer?
— Quê?
— Halls. Preto.
— Ah, não quero! Porque senão eu fico com tesão!
— Porra! Mas que absurdo! Eu sou de família e eu não posso ouvir esses termos, ok, Raquel? Você cruza as pernas igual Caetano.
— Mentira!
— É, é mentira mesmo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Acto

Dia primeiro de agosto de dois mil e oito.

Neste dia ilustre eu ia falar sobre umas coisas meio tristes, já que eu tenho tendência a falar de coisas tristes. Mas hoje é o primeiro dia do mês e eu não quero deixar ninguém depressivo. (dessa vez não é só com você, Cláudia!)

Esquece. Eu vou falar sobre o que eu quiser falar hoje e pronto. Sobre o que eu quero falar? Ah, eu não quero falar. Vou ficar no silêncio, com meus milhares de pensamentos por segundo, minuto, hora, sei lá. Vamos supor que eu queira falar sobre alguma coisa. Eu acho que eu quero. Eu acho que eu não quero. Eu não sei.

— Não vai tomar café hoje?
— Quê? Claro que eu vou!
— Você está há muito tempo aí. Escute, você está feliz hoje?
“Putz, que pergunta é essa?!”
— Sempre.
— Não parece.
— A minha felicidade é melancólica.
— Isso não faz sentido.
— E o que é que faz sentido pra você? Vou te ensinar uma coisa: a felicidade feliz non ecziste. Entenda como quiser, mas isso é coisa da sua cabeça perturbada, entendeu?

Estou escutando a música mais bonita do universo. O bom está no desconhecido. Mesmo (isso parece clichê). O que me leva a crer que o popular nunca é bacana, elegante, nem toca a alma, nem dá um zilhão de sensações e muito menos está correto. O melhor de tudo está no desconhecido. Sinceramente não sei se o geral é uma coisa confiável. Sei lá. Não sei se acredito na Teoria do Big Bang. Universo, O Além, Destino… Ui. Ai. Eu sou louca. Olá!
Agora eu escuto uma outra música muito bonita. Eu decorei a letra na primeira vez que eu escutei, eu escrevi tantas vezes no papel até enjoar. Eu acho que a vocalista mudou. O sotaque mudou. A voz está diferente. Mas eu ainda gosto dessa música e eu acho que vou gostar dela pra sempre (se é que isso existe).
Hoje, na mesa do café que eu sempre vou, tinha um bilhete. Não era pra mim, eu acho. Era pra ninguém, pra quem quisesse achar, sei lá. Alguma coisa assim. Bonito isso, volta e meia eu faço isso. Só que não são bilhetes, são pequenas dobraduras que eu aprendo com vídeo aulas. Normalmente eu tento estuprar emocionalmente o alguém em questão e escrevo “eu te amo”, mas aí a pessoa em questão só vai ler isso se ela for ruim o suficiente para desfazer a dobradura que eu fiz com tanto sacrifício pra ela achar.
A pessoa escritora de bilhetes tem um “q” bonito. O “quê” mais bonito que eu já vi. Algumas vezes eu escrevo coisas pra quem quiser achar, ninguém, sei lá again. Só que eu não deixo por aí. Muito menos em mesas onde qualquer pessoa pode achar. Acontece que agora, tentando puxar na memória o que estava escrito no bilhete, eu bem acho que foi escrito pra mim. Justamente. Para o meu ser. Falava alguma coisa meio ensaiada sobre uma garota sentada num café fazendo ar desinteressado, talvez sorridente, olhando pra moedas, blábláblá. Vai ver que nem era isso, era só um endereço de algum lugar, uma floricultura, e eu prefiro achar que era um lindo bilhete escrito pra mim. Eu gosto de flores, a idéia das flores. Mas, por favor, nunca me mande um ramalhete. É só um pedido qualquer, mas, não, é que… Hoje pareceu diferente. Eu comecei com isso, vou falar de coisas sem total conexão com o que eu falava anteriormente. Isso de fazer tudo errado quase sempre, isso de tudo, de nada. É a mesma fórmula. Pra sempre.
Eu não tenho jeito com as palavras, olha, sinceramente, eu gostaria de ter jeito com as palavras. Papai tem jeito com as palavras, pra falar das coisas mais superficiais tipo beleza, tipo sobre formatos de cabeça, tipo sobre o fato de alguém ser interessante (imagine quantas pessoas interessantes existem no universo), tipo sobre prolongar o período de apaixonamento. Eu não tenho moral pra falar de porra nenhuma da vida. Ele tem. Ele diz que eu tenho moral pra falar, porque eu falo com sinceridade, sei lá. Foda-se se eu sou sincera, eu não ligo mesmo. Eu acho que ele gosta de mim, porque ele gosta de me analisar (maldita mania do caralho, só herdei porcarias desde homem!) e dizer o que acha de mim. “Você é a eterna contradição!” — coisas absolutamente óbvias. Eu sou contraditória, eu realmente sou contraditória, eu não gosto de dar exemplos sobre a minha contradição, porque soa tão… fingido. Eu sou putamente impulsiva, entretanto, eu penso nos meus atos antes, eu ensaio tudo o que eu digo pra quem é importantze pra mim, mesmo assim eu acabo falando tudo sem pensar. Olha, desculpa se eu te ignoro, ok?

Cansei, olha, eu cansei de tudo, eu cansei de tudo. Eu cansei de tudo. Mentira.

Feliz dia dois de agosto de dois mil e oito.