quinta-feira, 15 de abril de 2010

Confissões de quinta-feira

Eu anoto frases de efeito, dobro e coloco no bolso da calça.
Não, eu não vi se tá funcionando. Desculpa, cara. Eu sou assim mesmo, eu levo para conserto e não vejo se funciona — pelo menos na hora. Eu ganho presente e não olho pra ver o que é, uma vez pegaram nos meus braços e disseram pra eu parar de ser tão assim. Minha curiosidade abrange outras coisas, né. Eu mando fazerem alguma coisa importante demais pra mim, tipo que vai salvar a minha vida, mas eu não consigo verificar/cobrar se fizeram/tão fazendo direito. Eu espero chegar em casa.

Eu sobrevivi

Sabe que, semana passada, eu tava apressada, né, o tempo tava esquisito, eu liguei pra minha mãe e tudo, chorei um pouco, disse que tava sem guarda-chuva, que o céu tava estranho, que eu não queria molhar a minha roupa, que tava tão bonitinha, que não sei o quê, blábláblá, Raquel, me liga quando você sair do metrô.

Aí eu saí do metrô e, como obra do demônio, minha mãe não atendia em nenhum dos dois telefones. Aí pensei que, putz, né, que erro. Ela sabia que eu ia ligar. Que puta sacanagem. Alá, já ia molhar a blusa e fazer um show de graça. Alá, ó. Nem queria, tava me sentindo o cara do Prodigy, o cão, etc.

Enquanto eu pensava demais e olhava tristemente para o chão, começou a chover forte. Alá, cara, minha própria mãe me deixou na mão, nossa, nem parece que eu saí dela, pelo menos ela deu a entender que nosso laço de mãe-filha não significa nada. Chove cada vez mais forte e eu tô andando pela estação do metrô e penso que músicas eu ia escutar quando chegasse em casa, tomando chocolate quente, que eu tava enjoada de café (!) até, o casaco quentinho, naquele ambiente família

Pensando bem que a minha mãe podia estar ali fora, né, vai que ela não aguentou em me esperar ligar. Eu sou tão legal, filha da ouro.

Quando eu saio de fato da estação, isto é, rodar a roleta e ver as pessoas com cara de tacho sem guarda-chuva.

A chuva está tão forte que a água já é capaz de cobrir os meus pés. A matriarca não está lá. As pessoas com cara de tacho estão. Enquanto eu tiro meus tênis e me preparo pra andar de meia, a água já está perto dos meus joelhos. Que nojo, Jesus Crishxsto. Que nojo, meu Deus. Nossa Senhora, que nojo, que situação, vou pegar todas as doenças do mundo. E se um rato nadando vir me morder? Jesus Nossa Senhora, será um parto.

E ventou tanto. E tava tão frio. Eu queria que alguém com um casaco enorme e desproporcional me aquecesse. Algumas vezes eu sou fofa, mas ninguém nota. Eu escrevo cartas e deixo bilhetes na geladeira, que tipo de pessoa faz isso? Eu faço. Prazer, Raquel.

E tava ventando tanto, o óculos tava na camisa… o óculos vôou a uns 2m no lago que tinha se formado na praça do metrô. Aí eu penso “foda-se, vou ir pra casa”, mas aí eu penso de novo… eu troquei tem um mês, eu não quero pedir pro Bibo de volta, a essa altura ele deve ter incinerado aquela merda que eu esqueci na casa dele.

Aí eu penso de novo e de novo, foi tão baratinho, ele é tão bom, não arranha fácil, a vendedora foi mó dominatrix bonitinha e aí eu volto do ponto do portão que delimita a praça do metrô.

Segue a cena: eu, na chuva, de calça, tênis na mão, camisa e mochila, procurando os óculos, enfiando a mão (e o braço) naquela água que continha todas as doenças possíveis, procurando o óculos, com aquele jeito de ceguinha, todo especial, as pessoas chocadas.

Sinto o meu útero molhar e, cara, não vou achar mesmo e essa é a maior chuva que eu já peguei e se um raio me matar agorinha eu nem vou achar um absurdo, porque tem vários raios e relâmpagos que eu tô vendo. Bem ali do lado.

E, sério, parecia que foi em câmera lenta, eu não consegui achar, a água tava corrente já, nos meus joelhos. Ai, que decepção. Que tristeza. No dia seguinte, foi um puta feriado forçado, eu molhei meus tênis do mesmo jeito, tudo fechado, mas eu vim trabalhar porque sou muito esforçada.

Eu sou uma ferrada, mesmo, pqp. Essas coisas só acontecem comigo. Continuando a historinha: chego em casa, trazendo um rastro de destruição. Nem sinal de viv'alma. A janela do MSN está aberta: “jo, esta chovendo mto, vou la buscar a raquel, bjuxxxx”

Tomei um banho de monange, só que substituí por álcool, porque, né.

domingo, 4 de abril de 2010

coisas que merecem serem lembradas

Raquel diz:
Vivis, tem japonês no Rio Grande do Sul?
Viviane diz:
não!
Viviane diz:
não tem japonês aqui, cara
Viviane diz:
quando eu fui em São Paulo
Viviane diz:
eu fiquei total
Viviane diz:
tem muito japonês
Viviane diz:
absurdo.
Raquel diz:
E como você sabia da existência dos japoneses se num tem japonês no Rio Grande do Sul?
Viviane diz:
eu lia, né...
Viviane diz:
nos livros de geografia, sabe
Viviane diz:
e eu via na tv, na malhação
Viviane diz:
tinha aquele japones
Viviane diz:
então eu sabia
Raquel diz:
Então! Uma amiga minha de Sum Paulo, chama Cíntia, ela é japz.
Raquel diz:
Ela veio pro Rio e ela tinha aquele molejo de sotaque paulista, cheia dos “meu”, etc e tal.
Raquel diz:
E as pessoas davam informação errada e tudo. Acho que é porque ela é paulista.
Raquel diz:
Aí eu disse (na minha inocência):
Viviane diz:
acontece... eu sempre dou informação errado
Raquel diz:
— Faz sotaque gaúcho que é infalível.
Viviane diz:
mas é porque eu sou burra mesmo
Raquel diz:
Aí ela disse:
Raquel diz:
- NÃO TEM JAPONÊS NO RIO GRANDE DO SUL, RAQUEL!
Viviane diz:
HDSAUDHADUASHDAUH
Raquel diz:
Fiquei chocadz.

Sexta-feira, Setembro 12, 2008