sexta-feira, 28 de maio de 2010

— Eu vi essa menina, sei lá, ela nem é tão bonita… não sei o que vocês viram nela.
— Ah, eu sou um ser evoluído e vejo muito mais do que aparência.
— Ah, entendi. Você quer dizer que você não é superficial como a maioria.
— Eu sou superficial.
— Mas você… como… ah, putz. Não entendi.
— Só tô dizendo que eu vejo muito mais do que aparência. Você, por exemplo, quem não te conhece vê uma menina dos olhos-coloridos-e-grandes que mudam de cor de acordo com o tempo, que é linda pra caralho. Quem te conhece rasamente vê tudo isso e mais um coração partido. Mas também é só isso. Porra, eu vejo muito mais em você. Sempre vi. Não sei se isso soa estranho, mas você engana a qualquer um, menos a mim. Porque eu sou um ser evoluído. E eu te notei a partir do 15º segundo de conversa entre nós.

sábado, 22 de maio de 2010

Busão

Agora eu pego ônibus.

A primeira vez que eu fui assaltada, foi em um ônibus, acho que foi o 432… 433… algum que ia pra Vila Isabel. Eu tinha acabado de me mudar pra um bairro que eu não conhecia. Não que eu tenha ficado traumatizada, mas aí já me deixou com birra, porque eu perdi basicamente todos os meus bens que valor, porque justamente naquele dia eu os transportava junto a mim, porque eu não confiava no órgão que a família tinha escolhido para a mudança, porque vai que sumia alguma coisa, né. Então eu enfiei tudo numa mochila.
Uns caras disseram, lá pela altura do Aterro do Flamengo algo como “tio, abre lá atrás e dá uma carona pra nós” e ele abriu, simples assim.
Aí eu perguntei as horas para o indivíduo porque eu tinha visto, no mesmo dia, uma reportagem sobre como se safar de um assalto (pergunte as horas, fique de cabelo preso, bláblá) e ele botou a mão na minha coxa e eu achei que ele fosse me estuprar, então nem adiantava perguntar as horas. Fiquei tensa pra caralho, mas aí ele falou pra eu ficar quietinha e passar tudo se eu não quisesse morrer e acho que mostrou o volume. Se ele não tivesse avisado, eu ainda achar que ele iria querer me estuprar e que a possível arma era o pau duro. O monólogo foi um pouco mais extenso, mas eu tenho preguiça de detalhar.

Quando eu era criança e, sei lá, visitava os meus parentes, eu ia de ônibus, porque, ah… eu também não pego avião. Sério, conta aí quantos aviões já caíram só esse ano. Eu ia de ônibus e três horas depois eu vomitava e ficava cada vez mais enjoada daquele cheiro específico de ônibus.

E quando eu era criança, diagnosticaram que eu tinha enxaqueca, também. E miopia.

Um belo dia, depois de quebrar meus óculos vinho enormes que iam na minha bochecha, a mulher oftalmologista virou e disse que eu não precisava mais usar, simples assim. E as dores de cabeça pararam. E eu nunca mais precisei ficar num ônibus por muito tempo.

Mas o metrô tá um caso de puliça e eu não quero ficar vinte minutos esperando pra conseguir entrar e ainda ouvir um “vai tomar no cu” só porque você fez uma pressãozinha de nada.

Aí eu resolvi pegar ônibus como alternativa a minha triste realidade, muitos ônibus servem pra mim, como o 413, 220, 415, 401… o 401 é ar-condicionado e eu detesto, porque tá tão frio… e fica o cheirodeônibus misturado com o cheirodearcondicionado. O trajeto, em condições normais, seria de uns dez-quinze minutos, mas nada no Rio de Janeiro anda em condições normais, então demora tipo… quarenta-cinquenta minutos. E eu sempre ando com uma mochila grande e fode demais pegar R$ 2,35 do bolso, ou pegar o troco e ainda ouvir o cobrador dizendo “faltam R$ 0,05 centavos” e eu sou gorda, então todo mundo sempre me olha com aquela cara quando eu vou sentar no canto e tem alguém no corredor. Fora a mochila grande. Aí é muito estresse e eu fico com dor de cabeça. E enjôo, porque passo muito tempo no ônibus.

Tudojuntoemisturado.

Acho que vou voltar a pegar o metrô.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cara, eu peguei tanta gente em 2010. Isso é totalmente irrelevante, mas, porra, sou eu, sabe? Nunca fui da vibe you-can-tell-jesus-that-the-bitch-is-back, até porque eu sou de Jesus, né.
Esses dias fui lá no Hospital do Exército marcar uma consulta. O meu pai é/era militar, então eu sou de lá pra sempre. Sempre fico pra morrer com aqueles militares gatos e… não. Mas se eu tivesse carro e fazia que nem umas madamas que volta e meia eu cruzo quando entro, que ficam cantando os soldadinhos e eles ficam todos constrangidos.

Curto muito constranger alguém. Não me jogar nos pés de alguém

By the way, eram 14h de uma tarde quente, eu estava prestes a insolação batendo a porta da minha vida. A sala de espera tinham umas seis pessoas, com uma diferença de vinte no número das senhas. Nada se movia.

Chegou a minha vez e o cara da consulta meio que tava discutindo com o outro sobre quem iria pagar o refrigerante e o biscoito, algo do tipo. Aí eu virei e disse algo como “paga logo o biscoito pra ele, pô!” e eles riram e tal.

Aí o outro, que tava discutindo com o Cara-Que-Marca-a-Consulta apontou pra mim e perguntou “você só tem esse piercing aí?” e eu pensando que ele ia, sei lá, puxar e arrancar e me deixar banhada em sangue, mas aí eu puxei as orelhas e disse “ah, eu tenho alargadores também!”, mas foi uma cena bonitinha, porque eu puxei as orelhas e fiquei parecendo um macaquinho fofinho bonitinho.

Então, sua expressão se modificou e eu achei de fato que ele fosse me banhar em sangue, enfiar uma seringa no meu olho… então, ele sorriu e disse que trabalhava com eventos e que era pra eu adicionar no perfil-xis do orkut, que um ele queria gravar comigo um dia, bláblá, que curtiu meu visual e me deu um folhetinho adesivo do programa que ele trabalha.

Fiquei chocada. Era um Hospital Militar, ele deve ser militar, porque todo mundo lá é militar, ainda mais as pessoas que trabalham na recepção… mas como eu fiquei curiosa, super adicionei e mantive o contato, então, vi que ele tinha uma tatuagem enorme e, cara, ele é militar, sei lá, gente militar…
Olhos marejados.

— Eu te amo.
— Raquel, eu não imaginava que… quer dizer, você nunca disse isso de um jeito tão intenso e…
— Ah, eu não estou emocionada. É que eu bocejei. Mas eu te amo da mesma forma.
— Você é uma grossa.