domingo, 30 de novembro de 2008

Rejeição me inspira

Queimei minha língua com café. Porra, mas senti até vertigem! Estupidez, falta de coordenação motora, estúpida, estúpida, estúpida, estupidez — ela? Porque serve de nada, serve pra nada, nem pra fazer vapor de nostalgia.

Escrevi uma coisa pra você, mentalmente, sabe, no coraçãozinho, especificamente na veia cava superior. Acho desinteressante desperdiçar toda essa minha doçura com você. Você nem gosta de Cocteau Twins (bom, sabia que eu tinha ciúme de quando você discutia com alguém? Pois é, eu queria tanto discutir com você, acho tesão discussão, terminar com sexo selvagem, etc).

Não vou dizer que dói, né, porque não quero que notem que eu sou ro-mân-ti-ca de ex-amores descomunais e patéticos, porque aí, você já vai dizer que eu mudei, que eu também dei pra ser brega sem propósito, que ainda por cima virei uma contraditória filha da puta, que agora sou assim, clichê, maior McBlá sobre mim, mas, acho que juro que não é isso. É tudo incêndio, baby.

Não é que tenha um por quê, não precisa nem chegar a consenso, é tudo muito simples — esquece esse abismo e cai, é tipo aquela sensação de céu e inferno, de escuridão e luz, caos e tranqüilidade, em cinco minutos, naquela linha super tênue, que se curva e faz tipo um sorriso. E eu queria tudo novamente, mas nunca da mesma maneira, porque cansei.

Aí, ela me diz a gente precisa se ver, posso passar aí e te ver? Quero cuidar de você então, apresento a vista mais bonitinha do Rio de Janeiro, num bairro super super igualmente bonitinho que se chama Santa Teresa (onde se apresenta uma senhora com um cachorro lulu com roupinhas, cujas vestes são mais chiques do que as da própria dona), analisar o raio-xis da minha cabeça a fim de ver se eu sou uma caveira bonita, flutuando, flutuando pelas ruas.

Eu sou uma caveira bem bonita até, cheia de atributos. Adoro caveiras, cheias dos significados e essas pessoas filhas da puta ficam associando a demônios e sei lá o quê, mas tem um significado lindo, me pergunta um dia que eu explico.

Eu sempre canso, começo a arfar e tudo, tipo pós-corrida, mas era fruto da minha timidez, pelo menos, eu acho que era, ela nunca me explicou direito. Far away from me.

Nossas galochas, as nossas galochas de cowboy estão sujas. A gente sempre teve muito disso, entende? Tudo errado, tudo certo. Não tenho mais nada a perder, então, vou te contar um segredinho:

Deseducar -te-ei sexualmente, monster .

sábado, 22 de novembro de 2008

Precisa não. Pode deixar, que eu vou sozinha. Sempre fui. Até bêbada. Mas, viu. Precisa não.
Olha só, você pode até não acreditar, mas sempre é isso. E é bem sério, eu não tenho puta jeito nenhum com as palavras, nenhuma porra de técnica e, não adianta, eu vou falar do jeito que eu quiser, do jeito que eu tô sentindo, espontâneo, sei lá. Cansei de escolher palavras.
E quando eu disse que eu não sabia, que tava sentindo uma dorzinha inha no coraçãozinho, juro que era eufemismo, porra. Dá pra ser? Esquece, viu, porque eu já planejei te furar com um garfinho, fecho os olhos e te vejo como um bolinho. Bolinho filho da puta. A partir de hoje vou treinar um “eu te amo” incompreensível.

Troca-troca

— Sente. Eu troco as palavras, letras e o caramba, na hora de falar, escrever. Às vezes, estou digitando uma petição e tudo e coloco meus pensamentos filosóficos sem querer.
— Poxa, mas viu, eu tava na minha aula, dissertando sobre a taxa Selic, e a frase ficou “a taxa Selic no Brasil é a taxa de financiamento no mercado interbancário para operações de um dia, overnight e o vestido tomara-que-caia que eu vou comprar parece o que a Natalie Portman no filme Closer”.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Amo o mundo? Odeio o mundo?

Que chuva absurda, vou chorar, esse barulho. Foda-se, porque hoje eu quero pensar em tudo, em alguém. E depois dizem que não, mas eu sou sensível sim, eu sinto as coisas, eu penso agora que seria ótimo eu tomar café, pensar nessas coisas da vida, no céu, reparar que o açúcar do sachê é menos doce que o açúcar-do-saco, porque, veja bem, quatro sachês pra deixar uma xícara com a doçura suficiente. Estou atrasada, preciso chegar em casa. Nossa, esse elevador não chega nunca, essa luz, do elevador, me deixa tão linda.

Nossa, que multidão é essa? Medinho de se molhar? É isso? Eu vou pra casa, não tenho guarda-chuva, you can stand under my umbrella, foda-se, não tem problema, eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou, paratibum. Essa frescura, de toda essa gente, a frescura é mesmo o problema desse mundo.

Dez segundos. Esse foi o tempo para a água apossar-se de mim e eu me transformar numa poça ambulante, comecei a sorrir, só porque eu espero que essas pessoas que me olham devem pensar nossa, mas que menina auto-suficiente, cheia de si, blábláblá. Adentrei o vagão. Cheguei. Que ar-condicionado filho da puta, do cacete. Mas, espera. Se o vagão está vazio, ainda mais nesse horário, é porque todo mundo ficou de frescurinha e medo da chuva, hah, menos eu, menos eu, sempre provando que estou por fora dessas obviedades. Ou não. Preciso chegar em casa, tomar um banho bem quente, tomar um chá, coisa e tal, usufruir do calor de mãe.

Escada rolante, amo-te. Modernidade, amo-te. Essa chuva está tão forte. Sorte que eu estou com uma camiseta preta, afinal de contas, se ela fosse branca… Nossa, se ela fosse branca, era um pulo para eu protagonizar um filme pornô. E ganhar um bom cachê. Preciso de dinheiro. Sistema capitalista de viver filho-da-puta.

Mas tá tudo alagado. Que porra. Que raiva. Que ódio. A água está até pulando na escada. Deus, o que é isso? O apocalipse? Estou me sentindo em “Enchente — Quem Salvará Nossos Filhos?”, tudo tão alagado e… Estou mesmo no metrô ou será que eu tô bem doidona no meu quarto e fiz uma viagem astral? Se bem que se eu fosse fazer uma viagem astral, nesse momento, eu não estaria nem no Rio de Janeiro.

Mas eu sou uma pessoa muito sortuda mesmo, essa parte de desembarque está cheia d'água. Por que a parte de embarque não está? Meu tênis molhou. Que pena, era o tênis mais bonito que eu tinha e eu pretendia usá-lo durante um ano inteiro. Minha calça molhou, era a minha Melhor Calça. Que inferno, eu estou toda com a minha Melhor Roupa. Estou mal de roupa mesmo, não estou num ponto bom pra ir num casamento. Quê? Um cara passa e diz “noooooooooossa, que pernas de jogadora de futebol!”. Isso é bom? É, né? Então tá. Agradeça a minha mãe. Ela tem pernas realmente lindas.

Nossa, que multidão é essa? Medinho de se molhar? É isso? Eu vou pra casa, não tem problema, eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou, paratibum. Essa frescura, de toda essa gente, a frescura é mesmo o problema desse mundo. Vou a luta.

Essa praça. Essa porra de praça. Puta que pariu, só faltam os peixes/jacarés/sucuris, essa água tá nos meus joelhos, esse “chuá-chuá”, essa chuva me molhando, Deus, Ser Todo-Poderoso que rege O Universo, não deixe-me pegar uma doença que essa água deseje me passar.

Cheguei. Não acredito. Quer dizer que a portaria também está alagada? Eu só acredito? Vên-dô. O que é que está havendo com esse mundo? Será que chegou alguma carta pra mim? Elas estão secas — milagre! Mas eu acabo de molhar, porque eu detenho toda a água do universo, graças as minhas roupas-esponja.

Parabéns, Brasil.

O.problema.desse.mundo.é.a.frescura.
Sério.

domingo, 16 de novembro de 2008

Pós após

Numa linda manhã de segunda-feira, após me olhar no espelho do banheiro, sorri e disse “estou curada, não amo mais ninguém”. Preciso arranjar uma nova resolução amorosa. Agora, vê, veja bem, decora isso pra sempre: I don't know how you could not love me now.
Quando eu lembro que tem gente do Acre que lê esse blog, eu me sinto o máximo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Diaba

Um brinde aos amores correspondidos! Correspondidos por impulsividade, por falta de coerência, correspondido por gente bipolar, correspondido por gente problemática.
Cheguei e as flores estavam lá ainda, totalmente esquecidas por mim. Metaforicamente, elas estarão para sempre ali, sorrindo e, ainda no campo das metáforas, só arrumei um pretexto qualquer para esquecê-las. Espero que não tenham ficado tristes (o cabo dobrado e as pétalas aderindo a gravidade não me deixavam mentir), sinceramente.
Vem, vem pra mim, aquele choque, pós-fossa, aquela aura de constatação de verdade, aquela coisa de “eu tenho que entender porque é assim”, é porque é. É porque é, porque Deus e Diabinho quis, porque o anjinho perdeu a batalha de persuasão. Eu não entendo, eu não entendo, eu não entendo nunca. E eu não quero isso. Escuta, eu nunca quis nada, eu só queria ficar na minha, com a minha vida, bem feliz, colorindo todo mundo. Não precisava me convencer.
A primeira lição? Você aprende ou alguém te conta, bem baixinho, sussurrando, com toda a pretensão de te conquistar. Vem, baby. Magnetismo, contato visual, olhar a alma e todos os sentimentos, a sua janela, exposta. Eu posso ser, eu posso ser, eu dou o meu sorriso cínico, porque eu sou cínica, porque eu sou cara de pau e, escute, eu não tenho medo de tropeço nenhum, de cair, nem de nada. Já não me perco tanto assim com as palavras, mexe comigo, mexe, mas você nunca vai me deixar perdida. Me conquistaria, assim mesmo, no tempo condicional. Seria adorável, mas dessa arte eu bem entendo e, portanto, sou vacinada.
Flores espinhosas e lindas, que te levam ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Quero falar de anjinhos e diabinhos, quero falar de Deus e Diabo. Quero utilizar minhas metáforas, minhas memórias e minhas piadas internas e vê se você consegue sentir o que eu sinto. Surpreenda-me.
O anjinho, tão sempre presente na nossa vida, este ser assexuado, presente também na forma humana, modernésima, vem, vem, com aquele cabelo cheiroso (que embriaga, embriaga mais que tudo), diz que gosta muito de você, dá um abraço que te faz quase chorar, beijinho no rosto. O que ele, este ser assexuado ao qual eu me refiro na forma masculina, é? Diabo. Cafajeste. Filho da puta até cansar. E o caralho. Só por ele, que deseja te enganar com todas as fantasias.
Esquece de mim, porra. Me deixa em paz. Não quero te ver. Esquece — não faz diferença nenhuma, dane-se, dane-se você, dane-se o mundo, mas me deixa, porque hoje, só hoje, eu quero dormir.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Desbotado

A vida é assim, como calças frouxas que caem devido ao efeito gravitacional que as puxam para o chão, fato que te deixará constrangido. O que é preciso aprender, é que é melhor apertar as calças até você nunca mais passar por isso. Mas você não aprende, não aprende, não aprende nunca, e a puta que pariu. A puta, puta que te pariu, filhas e filhos da puta, a puta-mor, a mãe da zona, fictícia, que nunca existiu. Filhos de Deus, talvez.

Vou tomar café, ou vou tomar tequila, porque é lindo e porque encontrarei a resposta para todas as minhas questões enquanto eu estiver bêbada, ou sóbria (e cheia de cafeína), ou sei lá, só porque é lindo e porque lá encontrarei tudo o que eu quero, nos meus pensamentos, com minhas filosofias baratas, metáforas inventadas de último momento, bem aqui do lado, pensamentos que me levarão para alguma outra realidade, que, por sinal, não é a minha.

As minhas calças caem e eu caio também, tropeço e caio no chão, fico constrangida, meu rosto queima. Mas, levanto-me e, com toda a classe presente nas pretensiosas com doutorado em cinismo, transformo-me numa Condessa, linda e lady, onde ninguém poderá me pegar, pois deslizo, deslizo por tudo, com meus jeans surrados. Emergir é mais ou menos a resposta. Isos não é sobre cair e levantar-se, assim, abertamente, é sobre como domesticar seu diabo interior e apertar as suas calças.

Vamos abrir esse nosso coração sujo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Verbo possibilitar — Imperfeito do Conjuntivo

Acordei de manhã, chegando a conclusão que eu dormi durante seis horas, entrei no banheiro e fiquei lá, como sempre, treinando sorrisos, porque eu não sei sorrir, sabe. Tive sonhos totalmente desconexos — como a minha vida — como sempre, conversas com pessoas que eu nunca vi na minha vida, conversas sem sentido, frases sem sentido — “eu só sou uma rã no auge da sua depressão quicando quicando quicando quicando and I wait for you, all my life, honey”. Eu gosto da solidão, em doses moderadas, escuto músicas d-e-s-p-r-e-t-e-n-s-i-o-s-a-m-e-n-t-e, tomando café e tendo lampejos de frases desconexas que eu digo no maravilhoso mundo cheio de possibilidades dos sonhos. Já se sentiu alheio na sua própria realidade?
Sonhos, pessoas, palavras e tudo o que você possa imaginar simplesmente me leva a uma outra realidade qualquer — que por sinal, não é a minha. Se assim você desejar, algum dia, igualmente qualquer, te levo para a minha realidade, meio tosca e cruel, escrota, nada demais.

Eu durmo com a cabeça abaixada (quando estou sentada no metrô e com sono), eu gosto de balas de hortelã, eu gosto de suco de abacaxi com hortelã, aliás. Tenho mania de passar a mão pelo meu rosto e colocar o meu cabelo atrás da orelha direita, porque o cabelo que fica atrás da orelha esquerda é autosuficiente.

Éramos felizes quando eu era eu e você era você. Detesto quando, recortando palavras sinceras e colando-as no papel, tenta me fazer sorrir.
Se digo isso, é porque considero importante, por culpa desse seu hábito (estúpido) de sempre, sempre, sempre querer testar os meus limites, a minha noção, o meu saco, ficar me instigando, sei lá. Vamos parar de querer voar, cair e quebrar o teto.
Me dê a sua mão, pois agora seremos felizes para sempre.