quinta-feira, 21 de abril de 2011

I'll take a quiet life/A handshake of carbon monoxide
Sexta-feira passada, após um longo e cansativo dia de trabalho, adentrei o meu lar. Minha mãe aparece na porta portando um lindo sorriso, diz que eu deveria deitar na cama e assistir um pouco de tevê, etc.
Resolvo aceitar sua sugestão e lá estou, nádegas para o alto, quase dormindo, quase dorm… de repente, UMA DOR LANCINANTE toma conta de algum lugar específico do meu corpo que eu não sei nomear, estou um pouco zonza… não sei o que pensar! “Mãe, o que foi isso?” — disse eu, agonizante. “Eu queria te falar, mas você vai brigar comigo! Eu te conheço, você não iria deixar!” — replica a Matriarca. Mas o que há de ser? Meu Deus, que dor!

Ela me vacinou.

terça-feira, 5 de abril de 2011

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008 Lucky — Oi, aqui vende café, assim, já pronto? Tamanho médio? — Sim. Temos os tamanhos: pequeno, grande, média grande e média pequena. — Não tem média-média não? — Não-tem-não-senhora. — Médio grande ou pequeno? — Grande, vai. Aí eu fui comprar uma bala assim, daquelas de menta em uma banca de jornal. Uma mocinha muito fofa e simpática comprou um cigarro e ficou lá, jogando charme, acompanhando os meus passos. Daí, me deu uma vontade incontrolável de dizer uma coisa pra ela, porque me veio na cabeça e tudo mais. — Olha, menina, ó. Eu não gosto desses moralismos e tudo mais, mas ó. Fumar causa câncer! Eu me preocupo com as pessoas, mesmo que elas sejam desconhecidas. Então, você pode fumar loucamente até os trinta que eu deixo. Ou depois dos sessenta. Tá bom? — Nos trinta eu paro. Te prometo. — Olha, eu tô atrasada, tá? Beijo, tchau. Amanhã te vejo fumando o seu cigarro diário. — Não, espera. Você fuma também? — De vez em quando. Lucky Strike
2011 tem que ser a porra do melhor ano da minha vida, porque é ímpar e eu não quero desperdiçá-lo.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008 Ponte Se é isso, eu não sei: nunca vi. E isso não faz o mínimo sentido. Ela olha pra baixo, perdida em seus pensamentos e parece estar fora da roda. E então eu sei que vai ficar tudo bem. Ela toma o café dela que nem bêbado sem nenhum centavo. Aprecia, toma devagar e parece que não quer que não acabe nunca. E realmente parece que não tem fim. Quantos anos ela teria? Vinte e um? Pois tem cara de dezesseis. Faz um puta frio aqui dentro e eu estou quase indo lá e pedindo um pouco do café interminável dela, mas não. Eu fico aqui, sentada, passando frio e pensando no que ela estaria pensando, ela está totalmente absorta, tomando o tal café interminável, lendo e fazendo palavras cruzadas. Meus olhos devem se projetar para fora, porque até três horas, os meus óculos que quebraram há um mês realmente me faziam alguma falta. Me lembro até hoje quando comecei a usá-los, eu tinha uns 7 anos ou 8 anos e eu odiava, porque eles eram enormes e de uma cor que eu odiava: vinho. Não odeio mais essa tal cor, sou indiferente. E as crianças, ingênuas, perguntavam se quando eu os tirava eu conseguia enxergar. Lógico! E eu, meu amor, no meu humor que herdei de papai e mamãe, pegava a maior dose sarcástica que se concentrava em meu corpo e dizia “você não sabe? Sou cega! Se tiro os óculos, tudo fica escuro. Se os ponho, posso ver de novo. Não é incrível?” Com o tempo acostumei, passei a achá-los charmosos até, uma marca registrada. Mas eu vivo quebrando eles, pisando, sentando em cima e mais coisas bizarras. Ela continua pensando. E no momento parece que ensaia alguma coisa pra dizer. Ela tem ombros lindos, os ombros mais bonitos do mundo e eu não sei descrevê-los, lindos ombros. Ela parece não se importar com as coisas em volta dela e nem de alguém que parece analisá-la o tempo todo. E agora faz um puta frio. Mas eu gosto. — Minha cunhada se casou ano passado e no verão! Foi horrível, porque estava um calor daqueles e a amiga falsa e ridícula foi com um vestido curto. Sorte que a maldita só apareceu em uma foto. Um vestido curto e amarelo. Vou me casar no inverno, precisamente em Florianópolis, todo mundo bem vestido, cheio de panos. Lindo. — Faz sentido. Mas não imagino eu, Raquel, dentro duma igreja, de vestido etc e tal. Mas eu tenho uma idéia de como meu casamento seria divertido. Agora ela começou a chorar. Sinto pena por vê-la chorar, acho que ela se sente uma idiota. Idiota dos ombros lindos e maravilhosos. Acho que gosto dos olhos dela também, são tão profundos. Eu realmente queria saber o por quê ela chora, não é curiosidade-fofoca, é que eu me importo mesmo. Me importo com o sentimento dos desconhecidos. Que mania horrível de ficar se preocupando com os outros, ainda mais com pessoas que nem se conhece. Continuo vendo aquela cena — o coração amolece ainda mais. Mas que merda, não sou de pedra, essa é uma característica boa, não é? É bonito ver alguém se importando com os outros, independente de tudo. Não se intromete. Fica na tua. Não dá! Dou 13 passos e me sento ao lado dela. Aí ela não entende, seca as lágrimas rapidamente com a mão, larga a caneta, fecha o livro e espera que eu diga alguma coisa. Se passam três segundos intermináveis, eu respiro rápido e digo tudo o que estava engasgado de uma vez só. — Faz uma hora que eu tô te vendo tomando esse café, é café aí? Não sei. E eu queria saber que mal anda lhe acometendo para ficar chorando em lugares públicos que todo mundo pode ficar te olhando chorar. Sabe por quê? Não, não sabe. Eu sei que não é da minha conta e que eu deveria ter ficado na minha. Mas sabe o que é? É que isso tá me deixando triste pra caralho, mais do que eu já estou. E você não tem esse direito de fazer isso comigo. Então vê se desabafa e conta os problemas que é o melhor pra ti, garota. Então vê se já se prepara pra contar a história toda que eu tenho paciência e posso ficar aqui esperando a vida toda, esperando você proferir alguma coisa qualquer, nem que seja um “foda-se você”. Seus ombros foram esculpidos pelos deuses, sabia? Vamos tomar um café, que eu já tô ficando nervosa, café acalma e me faz feliz. Que horas são? Não importa, faz um favor? Salva a minha vida. Isso já tá mexendo aqui dentro e se você tentar fugir do assunto eu te dou uns tapas!
“Entendo você muito bem. As nossas vidas não são vidas, são produtos de vitrine , de críticas, de idéias vendidas e tudo que não seja aquilo que chamam de vida! Então que se dane se o outro esta com dinheiro e seus dentes foram pintados de branco para ele apresentar uma melhor aparência. Que se dane toda essa besteira que nos rodeia. Eu voto naqueles que viveram, quebraram tabus — mesmo sabendo que de nada adiantaria. Eu voto nos desconhecidos, nos rebeldes, nos extintos. O que vem de novo, eu jogo no lixo. E aquelas pessoas vestidas de dinheiro sujo que vão para a puta que pariu. Felipe.”
Nem sempre as pessoas querem saber o que eu quero ou sinto. A maioria das pessoas sempre repete a mesma frase. Pelo menos choveu hoje à tarde. E eu amo quando chove. (27/05/07)


E hoje choveu pra caralho e eu tenho que aprender a andar de guarda-chuva e eu acabei de mover tudo na minha memória pra lembrar de uma música que eu ouvi algumas vezes em 2005 e só lembrava de uma frase.
Queria que alguém prometesse que nunca me deixaria ir, anyway.
Nós encontramos essas pessoas que transformam as nossas vidas e a nós mesmos, mas temos que deixá-las ir, mesmo quando nós queremos que esse encontro nunca acabe.
Essas coisas que ficam indo e vindo na minha cabeça durante dias. Puta que pariu, eu queria dizer, queria saber expressar, mas eu não consigo. Eu teria que inventar novas palavras e seria impossível descrevê-las. Vou tentando.
— O som desse ar-condicionado me deixa zonza de sono… putz, adoro dormir, sou muito boa de cama. — Boa de cama? Bom saber. — Não foi o que eu quis dizer! Porra, Raquel, você transforma tudo em sacanagem!

sábado, 2 de abril de 2011

Puta que pariu, eu era muito chata e dramática. Não aguento mais me ler por um segundo. Vou dar uma voltinha por aí e depois continuo.
— Moça…
— …
— Moça.
— …
— MOÇA!
— Sim?
— Queria te dizer uma coisa.
— Diga.
— Essa sua camiseta…
— Que que tem?
— Está escrito "I Love You!!!".
— E daí?
— E daí que eu estou me sentindo emocionalmente estuprada por ela.
— Hã?
— Não me sinto a vontade com uma pessoa dizendo indiretamente que me ama. Entende?
— Hã?
— Esquece.

11 de abril, 2007
— Você é bonita. As pessoas bonitas tem mais oportunidades no mercado de trabalho.
— Obrigado! Que bonito isso que você falou! Fala mais sobre aparência. Tô anotando “As pessoas bonitas...”
— É isso, né. Só existe uma coisa que tira a beleza do topo na hora de uma entrevista. É a criatividade, o quão fascinante a pessoa é. Se a pessoa é fascinante ela não precisa ser bonita.
— Nossa, o senhor deveria ser presidente.
— Eu? Por quê?
— Porque o senhor tem uma uma “moral” pra falar sobre essas coisas. Parece ser sério e ter convicção no que diz.
— É!
— Que vontade de escrever um livro com essas frases, até até estou vendo “Dez métodos para qualquer pessoa se apaixonar por você…”, “Conquiste a vida profissional que sempre sonhou”. Alguém leu o jornal aqui?
— Raquel: Eu! Eu li! Um cara foi preso porque tentou marcar um assassinato de um garotinho inocente pela internet. Só que pegaram.
— Pega aqui o café. E o que é essa foto? Que idiota, tiram a foto de um cara com um facão dentro da cela de prisão e põem no Orkut.
— Totalmente no-sense. Ei, restou café aí?
— Sim, sim. Olha só (folheando o jornal) sobre Broadway…
— É o sonho de qualquer um trabalhar na Broadway, sabe, dançar…
— Ah é?
— É sim.
— Pois então, vamos ler aqui as historinhas… Nossa, eu estou com cheiro de xerox e você de café.
— Eu sei, obrigado de qualquer maneira. Estou saindo. Já me vou, foi bom conhecê-la. Moça, lembre-se: “As pessoas bonitas tem mais chances no mercado e você é bonita”.
— Se olhe no espelho: você é bonita também. No espelho do mar, porque nesses aí a gente só vê coisa que não quer.
— Que poético.

30 de abril, 2007

“Todo mundo sabe que eu adoro reclamar dos meus vizinhos. Mas por que eles não gostam de mim, meu Deus? Eu moro aqui há três (três?), acho que é seis, bom, três-seis meses e por que eles me odeiam? Hein? Por que eles não me dão “Bom dia!”? É insensibilidade? Como é? Por que a gente não pode se amar? God, esses vizinhos vão me deixar em depressão. A única coisa que eu quero fazer é me acabar de ver Maria do Bairro, Maria da Cidade, Maria do Estado porque só As Marias sabem o que é o verdadeiro amor sem ódio no coração, quer dizer… as vilãs se entregam desenfreadamente a paixão e depois de serem rejeitadas passam a adubar todos os dias um ódiozinho e tal”.

“Casamento nada mais é que uma aliança comercial que as pessoas tentam ilustrar de uma forma que pareça algo romântico. Sabe o que é realmente romântico? É alguém te obrigar a deitar no asfalto pra ver o céu e as estrelas. Hoje trombei com uma garota, coitada. Não sei porque ela não me deu uma surra, ela tinha uma cara de que dava surra em garotas distraídas INFPs esbarronas. Acho que foi porque aquela queda (decorrente da colisão) deve ter feito a pobrezinha sentir dores absurdas, impossibilitando-a de me surrar. Ah, mas foi engraçado! Agora é engraçado!”

29 de março, 2007
“Felipe: Original mesmo. Bota original nisso. Partindo de você, eu só poderia ter esperado isso!
Adoro suas palavras. Elas soam livres, saca? Como se fossem da boca para fora, como se fossem pássaros livres, mas com um bom fundamento. Te desejo toda a sorte do mundo. Quero te ver voando nessa vida, menina”.

Direto do túnel do tempo: 31 de março de 2007

“Nunca comentei sobre meu hábito, vício, mania de me apaixonar por pessoas desconhecidas em um dia e no mesmo dia esquecê-las? Mas esquecer-esquecer eu nunca esqueço. Se eu vejo de novo me volta a mente toda a situação. Só comentei isso uma vez, com o Fernando. Sabe por que eu gosto? Porque é legal saber que algum desconhecido que eu fico imaginando as péssimas piadas que deve contar me marcou em algum momento da vida… A vida é constituída de momentos. Acho bonito isso, mesmo que idiotas. Todos os dias vemos centenas de pessoas, todos os dias escolhemos as roupas que vamos vestir, para onde vamos… Nunca sai tudo como o previsto, mesmo com você organizando tudo não deixa de ser aleatório, você se atrasa, você mente pra se desculpar pelo atraso… Você esbarra em alguém... Eu me apaixono por desconhecidos. Nunca prestamos atenção nas pessoas que nos marcam de alguma forma, que a gente fica olhando e pensando "Como será que aquela pessoa é?”
Vou começar a postar os melhores momentos, opa. Putz, tanta coisa que eu nem vou lembrar direito o que era (mentira).
— Alô! Raquel? É o Vítor! — Ooooooi, Vítor. — Tá fazendo o quê? — Nada… — Vem pra Lapa hoje? — Não, vou dormir. — QUÊ? LY, ELA TÁ DIZENDO QUE VAI DORMIR, CONVENCE ELA A VIR PRA CÁ.