domingo, 20 de março de 2011

No ônibus, dois homens conversando atrás de mim:
— Eles fizeram um ménage em comemoração ao aniversário da Lu.
— Sério?
— Foi lindo demais.

Eu digo para minha amiga ao lado:
— Ménage em comemoração a aniversário? Que tenso isso, nossa. Essa Lu, também… deve ser hard, pra fazerem isso…
— HOMENAGEM, Raquel. Pára de ser burra.
“Você é a síntese do que eu pediria a Deus… se eu acreditasse em Deus.”

sábado, 19 de março de 2011

— Alô!
— Oi, Quequels… Tá fazendo o quê?
— Tô no mercado, comprando comida para a minha gata e para mim, pois mais tarde ela seria minha adorável companhia numa maratona de filmes.
— Se você quisesse, eu ia aí te fazer companhia.

Nossa, que tatuagem linda, ó, puta rebolado de boate, cabelo preso descontraído e tal, deve ter passado uma vida pra prender, conheço esse tipinho, opa, outra tatuagem, menina moderna, é o avatar do Fashion Week, linda… Pera. É a Enid. É a Enid da academia, que seduz todos os machos do recinto com o tal rebolado de boate.

- Quê? Vir aqui me fazer companhia no mercado?
— Não, porra! Ir ver os filmes contigo.
— Mas a minha gatinha vai estar comigo. Ela me entende bem.
— Pára com isso.
— Calma, peraí, situação critica, tem pessoas se amontoando na minha frente.

Acho que vou falar um oi. A Enid sempre dá o maior sorrisão quando me vê. Nunca tinha percebido essa cara de intelectualóide. E eu com essa camisa Go Vegetarian e comprando Hot Pocket? Putz, ela vai achar que eu vou ter as veias entupidas aos trinta. Mas se ela pensar isso, é muito escrota, imagina, me julgar, que isso…

— Alô, alô?
— Ah, oi, não posso falar agora, beijo tchau.

domingo, 13 de março de 2011

What happened to the love we both knew? We both chased?
Eu não sou boa com matemática, mas daqui a 16 dias farão quatro anos que eu escrevo aqui. Eu sou um pouco doente com datas e morro um pouquinho que todo o ano eu esqueço… aí eu aproveito e faço um greatest moments desse vidão de meldels.
Hoje é o dia de domingo mais atípico de todos os domingos que existiram na minha vida. Primeiro porque domingo é o pior de todos os dias e nem é por ser o dia que precede a segunda-feira, visto que essa segunda-feira eu receberei meu salário atrasado, visto que hoje eu estou sozinha só de calcinha — isso sempre vai significar alegria no meu mundinho, eu nunca vou ficar só de calcinha triste… putz, quero falar muito, quero falar pra sempre, tava escutando música a tarde toda, muito feliz, bem feliz. Comendo torradas, tomando café e tal, é… mas porque domingo é simplesmente o dia que eu mais odeio. Porque nada funciona depois das 14h, porque era dia de ir a igreja ouvir um monte de coisa, porque sempre é quente… mas hoje foi a exceção à regra, hoje o dia foi cinza, lindo demais, pqp. Porra, tô ouvindo hard rock, sabe? Coisa que eu não escuto desde que eu tinha, sei lá… adoro hard rock, sempre esqueço como me arrepia. Papo sério.
Engraçado que o meu dia de ontem tava uma bosta, eu tava pensando nas coisas mais erradas (não, eu não pensei em me matar), eu queria acordar em junho de uma vez… porra. Odeio mudanças bruscas. Odeio ficar irritantemente feliz, ficar mais de dez minutos no banho, flertar com todo mundo que se move de uma vez só…

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eu sei que eu ando falando muito da minha última queda em especial, na qual adquiri uma cicatriz, mas agora, passeando por São Paulo, tive uma nova queda, especificando no metrô, por conta do desnível e do enorme espaço que cabe um ser humano, entre plataforma e trem. Nesse caso, a dor física foi muito maior que a humilhação e eu ainda estou andando meio deficiente. Eu ando caindo muito.

Hoje, a psicóloga do trabalho resolveu me cercar com aqueles papos psicólogos, acho muito bosta que tenham vários psicólogos a cada dois metros no trabalho, prontos para dar opiniões sobre você. Segundo ela, a maneira como eu arrumo o meu cabelo, como eu me porto, como eu me visto, como eu exponho minhas opiniões, minhas humanas y amorosas, mostram que eu ajo sempre na defensiva, que eu me escondo de alguma coisa porque eu tenho medo.

Eu já tive medo de alguma-coisa-que-eu-não-sei-o-que-é, a ponto de criar um muro hardcore entre eu e o mundo, o teto do meu quarto e o céu colorido com vários tons de azul. Hoje em dia eu ando só na distância saudável para ambas partes. Ela insinuou que eu deveria namorar, para provar que eu posso ter algum grau de intensidade e/ou profundidade com alguém.

Me senti provada, óbvio. Desafiada, com vontade de escrever no jornal, criar perfil em site específico para relacionamento, me jogar e afundar em pessoas novas, nas bilhões de possibilidades… só para provar para ela que eu estou muito aberta a qualquer pessoa que deseje ser conhecida (no sentido bíblico ou não) por mim. Eu sou o ás da psicologia moderna, vario de colérica a fleumática. Na realidade eu sou parte só desses dois polos mesmo — sim, introvertida que se contenta com pouco com altas tendências ao comodismo — ainda sim, quando eu sou desafiada, viro colérica, cheia de determinação, impulsiva pra caralho, disposta a todos os tropeços e quedas que a vida tem a me oferecer.
A partir de um julgamento feito por uma senhora grávida, que é psicóloga e trabalha comigo, possuidora de grandes olhos coloridos e aparelho, eu me senti tentada a provar que eu posso ser o que eu quiser ser.

Cada pessoa com a qual eu cruzo faz parte da Grande Democracia de Raquel, onde não há pré-julgamentos. Mentira, obviamente há, mas todos estão livres para provar e me desmentir.

Quando eu estava em San Paolo, o desnível absurdo do metrô, além do óbvio espaço entre plataforma-trem, fez o meu sangue esfriar, me arrepiou até a alma, juro por Deus e olha que eu acredito em Deus, hein. O medo, um puta medo do caralho, de cair e passar vergonha, tudo isso… milésimos de segundo. E eu caí feio, olha, foi como uma linda maçã caindo de uma árvore… ou um tomate esparramado no chão.

Penso nisso e usando uma psicologia inventada, penso que talvez ela até tenha 1/4 de razão, o medo me leva a queda, que parece ser sempre inevitável.