quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hoje eu furei o meu dedo com um grampeador. De repente, eu quis grampear o meu dedo, como se eu não sentisse dor. Foi sem querer. Eu dei um gritinho fino e tudo.

Aí eu estava com pressa e me encaminhando ao fórum. Esqueci o guarda-chuva em casa. Meu guarda chuva das pin-ups e tal, coisa mais linda e resistente.

Começou a chover o básico. Eu ainda atraía os olhares sedutores de todos que me desejavam pelo Centro da cidade (essa parte é mentira). Uma mulher me parou.

— Oi!
— Oi?
— Prazer, eu sou a… calma, deixa eu te mostrar o meu crachá.
— Sim.
— Então, eu sou de um grupo e nós estamos fazendo uma peça no Largo da Carioca e... você faz teatro?
— Não.
— Ahhh, sim! Então, nessa peça, nós vamos protestar contra o uso das drogas sabe, e… você usa drogas?
— Não, senhora.
— Então, e aí que eu tô vendendo essa caneta aqui, ainda mais você, ein, desse jeito! (e eu que andei o caminho inteiro pensando nas minhas ex-roupas de trapo, hoje eu tava bonita)
— Ahhh, é só a casca. Tenho nada. Boa sorte aí.
— Haaaaaaaaaaaaa!

Depois a chuva começou a engrossar bizarramente. E eu andei bem rápido, porque apesar de amar a chuva, hoje eu não tava pra isso.

Aí eu parei numa banca de jornal e comprei um chiclete. E estava passando um DVD do AC/DC e eu amo o AC/DC e eu tenho alto tesão por AC/DC (haha, cito Elliott Smith no post anterior e agora eu falo de AC/DC mas Elliott Smith toca nas questões do meu coraçãozinho e AC/DC é que nem Portishead pra todo mundo: tipo música pra trepar, whatever). E o cara da banca estava fumando dentro da banca. Até que ele desligou a TV.

Continuei.

Chovendo horrores. Chovendo mundos e oceanos e tudo o mais. Outra banca de jornal. Comprei um chocolate sem um fim específico. No Rain, do Blind Melon. Agora numa TV super grande e moderna e fina e com high definition. Quando vi, eu tava sentada, olhando fixamente, toda encantada.

— Tu gosta desse cabeludo aí, é?
— Essa música fala sobre um dia chuvoso e, nooooossa, puta ironia, porque, né...
— He-he-he.

O ruim é que ele falou 'hehehe' quando a música já tinha acabado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pierrot

Agora que estou com o mínimo de paciência, contarei minha ida a Bienal e não somente as frases soltas do post anterior. Não vou faz tempo, odeio o Riocentro com todas as forças que existem no meu ser. Odeio mais que pisar em barra de calça.

Caí da cama. Acordei. Esfreguei os olhos cinco vezes, sei lá. Olho no meu mais novo relógio vermelho e supercolorido e digital (apesar de amar analógicos e tudo o mais, mas relógio analógico não pode ser feliz e colorido, tem que ser tradicional e ranzinza, hm, preciso mandar consertar o meu): 8:30.

Só sei que o tempo passou escorregando e somente 9:30 eu tava lá. No metrô, perguntando pro guardinha como que fazia a integração praquele lugar. Sendo que eu demorei pra me arrumar uns 15 minutos, creio que o resto foi dividido entre o meu banho tipo flash e o meu café, que é a minha hora sagrada e demorada e blasé e clichê do dia.

— Não tem conexão direta com o Riocentro.
— Como assim não tem? Eu pego metrô todos os dias e todos os dias encheram o meu saco falando para eu ir a Bienal de metrô e metrô na superfícia e nãoseioquê.
— Veja bem. Você vai, desce na Siqueira ou em Del Castilho. De lá, você pega um ônibus e vai pra Alvorada. Da Alvorada você pega um outro ônibus que custa R$ 1,10 e tá tudo bem, ok?
— Tá.

Tá.

Em Del Caishxxhxhxhxhtilho, eu falei com o guardinha, muito mais simpático do que eu, que disse que eu deveria correr para pegar o último ônibus pertinho. E aí eu corri e não alcancei e olha que eu corro muitomuitomuito rápido, velocidade da luz, flash, etc. Peguei no xópim.

Estava eu, no ônibus, comendo batatinhas e tomando suquinho. Acabaram-se batatinhas e suquinho. Quando, olhando pro lado, uma menina apontou pra mim e riu. E riu mesmo, tipo, “olha aquela babaca!” e foi super nítido e ela tava olhando pra mim. Só pra mim. E a amiguinha dela também.

— Ju, tem alguma coisa na minha cara?
— Não.
— Eu estou feia?
— Você tá linda, querida.
— Tem alguma coisa no meu dente?
— Não.
— Tem alguma coisa de errado?
— Não.

Como eu sou muito madura, passei a desejar que o meu ônibus passasse pelo delas para eu dar o troco e, veja, passou. Então eu dei o troco na mesma moeda e ela ficou com cara de origami. Eu venci! Ha! Ha!

E eu pensando que ia ficar nisso o dia inteiro, mas aí o ônibus virou e fim de história. A Barra é um lugar de condomínios de luxo e tinha um lugar que era um prédio de cada cor primária.

Chegamos na Alvorada. Engraçado que na Alvorada tinha um lugar que vendia passagens para São Paulo, Campinas, Shereperetuz Santhuz, sabe… Haha, tipo “hm, opa, vamos a Bienal ou damos uma passadinha em São Paulo?” Chegamos na Bienal.

Muitos grupos escolares, muitos mesmo. E eu tenho pavor de grupos escolares, porque a maioria de gente de escola sempre foi, é e será escrota, gente que oprime e deixa pessoas tipo eu, assim.

Mas aí eu vi um grupo de escoteiros! E tinha um casal e eles tavam se beijando horrores, na grama, com aquele lenço. Se algum deles tivesse piscado pra mim, eu pensaria que é o Código Morse e não uma cantadinha básica.

Tudo muito caaaaro! Nossa! Um pastel R$ 4,00! Quatroreais. Obviamente não comi pastel. Comi croissant. Eu comi muitas coisas, na realidade.

Muita gente, muita efusividade (“Thalita! Noooooossa, olha a Thalita Rebouças! Que simpááática! ÓÓÓ, sou sua fããã!”), muito exagero e coisas que me fazem mal.

Mas aí eu vi uma família de pessoas vestidas de Mulher Maravilha. Não totalmente, mas com a tiara e os braceletes, sabe. De papelão. Que eles conseguiram em algum lugar-xis pelo qual não passei.

Tudo muito caro, nossa! Um cachorro-quente só pão-e-salsicha-e-cebola tava R$ 3,00. Obviamente não comi cachorro-quente. Comi crossaint maravilha, que era relativamente mais barato. Comi muitas coisas, na realidade.

Fui no tal Café Literário três vezes. Conclusões: a) A Ivana Arruda Leite sorriu pra mim e só pra mim e isso é uma coisa linda; b) Marcelino Freire é o cara mais legal do mundo e eu dei um abraço nele porque ele é o cara mais legal e eu nem fazia muita idéia, puta que pariu, cara mais legal do mundo e ele me lembra o cara que eu mais odeio; c) muito feio fumar num lugar fechado e matar todo mundo intochicado; d) conheci uma professora cujo nome é Cíntia e ela é muito bacana e ela é alguém na vida e ela é fofinha e leitora da Ivana e do Marcelino — que são meus amores, me pagou uma bebida e eu fiquei emocionada (depois eu fui ver que custava R$ 6,00 e me senti um lixo); e) me apaixonei umas seis vezes.

E aí eu fui ver o Zé Mayer. Só queria ver. E ele é a mesma coisa da TV e tem vozeirão grosso bonito. E um pescoço desagradável.

E o Paulo José que eu sempre achei bacana.

Não vejo diferença entre o Zé Mayer fazer par romântico com a Taís Araújo e o Paulo José também. Paposério.

E eu queria saber se eu tava na fila certa. Então, cutuquei o moço jovem alto e vistoso e coisa e tal. Só que eu tive a impressão de que alguma coisa caiu e olhei imediatamente para baixo e ele também. Haha, mesmo movimento. E foi bem rápido e engraçadinho. Ele se sentiu idiota.

Tadinho.

E eu vi o Ancelmo Góis! E ele perguntou como eu estava. ^^

domingo, 20 de setembro de 2009

Bienal do Livro

“Não existe mais hoje em dia aquela coisa do pau duro que paga a conta. Existe a coisa do pau mole que racha. E as pessoas se apaixonam pelo pau mole.”

“Aqui só há muléris! Ninguém aqui é hermafrodita, então, não precisa fazer xixi de pé…” (a moça que limpava os banheiros — corretíssima)

“Adoro o jeito com que você passou rápido por mim e, quando ofereci a revista de cortesia, você virou e disse toda firme: EU ACEITO!”

“CARACA! Meu, olha isso, Raquel! Escoteiros! Escoteiros de verdade! Deitados na grama! Se beijaaaando!”

“Então você é uma leitora de Ivana?”

“Faz assim, a gente vê o Zé Mayer…”

“Olha aquela menininha! Ela tá vestida de mulher maravilha! Tem até os braceletes! — Oi, onde você conseguiu isso aqui? — Anhmmm, não lembro. Mãe, onde eu consegui isso aqui?”

P.S.: Não faço IDÉIA de quem seja Thalita Rebouças.
P.S²: O ponto G da Bienal era o stand da Saraiva.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Outro dia, como eu sou fofoqueira, eu escutei bem assim: “Não termina com ele, não agora. Ele vai sofrer pra caralho…“, “Ué, e você acha que eu não sofro quando ele me liga?”

Fiquei chocada.

Tão chocada que aí eu mandei pruma coluna da revista do Globo, tipos, Entreouvido por Aí, sabe? Aí que a moça ficou igualmente chocada.

Tão chocada que vai publicar nesse domingo, porque o mundo precisa saber disso.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Hoje eu tava com a libido muito elevada. Puta merda, cantei umas três pessoas.

Umas três pessoas, assim.

Que porra.
Aí eu atravessei a rua, com pressa, sujei a barra da calça e, de repente, eu só via você.
— Baby, você está vendo pra esse rostinho? Esse rostinho moveu mundos para estar aqui, esse rostinho acordou há vinte minutos, então, nada de perguntar “que cara é essa?” ou se eu sou japonesa, ok?
— Adorei o seu guarda-chuva.
— Pin-up girrrrrrrrrrrrrls.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Núbia

— Caram, odeio esse clipe.

(ela não pára de olhar pra tela)

— Odeio esse clipe… mas não consigo não olhar!
— Nossa, mas sabe que no domingo eu tava em casa, aí tava a mulher do Gaiola das Popozudas cantando e eu não conseguia parar de ver…

<3

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Nível de conversa juvenil

No metrô:

— Aí ela disse que era preu ter medo dela e aí eu falei “por que? você tem duas pirocas, por acaso?” e ela falou que se eu fosse mulher suficiente eu encarava ela… aí, maluco, eu parti pra cima daquela piranha e ranhei ela todinha.
— E o Cristiano que tava me traindo e eu descobri tudo? Só admitiu quando viu que não tinha como negar. Homem quando se dá pra trair não tem quem segure…

domingo, 6 de setembro de 2009

S. Jorge

— Raquel, você não pode se deixar abater por causa de um problema de logística do metrô.
— Flor, eu não vou processar o metrô por causa de respingos de ar-condicionado que caem na minha blusa, ok?
— Mas, Raquel… imagina, isso é porque você está indo pra casa e chega daqui a três estações, mas, se você estivesse indo a Copacabana? Você chegaria encharcada lá. E se a blusa fosse branca? Você ficaria totalmente exposta. Constrangedor, Raquel. Não pode.

Tava pensando que amanhã eu ia trabalhar, analisar as pessoas… diz a meteorologia que amanhã fará frio. Presumo, porque disse que o tempo seria chuvoso. Chuva e calor é o tipo de combinação que me dá uma certa raiva. Combinação que me faz feliz é chuva, chuva tempestade dilúvio e frio. Ou um tanto frio para os padrões cariocas, com um sol de enfeite.

Aí eu lembrei que amanhã é feriado.

— Qual é o feriado é amanhã? É municipal?
— Raquel, não seja burra. Não é o feriado de São Jorge, como você está pensando. Sete de setembro, porra.
— Dia treze é o seu aniversário, né? Vou te fazer uma surpresa. Você vai ver. Você vai ver.

Amanhã é feriado. Hoje é domingo. Amanhã se estiver um tanto frio, colocarei minha camisa de lenhador, meu shortzinho e me encaminharei a praia. A praia mais próxima fica a mais ou menos sessenta minutos daqui. A pé, obviamente.

Tá. Me rendi de novo. Se alguém quiser me localizar, me encontro no número de telefone:

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aqui no escritório tenho muito ócio. Então, a cada semana eu escolho um tema aleatório e baixo. Sei lá, documentários, suicídio, Almodóvar, filmes que tem a palavra “before” no título. Essa é a semana dos filmes guêis de menininha.

Achei as protagonistas um tanto desagradáveis, porque a menina tinha uma cabeça relativamente grande e a outra tinha cara de frígida e era inconcebível que elas tivessem algo.

Só que eu desenvolvi um fascínio super especial por uma coadjuvante, sendo que ela foi meio filha da puta porque ela usava humor negro em horas inapropriadas e, sei lá, eu curto humor negro em horas inapropriadas. Vai ver era a cara, me lembra algumas pessoas de quem gosto.

Daí que eu desenvolvi um fascínio supespecial pela coadjuvante. Aí que a protagonista de cachalote esnobou a Coadjuvante Fascinante dizendo que a tal não faz o estilo dela, aí eu cheguei a conclusão que aquele filme não era pra mim, porque, né… Não gosto de pontos de vista que diferem tão absurdamente do meu.

Tenho problemas?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(mamãe e eu falando de uma moça que namora e o namorando vive na residência da sogra)

— Essas pessoas cheias de hormônios realmente acham que entendem alguma coisa de relacionamento.
— Entendem nada…
— Esse negócio de viver que nem irmão, comendo da mesma ração, isso acaba com a paixão…
— Putz, demais. Negócio de ficar vendo todo o dia, se saturando o tempo todo e tal. A senhora tem razão.
— Esse negócio de trazer roupa um dia, dormir no outro, vem hoje, fica amanhã… já vi. Sustento dois, daqui a pouco sustento três, né…
— Desculpa o atraso.
— Ah, não tem problema. Na próxima vez venha de táxi.
— Eu até poderia, mas dei dez reais de presente para a minha mãe.
— Dez? Dez reais?
— É! Do nada, sabe. Sou bacana e espontânea.
— Dez reais, Raquel? E ela não devolveu esse dinheiro com raiva?