segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Da última vez que eu olhei para o relógio, faltavam dois minutos para a meia-noite e, agora, já são… sei lá, preguiça de olhar de novo. Estou sendo devorada pelo sono e, surpresa, nem sei o por quê eu estou escrevendo isso, é até meio que despretensioso, mas não é o meu despretensioso legal que fala de coisas legais, é o meu despretensioso pra mim, que não quer falar nada, nem quer chegar a lugar nenhum…
Tive um encontro constrangedor com o meu vizinho há cerca de vinte minutos. Fui jogar o lixo fora e tivemos um daqueles momentos em que palavras não significam nada diante de imagens: eu estava com um short curtinho amarelo e uma camisa amarela do Brasil da mesma cor, ele aparentemente ficou horrorizado com a minha última tendência moda-lar. Mas nada se compara quando eu cruzei com a minha ex-vizinha de sutiã indo jogar o lixo fora.
Ou quando ela me deu bom dia após ter sido descoberta como a aterrorizadora do lar do casal guêi do lado da minha casa. Eu sei que em algum lugar desse extenso blog eu devo ter dito algo, enfim, ela jogava lixo pra porta dos meus vizinhos guêis do lado, incluindo camisinhas usadas. Nem sei se eu considero isso homofobia, é tão surreal, sei lá…
Sinto falta da época em que, porra, não tenho palavra pra nada hoje, se eu soubesse onde se encontra o dicionário, porra, eu ia ler todo. Sinto falta de uma época em que a vida parecia mais uma fotografia bonitinha tirada por uma lomo.
Acho que vou comprar uma, mas eu já não sei mais onde guardar as coisas.
New job.

Ruim que não pode mais causar na vidinha de escritório.

sábado, 21 de agosto de 2010

Fazer academia é tipo uma parada inexplicável, a começar pelo ritual de você vestir uma calça bem justa ao seu corpo para você não se diferir dos (das) demais, você não quer chamar atenção, é tudo muito simples. Mas é constrangedor sair com essa vestimenta às ruas, ainda que seja por cinco minutos (tempo do trajeto) e é tão frio… eu quase que nem sinto a ponta dos meus dedos. A outra coisa é que a academia em que eu me matriculei é “moderna” e os alunos se identificam pela digital, mas, ao que parece, minhas digitais não são legais o suficiente para a maquininha reconhecer.
E eu tenho fones de ouvido azuis que me auxiliam nessa árdua tarefa. A playlist varia entre música de boite de stripper americana (as músicas que normalmente são retratadas em filmes) e uma parada mais from hell, porque só assim, meu.

É bem divertido, até. Você analisa os tipos e vê que não faz parte de nenhum deles, tipo, eu faço academia não sei exatamente o motivo, acho que é porque o médico falou que ia ser legal pra mim (mas ele falou pra mim que comer fígado toda a semana seria legal, também, daí…), I mean, eu tenho a consciência de que eu sou maravilhosa da cabeça aos pés.

Tem umas mulheres tipo muuuuuuuito bonitas, com corpos esculturais, coisa grega. Já os homens… bem, é um caso a parte, falo isso sob o ponto de vista cultural sobre corpos ideais, etc. A maioria que frequenta a academia simplesmente desconhece o ideal de beleza grego, porque, sério… são pequenas reproduções reais do Johnny Bravo. braços fortes e pernas finas. ETs.

Sério, se você for homem e rato de academia, sério, malhe as pernas. Enquanto você está lá, com os fones, você sempre ouve alguma coisa, do tipo:

— Moleque ignorante pra caralho, eu falei pra ele que devia ser astronauta, né, se ele tava afins de tomar “asteróide”.

Tem o Pedro, que é o meu guia (uhn) e ele é tipo muito bacana, exceto que ele parece ser aqueles caras que se definem como “molecão”. Meo, enfim, é tudo o que eu sempre achei.

Em tempo: já fui cantada por ambos os sexos e gente bonita porque eu sou, né… rica e fina.

— Pedro, por que a sua barba é maior que o seu cabelo?
— Ah, raspei a cabeça, pra ficar sexy!
— Putz. Não devia ter feito isso, você parece um… um…
— O que?
— Um…
— Fala! Um louco?
— Não! Um…
— Extraterrestre?
— Um traficante!

domingo, 15 de agosto de 2010

Se bem que, né, academia é uma parada muito pedante.

— Aí eu falei que ele devia ser astronauta, né… já que toma “asteróide”.
Pensando bem, não foi uma idéia tão ruim entrar na academia e tal. É uma sensação boa quando você sente todo o seu corpo doendo. :)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

São 01:51. Sexta-feira. Treze de agosto de dois mil e dez. Dezshxsihssx, bem carioca, porque hoje eu acho o meu sotaque lindo. Por hora.

Alguém lembra das minhas descrições dos meus passeios solitários pelo Centro do Rio, coisa e tal? Puta que pariu, o Centro do Rio é lindo demais. Toda aquela parada histórica… da última vez que eu vi o meu pai, faz uns meses, ele me mostrou uma igreja que eu passava em frente quase todo o dia e nunca tinha notado. Diz ele que é a igreja que o Tiradentes foi enforcado antes de… não. Errei. A igreja que ele foi na missazinha antes de ser enforcado. Daí, eu penso que a gente realmente não foca nos detalhes. Foco, foco.

Então, faz um tempo que eu não tenho esses tais passeios… não sei o motivo. Algumas vezes solidão meio que enjoa. Amanhã eu vou passear, vou tomar um cappuccino em algum lugar, bem bonito, com gente bem bonita, vou rabiscar uns papéis.

Porra, nem sei o por quê eu tô escrevendo isso.

Eu tô escutando a música mais linda que existe. Eu sei que se eu dar uma procurada nos meus arquivos dos últimos dois ou três anos, eu vou achar essa mesma referência. E eu tenho mania de associar músicas a pessoas. A realidade é que eu associo tudo o que você possa imaginar. Uma vez eu associei conforto a… um amigo meu colocou a mão no meu joelho enquanto assistíamos a um filme miserável e disse que tudo ia ficar bem. Sem eu falar nada, sequer desviar o meu olhar pra ele e eu tava na bad. Mesmo. Ele cortou o cabelo e faz um tempão que eu não o vejo. Algumas vezes eu me pergunto tipo se tem um motivo de eu sumir e reaparecer na vida de algumas pessoas. Ou sumir. Ou aparecer do nada, anyway.

Essa música, que a essa altura já terminou, me faz mal. É a coisa que mais me faz mal, porque o meu grau de associação é bem intenso e não se desfaz. Eu não consigo simplesmente apreciá-la, mas eu tenho de analisá-la. Papo sério. Eu queria parar com essa mania de gente esquizofrênica. Nada contra, mas, é que eu tô usando dois casacos, de calça, meia, pantufas, sentada aqui nessa cadeira, quase duas horas da manhã, amanhã eu tenho uma pá de coisa pra fazer e eu tô aqui, sentada, escrevendo um desafabo absolutamente desnecessário e momentâneo. E que só faz sentido pra mim, né.

Pensando bem, quando eu não sou bem clara e não me utilizo da linguagem d-e-n-o-t-a-t-i-v-a, só faz sentido pra mim mesmo.

Eu tô com o cheiro de alguém que eu não sei quem é. Não é nenhuma metáfora pra sexo ou algo do gênero, mas hoje eu vi muitas pessoas. E eu tô com o perfume forte de alguma delas, mas eu não lembro quem. Mas é um cheiro muito bom.

E eu queria muito um abraço, putz, coisa de gente carente do caralho. Mas tipo daqueles fortes, sabe? Antes de dormir, que a pessoa afrouxa o braço e você acorda ela porque quer que ela te abrace bem forte mesmo, até você ficar sem ar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eu tenho essa camisa amarela que eu acho que é do Inglourious Basterds. É que tudo soa tão… amarelo. E combina bastante, até. Eu assistiria Inglourious Basterds mais vezes se não fosse um filme tão comprido… mas acho que um minuto a menos faria falta. O único tempo que eu tenho disponível, sem nada para fazer, é de madrugada. E eu tenho tanta coisa pra assistir e re-assistir que as madrugadas ficam ocupadas. E as minhas tardes também são e, agora, as noites também. Não que haja algum motivo muito especial nisso, mas se eu ficar acordada por mais de quatro dias eu posso morrer, dizem.

— Oi.
— Oi.
— Lembrei de você e resolvi te ligar.
— Não tem problema, eu já estava acordada.
— Sua voz tá meio…
— Sonolenta?
— Isso.
— É que eu estou com sono, mas não quero dormir.
— Por que não?
— Noite passada eu tive um episódio de catalepsia. De repente, eu ouvia um barulho, como se fosse um apito e não conseguia me mover, sentia algo, pensei que tava sendo possuída, sei lá… então, eu consegui chamar “mãe” de um jeito ininteligível e ela veio me acudir, então eu fui dormir com ela. E eu não fazia isso há tantos anos… realmente senti medo.
— E hoje ela não está aí?
— Não.
— Queria estar aí com você, então.
— Se você estivesse aqui, acho que tudo seria diferente.
— Por que?
— Porque eu reclamo do frio a noite, eu reclamo do medo que eu sinto quando fico sozinha, reclamo porque algumas vezes eu queria partilhar o café, reclamo dos ataques de animação da minha gata no meio da noite, mas se você estivesse aqui, eu ia me sentir protegida e não ia ligar pra mais nada.
— Isso soa… de algum jeito estranho… bonito.

Se bem que a minha camisa poderia ser do Brasil, também. Eu realmente tô com medo pra caralho. O Tarantino é um cara bem legal, pelo menos ele faz coisas bem legais e que eu gosto, sem querer ser levar pro ladofalso, pseudofilosófico, pessoaspedantes em geral, ad infinitum. Lembrei de uma garota no Festival do Rio de 2007 ou 2008 (aquele em que eu levei um bolo), que falava no celular sobre os filmes e parecia ser tudo tão desagradável pelo ponto de vista dela, uma batalha de egos num monólogo.

— Sabe que, algumas vezes, eu me acho um porre, essa verborragia…
— Quê?
— Essa minha eterna necessidade de falar alguma coisa o tempo todo… antes eu achava que era porque eu ficava nervosa, mas, desde que eu me tornei bem banquinho e violão, eu notei que eu realmente sou assim.
— Eu prefiro assim.

Acabou o café.

— Sabe, Raquel, é estranho quando você nota que é só o conjunto das palavras perfeitas que pode mudar a sua vida.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

— Vem cá, me dá um abraço.
— Não, Raquel, eu tô atrasada e…
— Ninguém te abraça por causa dos seus peitos, né?
— Porra, então vem aqui logo.
— Raquel, tô namorando.
— Pô, bacana. Queria ter paciência pra isso.
— É, eu a conheci no show da Isabela…
— Aham.
— E a gente saiu várias vezes até ficar de fato, sabe, no mundo gay as coisas acontecem tão rápido…
— É tipo a piadinha do que as lésbicas trazem no segundo encontro…
— Quê?
— O caminhão de mudança. Eu acho isso de uma ironia muito fina, tipo… caminhão, hm? Sabe? Enfim, odeio fancha. Não tipo odeio, até porque… enfim, mas odeio essa fixação em compromisso, cê entende?
— Aham.
— Isso lembra uma amiga minha que casou, sei lá… acho que aos 21. Isso faz um tempo… ela é absurdamente feliz e realizada. Ou seja, essas coisas de compromisso e amor pra vida toda costumam funcionar pra quem acredita assim super de coração.

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— Flor, te citei hoje numa conversa.
— Qual foi a mentira que você contou sobre mim?
— Que você tem peito pequeno.
— Impossível.
— Não, não, eu tava falando que você casou jovem, não que você ainda não seja jovem, mas, enfim, tipo que é realizada e feliz. Você é realizada e feliz, né? Também, se não for, tanto faz, porque eu já falei que você era.
Aí eu penso que eu SEMPRE me deixo levar pela curiosidade, pqp, me sinto um esquilinho. Não se preocupem, nunca usarei crack.
Hoje pela primeira vez em toda a minha existência gordinha, estou comendo Cup Noodles. Fiquei um pouco receosa de dar R$ 1,98 em um potinho tão leve, mas a curiosidade foi maior.
Compartilhem esse momento comigo, gente.