quarta-feira, 31 de março de 2010

Hoje foi um dia de muita saliência na minha vida. Tá que são 15h, mas mesmo assim.

Então, eu tô rouca e com a garganta arranhando.

Aí eu tive um flash e eu devia ter recomeçado, né.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Post chato sobre o metrô e como eles me foderam

É um absurdo. Primeiro afanam um vagão inteiro da composição do metrô. Agora são cinco carros, o que aumenta o negócio de corpos m². Mas, são dois trens agora, circulando e coexistindo: o laranjinha e o verdinho. Então fazem mais e mais, que seria equivalente a menor de tempo espaço entre as composições. O verdinho vai até Botafogo e volta até a Central, indo para São Cristóvão e depois para as outras estações da linha 2.

A linha 2 é a linha dos trabalhadores sofridos que vão trabalhar sete horas da manhã e voltam cinco da tarde e tal.

Mas, cara.

Agora, quando você passa do eixo da Central, tipo Praça Onze, Estácio, S. F. Xavier, Saens Peña… tipo que você espera seis minutos (!). E sem ar-condicionado a partir das 16h, hein.

Mas aí que eu pego o metrô na Presidente Vargas.

Aí que quem vai pra Central pega logo o trem laranjinha (linha 1), pra saltar na Central, pra pegar o trem verdinho e tal.

Odeio essas espertezas.

Aí que o Estácio deixou de ser a estação principal, perdeu o salgadinho, a máquina de café, as lojas e tudo. Agora é um túmulo. Voltar pra casa o horário de pico sentindo bairro é uma ême, mesmo.

Mas os trens continuam cheinhos, porque calor humano é sempre bom. Ainda mais embaixo da terra e sem ar-condicionado.

Risos.

Introdução

— Legal esse seu último post.
— Ah, sim.
— Ele é “mais Raquel”, sabe?
— Não, não sei.
— Você entendeu.
— Juro que não. Sabe o que é mais “eu”?
— O que?
Reclamar do metrô.

terça-feira, 16 de março de 2010

Indelével

Hoje eu sentei na grama aqui em frente ao meu prédio e fiquei olhando o céu cinzento. E eu tava com uns jeans meio frouxo, sabe, uns tênis modernésimos e olhando pro céu. Sei lá, acho maior frívolo quando eu faço isso, me sinto desocupada. Mesmo que sejam apenas cinco minutos com lapsos temporais, como aquelas pessoas que dizem que foram abduzidas por alienígenas.

Como se o céu fosse o meu teto. Ou o teto do meu quarto. Pior é que eu tenho esses pensamentos fixos, que não mudam nunca, de ficar filosofando sobre os relacionamentos e as pessoas e os costumes, sobre como é tudo relativo, sobre o amor, sobre o cara da antena coletiva que nunca vem aqui em casa, sobre pessoas vs. altura vs. personalidade, sobre como todo mundo se acha racional. Essas coisas. Eu devia me tratar. Ou eu devia ser tipo antropóloga. Engraçado como antropólogo e antropófago são palavras parecidas — uma letrinha, duas letrinhas de nada e estragou tudo.

A primeira vez que eu vi a minha mãe chorar foi há muito tempo. A crença de uma criança sempre vai ser algo muito frágil. Mas eu acreditava que a matriarca era o ser mais poderoso do mundo, invulnerável, heroína. Você pode pegar e destruir essa crença de uma vez só. Mas aí você faz alguém que acredita em você ter um choque com a realidade. Todo mundo é vulnerável, mesmo. Mas aí quando você tem, sei lá, seis anos… você não sabe disso.

Vai ver por isso que eu fiquei assim.

Não lembro bem o motivo pelo qual ela chorava, nem sabia, nem tinha como saber. Então, eu a abracei e chorei também. Ela nem deve lembrar disso, mas eu lembro. Sofrimento é uma coisa palpável. A primeira vez foi um flagra.

A segunda vez eu também lembro. Eu lembro até hoje do telefone tocando e o sorriso se desfazendo. Eu não soube o que fazer.

A terceira vez foi hoje. Eu também quis chorar. Eu ainda não sei o que fazer, mas acho que ela ficou feliz de eu dizer que eu sempre derrubo a comida no chão porque a minha coordenação motora é limitada.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Faltam dezenove minutos pras vinte e uma horas. E aí eu penso, eu visualizo alguém me perguntando as horas nesse exato minuto e, com o meu tão desejado relógio do Salvador Dalí (o bigodinho é o ponteiro e se mexe) eu digo “ah, dezenove pras vinte e uma”. Como se alguém dissesse isso! Mas o meu tom ia ser tão natural.

Minha mãe quer me matar. Ela veio na surdina e desligou o ventilador. E eu só senti que suava muito e que todas as minhas camisas em breve se tornarão regatas.

O chá tá pronto. Sim, você não leu errado, o chá. Eu tenho sérios problemas com abstinência de café e o açúcar acabou e eu sou filha da puta o suficiente pra não comprá-lo — e já faz uma semana. E eu tenho preguiça de fazer café no trabalho. Ninguém toma café naquela porra. Inferno.

Mesmo eu me desidratando com cinco minutos sem ventilador, eu preciso tomar algo quente, porque esses dias eu sinto a estranha necessidade de sentir alguma coisa (tô anestesiada). Hoje eu peguei o metrô errado e, quando vi, eu estava em São Cristóvão. Então, eu deixei… tudo bem. Nunca pego os trens da linha dois do metrô. A linha dois do metrô é conhecida pela linha em que uma velhinha adentra o vagão e todos que se encontram sentados nos bancos preferenciais fecham os olhos e simulam roncos e coisas do tipo.

O legal da linha dois do metrô é que rola um esquema de superfície e você vê o feio do Rio de Janeiro, tipo o que você não encontra em guias turísticos porque ninguém se importa.
Quando chover, me envie uma mensagem de voz gratuita para o número do meu celular e diga “pegue a linha dois”. Imagine, o trem sendo molhado, os vidros embaçados… você dentro de um lugar com ar-condicionado, pessoas de olhos fechados, o barulho (ou será que isola?) da chuva e todo mundo pensando que demora quarenta minutos pra chegar em casa e eu lá, pensando na textura das coisas que ultrapassam o tato, que ultrapassam todos os sentidos do mundo, afinal, mas que você sente assim mesmo. Que eu sinto assim mesmo.

Aí eu ia lembrar de quando, há uns anos atrás, eu fui a Petrópolis. Petrópolis chama Petrópolis porque vem de petróleo. Mentira, mas eu escutei isso. Eu num ônibus, com uma camisetinha de tecido fino fino, sem puta idéia de nada, indo pra Petrópolis porque Petrópolis parecia ser um lugar legal.
A imagem da subida na serra (Serra? Será?) nunca sai da minha mente. E eu dentro daquele ônibus-ar-condicionado-modernésimo. Deve ser tipo quando chove na linha dois do metrô. Que é quando chove no Rio de Janeiro. Que é quando chove na linha um, que é onde ninguém vê nada, só o próprio reflexo no vidro.

— Você parece triste hoje, Raquel.
— Quê? Anhm? Putz. Eu não tô triste. Estar é um estado de espírito passageiro, mas eu não sou adequada a esse tipo de estado. Eu sou feliz, eu tô feliz. Eu tô aqui com você.

Aí eu dou um puta sorriso amarelo. Quando você lê aquela placa “sorria, você está sendo filmado” e você sorri, você sorri amarelo, porque não há mais a surpresa.

E aí eu continuo o monólogo:

— É esse sol… esse calor. Bloqueia a minha mente. E eu escuto essas músicas tristes de gente sem amor.

Essa mina que acha que eu tô triste fica olhando fixamente pra mim quando eu tô distraída. E ela é a terceira pessoa que fica olhando fixamente pra mim quando eu tô distraída. Eu sou cínica mas fico constrangida.

— Cara, você tem esses olhos.
— Que olhos?
— Sei lá. Eles são muito bonitos.
— Por que?
— Eles são meio amendoados, uma coisa muito bonita.
— Eu não tenho olhos amendoados porra nenhuma. E sou a Juliana Paes.
— Pára.
— Ok.

Aí, como uma cena de filme, corta para a gente numa estação de metrô da linha dois.

— Detesto essas gurias destruidoras de coração que nunca precisaram correr atrás de ninguém e sempre tem quem querem na palma da mão.
— Raquel, não é assim. Eu já… ok, é assim. Eu sou assim.

Cansei. Vai se ferrar, Fernanda.

Eu tenho um sério problema mental. Toda a hora a Fernanda dizia que a estação era/estava fazia e eu dizia que era porque ficava na linha dois, então, devia ser, sei lá, a estação putaquepariu e tava só a gente lá.

Obviamente é muito fácil falar de amor e relacionamentos quando todo mundo corre atrás de você, correto? Parei de bancar a bitch invejosa, tá tudo bem, eu tô numa boa. Eu vivo assim.

O dia em Petrópolis foi chuvoso, eu peguei chuva com a minha camisetinha fina que me deixou na puta que pariu de tanto frio, eu fui na fábrica de chocolates e isso me lembra o dia em que estiver chovendo e eu resolver pegar o trem da linha dois, sentar no banco especial, fechar meus olhos, escutando uma musiquinha bem interessante de gente sem amor.

O negócio é que eu jantei, tomei banho, deitei no sofá e fiz uma pá de coisas e faltam vinte e nove pras dez.
Nossa, tô inspirada. Daqui a uns quatro dias eu posto alguma viagem minha.

Update: Nem consegui esperar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ando com um puta bloqueio pra escrever.
Papo de amigo é isso aí.

— Eu curto uma coroa.
— Pô. Sério? Você vai ser aqueles michêzinhos de vinte e seis anos que são sustentados pelas suas respectivas coroas ricas e pá?
— Não seria uma má idéia.
— Arranhão me arrepia, hein.
— Minha ex me arranhava num lugar só. No lado esquerdo do pescoço. No começo, eu ficava louco… depois de um tempo eu tive vontade de dar um tapa na cara dela e perguntar “TÁ QUERENDO ME DEIXAR EM CARNE VIVA, PORRA?”