terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre a onda de violência do Rio, eu queria dizer que, apesar de tudo, eu sobrevivi — não que seja big deal, mas alguém deve se importar, né?! Só pra dizer que queimaram uns três ônibus (incluindo o que eu pego todo-santo-dia e que foi tipo, meia-hora depois de eu ter chegado em casa) e sem-número de carros e vans do lado da minha casa, tá?
Mas a situaçãom foi a situação mais surreal do ano, sério. Muito. Achei que iam dar um golpe de Estado e tals.
Minha pretinha linda mineira do interior da puta que pariu me mandando SMS foi a coisa mais bonita e legal da noite.
Coisa mais triste da noite: eu queimar (queimar tipo quando você encosta em uma panela quente e fica vermelho e doendo e fodido e você tem que colocar gelo) um pouco dos meus pés por causa do asfalto quente (juro por Deus); eu furar o meu pé e sangrar feio com um abridor de latas jogado pela casa.
True story, true story.
Tem uma mulher lá na academia (acrescente a lista de Tesões Platônicos) me lembra, de alguma maneira, a Thora Birch em Ghost World. Enid é a personagem que você quer decorar todas as falas pra sempre na sua memória, porque elas sempre são geniais. Obviamente tem o gibi, mas eu não li o gibi, porque eu não-tenho-mais-saco-pra-ler-porra-nenhuma-em-quadrinhos. Só Watchmen.

Anyway,

Tava voltando pra casa entorpecida pelo encantamento, quando cruzei com o porteiro que tem um dragão tatuado no braço. Ele estava na companhia de uma tevê de dez polegadas em preto-e-branco e um radinho de pilha.

Cantando “Coisas Que Eu Sei” da Danni Carlos — a música-tema do Lázaro Ramos e da Débora Falabella em Duas Caras — sim, eu lembro, toda a vez que ela entrava chorando no quarto pelo racismo do pai, começava a tocar. Enfim, ele ignorou a minha presença na portaria e continuou a cantar em um volume incrivelmente alto. Algumas vezes eu ainda me impressiono com a capacidade das pessoas de serem espontâneas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O fato da minha gata dormir comigo, me acordar todos os dias e descansar nas minhas roupas espalhadas pela casa significa que ela gosta do meu cheiro ou gosta de mim?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Puta que pariu, ainda bem que os meus anos trabalhando em escritório de adêvogado me valem de alguma coisa. Sexta-feira o meu chefe resolveu implicar comigo, ele é formado em Psicologia, sabe? Então, ele tem todas as técnicas para manipular as pessoas, mas como eu, Raquel, não sou facilmente manipulável, tenho muito verbo e personalidade, eu não caio na dele, essas pressões sem sentido que ele deseja criar.
Na sexta-feira, ele começou a perguntar o porquê eu penteava o meu cabelo da maneira que eu penteio.

— Porque eu gosto. - sorri maliciosamente.

Então ele pegou o meu cabelo e colocou atrás das minhas orelhas, perguntando se era para esconder os alargadores — já que seria contra as normas da empresa. Puta que pariu, como assim? Ele já viu os tais alargadores centenas de vezes, inclusive pôde analisar a peça que eu utilizava fazendo esse mesmo gesto — que eu detesto.

— Esconder? Eu não tenho nada a esconder. Você só esconde aquilo que você não deseja que as pessoas saibam, não é? Segredos, por exemplo. Aqueles que residem no seu íntimo. Eu uso porque acho bonito e, se eu acho bonito, não tenho nada a esconder, certo? Isso inclui a maneira como eu arrumo o meu cabelo, como me visto e tudo o mais que faça parte do âmbito pessoal. Além do mais, o senhor mesmo já viu várias vezes, utilizando esse mesmo gesto.
— Mas não foi conversado que não seria permitida a utilização de brincos grandes?
— Não são grandes e, se me permite dizer, são menores que a maioria das mulheres que trabalham aqui.

(meus argumentos podem ser bons ou não, mas puta que pariu, o tom que eu usei foi incrível, sou foda)

— Você justifica o seu erro a partir dos outros?
— Eu não cometi nenhum erro.
— Tudo bem, você me convenceu.
— Obrigada.
— Você se acha bonita?

Puta que pariu, odeio psicólogos e esses jogos de palavras sem sentido.

— Na maior parte dos dias, sim.
— Sabe esse movimento que você faz quando eu vou mexer no seu cabelo? Por que você sempre se comporta na defensiva? Tem medo de alguma coisa?
— Ninguém invade o meu território porque eu sou o meu território, não há uma linha específica que me delimite, certo? Eu sou assim. É o único jeito que eu conheço. E medo é irracional, mais ainda se for por um simples gesto.
— Você já pensou em… mudar?
— Sim.
— Tentou?
— Sim.
— Você já tentou?
— Sim, não, eu não consegui. Infelizmente ou não, minha postura na defensiva foi a melhor saída para que eu me encontrasse e eu não vejo nenhum problema.
— Você acha que é feliz assim?
— Felicidade é utopia.
— Você não me respondeu. Você acha que é feliz assim?
— Eu estou bem assim. Não me dou ao luxo de me torturar diaramente em busca do que dizem ser felicidade, eu estou bem, tudo está bem e é a única coisa que eu necessito (agora), entende? O meio-termo, o que não é extremo, o que é… ideal. Agora, se me dá licença, eu preciso ir trabalhar.

Hoje resolveu ter uma conversa sobre ética e normas de mais ou menos dez minutos comigo porque eu me atrasei cinco minutos. É pessoal essa porra?

domingo, 21 de novembro de 2010

Domingo infeliz


— Ela é linda!
— Uma princesa, tão meiga…
— Ela é tímida assim mesmo, Bete?
— Muito linda, tem a cor linda!
— E esses olhinhos apertados?

Odeio quando a minha mãe me apresenta pras amigas dela.
A gente pára e pensa. Aí pára. E não pensa em nada, não quer mais pensar em nada. Mas aí os pensamentos são retomados, juntamente com a fala, raciocínios, discussões… a discussão em questão era sobre como existem pessoas que driblam o sistema, que é inerente a todos nós, seres humanos (ir)racionais habitantes do planeta Terra, parâmetro que foge, por exemplo, aos demais animais.

Da discussão em que eu participei falando monossílabos (só para que lembrassem que eu me encontrava escutando, porém, somente o corpo físico e a audição estavam realmente presentes). Meios driblagem do sistema.

a) Herdar uma grande fortuna e/ou ganhar na loteria;
b) ser um trabalhador autônomo (ambulante, advogado, muambeiro, traficante), sem subordinar-se a ninguém, nada de CLT;
c) ser um funcionário público (o sistema modifica-se de dentro para fora a partir do momento que você tem a consciência de que vive num meio onde tudo é controlado e manipulado).

Eu, Raquel, no caso, faço parte do sistema, porém, não sou (mais) uma alienada por ele, eu tenho consciência de tudo o que me rodeia, me visto como gente todo o dia, é a minha maneira de me prostituir e da maioria da sociedade.

Coloco isso aqui como uma nota pessoal, porque eu não quero esquecer. Então eu escrevo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

Chove torrencialmente lá fora e eu estou com a melhor companhia de um dia chuvoso: café. Os dias chuvosos são os melhores. Até uns vinte minutos atrás, eu estava naquela chuva, andando rápido, pensando que eu precisava comprar um tênis novo porque aquele ali a água já entrava, sei lá…

Portava com uma camisa (ou camiseta, sei lá, algo dividido por botões) rosa que eu só uso porque eu sei que a minha mãe gosta. Sabe quando você faz uma coisa com o intuito de se rebelar silenciosamente contra alguém? Quando você bagunça a casa de propósito, só porque sabe que alguém surtaria se visse aquilo e é praquela pessoa que você faz isso? É uma forma de demonstrar amor. Só pra jogar na cara da pessoa sem ela saber? Sem ela nunca saber? Pro seu próprio prazer pessoal? O que eu queria dizer que eu me vesti com a camisa rosa por isso, só que o contrário, eu agrado a matriarca sem que ela saiba disso.

Vontade de escrever pra alguém, escrever mesmo, sentar na mesa, preferencialmente com um lápis, que aí a minha letra fica bem bonita. Só que eu não sei pra quem. Nem sei se alguém está disposto a ler meus devaneios de uma tarde cheia de impulsos e pensamentos.

Esses minutos que eu estava na rua, foi para comprar pão. Sim, somente para isso, com esse único propósito. Antes disso, passeando. Existem umas casas que parecem castelo na Tijuca e ninguém tem nem idéia disso. Os tais passeios solitários, que me trazem vontades e memórias, diálogos, coisas que eu só parei pra pensar naquele momento. Coisas que eu esqueço na maior parte do tempo, por muito tempo, porque eu estou entorpecida pela rotina, pelas preocupações cotidianas, por essa desvida a qual eu estou subordinada.

— Você tem certeza que quer dividir a cama comigo? Eu tenho uma estranha mania de sufocar as pessoas que dividem comigo e deixá-las imobilizadas…
— Enquanto dorme?
— Sim. E eu as mordo, também.
— Dormindo ainda?
— Isso é enquanto eu estou acordada, mesmo.

A chuva começou a engrossar e eu apertei o passo, pensei em passar na padaria e escolhi passar lá. Quando entrei, o caixa era, sei lá, asiático. E ele comia uma banana e ficava me olhando e eu olhava de volta, incrédula, situação surreal. E ficamos nos olhando por uns dez segundos, até que ele deve ter se sentindo constrangido e resolveu me dar “boa tarde” e eu não conseguia responder…

Voltei pra casa sob olhares de pena, eu toda molhada, andando rápido, com cara de pessoa molhada, sem óculos e míope — mas isso as pessoas não sabiam.

Tô com uma sensação estranha de conforto, não tem ninguém em casa, eu posso fazer qualquer coisa. Ouvir a música que eu quiser, beber o quanto eu quiser de café.

Ou eu posso não fazer nada, posso deitar na cama, fechar os olhos e ouvir o barulho da chuva lá fora.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

— Raquel, vê, a gente vai ali e eu abro a tua calça, a gente se diverte…
— Eu posso me divertir comigo e eu sou grande o suficiente para abrir minhas próprias calças sozinha. Obrigada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Uma das poucas experiências realmente marcantes que você pode passar assim, na vida, é fazer a sobrancelha de um homem. Aí você pensa, só pra domar a parada, nem é pra desenhar e fazer virar SuperVixen.

— Raquel! Raquel! Pára! TÁ SANGRANDO.

Sério. Ele gritou que tava sangrando freneticamente e ficou meia-hora olhando pro espelho prá garantir.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

— O que é que você tem que todo mundo tem alguma coisa ou desejo com você, porra?
— Esses dias me disseram uma coisa parecida, sabe…
— Fala!
— Eu… não sei.
— Como eu posso dizer? Você é estúpida em oitenta por cento das suas atitudes motivada pelas coisas mais irracionais que o ser humano já viu, além de irritar os outros por prazer. Como alguém pode gostar disso? Fala, Raquel.
— Eu… não sei… acho que…
— Você acha o que?
— Acho que deve ser o meu jeito, que é meio…
— Malandro?
— Isso!
— Então você é uma malandra filha da puta do caralho, que tem um papo furado, irrita os outros por prazer, é estúpida e seduz todo mundo?
— Todo mundo não! Uma pessoa na vida e outra na morte.
— Sabe o que é pior?
— O que?
— Eu faço parte do contingente de pessoas seduzidas por você e, porra… Que injusto!
— Uma pessoa em um milhão!