sábado, 28 de novembro de 2009

Ontem eu fui ao CCBB ver um filme do Almodóvar (inclusive, a mostra inteira é gratuita, então, vão). Hoje eu também verei. E na próxima semana e tudo o mais.

Daí que tinha um cara da cabeça de cotonete que lembrou-se de mim da outra vez, era alguma coisa com fitinhas em que você carimbava o seu desejo e pegava de um outro alguém, proposta contemporânea.

Mudaram a proposta, o cotonete me contou que para terminou com um “oi, estamos terminando esse projeto, você quer um desejo gratuito?”, enfim.

A que sucedeu os desejos em fitinhas foi uma coisa, tipo... era um balcão branco em que você escrevia o que era arte y cultura pra você.

Resolvi fazer um merchandising.

Arte: dar conselhos
Cultura: ignorá-los

likecockatoos.blogspot.com


Depois eu coloco foto, sério! Sério, porque fui ler os outros e tinham uns muito surreais, tais como “Colégio Bandeirantes passou por aqui”, “funk que é arte e cultura”, etc.

Obs.: Hable con Ella é um dos filmes mais tristes que eu já vi. É tão triste que eu até lembrei da cena em que a mãe do Bambi morre.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

65400:35:41,129 --> 00:35:43,924 You taste...
65500:35:43,924 --> 00:35:46,342 so fucking good.
Ontem eu tive o sonho mais erótico e fetichista da porra da face da terra.

Mais que os outros, digo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Zéque

Bom dia. Hoje eu estava por aí quando vi um dromedário de madeira maçiça esculipido no chão, em cima de um pano e um senhor ao lado. Junto um hipotótamo, ai, lindo, tinha até verniz, coisa mais linda, mais fina e chique.

— Nossa, que lindo! Quanto é?
— R$ 40, mas pra você eu faço por R$ 30, porque fui com a sua cara.
— Eu tava andando aí eu vi esse camelo e… não, isso não é um camelo!
— É sim!
— É um… um… aquele, do Camel, sabe? Camel cigarettes. Bem, eu esqueci o nome… que bonito. Você é da onde?
— Senegal.
— Senegal, nossa, todo mundo no Senegal faz essas coisas super bonitas, assim?
— Não. Escute, qual é o seu nome?
— Raquel e o seu?
— Zach.
— De onde você é?
— Do Brasil, ué.
— Ahhh! Então, você veio de uma aldeia indígena?
— Não. Eu sou nascida, criada e cuspida do Rio de Janeiro.
— Seus pais então vieram?
— Não, Zach. Meus pais não vieram de aldeia indígena, eu tenho essa cara porque… ah, história longa, mas se serve de consolô, meu tio-avô era um pajé.
— Então você tem parentes colombianos?
— Não, Zach, eu não tenho parentes colombianos, a família toda é do Brasil, com uns portuguesinhos safadinhos ali e acolá, uns pajés curandeiros fodidos soltos, uns pretinhos, uma tal de loira do olho azul, sabe?
— Ah.
— Em todo o caso, vou-me.

P.S.: Hoje no metrô o cara tentou pegar a minha mão e colocar no pau dele. Aí eu falei SOLTA PORRA no meio do vagão, mas ninguém se ligou que era eu porque tinha muita gente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Quando eu era criança, eu achava que olhar pro céu fazia o dia passar muito mais rápido do que realmente deveria — porque antes que eu percebesse, eu abaixava a cabeça e já era noite. E eu tinha medo do escuro.

Então, antes de dormir, eu prometia a mim mesma que não iria olhar para o céu no dia seguinte, em hipótese alguma, porque queria que certos momentos durassem pra sempre.

Mas eu morava no 12° andar de um prédio.

domingo, 15 de novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Amanhã, sexta-feira 13 é aniversário da minha mãe. A matriarca.

Não sei comprar presentes, mas é uma data feliz e especial. Pensei em comprar um relógio (amarelo, que depois eu tomaria pra mim), mas não.

Andando loucamente, pois faço tudo em cima da hora. Meio olhando pro chão, pés molhados, puta que pariu de poça. De repente, surge na minha vista um boneco, tipo mago, com chapéu pontudo, todo de branco, cabelo zoado. Achei lindo. Olho pro dono. Telha. O Telha é uma amigo muito querido que não vejo tem mais de ano. O Telha parecia uma estudante católica virgem quando eu o vi, gravatinha e aquela camisa branca, de calça e um lindo sapato.

— Oi, Telha, quanto tempo eu não te vejo! Vi o seu boneco voodoo e resolvi olhar o dono e era você!
— Não é meu! É da minha amiga, que foi comprar pijamas pro filho dela.
— Pijamas!
— É, quem usa isso?
— Achei que tivessem sido abolidos.
— Pessoas normais não usam pijamas.
— Você sumiu!
— Eu estava em São Paulo.
— Fazendo…?
— Atrapalhando.
— Bonitos sapatos.
— Obrigada. O nome é mocassim.

Porra, o Telha é lindo.

— Posso experimentar? Quanto você calça?
— 38/39.
— Ah, ficou um pouco frouxo, que pena, vou comprar um pra mim um dia.
— Você deve calçar acho que 37, mas, não liga, é só usar uma meia bem grossa que cabe!
— Sim, claro. Lindos sapatos, lindo mesmo.
— É mocassim. E o que você estava fazendo?
— Comprando presente pra minha mãe.
— O que você vai dar?
— Pensei num relógio.
— Relógio não, é muito clichê.
— O que você quer que eu dê?
— Ah! Uma roupa bem bonita!
— Isso não é clichê?
— Não se for um vestido.
— Ah.
— Quantos anos ela fará?
— Meio-século.
— Qual é o gosto musical dela?
— Ela não tem.
— Ela gosta de ler?
— Gosta sim, mas acho que ela tem narcolepsia, porque ela lê três palavras e dorme.
— Você tem muito dinheiro? Por que não dá um violão?
— Telha! Eu não posso comprar um violão!
— Ah! Ela gosta de dormir?
— Gosta sim. Eu realmente gostei dos seus sapatos.
— É mocassim!
— Sim, eu sei! Eu já entendi que é mocassim! Eu já entendi!
— Então, dá uma fonte de água pra ela. Uma fonte bem bonita, pra ela ficar feliz e dormir mais fácil.
— Ela dorme relativamente fácil.
— Não, pra ela dormir mais intensamente!

Porra, a voz do Telha é linda e ele é lindo.

— Ai, tá bom, então, vou lá buscar a fonte.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Caso Surreal pt. 2

Fui almoçar. Olho no ristorante inteiro: um lugar vago, ao lado dos Deuses Gregos. Como não sou mulher de esperar, fui direto para a mesa. O bonitinho não se deu ao trabalho de retirar a sua grande mochila que impedia a minha pessoa de sentar na cadeira, então, como não sou mulher de esperar, peguei a mochila e tasquei longe.

Mentira.

Chamei “o grande” e pedi para retirar a mochila do gentleman, que nem se importou. No caminho de volta ao escritório, uma moça tatuada, com cara de viciada em drogas (na abstinência), levemente chapada, me diz que consulta com Profetisa Valquíria é de graça. De graça até injeção no olho e, até porque, sou arroz soltinho — tooooooooda receptiva. Vamos. Então, subi numa escadinha de madeira traçando rotas de fuga e revendo meus golpes fatais que aprendi e nunca coloquei em prática.

— Nome?
— Raquel Estrela. (sempre mentindo os nomes)

Então, vejo um senhor transtornado e chorando. Taquicardia, “hm, já vi que será emocionante”.

Entro na sala branca e uma mulher com cara de louca, vários anéis e trajando jaleco sentada, me olhando.

— Você que é a Raquel, hm, Estrela?
— Eu merma.
— Você tem algum problema?
— Não.
— Você tem insônia?
— Tenho.
— Isso já é um problema, correto?
— Correto.
— Quando você não consegue dormir, o que faz?
“Eu me masturbo vejo vídeos pornôs do Burning Angel.”
— Eu fico olhando pro teto.
— Sua cabeça fica vazia, não é?
“Nunca! Cafeína e sangue no olho!”

Comecei a pensar em corsets. Vocês não tem noção, a mulher era uma vigarista da cabeça aos pés.

— Sim senhora.
— Você mora com a sua mãe e seu pai?
— Não, só a matriarca.
— Eles são separados?
— Nunca se casaram.
— Isto é um trabalho de feitiçaria que fizeram contra a sua avó e que refletiu nos filhos e filhas e vai refletir em você.

Pausa. Dona Juliana, minha avó? Dona Juliana morreu em 1982, ainda no capiau interior e todos da cidade a amavam e veneravam e todos compareceram ao enterro. Sem exceção. Então, ela pediu para eu falar da minha vida sentimental. Falei que nem guêi no armário, “uma pessoa”, “uma pessoa”, nada demais. Então eu falo que não costumo me envolver sentimentalmente com as pessoas (entretanto tenho uma promiscuidade sentimental escandalizante, até).

Ela disse eu ia às festas toda arrumada e que me perguntava o por quê dos homens não olharem pra mim. Isso nunca aconteceu, biexo. Os caras sempre mexem e sempre é desagradável. E ela tocou muito nessa tecla dos meus homens que não olham pra mim, dizendo que eu me perguntava o por quêêêê eles não comentavam, cara, eles comentam, elogiam, bibibibi. Louca de jaleco.

Então ela disse que era para eu levar a matriarca para fazer uma limpeza espiritual, pois éramos afetadas por entidades e McBlá. Então, ela pegou na minha mão e disse que era para eu pensar na minha vida e disse que eu era invejada no trabalho.

Claro. Trabalho com três pessoas muitíssimo bem sucedidas e que provavelmente não sentem inveja das minhas camisas de lenhador. Mulher não fazia o mínimo pra impressionar, tava me sentindo traída. Ela diz que se fosse de meu interesse, que levasse uma peça íntima branca (pois a mesma disse que não trabalhava com outras cores). Malzaê, minha bregaíntima só tem bege.

Emocionada, ela abriu a gaveta e me deu um saquinho com sal ESPIRITUALIZADO (palavras dela) que era para eu colocar no meu armário e que amanhã, se eu quisesse comparecer ao culto, curimba, exorcismo, sei lá, que levasse uma oferta S-I-M-B-Ó-L-I-C-A de R$ 21.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

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(conte aqui o seu caso surreal)



Uma vez eu tava no Flamengo, andando sozinha, sei lá, dia nublado. Então, um senhor suadíssimo, camarão, tetinhas, sei lá, 70 anos, sunga vermelha, tênis, meia até os joelhos, com um walkman, sorridente, olhos azuis, estranho, cara de satânico, disse:

“OI RAQUEL!”

Nunca soube quem ele era. Nem quis.
Tudo deslizando. Desliza fácil. Das minhas mãos e vida. Eu deslizo, meu deslizamento me projeta através quedas sequenciais, tropeços. Imagina se o chão da rua fosse como o chão de banco.

Quando pegam no meu cinto que tem uma caveira eu acho sempre uma coisa muito erótica porque tudo é muito erótico pra mim. Minha essência de menino pós-descoberta com Playboy nas mãos.

Vou te cortar em cubinhos porque (te) comer em cubinhos é mais gostoso. Ou não. Eu gosto das coisas frias, ponho no freezer. Num freezer que não é meu, com cervejas que não ão minhas. Odeio cerveja.

Ou não, afinal. Sou quente paca. Não posso tocar, nem te comer em cubinho, caso contrário você se desfaz.

Você se incomoda se eu passar a mão no seu cabelo? Desde que esse seja cabelo composto por olhos profundos e sorriso estonteante. Aí eu quero sim. Muito bom. Meu amor é gratuito.

Tenho superpoderes. Posso me tornar invisível, por exemplo. Mesmo quando o que eu mais quero é ser vista.

You're perfect, yes, it's true/But without me you're only you

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Crazies galore

open the door, walk in behind her/draw back your bow, let it remind her/no ones around, no need to fake it/she's not in love, how can she take it?

give her the time, she'll know you mean it/make up her mind, throw in her feelings/open the door, have her jump through it/she fell in love, how could she do it?

do you know?/do you know what you're missing?/what you're missing will show if you should try to kiss her

Mãe 2

Hoje, de manhã:

Cláudia Abreu, na tevê, falando da importância da presença da mãe na criação do filho, falando que ela se preparava junto com ele antes das provas, que corrigia, ia na reunião dos pais, mimimi. No final, ela diz: “o maior bem que uma mãe pode dar, além do afeto, é a educação”.

Minha mãe vira e diz: “Claro! A educação de uma boa babá…”

Mãe 1

Depois. Chego em casa, mãe está dormindo no sofá. A tevê está ligada. Silêncio.

Filha boa -> beija, desliga a tevê e a deixa dormindo.

Filha má (aka eu) -> samba, dança. Nenhum sinal. Aproximo o meu rosto a 3cm dela, com o intuito de acordá-la. Nenhum sinal. Começo a assoprar na cara dela, ela acorda, asssusta, eu rio muito e aperto as bochechas dela.

— VOCÊ NÃO GOSTA DE MIM! NÃO TOQUE EM MIM! NÃO GOSTO DE PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE MIM TOQUEM EM MIM!