quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009

Não vou pra lugar nenhum. Pronto, é isso. Sem praia, sem fogos, sem amigos, sem camaradagem, sem beijinho, porra nenhuma. Eu quero ficar aqui, na minha, comendo esses biscoitos esculpidos pelos deuses e eu quero que todo mundo morra de câncer por tanta hipocrisia, esse amor descabido, essa falsidade dos infernos. Mas, viu, mentira. Fiquei sem dinheiro, do nada. Ontem fui comprar minha camisa de lenhador. E não tenho dinheiro pra passagem. E não rola de ir a pé até Copacabana porque agora não dá mais tempo. E eu moro na Tijuca. E Copacabana e Tijuca são extremos na linha 1 do metrô.

Dois mil e nove, ano ímpar. Adoro tudo o que é ímpar porque é tão… ímpar? Orgasmos mil, muito bom, muito bom. Anos pares sempre são os mais escrotos (vide esse). Minhas expectativas estão sendo razoavelmente boas. Vida e O Além, por favor, não me dêem uma rasteira.

E eu vou escrever do jeito que eu quiser, do jeito que eu quiser e não é Reforminha Ortográfica que vai me calar. Aliás, minha rebeldia está tão latente que vou acrescentar o cê e o pê mudo. Sem exceptuar nada. E, não, vou escrever do jeito que eu quiser sim, não vou ficar me forçando emocionalmente a fazer nada e ponto final. Não cogitei a possibilidade de tirar o acento do vêem não. Não fiz, não faço questão.

Voltei do mercado agora a pouco, utilizei minha Roupa de Ano Novo. A minha Roupa de Ano Novo é escolhida de acordo com a minha Melhor Roupa. Minha Melhor Roupa sempre será a Roupa de Ano Novo e vice-versa. Compreende a linha de raciocínio? Utilizei minha Roupa de Ano Novo para ir ao mercado tentar ser um pouquinho feliz. Ela consiste em: camisa de lenhador, uma bermuda/shortzinho jeans rasgado e um Converse (com sola), total preto e cadarço vermelho — muito bonitinho, moderno. Nossa, mal de roupa. Aí eu solto meus cabelos que andam muito bonitinhos e pronto. Aí bate o sol e eles ficam meio castanhos e tal. Coisa bonitinha demais, tão tão tão que eu não sei, mas eu juro que não sei como as pessoas não se apaixonam instantaneamente por mim como eu me apaixono por elas. Não, eu não dei pra ser brega, mas, poxa, é verdade. Juro pra você.

Aí, pois é, eu fui buscar o pão e eu vi uma mulher tipo assim… Tipo assim vestida total igual a mim e eu comecei a rir, porque adoro Rio de Janeiro & suas pessoas. Aí eu pedi uma opinião sobre o pão e tal e ela deu. Fim de encontro. Continuando minha saga de voltinha pelo supermercado, eu tirei foto (do celular — meu atestado de rendição ao sistema) de umas Sidras Cereser que eu vi, nossa, eu comecei a rir compulsivamente (lembrei das pessoas dizendo “Reveillon só é bom para encher a cara com Cereser e blá”) e tirar diversas fotos. Só parei quando o moço que trabalhava lá começou a me olhar com piedade.

Corta. Eu estava na fila e o moço perguntou se eu iria fazer rabanada e eu disse que nah, não. Ele me contou que o avô dele detestava qualquer tipo de doce, mas que rabanada era exceção e eu falei que enjoei de rabanadas há uns dez anos. Ele disse que odiava e que a mulher dele fazia uma puta questão e… aí, do nada, ele bruscamente perguntou se eu gostava do Natal e, né, “divertido… mas não ganho presente, então digo que é data capitalista” e ele concordou demais comigo. Ele e eu detestamos castanhas portuguesas, porque são caras e grosseiras. E, aí, nós dois, no maior papo, quando meus olhos pousaram sobre um Johnnie Walker Black Label 12 Anos e, imediatamente, lembrei da minha amiga que curte uma marvada pinga — Ana Laura Rodrigues — Lalinha, para os íntimos. Porque além dela ser chegada num álcool, o patrão dela também é — mas não chega a ter problemas com a bebida, pelo contrário, eles se entendem muito bem. Daí que ele comprou um cachorro e colocou o nome de Johnnie Walker. Fim da história. Te dedico!

Não acredito que não vou me jogar no mar como oferenda pra Iemanjá. Droga. Aguardo com muito tesão minha previsão 2009 do Personare (que é uma ciência exata, diga-se de passagem).

Agora estou aqui, on fire. Já comprei meu pote de sorvete e serei feliz com meu Show da Virada. Odeio Show da Virada. Vou ver Harold and Maude. Depois Funny Games.

Beijas estreladas e cheias de glitter,

domingo, 28 de dezembro de 2008

Devaneios

Não achei que fosse terminar desse jeito. Me refiro ao ano, que começou de uma forma meio estranha e bonitinha, com um juramento mental de que eu queria que meu ano fosse estranho e bonitinho daquele jeito, como começou. Dormi na praça e tudo, abraçada com os amiguinhos, meio sem grana.

Não achei que fosse acabar assim, olhando pro teto, chegando a conclusão de que ele é mais bonito quando é verde. Ele ficou verde, por um segundo, acho. Acho que por causa do ambiente do filme, que tá na TV. O problema é que ele já acabou há duas horas.

E já são duas e vinte e sete da manhã. E eu chorei umas sete vezes, com pequenas pausas dramáticas. Sem motivo. Bá-si-co. E eu descobri hoje que as minhas bochechas ficam meio coradas quando eu choro, porque fui lavar o rosto após. Minha mãe comentou uma vez que eu ficava bonitinha quando chorava, na infância. Comentou que era a coisa mais fofa. Acontece que eu nunca mais chorei na frente dela. E a última vez que eu chorei foi há quatro meses, também sem motivo, ou com um motivo, sei lá. Vinte e nove de setembro. Hoje eu quebrei o jejum das lágrimas, sei lá. Ridícula a minha postura, eu digo “tá”, meio arredia e quase choro de novo. Minhas mãos nos bolsos dos jeans, olhando pra baixo, especificamente para os meus pés que calçam trinta-e-sete (número universal da mulher), sem olhar nos olhos da pessoa em questão (simples questão de medo, sei lá — olhos são a janela da alma, sabia? — muito bonitinho e sincero), eu digo “tá”, assim, sem vontade, aceitando tudo porque é assim, blá. Nesse momento, o meu “tá” é cheio das lágrimas sem motivo aparente.

Eu não sabia mesmo que a minha volta em torno do Sol, utilizando como transporte o planeta Terra, fosse terminar assim, com essa angústia com gosto de inferno. Inferno não — purgatório. E eu achando que poderia mudar mundos, fazer mundos e tudo o mais. Mas eu só estava dando uma voltinha pelo Sol, tipo ronda no Leblon. Frívolo demais. Mas imagina, meus traços esquizofrênicos com relação a minha capacidade de mudar o rumo das coisas estão demais. Ano bissexto, bissexual. A língua portuguesa é incrível mesmo.

Eles devem achar que eu gosto, que toda a noite eu pego e olho pro teto temporariamente verde e que depois de momentos incógnitos, eu resolvo “vou chorar”.

E quando eu passei pela menina dos olhos rasgados e eu ouvi a outra dos olhos não rasgados dizer “parabéns pelo seu ano”, ave, eu quase caí para trás, comentário patético e desnecessário.

Essa minha camiseta laranja, total rasgada e esse short que não sei onde arrumei, sutiã verde aparecendo e escrevendo com essa caneta que não falha nunca. Por que meu sutiã é verde? Nem gosto. Cruzo minhas pernas de maneira desafiadora e percebo que é ao invés de tomar café de madrugada, eu deveria é tomar um suquinho de laranja para acalmar o espírito.
Mamãe está certa. Eu deveria aprender a andar de bicicleta, chica.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Porque entre quatro milhões de pessoas você ama aquela ali mesmo e pronto. Chata, prepotente, inconseqüente, irritante, implicante, feia, indecisa, idiota, louca, impulsiva, disléxica, linda, apaixonante, fofa, doce, inteligente, irritante, guria louca, cheia do repertório essa menina metida, exagerada, um perigo, um absurdo, uma pervertida, uma perdida, estamos combinados e tá tudo bem.

2009

Hoje é dia vinte-e-um, ou seja, quatro dias faltantes para o natal — que eu não comemoro — mas aceito presentes & declarações de amor) e dez para o tal do Reveião, que provável que será na praia, ou na casa de alguém aí, estou no quesito da pessoa que espera convites. Fim de ano me deixa clichê e tosca. Essa gente de branco que não me deixa mentir. Aí vê, que tristeza. O Ano de Dois Mil e Sete foi um dos anos mais bonitinhos e fodas. O de Dois Mil e Oito não.
Acho que não. Me relembrem dos fatos, porque não lembro, estou anestesiada pelas sensações causadas por esse clima escroto. Clima escroto. Dos infernos. Clima escroto dos infernos. Dos infernos.
E depois quando você diz que odeia o fim do ano, que muita gente morreu, que você não usa branco na virada por nada desse mundo, porque é cafona e porque você vai se foder do mesmo jeito, que você espera que o Carnaval não chegue nunca, depois, quando você diz isso, dizem que você é louco, que você não tem amor nesse coraçãozinho impuro, que você tem que ser internado, tratamento de eletrochoques, que você nasceu amorzinho de menina e se tornou isso, que a sociedade te estragou, te olham como se você tivesse mental pobrems, etc. Me diz, por quê? Hein?
Veja bem, nostálgica, idiota e alheia. Falo de Dercy como se estivesse viva. Veja bem, parece até que foi ontem que eu estava na praia, subindo em superfícies altas e fingindo que voava. Mandando beijos para desconhecidos. Dando flores para desconhecidos.
A primeira coisa que eu vi, no dia primeiro de janeiro de dois mil e oito, foi o supermercado “Princesa” abrir as portas, perto do túnel, em Copacabana. Foda-se se você não sabe onde é, porque eu sei. Tava pensando em comprar um short muito simpático que eu vi, com umas pin-ups, uma coisa bem erótica assim, engraçadinha, bonitinha. Minha riqueza de lembranças e detalhes não me deixa mentir.
Mas, aí vê, não posso me perder na linha de raciocínio, até me render ao sistema eu me rendi (call me, monster). Porra. Sabia que eu lembro daquela sua proposta? Pois é, sua grande filha da puta, fugiu antes que chegasse O Grande Dia, mas, foda-se, foda-se. Não ligo. Minha boca suja não deixa mentir.
Dá licença, porque vou chorar um pouquinho. Pontinho.
Para relembrar. Porque relembrar é viver! (na realidade, relembrar dá vertigem)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Cena de filme noir, andando, tipo assim, tipo assim gente conformada, andando, meio devagar, na chuva. Nós duas, grande amiga do meu coração meio torto que não tem formato bonito. Ela, ofendida e magoada. Só porque eu sou assim, me faço de mistérios, essas coisas. Não gosto de falar muito. Só o que desejo. Como sempre.

Correr pra quê?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Essa é A Gata. A Gata ainda não tem nome. A Gata vem todas as manhãs me acordar, passando por cima de mim várias vezes. Seis horas da manhã. Quando acordo, ela senta na minha barriga e fica me olhando, bem no fundo dos meus olhos. Só A Gata me ama nesse mundo. Só ela.
P.S.: Belle era o nome provisório que o rapaz que me deu A Gata deu.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Descobertas

Questão de desapego emocional, auto-desapego, alguma coisa assim. Nesse momento, me sinto num western americano, senta nesse banquinho superconfortável que me deixa assim, aérea. Para complementar o óbvio, só falta mesmo eu tomar um Jack Daniel's e falar arrastado com um cigarro no canto da boca. Não lembro do cigarro nesses filmes, mas dá ar cafajeste. E eu gosto disso, ar cafajeste, gosto dos cafajestes pois não utilizam máscaras invisíveis, não são adeptos aos artifícios e, acima de tudo, honestos, sinceros. Prontos para o casório.
Sozinha, com esse bloco cheio de folhas na mão, que todo mundo olha meio sem entender, letra totalmente ilegível, muitos riscos. Risco a palavra e escolho um eufemismo. Tornou-se meu passatempo. Aqui, com essa caneta esferográfica — que vai ver nem é minha — mas que é linda, lógico que eu posso dissertar sobre essas-coisas-que-nem-são-minhas, mas-que-são-lindas, sobre pessoas-que-nem-são-minhas, etc, essa caneta, linda, que vai ver nem é minha e detentora dos meus pensamentos que são transcritos para o papel. Aqui, com ela e com essa mão direita no queixo (não trabalho: maçanetas, canetas, tesouras e abridores de lata).
E essa música que fossa que não quer parar. Essa solidão, esse alone in the dark latente, mas, Fossa Nunca Mais. Essa música que diz alguma coisa com understand, a todo o momento. Acabou. Quis parar. Wow ow Rita Lee wow ohw. E depois dizem que não, mas elas gostam, tipo filme pornô escondido da mãe na subpasta da subpasta, elas gostam de serem levadas. Consigo fazer uma análise freudiana sobre história de Bicho Papão e Velho do Saco e traçar um paralelo e dizer “pa-to-lo-gi-a”.
Intensidade eu sinto aqui ó. Na ponta dos dedos. Da mão esquerda, especificamente.
Não entendo. Medo, medo, medo. Parece uma palavra tão fácil, eu sei — egoísmo meu. E eu só tenho esse egoísmo porque eu sou um ser altruísta. Só vivo para ver o bem alheio, nada de meu próprio bem, meu bem, porque não é assim. Egoísmo porque não tenho mais medo de nada — mentira! — tenho medo do impacto da queda, de uma determinada altura, caso eu venha a cair.
Só porque dói. Meu outro medo, que há alguns meses foi superado, também parte desse princípio, de uma maneira mais poética e subjetiva, fora isso, nada. Nem desses perigos invisíveis, que ninguém vê. Muito menos da alma.
Simples, bem questão de personalidade. Eu não tenho medo de tropeçar e cair. Tropeço, caio, sento no asfalto, sorrio. Espero a dor passar e, levanto-me totalmente indiferente ao acontecido, ignorando tudo e continuo andando, toda torta e errada. Tudo questão de expectativa em cima de fatos, o que-pode-ser-e-será, tudo questão de expectativa — as minhas, obrigatoriamente, são baixas — vamos ver o que é que você tem para me mostrar. Caso contrário, se eu criasse expectativas, sobre o-que-pode-ser-e-eu-quero-que-seja, não seria um tropeço e sim uma queda, do nono andar, com crânio cravado no asfalto e sem possibilidade de ressuscitar a vítima.
Expectativas: não cultivo.
Questão de medo, questão de não querer se doar, medo de monstro, medo de cortar o dedo com papel, de querer ser possuidor de controle de situações. O resultado é sempre o mesmo, parece tão óbvio que seja a ser genial. O resultado é sempre o mesmo, com ou sem barreiras, com ou sem balas de hortelã que aliviam as dores e que te tiram da órbita. Sentindo dores que você nem sabe de onde vem. Era isso que eu tinha para dizer.

Privar-se não é tão interessante assim. Muito menos ser bom entendedor. Segredo que está por trás de todos os encontros e desencontros dessa vida — ilusão não existe.
Veja bem, todo esse cerco que você cria em cima de si, medo de gostância, de sei lá mais o quê, veja bem, tratei de esquecer. Mas, tudo isso, tudo tudo tá errado. Errado, um grande erro de percurso em rumo aos seus objetivos, porque felizes são aqueles que. Felizes são os que desconhecem tudo, que nunca tem a resposta ou que possuem a capacidade de ignorar toda e qualquer conseqüência, desde que a situação retratada soe (na primeira impressão, é claro, segundas impressões não são confiáveis) como o que, obviamente, não daria certo, tipo assim, convite ao tropeço. Tipo assim, convite a queda do nono andar, destruição do seu próprio mundo.
Renovação, momento pós momento, momento 1, momento 2 e 3. E esse meu sono que não vem.
Com aquele olhar de Leste Europeu, sempre triste, longe, sozinha, com vestido cujo preço não ouso tentar indicar, alta de tanto tomar vinho, com vontade, tesão, suspirando. E, com toda a delicadeza e falta de coerência de quem habita o mundo das plumas, ela pede, de um jeito que até dói: “mente pra mim”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sexo é na nossa cabeça, pura esquizofrenia, porra.

Desencontros

Chocolate. Com cookies? Ou sem cookies? Nossa, que short mais lindo do universo, dessa moça, na fila, na minha frente, com três tomates dentro da sacola. Que coisa mais linda, mais espontânea, estampa cheia de pin-ups, quero essa estampa pra mim.

Depois eu digo que é assim e todo mundo diz que é mentira. Seguinte: ar blasé e cara de intelectualóide faz sucesso. Umas quatro pessoas me olharam fixamente hoje, tipo, te quiero, corazón. Depois dizem que desinteresse tira tesão. Meu bafo com jeitão de Listerine “anti-séptico bucal, eficiência comprovada, dentes mais brancos” — coisa mais fresca, mais bilu-bilu, mais bibibi, só faltava ter glitter, porra, horrível. Arde até a morte. Odeio Listerine até a morte. Odeio odeio odeio. Vou fazer um comercial de pasta de dente, porque apesar de tudo, do meu vício em café, meus dentes andam brancos demais. E merecem atenção.

Minha mais nova tática para tentar dormir: pensar no nome “Vivaldi”. Sei lá, relaxa. Enquanto eu pensava em “Vivaldi” e, aos poucos, adormecia e adentrava o mundo dos sonhos, meu celular (minha nova aquisição moderna e atestado de minha rendição ao sistema) toca.

Olha o ar blasé dessa menina, na fila para pesar os três tomates dela. Deve ser pra fazer pizza, vai ser. Com cookies ou sem? Tenho que ir ver logo isso, porra, vou acabar esquecendo. Ela escolheu com cookies. Deve me seguir pelo supermercado, é isso. Mas, tudo bem, é um supermercado pequeno, os preços me fazem pensar que marcas desconhecidas, na realidade, são de grife. Existem grifes para alimentos? Chocolates? Que short lindo. Quero esse short pra mim.

Acho que vou abordá-la, dizer que adorei o short dela, todo esse look descolado, moderno, adaptado para o dia-a-dia, coisa de menina que não se rende a porra do sistema, que gingado de buatchy, essa menina deve ter vida social ativa. Celular tocou. Dela, é claro, o meu, além de ser pai-de-santo, nem sua função cumpre.

(oi, desconhecida, menina, fascinei em você, viu, se liga, você conhece a Fosfobox? Boate, dessas que você frequenta toda sexta, sábado e domingo, até segunda-feira, quando dói a ressaca, minha última dor mesmo foi de uma cotovelada de um homem no metrô, hora do rush, entende? Antes disso, -si-co: dor de amor. Nada a ver com ressaca. Pode até ser… Ressaca emocional. Mas, viu, esse short que você tá usando, nossa, lindo. É short, ? É jeans, mas é short? Ou o tecido modifica toda a solução da coisa e vira bermuda? Eu escondo meus olhos por trás desses óculos, comprei dia desses, fiz desconto com a moça. Gastei minha grana toda, mas… Wayfarer, baby. Esconde até a alma. Eu acho.
Seu cabelo é castanho ou ruivo?)

A filha da puta está, puta, na fila que capta a essência dela. Mas, viu. Esquece, deixa pra outro dia.

Oi, te acordei?
Dur, claro que não. (sim, você me acordou)
— Queria saber se você chegou bem.
— Sim. Fiquei preocupada de deixá-la sozinha com a bicicleta, naquele horário, tava tão esquisito. Sei lá. Você chegou bem?
— Tem um tempo. (olho no relógio, meia-noite e quarenta e cinco, puta que pariu, tão cedo!)
— A gente se vê amanhã?
— Claro, me liga. A gente combina.

Cinco minutos após.

Oi!
— Sabe o que é? Te liguei só pra dizer que a imagem de você vestindo lycra nunca vai sair da minha mente e, quando eu estiver triste, vou pensar na sua pessoa de lycra e eu vou rir pra sempre.

Com. Com. Com cookies.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Encontros

Segunda-feira, entrei num estabelecimento a fim de comprar um biscoito doce, para ilustrar o meu doce momento de volta para casa, de olhar para o céu azul. As árvores andam bonitinhas, minhas ouvintes do pensamento, dedicadas a pessoas-xis.
Entro e vejo um Guarda Municipal, de um metro e noventa e seis centímetros (com toda a certeza do mundo), ao meu lado, Raquelzinha, com modestos um e setenta, ou um e sessenta e nove (eu me medi esses dias, após seis anos). O guarda lá, típico macho másculo, na parte de biscoitos doces, junto comigo, tocava tipo um folk no player e eu comecei a sorrir — reação inerente a mim — porque essa era a típica situação de filme constrangedora, e aí eu lembro de quando você está na sala de cinema e o senhor atrás da sua cadeira, que não sorri desde 1999, dá aquela risada, como se fosse o melhor momento do ano, etc. O guarda típico macho másculo, que não usa desodorante, começou a olhar para baixo e sorrir também, meio sem jeito, mais ou menos sorriso, nada escancarado, porque machos não escancaram sorrisos, muito menos para idiotinhas que escutam música mais ou menos meio que um folk, aí, ele exalou aquele ar de “o biscoito não é para mim e sim para a minha filha”, mas, no fundo, a gente sabia que aquele biscoito era pra ele.
Parados, idiotas, tentando escolher o biscoito mais doce. A vida mais doce, o doce mais doce, com o intuito de matar o diabético da nossa alma.

P.S.: “Lembrei de você. Vi um caderno, assim, mulheres, anos 60, praia, felizes com aquele sorriso absolutamente falso.” Saudades.
Você prefere que eu te chame de Rita ou Mystery?