quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sometimes

Essas bandas do tipo My Bloody Valentine me deixam nervosa. Me tiram da órbita, mas eu não me sinto uma drogada. O que é deveras contraditório, já que eu sinto um torpor inexplicável, num mundinho onde eu posso fazer tudo. Mas eu não faço nada, eu fecho os olhos e não quero mais pensar em nada, em ninguém. Como toda boa depressiva, coisas que me deixam triste me vem a mente, talvez, possibilidades. Possibilidade é uma coisa que me deixa nervosa, o que pode ser, o que era pra ter sido e não foi. Sei lá. Eu não sei de nada no momento, estou temporariamente perdida. As lembranças e possibilidades se dissipam e dão lugar as lembranças boas. Mas eu não fico feliz de um jeito babaca. É aquela felicidade contida, bem daquele tipo gente que acha que tudo deu errado. Eu não acho que tudo deu errado. Bem, na minha vida tudo deu bem certo, está dando, até agora. Eu não sou nenhuma conformada, eu só sou. Eu entendo errado. Eu sinto errado. Não faz sentido, porque tudo é mentira — eu só sinto. Só não sou boa pra decisões, decidir, decidir e explicar sentimentos.
Aí eu tento lembrar de alguém, alguma coisa, sei lá. Total oposto. Festival.Do.Rio. Roberto não vai e me deixa lá, eu ganho pipoca do cara que me chamou pra ver um filme norótico e eu faço amizade com uma tal da Marina inesquecível. Acho que foi por causa do nome. Depois a minha mãe pergunta por que é que eu vou no cinema sozinha. Eu senti um peso na consciência quando, semana retrasada, mexendo as minhas coisas, eu achei uma correspondência não enviada pro Roberto, datando o dia 28 e, eu começava, do meu jeito costumeiro “olha, quando chegar aí, já vai ter passado e tal, mas o que vale é a intenção, não repara na letra…”. Digo “Roberto, querido, achei tipo um bilhete de Natal que eu escrevi pra você, você quer?”, ele não quer. Filho da puta.
Aí eu me lembro do Chapolin, Nelson, Marcela e bábábábá. A cachaça me sendo oferecida, o álcool entrando em mim, os comentários babacas, o desabafo sincero para o atual desconhecido, os abraços. Naquele dia, o Victor me deu um bolo também, gastrite, sei lá. Quase um ano que eu os conheço. Mês que vem. Um ano. Um ano é muita coisa, já aconteceu tanta coisa, tanta gente perdida, tanta gente encontrada… A vida é uma coisa complexa e eu adoro ela. Eu gosto também de mexer na minha gaveta. As declarações de amor, tudo rascunho, que eu também não envio. Por que é que eu deixei de enviar tanta coisa? Receios ridículos, o que poderia ser e o que não foi, lálálá… Chega disso. Mas não detenho tudo o que não foi enviado, eu enviei muita coisa, mostrei, ensaiei, declarei e o caralho. Eu era bem cara de pau, eu ainda sou, basta eu ter a margem pra isso. Tipo assim, tímida ousada. Tipo assim. Tipo isso. Vítor. Vítor. Vítor e suas calças apertadíssimas. Vítor e seu lindo cabelo, Vítor my junkie, Vítor que morava num antro profano, Vítor que faz bolo e que gosta de trigo com fermento. Será que ele está bem? Luiza. Luiza. Luiza e seus dentes bonitinhos. O sorrisinho mais inocente do Universo, Luiza que não sabia onde ficava o Bairro de Fátima. Luiza que gostava de Violent Femmes e Bikini Kill e ficava bem com roupas azuis, azul céu, azul Deus, azul de Deus. Será que ela tá bem?
Hoje eu fiquei toda besta, sabe. Fiquei toda besta olhando pro céu. Eu nunca canso, é simples isso. Olhando, a mesma tentativa inútil de não pensar em nada, em ninguém, em possibilidades, fatos, sei lá. Inútil, inútil. Exato, bem no meio do expediente eu saio, digo estou sem ar, atravesso a rua e, na maior cara de pau e sem consumir nada, sento na cadeira, olho que nem uma idiota pra mesa e depois levanto os meus olhinhos brilhantes, the blue sky. Sempre tão brilhante. Espero que ele me entenda, porque nem me entendo. Pensando bem, eu me entendo sim. Sou quase uma especialista em mim, me tornei um objeto de estudo. Nada demais, sou um um pequeno mistério.

Tá, meu bem.

sábado, 20 de setembro de 2008

Acordei falando nasal e tudo (mas a minha voz tá absurdamente sexy agora, como sempre). Um horror. Uma coisa! Uma coisa, cara! Dor de cabeça, dor no corpo, dor na alma. Na alma não. Eu não sinto nada. Fiquei escutando umas músicas tão bonitas.
Eu comentei com a Nathália Bárbie Loira Angústia dos meus planos pro dia de sábado. Só que eu usei um termo feio (sem maldade pros planos, haha) e ela me repreendeu. Agora eu sou reprimida. E eu preciso de chá. Nunca pensei que fosse dizer isso. Nunquinha. Mas eu tô a beira da morte e se eu morrer eu morri de resfriado e isso é ridículo.
Quero ser cremada e quero que 1/4 das minhas cinzas vocês joguem na cara de turistas no Leblon.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Triztesas da vida

Chuva, frio, tarde de um tal de dia 17 de setembro, de um ano que se dizia promissor pela forma como começou, quero colo.
Sou Áries com ascendente em Escorpião, na alma. Isso é um detalhe muito importante, porque na realidade eu não sou isso, eu nasci no meio do ano, nada a ver, mas a minha cabecinha, o meu coraçãozinho e todo o resto, bem ali. Eu simplesmente me sinto assim — áries-ascendente-escorpião. Isso se trata de um conceito. Portanto, cuidado comigo. Tudo o que é realmente importante é detalhe (como o detalhe de você achar que vai encontrar o amor da sua vida no supermercado, veja bem, eu não sei o por quê, mas eu acho que todo mundo encontra com o amor da vida no supermercado — na sessão de macarrão instantâneo — ou na porta do cinema, eu até encontrei, foi lindo, acabou, superei sim, mas eu ainda sinto dorzinha na alma ao falar disso). Eu posso amar até Saturno.
Puta que pariu. Não estava preparada pra isso, pelo menos não o suficiente. Essas questões difíceis, que eu tenho que pensar por horas, filosofar, não sei dar respostas, não tenho repostas comigo, só tenho sentimentos eternamente indefinidos. Eu não sabia o que dizer naquele momento, eu nunca sei. Preciso de tempo pra digerir a questão. Puta que pariu! O que ela queria dizer com aquilo? Insinuando e o cacete? Detesto indireta, acho cafona. Preciso pensar. Sem conclusão. Vou comprar um chocolate, porque faz puta frio agora. A chuva, a noite, os olhares mecânicos, as palavras que eu releio e que não fazem nenhum sentido pra mim. Inferno, inferno, inferno azul, inferno astral, inferno vermelho, oinc, infernum. O que ela quis dizer?
Puta que pariu, parte três, eu estou carente, num ridículo dia frio e chuvoso. Vou comprar chocolate, porque estou nervosa. O cara errou, colocou café. Com leite, ainda. Eu lá tenho cara de quem toma café com leite? Para o café ficar o suficientemente doce, eu preciso de quatro sachês de açúcar. Sempre achei que era muito açúcar pra pouca doçura e isso não é porra de metáfora nenhuma. Experimentei e comprovei: o açúcar do sachê de açúcar é menos doce do que o açúcar do saco de açúcar. Como sou pretensiosa.
A situação está de tal maneira, que me peguei no estágio quase chorando ontem. A chuva, me dizia tantas coisas pelas entrelinhas, tá tudo bem, idéia ilusória minha. O quase chorando se deu, porque eu fiquei com minhas lembranças, que já se tornaram bobas. No quase chorando e pensando “se eu lembro disso, é porque eu considerei importante, sei lá, na hora deveria fazer algum sentido”. Ontem, eu perdi a minha capacidade de reviver sensações e blá. Só pensava no na-hora-fez-sentido. Acho que isso parece tão coisa de mal-amada, que, às vezes, visita a memória com o intuito de revisitar sentimentos, porque no presente, presente, passado, futuro, porque no presente não sobrou nada. Pelo menos acha que não sobrou nada. Mas o meu presente, se é que isso existe, ah, ele tem alguma coisa, feliz e triste, tudo junto. É feliz, mas é triste. É feliz, mas é triste. Na-hora-fez-sentido, mas ainda não perdeu a intensidade. Intensidade fodida do Cão.
E eu tenho uma máquina de escrever em casa, mas eu não uso. Porque ela não me quer. Acho que ela também não gosta de mim. Agora eu vou ali e já volto.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Adoção

Humor americano é bobão. Idiota. Ah, me sinto tão compreendida! Bobão. Humor. Americano. Hambúrguerrrs.
“"Se você quer viver na América, não entre furtivamente pelas fronteiras. Faça-o da maneira certa: Seja adotado por Angelina Jolie.”

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Rubi

Minha língua está doendo. Será que eu mordi? Mas eu não lembro. Será que eu beijei alguém e esse alguém mordeu a minha língua? E eu, ainda sim, não lembro? É bem provável. A última vez que me morderam, bom, foi na boca (essas pessoas desesperadas) e doeu. E eu lembro.
Hoje eu deveria tomar a vacina contra a rubéola. Não vou dizer que tenho pavor de agulhas, entretanto, vacinas em geral me deixam nervosa. Levei uma amiga, o enfermeiro foi todo grosso e até saiu sangue. Tenho medo. Simplesmente necessito que as pessoas sejam delicadas comigo, bem delicadinhas mesmo, pétalas de rosa, blábláblá. Pessoas como eu (mocinhas donzelas) não morrem de rubéola — morrem de amor. Ou ódio, vá saber…Não quero. Ridícula essa história, depois de velha ser furada. Ridícula você também, Raquel, com medo de uma agulha e de um possível enfermeiro (a) grosso que possa te fazer sangrar. Esquece essa história de que você tem uma versão absurda a sangue, quase doentia.
Tirei. Não doeu um absurdo, nem senti. Acho que foi o efeito da bala de hortelã, caso contrário, eu sei que ia doer um absurdo. Depois de dizer pro enfermeiro sejadelicadosejadelicado repetidamente durante trinta segundos, ele sorriu e me furou. Me senti um balão. Puf.
P.S.: O que deu o escambo com o Luísa Mandou um Beijo (eu mandava qualquer coisa e, em troca, eu ganhava uma aquarela, anyway): “Fernando: adorei a carta de amor, os papéis rasgados e dobrados e, especialmente, a poesia sobre o cabelo atrás da orelha direita! excelente! :)))))
P.S.²:
Raquel diz:
Vivi, tem japonês no Rio Grande do Sul?
Viviane diz:
não!
Viviane diz:
não tem japonês aqui, cara
Viviane diz:
quando eu fui em São Paulo
Viviane diz:
eu fiquei total
Viviane diz:
tem muito japonês
Viviane diz:
absurdo.
Raquel diz:
E como você sabia da existência dos japoneses se num tem japonês no Rio Grande do Sul?
Viviane diz:
eu lia, né...
Viviane diz:
nos livros de geografia, sabe
Viviane diz:
e eu via na tv, na malhação
Viviane diz:
tinha aquele japones
Viviane diz:
então eu sabia
Raquel diz:
Então! Uma amiga minha de Sum Paulo, Cíntia, ela é japz.
Raquel diz:
Ela veio pro Rio e ela tinha aquele molejo de sotaque paulista, cheia dos "meu" etc e tal.
Raquel diz:
E as pessoas davam informação errada e tudo. Acho que é porque ela é paulista.
Raquel diz:
Aí eu disse (na minha inocência):
Viviane diz:
acontece... eu sempre dou informação errado
Raquel diz:
— Faz sotaque gaúcho que é infalível.
Viviane diz:
mas é porque ue sou burra mesmo
Raquel diz:
Aí ela disse:
Raquel diz:
- NÃO TEM JAPONÊS NO RIO GRANDE DO SUL, RAQUEL!
Viviane diz:
HDSAUDHADUASHDAUH
Raquel diz:
Fiquei chocadz.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O destino que se foda. O meu negócio é acaso.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ficção

Abre aí o balão de pensamento. Ver filme, se inspirar e pensar. Ritual bobo, praticado não tão religiosamente. Antes de dormir, um milhão de pensamentos. Filmes que beiravam a madrugada. A insônia é tão sem graça. O café não faz mais o efeito de me acalmar e dar sono como antigamente. Ela pensava tudo como se fosse um grande texto. Ficou difícil articular com um texto-pensamento tão grande. Agora é economia, só no balãozinho.
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­Os beijos totalmente desesperados. Quando ela notava, já era pecadora. Mas o pecado não fazia mal, ela não tinha nenhum tipo de vertigem, no máximo uma dor de cabeça com ar de Ressaca. Calcinha e camiseta, olhando para a janela, fumando um cigarro e com uma bala de hortelã na boca, com o intuito de provocar dormência, com seus pensamentos bestas — o ruim de você sentir tesão enquanto está menstruada, é que você não sabe a origem do úmido nas tuas pernas. Olhando a rua, os detalhes, blábláblá, a besteira toda, achando tudo incrível. Ou muito banal. Sei lá.
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Detestava o romantismo comum, pretensioso, absolutamente importandinho de Hollywood. Apesar do caráter internacional, soava bossa nova demais. Detestava, inclusive, o que soava bossa nova demais. O romantismo comum e pretensioso nunca vai te fazer perder o limite, a noção de tudo. Do tipo fica comigo, baby.
O romantismo pretensioso não vai te fazer ficar cheia de roxos num dia seguinte.

­­O último, filme que viu era um todo metafórico. Detestava, também, metáforas. Mas o filme ainda era lindo. Bonito demais, a porra toda, sincero. A cena final, a árvore, o céu lindo, bonita paisagem. Ela, do filme, escreve um “fuck” no pára-brisa. Contraste. Lindo.
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Mas, ainda sim, entendendo todas as metáforas, ela era uma desalmada. E tinha o maior gosto de pecado.
Não vou atualizar nunca mais.
Broxei.

P.S.: O meu blog só precisa do texto, o arquivo, uma auto-descrição bacana e um contador. Ah, um título também!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nós

Eu não costumo fazer isso.
Nós, seres humanos. Nossa mania que beira o insuportável de querer dar nome a todas as coisas (coisa, no meu conceito de coisa, engloba sentimentos e sensações). Me identifico com o conceito “adoro rótulos”.
Nesse exato momento, quase meio-dia, sinto uma coisa indescritível. Não sei o que é. Eu só queria dar um nome, dizer “olha, eu estou angustiada”. Essa minha mania humana de querer achar motivo pra tudo, de querer achar nome em tudo. Mania imbecil, não me levará a lugar nenhum. Cansei de falar de sentimentos & sensações indescritíveis. O cara mais bacana que eu conheci nessa semana, foi o caixa da padaria que fica aqui em frente. Ele me lembra o meu professor do Jardim de Infância, o Augusto e sua borboleta enorme no pescoço. O caixa sempre fala “bom dia!” e fica sorrindo pra mim, sem parar. Ao contrário da mulher do supermercado que fica perto de minha casa, sempre séria, sempre tão sisuda, sempre tão tão tão sem humor. Puro ódio no coração. Gosto de pessoas & sorrisos. Sentimentos que não consigo definir não gosto. Consigo não. Mas eu sinto, tu não sentes. Lálálá, você não pode ver, tudo a priori. Sou cheia das palavras que eu sei que eu nunca vou usar.
Não sei lidar com metáforas e subjetivismos. Às vezes, eu penso que talvez, sei lá… Alguns dias eu fico lá, na solidão proposital. Nos dias de solidão proposital, eu me sinto ligada ao mundo. Do tipo eu-posso-tudo. Deu taquicardia agora. Calma. Passou. Como eu fico com taquicardia fácil. Acho deplorável essa postura do meu coração. Taquicardia de um jeito tão fácil, por uma bobagem qualquer. Eu fico com taquicardia só de olhar pro jornal e ler uma palavra que faz todo o sentido pra mim. Ridícula a sua postura, coraçãozinho. Minha taquicardia de agora a pouco se deu porque eu encontrei uma cópia de um bilhete que uma amiga escreveu pra mim há três anos. Taquicardia pelo que já passou. Já não recebo bilhetes como antigamente. É bom saber que um dia as coisas existiram. Ainda troco cartinhas com o Estevão, o amigo que se mandou pra… Onde mesmo? Um lugar em que as pessoas falam espanhol. Outro filho da puta, não volta pra cá e me deve um abraço. As pessoas me devem abraços como vagabundos devem dinheiro. Me sinto lesada o tempo inteiro. Será que tem um SAC pra isso?
Já não tenho mais paciência pro tédio. Tédio sentimento moderno. Vovó católica apostólica romana século XV não deveria sentir isso. Eu acho que não. Sei lá, dia estranho, semana estranha, blábláblá. Eu não sei o que eu quero dizer, mas eu digo. Sem querer. Dia estranho, semana estranha, blábláblá.
No fim de agosto, eu comentei não-sei-com-quem que eu estava no clima para escrever as maiores bobagens tolas e pseudo-românticas. Pois não estou mais. Setembro é um mês assim, me estraga, tira todo o meu sentimentalismo, me faz sentir coisas inexplicáveis e é cheio dos dias estranhos. Não ando no meu habitual espírito romântico, afetivo coisa e tal.
Sou lenta, sabia? Eu preciso de tempo. Tempo pra tudo, tempo pra quê… Sei lá, eu não sei. Preciso de tempo para assimilar palavras e pessoas, sentimentos indescritíveis e dias estranhos. Só pego e fico comigo, nos meus pensamentos, pensando no tudo-que-poderia-
ser-e-que-não-foi. Mas aí eu esqueço de tudo, finjo que comigo ninguém pode e aí eu posso tudo. Entender o mundo. Entender tudo, blábláblá. A etapa que falta para se chegar na sabedoria. Puta que pariu! Eu não tenho uma vírgula de sabedoria, eu só sou uma pessoa qualquer, sem importância, que pensa coisas igualmente desimportantes e quer entender qual que é a porra da vida. Isso é tudo tão fora de contexto! Eu não sei mais o que eu quero dizer, muitos pensamentos, muitas palavras por minuto, muito ar. Taquicardia. T-a-q-u-i-c-a-r-d-ia. É isso aí, sabia? Sou cheia dos problemas, tipo pressão baixa. Antigamente eu ficava paranóica, achando que eu ia morrer por aí, andava com o sache de sal pra por debaixo da língua e tudo. Um absurdo.
Sou lenta pra tudo. Na velocidade, sem pressa e sem saco. Sem noção. Todo mundo se incomoda com esse meu jeito, de ficar em mim e não dizer o que é que se passa na minha cabeça, o que eu sinto, sei lá… Mas eu não tenho a cara-de-pau de dizer. Ainda prefiro ser Coração Gelado. É mais confortável assim, eu diria até que é uma coisa meio acomodada minha. Não tenho ninguém em vista que quer me ferrar. Eu só não consigo. Mania minha. De não dizer nada. Só escutar. Lálálá, escuto tudo, problemas e até fantasias sexuais. Sou tosca, não tenho fantasia sexual, no máximo aquela coisa filme pornô sexo casual. Isso aí. Eu não tenho o que dizer. Sexo e seu serviço delivery.
Vou dizer que nada é tão difícil assim. Que eu exagero mesmo. Que eu danço e divago toda a noite. Quase que não alcanço. Só não sou assim, entende?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Decisions

A dúvida dela: ir ou não no trabalho da mãe dela e de lá ir se vacilar (óun!) ou ir pra casa chorar (óun!).

— É que eu tenho que ir tomar a vacina, Raquel.
— Que bonitinha. Falando assim, ai, caramba, dá vontade de apertar você até sufocar. É tão, tão…
— Eu tenho que ir, mas eu não quero. Eu quero ir pra casa e chorar.
— Por quê?
— Todos os meus problemas.
— Que problemas?
— Todos.
— Você não tem problema nenhum.
— Tenho.
— Você parece feliz com a sua vida certinha.
— Mas, são tantos!
— Você me negou um abraço!
— Não neguei!
— Negou, negou, negou, negou, negou.
— Eu neguei de brincadeira.
— Foi nada.
— Dá um abraço aqui!
— Não quero. Nunca mais, entendeu?
— Eu tenho problemas e você que fica magoada.
— Então, vai pra casa e chora pelos seus problemas inexistentes. Agora, eu irei pra casa.
— Espera. Você vai me deixar aqui sozinha?
— Vou.
— Espera só mais um pouquinho.
— Beatriz, eu estou sentada na calçada, esperando se você lembra onde é que pega o ônibus que você tem que pegar pra ir pra Urca! Ou se você vai pra casa chorar, sei lá.
— Vou pra casa.
— Tá.
— Não vai me dar tchau?
— Não, porque eu irei te ver mais tarde, na livraria, ou no cinema, sei lá… A gente marcou alguma coisa, não foi?
— Agora eu não lembro mais.
— Look, I have mental pobrems.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Tonight

— Tenho pressa.
— De quê? — pela milésima vez, eu perguntei.
­
Eu guardo momentos comigo. Todos os dias, antes de dormir, coloco numa caixinha. Neste exato momento, vejo o cara dos sapatos errados. Eu posso concluir que ele não merece um abraço meu, porque está com os sapatos errados. Meu julgamento absurdamente perfeito. Escolho os livros pela capa. Ou pelo título. Julgamento perfeito. Quero ser juíza.
­
Indenização de R$ 1.500, 00. Você está com os sapatos errados, querido. Deveria ter pensado antes de me apresentar este projeto em teus pés.”
­­
Agora eu quero ser livre. Eu não sei. Eu quero ser livre. Pronto. Cansei.
— Eu não sei.
­­
Tudo precisa de um contexto. Eu detesto contextos. Não precisa de contexto, é da forma que você entende e pronto, sutil. Isso, as coisas sutis. Já parou pra pensar nos diálogos que você tem no telefone? Pára e pensa. Da última vez que eu pedi uma pizza, eu gaguejei tanto que eu pensei que estivesse falando com o amor da minha vida!
­­
(Nunca. É claro que existem os dois lados da questão. Quê? Não, não é isso. Isso não é um lado da questão. Esse é o seu ponto de vista imbecil sobre tudo, não se trata de um dos lados da questão. Como assim? Quer debater comigo? Tudo bem — faz isso. Me leva. E vê se não desgruda de mim tão rápido. Sim, pra sempre. Como assim? Não. Claro que não! É. Forever. Você acha que forever é muito tempo? Pois eu acho que never é tempo demais também. Ainda à procura. Aham. Exato, minha bagunça organizada. Modificou tudo. Depois te conto. Eu penso nisso e eu acho tão incoerente. Mas, quem é que deseja ser coerente nessa vida?)
­
­Querido Alguém,
(preciso retirar essa opção de comentários anônimos, eu necessito de nomes!),
Quer dizer que você utiliza o Opera? Eu adoro o Opera! O jeito que ele funciona, tudo tão bonito. Gosto mais do Opera do que o Firefox (o Explorer eu não uso, porque tudo o que agrada as maiorias não pode ser legal).

Vou instalar o Opera aqui. Não uso o Speed Dial. Não gosto. É muito querer gostar de uma página específica pro meu gosto.

Não sei ser o sol do dia de alguém. Escrevo, simplesmente, para colocar os pensamentos lugar, fora da minha cabeça. Acho que eu cansei de brincar de ser sozinha. Como eu sou idiota (você não se importa, correto?). Aí, sei lá. Será que foi uma intenção do meu inconsciente de tentar escrever, algumas vezes, o sol do dia de alguém? Complexo, não?

Não, não é complexo. Eu menti! É simples! Ó! Absolutamente. Eu me achava tão complicadinha, tão cheia das nuances, dos nhémnhém, tão Freud-não-explica. Olha, um dia você vai notar (se não já notou) que tudo é tipo quando você cai no meio da rua (tudo fica em câmera lenta, as coisas ficam com a voz do Diabo) — simples.

Fui comer agora a pouco. Com o Jão, que sempre aparece aqui no escritório, quase oitenta anos. Disse que eu era super bonita (adoro mentiras sinceras), super bacana, que eu poderia almoçar com ele! Seu João, um senhor agradável, cheio das boas intenções. Não tinha sacanagem na fala dele, é aquele tipo de senhorzinho bom.