quinta-feira, 25 de junho de 2009

— Eu reservei esse casaco pra você.
— É mesmo? Por quê?
— Porque eu bordei a bandeira do Equador nele.
— Você me conhece do avesso.
— Pelo contrário, eu te quero do avesso e se você fosse o gelo, daqueles que tem na Sibéria, a primeira coisa que eu faria é lambê-la.
— Eca.
— Eu acho que vou ao shopping comprar um tênis para eu correr todas as manhãs. Até um dia te encontrar, puxar pelo braço, você cair, eu também cair e ficar mancando por uma semana.
Porque eu anoto o geek love poem no braço e não mostro pra ninguém.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sueño

Ando com um sono absurdo. Passo o dia inteiro bocejando. Eu hiberno durante doze horas seguidas e sinto sono. E aí eu deito na cama e durmo e é incrível não ter que pensar em nada e nem em ninguém. Nem ter que olhar pro teto. Nem pensar na insônia e como ela é chata. Eu deito, olho pro teto durante duas horas, penso em tudo e em alguém, levanto e ligo a TV.

Mas isso não acontece agora, porque eu tenho um sono anormal e nada me importa, porque eu tenho um sono anormal e posso dormir a hora que quiser.

Vai ver é a pressão. Não creio que terei de andar com sachês de sal no bolso de novo.

O que eu queria dizer é que o pró é a não-insônia. E o contra são os sonhos bizarros. Que eu lembro com detalhes. Tipo eu pegar a Luana Piovani. Nadaver. Acho que foi porque eu li uma entrevista em que ela dizia que era difícil ser bonita e/ou que ela tinha consciência disso e eu pensei que Luana Piovani é uma pessoa insuportável.

E o sonho de anteontem foi eu ter trezentos e sessenta gatos. E é tão real. É tudo tão real. Me dá uma aflição.

Hoje A Gata me acordou pisando nas costas e eu fiquei feliz de ter somente ela. Queria mais um gato, mas o vizinho vai implicar.

E o de ontem em que eu participei de uma corrida de mulheres de salto. E eu caí, e foi tudo tão real. É tudo tão real. Me dá uma aflição. Um constrangimento. Acordei constrangida. E eu caí. Mas isso é um sonho-lição, porque eu tenho um espírito competitivo. Eu sou o tipo de pessoa que ensina para criancinhas que o que importa não é competir, é ganhar mesmo. Competir pra quê? Pelo prazer de perder? Óbvio: n-ã-o.

Segundo algum site aleatório sobre O Significado dos Sonhos, diz que sonhar com gatos “nos avisa que perto de nós se pratica ou se prepara uma traição. Gato branco: fortuna rápida. Preto: acidente. Ruivo: vingança. Sorte: gato.”

a. Preconceito cristão contra gatos pretos (logo, não é confiável), mas, vamos lá, eram gatinhos coloridos, então, ok, serei traída.

Não achei nada sobre correr de salto ou pegar uma pessoa arrogante ou muito escrota aka Luana Piovani.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Rebobina aí

Então. Daí que no sábado eu fui no debate com o Michel Gondry. Agora, pausa. Imagina. Eu tomava café, dez horas da manhã, lia o jornal tranquilamente, imaginando os programas de inverno, quando meus olhos bateram. Meio-dia. Senhas distribuídas uma hora antes do evento. Cento e dez senhas.

Coloquei o primeiro sapato, vestidinho (pasme), casaco e fui. Senha nº 096. Por pouco. Cheguei lá eram onze e vinte e seis. Pés doendo (“que sapato é esse? eu comprei ontem? estou louca? sapato novo não se usa”).

Estudantes de cinema em peso. Porra. Toda essa pretensão silenciosa. Não gosto de estudantes de cinema. Gosto do curso, não das pessoas, em cima de seus pedestais intelectualóides. Não gosto de estudantes de cinema.

A porta abre em quinze minutos.

Abriu. Entrei, sentei lá atrás. Onde estão os meus óculos? Porra, cadê os óculos? Sou míope. Sou muito míope. Sou mais míope que esse cara da Darcy Ribeiro (provavelmente esses óculos que nem devem ter grau, olha pros olhinhos, olhinhos de visão perfeita). Não dá.

Sento lá na frente. Na terceira fileira. No canto esquerdo. Cruzo as pernas. Descruzo. Tem um cara da barba loira do meu lado. Se fosse ruivo, já ia chamar de viking e tudo, porque eu sou muito sociável, coisa e tal. Mas ele era loiro. E ele estava tirando fotos com a amiguinha do lado. Ele provavelmente faz cinema. Ele tem cara de arrogante. Volta e meia ele olhava pra mim, deveria estar incomodado com o fato de eu ser hiperativa. Não tem problema, afinal, o azar dele, eu sou míope, eu não tenho um alargador de 3mm e eu não tenho porra de curso universitário. Me deixa.

Quarenta minutos após, o Bonitinho chega. Ai, franceses.

As mulheres da frente começam a brigar. A mulher japonesa começa a discutir com a mãe de família que filma, fala francês e inglês (isso eu descobri durante o debate) e tem um filho cujo nome é Pietro, porque a mulher japonesa e a mãe da mulher japonesa não queriam deixar a mãe de família passar para o terceiro lugar a minha frente e a minha direita.

“Qual foi a influência do movimento punk na sua trajetória? O que ele trouxe a você?” — pergunta o tiozão da voz sexy. Todos riem. Odeio estudantes de cinema.
Aprende a traduzir antes de se meter em debates.

“Como você prepara os atores?” — pergunta a menina fofolete lá de trás que não é míope. Todos riem. Odeio estudantes de cinema. O tradutor diz “ela não é da área como a maioria aqui, então ela não sabe, é uma leiga”. Odeio o tradutor. Ele traduz mal. Ele esquece o que o diretor diz no meio da fala. A voz dele é irritante. E a mediadora do debate, mesmo com o inglês meia-boca, é uma fofa e é adorável. E é melhor que ele.

Acaba. Que bom humor ele tem. Que bom senso. Quase gritei “MARRY ME”, mas se houvesse recusa, eu ficaria constrangida.

Sabe que eu não consegui olhar os olhinhos dele?
Mordi a minha língua duas vezes em dez minutos. Vou para o hospital. Beijos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

A cena mais estranha da minha vida

Hoje teve a cena mais estranha da minha vida. Eu, de scarpin, dois band-aids no joelho, blazer azul-cor-do-céu-carioca (vivíssimo e cheio de vida), escutando os gemidos femininos de Rocket Queen. Comprando um chiclete — olhando pra vendedora como se nada tivesse acontecendo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Meu, quem é Valdemir Reis? Não tenho idéia.

Cinismo

Pelo menos ontem, na convenção de rabiscos, quando a Dri levantou a saia e mostrou a tatuagem da coxa, que concorria a não sei qual categoria, eu gritei em alto e bom som “GOSTOSA!”.

Mas ela ficou cheia de vergonhis. Tão bonitinha. A cara dela foi a melhor. Toda a hora que eu lembro eu começo a rir muito. Nossa, a cara dela! Cara! A cara dela. Putz, muito engraçado. Muito mesmo.

Magina, xuxu, tão subversiva, avançada, desinibida… mané vergonha e timidez nesse corpinho.

2

Quem é que correu anteontem para alcançar a irmã e quase foi assaltada? Estávamos correndo — literalmente — para chegar em casa, mas somos pessoas sedentárias (no meu caso, acrescente obesidade, mas que não implica em nada, porque ela não tem fôlego) e cansamos em frente ao metrô. Aí apareceu malaco de bicicleta e disse pra passar tudo. De repente, passa um filme na minha cabeça, Macumba Online, 32 vezes fortalecida, raiva da puta que pariu chamada Vida. Olhei para a senhora irmã e corremos. Corremos que nem o Mario. Com a mãozinha igual. Aí eu penso que ele poderia sacar uma arma e matar a gente, mas, sei lá, já tava correndo mesmo.

Cansativo.

Olho pra trás e vejo uma moça em cima de uma plataforma, com bolsa de couro, óculos escuro, correndo que nem o Mario também.

1

Quem é que correu ontem para fazer o bem e escorregou? Na realidade coloquei um impulso muito grande ao correr e caí. Caí tão feio que achei que tinha quebrado o joelho. E o cotovelo. E eu fui juntada do chão por uma mãe de família que insistia que eu deveria tomar chá na casa dela. Caí tão feio que ficou um rombo enorme no joelho da calça que eu tava usando. E não tem mais jeito, sabe, vai ter que virar bermudinha. Ralei a mão e tudo, ando mancando, não consigo nem descer escadas e tô fodida, bróder.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A matriarca tem diversos namorados, sabia? E José Sílvio tem a voz firme e parece alemão.
Feliz dia dos namoradxs. Mentira. Pra puta que pariu vocês comprometidos.

Namoradxs

a. O namorado da minha mãe se chama José Sílvio.
b. Preciso de pouco pra ser feliz.
c. José Sílvio é cabeleleiro.
d. Preciso de muito pouco pra ser feliz.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Registro

Perdi o meu RG. Acho que perdi em casa. Não mostro meu RG a ninguém porque não gosto da foto do RG, da letra — eu estava desconfortável para escrever) e eu também não gosto do nome do meu pai. Eu acho que perdi em casa.

Existem pessoas que foram concebidas com o propósito de perder seus respectivos RGs, então tudo bem. Contanto que elas existam para que eu não fique sozinha. E contanto que elas não tenham palavra, também. Honestidade zero, cinismo oitocentos.

Sabe, vou persuadir todo mundo a me ligar amanhã. E eu não vou atender. Nem vou estar em casa. . Nunca comi palmito, mas dizem que é bom. Então estarei fora dos limites do meu lar comendo palmito. Vou me comer, porque o nome do palmito é Raquel.

Tá frio. Frio demais. Pela primeira vez em tempos, quero colo. E eu quero que esse colo seja em Copacabana, no banquinho de pedra. E que eu possa deitar a minha cabeça. E eu quero que continue frio, assim, desse jeito e que seja fim de tarde. E que não tenha ninguém com pouca roupa. Nem molhado. Quero tudo seco. A não ser que chova, mas se chover, tudo continua. Não quero ter diploma de nada. Nem de gente.

Tudo atrasado. Meu relógio é diferente do seu, ele é rosa e eu ganhei esse relógio, então eu uso o tempo todo. O meu relógio é diferente do seu, ave, ele é uma hora atrasado. Não diga para ninguém que sou eterna atrasada. Nem que você me ama por isso. Como o Centro que é superpovoado às 17:20. Quantas xícaras de açúcar você põe na sua colher de café?

Segundo Paula Gicovate, “o mundo é dividido entre as meninas que quando crianças carregavam estojos abarrotados de canetas coloridas para a escola e as outras, que sempre perdiam tudo e pegavam emprestado.”

Estamos na mesma segunda categoria.

Apenas sorria. Assim como eu. Plenamente, de maneira retardada e irracional, sempre. Você vai deixar alguém com taquicardia.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Bibo, eu queria dizer que eu te amo e te respeito e que você é o cara mais legal que fala sobre as minas vis, lascívias e sujas do Brasil. E que eu fico muito feliz de você ter me englobado nelas. Beijo.
Dia 5 é o dia dos Reis Barbudos. Todo o dia é. Elaiá.

Chx

Hoje choveu. Está chovendo, eu acho. Mas no ponto o qual eu me encontro agora não ouço barulho e a janela mais próxima está relativamente longe. Prefiro ficar aqui sentada e não levantar, porque a realidade chuvosa é confortável, eu sinto sono, minha mente fica num quase-transe só com a idéia de chuva. Então chove. Daqui a cinco dias é o dia dos reis barbudos e jacarés de peruca loira. “Inferno astral”, pergunte-me como. Mas o meu inferno é confortável.

Hoje não chove mais, mas está um frio do caralho e eu quero dormir. E eu fodi com o teclado do escritório porque caiu suco de laranja em cima. E eu nem tinha pedido pelo suco e nem nada, o cara só veio, olhou nos meus olhos e disse que era pra mim. Isso foi semana passada.

Hoje eu saí do metrô. Hoje eu escutei uma música da Cat Power bonitinha e quase chorei, mas o cinismo ainda não chegou a esse ponto, de pessoas que eu nunca mais verei na vida testemunharem o meu rio. Saí do metrô e eu vi um cara, pedreiro, ah vá, vestido de pedreiro, com luva suja e tudo, com um microfone, cantando “não, não é mentira, nem hipocrisia, amor… com você tudo fica blue”. Foi horrível, mas ele continuou cantando.

Hoje também fiquei trinta segundos olhando para um “liga mesmo…” (com reticências) e pensando, que foda, finalmente alguém se importa.

Mas eu não vou ligar. Eu não entendo exatamente qual é o motivo, mas quando me alegra eu acho que vou estragar tudo. E vou mesmo.

Esse casaco não é meu. Ele é enorme e dá duas de mim. Não adquiri. Ele simplesmente estava no guarda-roupa, então é meu. Deveria ser de algum cara Ex-namorado da minha irmã, todos eles deixam uma peça de roupa lá em casa. Já adquiri uma calça, um short rasgado, uma camiseta e, agora, um possível casaco. Mas ele está no guarda-roupa tem sete anos, então faz tempo.

Agora é meu.