quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Metrô

— O que tu almoçou ontem?
— Lasanha.
— Lasanha de quê?
— Bolonhesa.
— Carne moída não tem todo esse revertério, não! Tinha presunto?
— Não.
— Não?
— Tinha pimenta.
— Tinha pimenta na lasanha?!
— Não, tinha no que eu jantei.
— Ué, mas por que tu encharcou a tua lasanha de pimenta, meu velho?
Show da banda do Math:

— Filho, coloca os seus óculos de volta! Se você tirar os seus óculos, assim, você não vai enxergar a gente te vendo!
— É justamente por isso que eu tirei.
— (…)
— Alô? Mãe? Eu te liguei pra… Eu?! Eu tô na Avenida das Américas, na altura de… Ei, você! Não, não, o seu amigo bonito. Escuta, em que altura eu tô? Mãe? Então, estou na altura de Sernambetiba. Fazendo? Ah, então, nada, assim. Mas eu te liguei pra dizer pra senhora não jogar o jornal fora, tá? Isso, não é pra jogar o jornal fora! Ai, mãe, eu li uma reportagem tão linda, tão triste. E eu fui na internet e não achei! Então é cópia única, nem lembro de quem era a coluna. Ai, mãe, chorei tanto, a senhora nem sabe. Puta que pariu, começou a chover. Aham, trouxe o guarda-chuva sim. Ah, também tô de casaco, só um pouquinho frio, aham, ééé… então, não joga o jornal fora. Beijo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Faz zum-zum pra mim.
Ainda no metrô, dois homens barbudos:
— O senhor está me machucando! (voz fina e afetada)
— Não posso fazê nada, meu amô! (voz grossa e afetada)
Hoje uma mulher no metrô me deu um soco sem querer quando foi se movimentar e eu fiquei sem ar. Fiz amizade com o cara do cappuccino.
— Vem cá, hoje ainda tem aquele copo da Nestlé? Na boa, se me derem aquele copo descartável de quando acaba o copo da Nestlé eu nem quero, sério, a graça é o copo, né…
— Tem sim, querida.
— Nossa, Núbia, cê tá bonita hoje.
— PRA QUE EU VOU QUERER FICAR BONITA, RAQUEL? NINGUÉM ME AMA, NINGUÉM ME QUER, NINGUÉM GOSTA DE MIM, FICAR BONITA PRA QUÊ? POR QUÊ?!
Dita Von Teese. Taí uma mulher BOA. Não boa no sentido calcutá da palavra. Boa, gostosa, sei lá.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tá chovendo e eu tô escrevendo no escuro. E eu tenho que apagar a cada três milésimo de segundo, porque eu erro tudo.

Conheço uma menina que aprendeu a digitar de maneira relativamente satisfatória em uma semana. A professora de óculos deu um papel com as teclas escritas na ordem. Depois de uma semana, a professora de óculos obrigou ela a escrever um texto relativamente grande em um teclado de teclas apagadas, então, ela escreveu relativamente bem, porque tinha decorado. Para sempre.

A caixa nova do café onde eu sempre vou não sabe lidar com números. Ontem eu pisquei pra ela e disse, bem baixinho, num sussurro quase imperceptível: “eu tive que aprender a mexer com fax” e ela disse, no mesmo tom que eu, “fax é tenso”. Toda a vez que passo lá ela está entretida descobrindo as magias da caixa registradora.

Difícil olhar nos olhos, ela sempre tá sorrindo de maneira apaixonante e fica a 20cm de mim. Dá pra sentir a respiração. Então, eu olho pra testa, forçando uma coisa tipo consulta no médico, cumplicidade zero. Das duas, uma: a) eu sou intensa pra caralho e não consigo ser i-m-p-e-s-s-o-a-l; b) tenho problemas imaginários.

Tudo é relativo. Mas eu tento.

A mensagem a seguir não pôde ser entregue a todos os destinatários: Beija.

domingo, 18 de outubro de 2009

Cara, as pessoas vem aqui na surdina e nem tchuns. Pensam que eu não sei?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Na segunda-feira, se você viu uma mórena de macacão curtinho, abaixado, pernas de fora, camisa preta, sei lá, com a bochecha vermelha, que flertou com você e que se sujou com sorvete, na Quinta da Boa-Vista, sei lá… era eu.

P.S.: Lembrei agora de quando eu fazia natação. Tinha um cartaz com os horários. Um dia uma garota, sim, uma garota, porque estávamos no supervigiado vestiário feminino, uma garota qualquer escreveu “vão tomar no cú”. Uma semana depois, escreveram “cu não tem acento” e aí na outra semana, uma outra garota, com a letra diferente das anteriores, escreveu “no meu mundo cú tem acento e ponto final” e eu nem sei porque tô anotando essa baixeza aqui.

“O problema é que quando uma atriz olha para você, ela enxerga a sua alma. E quando uma escritora te escuta, ela ouve o que você não disse”.

Porra, lindo. Lindo.
Please don't take my sunshine away.

O dia

— Bom dia!
— Porra! Bom dia? Você sabe que merda de dia que foi o meu? Você tem noção de quanto o meu dia foi escroto? Que eu fui demitido? Que um carro passou e me molhou todo? Você sabe, porra? Então enfia essa sua sua educaçãozinha dada pelos teus pais onde o sol não bate. E sabe o que mais? São nove horas da noite. Você é retardada ou o quê?
— Bom dia porque… o “dia” abrange o dia inteiro, porque estamos quase no horário de verão e eu não sei o que é noite, bom dia porque hoje eu falei com você, bom dia porque eu te amo porque você é a pessoa mais fodida do mundo inteirinho. Bom dia você, bom dia vida. Bom dia.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Eu conheço gente.

E eu te conheci todinha.
Coloquei alargadores. a) Não doeu. b) Minha orelha fica vermelha e quente por horas quando sofre algum tipo de alteração e isso é muito engraçado, porque ela fica assim quando eu tô com vergonhis e/ou tesão.

— O que é isso na sua orelha?
— Nada.
— Por que você fez isso?
— Por que você penteou o seu cabelo como um cachorro que saiu do banho?
— (…)

(adoro o controle que podemos exercer sobre os diálogos e, como podemos deixar as pessoas desarmadas com tão pouco, haha)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

— Não conte a ninguém.
— Contar o quê?
— O que eu te falei no outro dia.
— Que dia?
— Naquele dia em que eu salvei a sua vida.
— E que dia foi isso? Causa de quê que eu não lembro?
— Não se faça de desentendido não, viu.
— Eu não estou me fazendo… o que é que eu não posso contar pra ninguém?
— Ninguém não. Alguém. É segredo. As pessoas não podem saber.
— Saber, de contas, o quê?
— Que eu disse que eu gostava de você porque pra salvar a tua vida eu precisaria te trazer comigo pra sempre.