segunda-feira, 28 de junho de 2010

— Ah, essa história é legal. Você já leu a HQ em que o Superman explica o por quê ninguém o reconhece enquanto Clark Kent, sendo que a única diferença entre um e outro é o uniforme azul e vermelho e os óculos? Ele diz que o material dos óculos dele é da nave que o trouxe de Krypton, então, os óculos são tipo mágicos assim, porque são de outro planeta e ele pode escolher a imagem que ele passa para as outras pessoas, algo do gênero. Ele diz que quer que as pessoas o vejam como o Clark cansado, quase morto, sei lá… aí quando as pessoas vêem aquela figura máscula e saudável, não o reconhecem. Você entendeu?
— Entendi, sim.
— Aí, quando você diz que as pessoas te julgam e não vêem quem você realmente é, porque isso e aquilo, meu interior, blá blá, você está usando os óculos.
— Se é assim, então, eu uso os óculos da nave kryptoniana sem querer, sem me dar conta. Sabe o que eu acho, Raquel? Acabei de me dar conta que você me conta essa história do Superman e prepara toda essa metáfora bêbada, quando por baixo dos panos, você está se referindo a você. Eu sou o Clark Kent que as pessoas vêem, mas você… você é o Clark Kent que escolhe quando tira e coloca os óculos. Normalmente você os usa a maior parte do tempo, porque, ao contrário do Super Clark, quando você os tira, as pessoas só vêem o quanto você é invulnerável.
— Achei que depois desse discurso você fosse bater na minha cara e dizer pra eu acordar pra vida, sei lá… mas depois eu lembrei que você e eu somos doentes.

domingo, 20 de junho de 2010

Tudo começou no sábado passado.

Era Dia dos Namorados e eu sou um ser livre, que preza pela sua liberdade — leia-se solteira — e eu resolvi pegar o metrô e fazer um passeio. Cruzei com certos tipos de casais que me fazem acreditar em relacionamentos e eternidades e outros que me diziam exatamente ao contrário. Como uma fileira inteiramente composta por casais homo-hétero acima de sessenta anos. Bonitinho. Ou um casal de cadeirantes.

— Vem cá, querida. Você namora, né? Ganhou presente?
— Sim. Um tênis. Pela cara eu dava uns R$ 20, mas aí eu joguei na internet e é… R$ 115 e eu achei ótimo, porque vou na loja trocar por um sapato escândalo.

Depois eu desacredito no amor do mundo e sou errada.

Mas o que eu queria dizer que, enquanto eu analisava as pessoas e seus comportamentos perante feriados comerciais, eu sem querer comecei a ler o jornal do senhor do meu lado, a reportagem falava sobre um bar recém-aberto em Botafogo, onde o dono prometia dar uma rodada de cerveja gratuita a cada gol da Nigéria conta a Argentina. Só então eu percebi que, olha, a Copa do Mundo tinha começado.

Aí eu parei pra pensar e eu criei esse blog em 2007, ou seja, não há nenhum post em referência ao inferno que foi a Copa do Mundo de 2006. Ou a de 2002, eu acho.

A de 2002 eu passei na casa de uma (agora falecida) tia minha que morava num lugar bem distante. E com os meus tios e tinham balões enormes e fogos. E a minha tia era doente por futebol, então, foi bem divertido, porque os acessos de raiva dela eram como um espetáculo.

Esses dias eu passei lá pela Uruguaiana e vi um grupo de pessoas bem denso em frente a uma dessas lojas de departamento, tipo homens e mulheres, de dezoito e setenta anos, pós-expediente, etc e eu me perguntava qual seria o fator de união diante de um grupo tão… heterogêneo? Aí eu olhei pra mão deles e e eles trocaram figurinhas do álbum da Copa, cara! Tem noção?

E hoje eu fui no mercado. E tinha um cara muuuuuuuuuito bonito e grande, com uma camisa tipo retrô do Vasco e eu quase o cantei, coisa e tal, mas, oi.

E a mulher atrás de mim falava demais comigo e eu só queria observar a grande fauna exótica das pessoas que povoam as filas do supermercado num domingo, mas ela queria saber como era que eu sabia que os palmitos estavam macios e eu nunca comi palmito. Aí ela disse que era como champignons e eu odeio champignon.

Sei lá. Ela também falou que alcaparra tem um aroma ótimo e que fica impregnado na sua garganta, que é ótimo para usar em peixes.

E eu odeio peixe.

Mulher não dá uma bola dentro, né. Aí eu penso que dez minutos antes, uma mulher ficava constrangida e bonitinha porque eu presenciava um ataque espontâneo de alegria diante da promoção do Bis. Como se ela me devesse explicações, né.

— É que… hoje é dia de jogo, né? Só assim pra agüentar.

Obs.: Esse post foi escrito com um intervalo de tempo mó grande que eu não sei expressar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Amanhã (daqui a tipo… sete horas e dezoito minutos) é meu aniversário. E todo o ano eu faço um post comemorativo pedindo presentes.

Eu tô meio estranha, com uma sensação bizarra… sei lá. Parece que tá tudo no lugar errado. Acho que quatro e meia da manhã eu tô saindo de casa dar um passeio, ir a praia, ficar por lá e aplaudir o pôr-do-sol. Ou ir ao CCBB.

Ainda bem que ainda tenho café suficiente pra três xícaras.