quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Anoto fatos que marcam o meu cotidiano de alguma maneira e não há um propósito específico para isso. Hoje eu estava no ônibus, porque agora eu só ando de ônibus, visto que o metrô anda mais caótico que a minha mente e estava lendo um livro (chama Kitchen, da Banana Yashimoto, é lindo).
Hoje eu acordei com torcicolo, minha garganta está destruída. Hoje eu estava no ônibus, quando olhei uma linda mochila em uma linda donzela de cabelo loiro.
Passei do ponto.
Caí quando fui descer do ônibus, quase quebrei as pernas e o meu anelar direito e fui catada por duas pessoas, porque fiquei em estado de choque. Choque, leia-se: a dor da humilhação foi muito maior que a física.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

“Eu tenho tipo um casinho com esse cara desde o ano passado, um mancebo muito garboso”.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Oi

Não sei como começar, mas este será mais um daqueles meus tratados em que fatos aparentemente sem conexão alguma se unem através de um dia comum, como hoje, segunda-feira, dez de janeiro de dois mil e onze.

Em novembro do ano passado, eu resolvi comprar uma mochila nova, visto que a antiga se encontrava em avançado estado de putrefação, em decorrência dos processos, livros, escovas de dente, pastas de dente, cartas e mapas que eu carregava, além de papéis de balas e memórias. Escolhi a primeira que eu vi numa loja e peguei.

Semana passada meu pai me ligou e disse para encontrá-lo ao meio-dia no lugar de sempre. Presumi que se tratasse da livraria espírita onde ele e a matriarca se conheceram, o que é algo bem simbólico. Chegando lá, entramos ele e eu, então o meu pai virou para um senhor absolutamente careca (como ele) e falou “eu tava falando que foi aqui que eu conheci a mãe dela”.

— Qual é o nome da mãe dela?
— Elisabete.
— Ah, você é filha da Bete? Mas você é a cara dela…! Diz que o Jorge mandou lembranças.

Diz o meu pai que o tal Jorge virou e disse para ele que um espírito que estava lá sorriu pra mim. Enfim, fomos almoçar — meu pai e eu, não O Espírito e eu. Me dei conta que tínhamos basicamente o mesmo modelo de mochila. Algumas coincidências entre ele e eu são bizarras. Como eu iria imaginar que uma mochila que eu comprei com pressa, num dia chuvoso, iria casar com a do papai meses depois?

Acho bonita a forma como o meu pai fala da minha mãe, dizendo que sempre estará com ela, de uma maneira ou de outra. Que nada acontece por acaso e que se eles se encontraram nessa vida, é porque esse mesmo encontro já aconteceu em outras reencarnações e ele fica feliz de um dia saber que vai encontrá-la de novo. Não julgo, não sei exatamente o que pensar, mas eu acho bonito.

— Vamos tomar uma cerveja, filha?
— Ué, vamos… se você for.
— Se eu for você tem que ir também, certo?
— Certo.
— Pensando bem, deixa pra lá… eu sou o seu pai, eu tenho que dar o exemplo.
— Pai, eu já sou crescidinha, não necessito de exemplos.
— Mas, você pode virar uma alcóolatra!
— Eu não vou virar uma alcóolatra!
— E morrer na sarjeta! Esquece.

Nos despedimos no metrô. Liguei para a matriarca.

— Mãe, a senhora está onde?
— Estou na rua. Onde você está?
— No metrô. Onde a senhora está, exatamente?
— Na Praça da Bandeira.
— Quer que eu vá até aí?
— Não, a gente se encontra em casa.

Esse foi o ponto de partida para uma sucessão de acontecimentos. Se a gente se encontrava em casa, ótimo, não tinha compromisso com o horário. Fiquei pensando um pouco, sem querer fazer nada… Peguei o metrô. Putz, que sede. Desci a fui até a máquina de Coca-Cola, cuja latinha custava três reais. Aí pensei que, né, porra, que roubo do caralho de uma multinacional capitalista. Mas a minha sede era maior que o meu egoísmo. Esperei. A latinha não veio, cheguei a conclusão que a máquina havia me roubado. Fui até o segurança, guarda, sei lá e falei “ô, mas a máquina me roubou!”, “não é responsabilidade do Metrô!”, “uai, óbvio que é responsabilidade!”, “não é não…”. Putz. Porra.

Fui até a máquina e procurei por uns cinco minutos o telefone do SAC, ahhh, aí eu já tinha ficado puta, ninguém me rouba assim, imagina, com esse dinheiro eu poderia comprar vários doces, várias balas. Cheguei lá e mais duas garotas haviam sido assaltadas pela máquina. Achei o telefone que, por acaso, não era um zero oitocentos.

Depois de contar a situação aos prantos no telefone (mentira) dados como endereço, telefone, blablabla, conta no banco, eles disseram que iam me ressarcir. Me senti a espada da justiça, buscando meus direitos. As duas garotas ficaram impressionadas com a minha determinação, entretanto, chegaram a conclusão que não valia tanto assim. Oras. Eu poderia ter feito um milhão de coisas: a) ido embora puta pra casa; b) batido no guarda/segurança; c) pegar o metrô imediatamente após o meu problema ter sido resolvido, mas, não… houve um pequeno caminho de pequenas escolhas a serem feitas.

Peguei o metrô e, nooooooossa, tinha uma garota muito moderna. Muito chique, muito linda, com um longboard, meio mignón (it means um metro e meio de altura). Cabelo preso e tal.

Putz, nem tem cara, vai ver ela tava levando pra alguém… com uns óculos muito legais, grandes, estilosos, ímpares. E eu com os fones escutando Echo & The Bunnymen, que eram uma banda que eu escutava muito há muito tempo e eu desejava ser um cara branco inglês com um corte militar, com cara de triste e tendo emoções intensas. De repente, a senhora a minha frente puxa papo com a mesma. E eu não ouço, pois estou com meus fones. Mas ela sorri, puuuuutz, que sorriso lindo. Que puta sorriso do caralho. Lindo. Linda.

Quando vejo, estou na Central — conhecida como A Estação do Pisoteamento, em decorrência da fúria das pessoas que entram e saem. De repente, os meus fones prendem na mochila de uma mulher e eu os puxo de volta, em desespero, e ela força e sai. Então, eu viro e digo “putz, eu acabei de ser assaltada?” e já pensando em todo o custo-benefício perdido assim, os fones foram caros, eram bons… estavam durando um tempo absurdo e foram embora assim, numa tarde qualquer de segunda-feira, na Central, por uma desconhecida… as portas se preparam para chegar e ela devolve meus fones. Foi a cena mais estranha, pensamento que fiz questão de verbalizar “isso foi… estranho”.

Aí eu pensei, visualizei O Meu Amor Breve de Metrô entrando no metrô, enquanto todas as merdas do mundo aconteciam comigo e que calhou de eu entrar no mesmo vagão e ficar admirando-a, decorando-a… Por favor, não ache isso doentio. “Muito tempo que isso não acontece”. De repente, eu esqueci do meu projeto de assalto e do roubo da Coca-Cola.

Adentrei a minha casa.

— Mãe, eu conheci o Jorge, que trabalhou com a senhora na livraria.
— O Jorge? Poxa, adorava o Jorge. Jorge e Gerson. O Gerson morreu, não lembro de ter chorado tanto pela morte de um amigo.
— Morreu como?
— Ele e o Jorge eram alcóolatras, né… sabe o que é você quase ficar bêbado só pelo bafo deles? Onde já se viu, né? Saíam pra almoçar e voltavam bem loucos, mesmo… Um dia, o Gerson caiu e bateu a cabeça, porque estava alcoolizado.

Semana passada, acho que anteontem, não sei… eu vi um filme chamado 500 Days of Summer. Eu sempre tive uma resistência alta a ver esse filme em grande parte por causa do hype, sei lá, pra mim era uma bosta indiezada que alguém endeusou e todos compraram a idéia. Mas eu não tinha nada pra fazer e a curiosidade foi grande. O plot do filme é, a grosso modo, o fora que um cara chamado Tom leva de uma garota com cara de sixties chamada Summer. Blablabla, ele fica numa fossa maldita, como eu fiquei uns anos atrás e, oh, Summer quebrou meu coração, quando a Summer, desde o primeiro instante, deixou claro as intenções dela.

O que as pessoas não tem noção é que você só conhece de alguém o que essa pessoa deseja mostrar a você. Algumas vezes, algumas pessoas idealizam o pouco ou o muito que é mostrado e se fodem. E rola umas frases do tipo “eu sei que ela é a única pessoa que me faria feliz no Universo”. Eu já falei ou pensei isso. Porque entre, sei lá, seis milhões de pessoas, você gosta exatamente daquela pessoa com aquele determinado defeito, com aquelas manias, com todo um conjunto que por mais irregular que pareça, te agrada de alguma maneira. Mas…

Acontece que a gente nunca sabe o que vai acontecer, visto que estamos em constante processo de mudança.

Foda-se se você não viu o filme, deixa eu contar o final. No final, ele conhece uma garota muito gracinha que se chama Autumn (!), o que me lembra a Autumn Sonnichsen, que tira umas fotos lindas e tesudas, que é igualmente linda e tesuda, anyway… e descobre que certas coisas são determinadas a ser, sabe? Que certos fatos que marcam a sua trajetória em decorrência de pequenas escolhas feitas ao longo de um determinado período de tempo, são essenciais para um plano maior que pode ou não acontecer.

Obs.: Não uso drogas.

Em algumas aulas de História e alguns cultos perdidos, eu quase captei uma idéia, que eu vou transcrevê-la aqui. Vê comigo. João Calvino criou o conceito teológico da predestinação, onde Deus consegue prever e/ou decidir previamente os acontecimentos no espaço-tempo utilizando de Sua absoluta onisciência. Em outras palavras, Deus predestinaria todos os homens, escolhendo os que serão salvos e os que serão que vão ser condenados.

Basicamente: tudo é destino.

Jacó Armínio dizia que, apesar dessa capacidade divina, não significa que Deus utilizava-a em sua totalidade, dando espaço para o livre-arbítrio dentre os homens, onde os homens podem ou não contribuir para a sua própria salvação. Em outras palavras, se você for um pecador e não se arrepender dos seus pecados, você vai pro inferno. Se você aceitar Deus em vida, utilizando do seu livre arbítrio…

Obviamente, a corrente teológica de Jacó predominou. Mas aí eu páro e penso: ninguém quer acreditar que desde o seu nascimento, está condenado a um determinado destino. Digo, o bicho homem gosta de crer que possui controle sobre a própria vida, suas ações, gosta de acreditar que pode prever o próximo passo, que cada segundo é uma chance de virar a mesa. Eu gosto de pensar assim, de certa forma. Então, o sucesso arminianismo se dá com base no desejo inconsciente do homem de que o livre-arbítrio é algo palpável.

O meu ponto é… o que eu quero dizer nada a ver tem com Deus ou inferno, condenar-se ou questionar se o livre-arbítrio só existe no desejo e na mente do homem ou… Eu quero dizer que eu acredito em destino. Eu realmente acredito em destino, se você me lê há muito ou pouco tempo, provavelmente vê que eu presto muita atenção em falar do acaso, certos fatos que simplesmente se dão, sem aviso prévio, sem que você deseje que ele realmente aconteça.

Acontece que, por mais que você tente ter controle de tudo, sempre haverá o inesperado, os detalhes. E eu acho que aí reside o tal destino. Os pequenos fatos que, aos poucos, marcam a nossa trajetória, que nos fazem conhecer uma determinada pessoa ou fato, que em circunstâncias normais não aconteceria. De certa maneira, são como encontros que temos com nós mesmos, por isso eu falo que um dia eu vou achar alguém pra ficar comigo pra sempre, por isso que eu falo na necessidade de você dar valor ao que chamam de acaso, é espontâneo, é um dos inúmeros presentes. Posso parecer brega falando, mas eu não tô nem aí. Eu falo sério.

Gosto de muitas coisas, mas, em dias como esse… eu só gosto de pensar nas inúmeras possibilidades que o destino me (nos) reserva.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

AHHHHHHHHHHHH!

Se você pensou “caralho, que olhos desproporcionais”, foi só essa foto, tá? Haha.
— Meu marido tinha cara de babaca. Juntos, abrimos três lanchonetes e um pé sujo. O irmão dele trabalhava com ações, sabe? E falou “vai, investe! eu te ajudo, só colocar no meu nome que eu cuido disso”. Eu não sabia disso, mas ele aceitou. Resultado: o meu cunhado roubou tudo. Meu marido ficou tão mal e acabou definhando. Morreu. Fiquei na merda, trabalhava de manhã até a noite, segunda a segunda, dois filhos… fui fotógrafa, produtora de moda, vendedora… quando vi as menininhas virando os olhos pros meus filhos, botei eles pra modelar. Não se desperdiça nada. Mas, viu, não é por nada não, mas se eu tiver que desejar algo de ruim pra ele, porra, mesmo que volte em dobro pra mim, eu desejo mesmo, a minha conta eu já paguei adiantada… “Ah, mas você tem que perdoar!”, perdoar… aqui ó. Porque, assim… perdoar eu perdôo, eu sou cristã… mas depois de ter dado uns cinco tiros nele. Sabe, tem uma frase que diz “perdoe seus inimigos… após enforcá-los”, é a frase da minha vida.
— Queria tatuar o símbolo do meu signo.
— Qual é o seu signo?
— Touro.

Faço um search rápido no meu cérebro. O que você tem sobre taurinas? Determinação. Possessividade. Putz, imagina essa garota possessiva por mim?, aloka, arraso bem grande. Ui.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

— Mãe, conheci a Regina.
— Uma vez ela tentou me vender as pinturas dela por R$ 150.
Bom dia. Três de janeiro de dois mil e onze. Porra, que estranho, dois mil e onze, daqui a pouco farão quatro anos que eu escrevo aqui sobre a minha vida estagnada que se pontua por acontecimentos aparentemente aleatórios (e que muitos devem achar mentira, mas provavelmente não são residente e bons conhecedores do Rio de Janeiro) e ao acaso.

A matriarca trabalhou no Natal e no Ano Novo. Óbvio: Natal não é o dia vinte e cinco, que é feriado, Natal é a noite do dia vinte e quatro, onde ninguém espera até meia-noite para ceiar em homenagem a Jesus, coisa e tal. Ano Novo é a noite do dia trinta e um, onde… sei lá. No Ano Novo, ela me chamou para ir ao hospital psiquiátrico onde ela trabalha, para comer com seus colegas que trabalho.
Enquanto a comida não era servida, fiquei por lá, com as pacientes, assistindo tevê.

— Você é a filha da Bete?
— Sou sim.
— Mas você é a cara dela!
— É o que dizem…
— Seu pai é grande que nem você?
— Mamãe e papai são menores que eu.
— Eles moram juntos?
— Se separaram logo depois que eu nasci.
— Então, ele é divorciado?
— Deve ser.
— Hum, adoro um divorciado!
— É mesmo?
— É… sabe que em 1982, eu conheci um cara grandão? Ele devia ter um metro e noventa. O Homem Mais Bonito Que Eu Conheci. Ele era casado, sabe? Era meu professsor de Economia, explicava umas coisas como PIB, que é Produto Interno Bruto, né? Superávit, coisa e tal… Sabe o que é isso?
— Sei, sim...
— Odeio economia. Difícil de entender demais, mas eu era ótima na matéria dele e não é porque ele era bonito não, sabe? Aí eu ficava do lado de fora esperando ele e a gente conversava e tal. Éder, o nome dele. Formado em Michigan. Uns anos atrás eu liguei pra ele, deixei recado e tudo. Um dia, ele me apresentou a esposa, uma loira bonita, nooooossa, linda... que nem ele. Morri de vergonha e nunca mais quis me envolver com homem casado. Você já envolveu com homem casado?
— Não.
— Não mesmo?
— Não mesmo! Eu juro!
— E eu namorei com um maestro, também. Ele largou a esposa para ficar comigo e eu sinto que não aproveitei o suficiente, porque onze meses depois a gente terminou, né…
— Aham.
— Você faz faculdade?
— Não.
— Não quer ser professora, né? Eu resolvi de ser professora e não dá dinheiro. Sou formada em Artes, aprendi um pouquinho de tudo na faculdade… até escultura eu aprendi. Quer ver minhas pinturas?
— Quero!
— Eu tô vendendo, se você quiser…
— Não tenho dinheiro. De onde você é?
— Eu sou paulista. Qual é o seu nome?
— Raquel. E o seu?
— Regina Bellotto.
“Estou com vontade de vomitar, mas essa garrafa de Jack me custou oitenta reais”.