quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não leia

Ontem passou um velhinho muito alto aqui no escritório, muito sorridente, cabelo branco e brilhante. Muito brilhante, nossa, cheio de vida. Ele estava usando um suéter. Coisa mais fofa. Me abraçou e os caralhos, disse que mesmo com um ferrinho na boca (não é aparelho, antes que pensem, é que eu resolvi ser moderna e colocar um piercing, e tô furando todo mundo com essa bosta quando eu vou beijar — no rosto, porque se for na boca fode) eu era linda.
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— O Cabral está aí?
— Ele foi ao fórum. Acho que não volta. Você quer café?
— Aceito sim.­­
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­Daí que. Porra. As duas irmãs dele quebraram o fêmur. Na mesma semana. E a prima dele morreu e é essa história que eu contarei para os senhores. A prima dele, uma renomada advogada da OAB (<­/­Dr. Gilmar­>), que tinha um apartamento foda em frente a praia em Copacaba, morava sozinha, etc. E ela teve um AVC em dezembro. Mas sobreviveu e não ficou nenhuma sequela grave. Contrataram três enfermeiras para cuidar dela, em razão da diabete coisa e tal. Duas foram dispensadas, porque, né. Não precisava mais. Só de uma.­
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­Aí que a mulher enfermeira survivor morava em Campo Grande (leia-se lugar longe da civilização, longe de Copacabana, longe de onde pode haver vida, boca do vulcão) e se mudou para o apartamento da adêvogada, porque ir e voltar todo o dia era osso.­
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­­Aí que a adêvogada não utilizava cartão de crédito mas o tinha. Aí que constataram que enfermeira vinha utilizando o cartão da adêvogada. Aí que ela fez reformas no apartamento. E a adêvogada era uma pessoa fechadíssima. Aí que a adêvogada teve que amputar uma perna. Aí que a adêvogada morreu semana passada.­
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­­Aí que a enfermeira deu um jeito de ficar com todos os bens da velha, tá vivendo vida de madama.­
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­­Conclusão: a enfermeira matô a velha aos poucos.­
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­­Chama o C.S.I.
P.S.: O Grissom e a Catherine, por favor. (via Renatinha, que deve ser fanática por essas coisas, assim como o velhinho)
(pára de comer os espaços das postagens, seu blog escroto!)

O Thiago

Sabem Thiago, o meu vizinho bucaneiro barbudo, pai de família? Pausa. Ele tem duas filhas que são gêmeas que são muito bonitinhas e sorridentes, uns cinco anos, logo, fora de idade de abate. Que é casado com uma senhorinha muito feia? E irritada? E que falou 'cala a boca' 32x (eu contei) seguidamente?
Sabe o Thiago, o meu vizinho que toca Jimi Hendrix quando não tem ninguém em casa?
Então. Ele tocou Song to the Siren ontem e eu quase apaixonei. Porra, que coisa mais linda. Porra.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

No ônibus

— Não curto esses negóz de ser extrema e tal. Sou de ciclos extremos.
— Ser extremo pode ser bom às vezes.
— Quando?
— Ah, sei lá. Faz uma pergunta mais fácil.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Quinta-feira, feriado de São Jorge.
— Tô no trabalho, Núbia. Horrível. Não queria trabalhar hoje.
— Só você trabalha no feriado. Quer dizer. Eu também tô trabalhando, mas eu não conto porque eu sou workaholic.
— Cara, tô em dúvida entre fazer Direito, Letras ou Psicologia.
— Porra, trabalho num escritório de adêvocacia, né. Odeio Direito. Quer dizer, não odeio. Até gosto, mas a área jurídica fode em geral. Letras é legal, super bacana, mas é aquela coisa, tem negócio com didática e bibibi e mimimi com gramática, escroto. E Psicologia é legal, mas, né? Tem estatística aplicada.
— Raquel, você complica. Vou para a aula de yoga.
— Yoga parece ser uma coisa bacana, mas, né? A carga erótica é tão alta quanto uma aula de pole dance.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

— Somos dois corpos ocupando o mesmo espaço. E ninguém vai me convencer o contrário disso.
Tô meio on fire e não consigo mais me acompanhar. Ruim que eu não consigo juntar as idéias e formar um parágrafo.
Eu bem vou me trancar num quarto e tentar respirar todo o ar só pra jurar amor eterno. Ad aeternum.
Chegue sóbrio e sem drogas da próxima vez que formos nos encontrar.

P.S.: Tô com uma camiseta foda. Me sinto o Faustão! (não)
P.S.: Te odeio.
— Que relógio foda, cara. Posso experimentar?
— Sim.
— Parece um morfador…
— Você fica bonita com morfadores.

Da série: vergonha alheia/passado de amigos

— Falei com o meu irmão. Você sabe o quanto ele é ciumento. Então, você acha que eu devo contar a ele sobre “a gente”?
— Como assim? A gente tem alguma coisa?
— Caram, quando eu olho palíndromos, eu fico tipos em êxtase.
— Primeiro eu gostaria de saber o que é um palíndromo.
— Ela tá namorando ainda?
— Nems, trocou de namorado.
— De novo?
— É.
— Acho que ela é ninfomaníaca.
— Eu também acho, viu.
— Não bebe, não fuma, não come carne… tem que direcionar pra alguma coisa, né.
MORENA, VOCÊ QUER DANÇAR COMIGO?

VOCÊ QUER DANÇAR COMIGO?

(Cidade de Deus, haha)
— Volta comigo hoje?
— Sim.
— Você vai trazer o jornal?
— Flor, você sabe que não é sempre que eu posso roubar do vizinho…
Porra, Personare. Claro que não.
Porra, Personare. É verdade.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

You're just like an angel

— Você é que nem o Buck Angel. Ou a JD Samson.
— Não sei quem são.
— Joga no Google. Na ordem que eu te falei.
— AHHHHHHHHHHH.
— Desculpa te deixar traumatizado, Bio. Mas foi necessário.
Sei lá. É que eu bem queria ver qual que é a cara que cê faz quando dorme.

Pro Paulo, amigo da Lalinha

Adentrei no elevador e lembrei da velhinha do outro dia que falou que puta que pariu, esse espelho do elevador deixa qualquer um deprimido. E é verdade.

— Furou a boca, doidona?
— Pô, foi.
— Doeu?
— Aham. A anestesia parece que não pegou direito.
— Loucão isso aê. Curti, curti, tu é uma mina maneira.

Adentrei o metrô. Cara, os óculos fazem uma diferença. Uma diferença. Antes eu era uma inválida, agora sou de Jesus (fora de contexto/mentira). Adentrei o escritório, com a minha camisa roubada do ex namorado da minha irmã e ligeiramente modificada por minha pessoa (era enorme, CORTEI TUDO e ainda cobri a palavra “pistola” escrita com um corretivo, ai, coisa mais cafona, mas essa camisa é linda e eu a amo, melhor roupa. Obs.: continuo mal de roupa).

Entrei no escritório. Café. Eu não sei o que é, mas o café daqui não tem gosto de café. E é horrível. Um velhinho chegou. Ah, muito simpático. Que fofurinha. Adoro velhinhos. Lembro da Nathália Kelly, aniversariante do dia, mina do dia das beijas, querida, loira, que traseunte passa na rua e diz, em tom de voz elevado MANO, OLHA PROS ÓLHO DELA (sério, isso realmente aconteceu). Beijas. Sabe que eu te amo, né, vadia? Mora no coração. Tem um puxadinho. Puxadinho.

Ah, sim, aí o velhinho chegou, olhou bem pra mim, tava ficando quase excitada já (mentira, não) e falou:

— ISSO É UMA VIOLÊNCIA.
— Quê?
— ISSO NA SUA CARA É UMA VIOLÊNCIA!
— Meu senhor, eu não o compreendo.
— NÃO VÁ. NÃO VÁ NA ONDA DOS OUTROS.
— Não estou em onda nenhuma, senhor. Por favor, seja mais educado.
— É UMA VIOLÊNCIA. Bom dia, Cabral!

A próposito: doeu pra caralho. Puta.que.pariu. Sinto até arrepios de lembrar e, caram. Tava tocando MÚSICA ELETRÔNICA lá no lugar lá. Sério. E todo mundo tinha cara de clubber. De clubber enlouquecido. Eu quase fugi, mas aí a mulher começou a falar dos métodos para não sentir a dor da tatuagem e eu achei bem razoável. Segundo ela, o negócio é tomar não sei quantos comprimidos de Dorflex, ou beber até ficar inconsciente, ou se drogar, ou ter uma noite de sexo selvagem e depois tomar o Dorflex. Ah, Dorflex é uma maravilha. Sempre sinto umas dores em lugares indefinidos e é tiro e queda.

Obrigado.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Flashmob de Guerra de Travesseiros Rio de Janeiro amanhã (04/04), 17h, no Largo do Machado, defronte ao chafariz. 

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sobre João Ex-Morto

Ouvi esse diálogo assim, anteontem, enquanto eu desci para tomar o meu suco de abacaxi com hortelã. Lembro: ano retrasado, mamãe resolveu ligar para a casa de um amigo da família, etc, ele era alcóolatra e bá.

— O Lourival morreu.
— Como assim, Graça? (Graça era a esposa dele!)
— Meu Deus! — disse, mamãe, já chorando — eu sempre disse para ele parar de beber! Eu disse, eu disse!

Uma semana depois, minha mãe notou que foi insensível e pensou “vou ligar para a Graça para saber como ela está!”.

— Alô!
— Lour…? Que é?
— Lourival.
— Você está falando aqui da terra?
— Sim.
— Mas… a Graça me contou que você morreu!
— Eu não estou morto!
— Está!
— Chorei muito na sua morte. Não minta para mim!
— Que morte, mulher. De onde que você tirou isso?
— Sua esposa!
— Ah… Bete, você esqueceu que ela tem problemas psiquiátricos? Semana passada ela esqueceu de tomar os remédios.
— Ah… Pelo menos agora você sabe quem iria chorar no seu enterro e sentir sua falta, né?
— Aham.

Papai

— Raquel, o seu pai ligou aqui e disse que vem pra cá. Agora. Tem como você voltar?
— Sério, mãe? Que foda, porra, tô indo praí agora.
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a. Ele não mora no Rio.
b. Tem um tempo do caralho que não o vejo.
c. Ele é assim mesmo. Do nada aparece.
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— Primeiro de abril, bobinha!
— Nossa, deu maior vontade de chorar, agora…
— Sério? Ah, não fala! Poxa, me perdoa, em nome de Jesus, bábábá…

Quer dizer.

Em 2008

— Nathy, você é uma amiga do coração, sério, eu gosto muito de você, mas, olha, eu cansei, esse negócio de amigues prá sempris de infância foi coisa de momento, e eu te acho uma insuportável. Tchau. Hah, brinks! Primeiro de abril!
— Levei um grante susto, meu…

31

— João! Cara, tá geral atrás de ti achando que tu morreu , cara! Geral chorou! Cidinha! Cidinha! o Jão tá vivo, cara... maluco, onde tu tava? Taí, cara? Cidinha, tu não assinou uma lista onde dizia que ele tava morto? O nome todinho! Era ele, rapaz. Que loucura. Que loucura, nossa, loucura… Onde você tava?
— Na minha casa, ué.
— Maluuuuuco, geral chorando a tua morte e tu vivão aí! Tava lá escrito, juro por Deus:

JOÃO DA SILVA DOS SANTOS