segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quando você deixa de acreditar nas pessoas

Uns meses atrás, ainda esse ano, eu fui almoçar com uma amiga. Ela disse “Raquel, tá pronto…! vai lá buscar!”. Quando eu voltei, ela tava com uma cara de idiotinha, sabe como é?
— Que foi?
— Ah… é que um cara meio com cara de gringo passou aqui e me deu isso! Achei lindo! Sério, vontade de chorar. Eu queria levantar e abraçá-lo, mas fiquei sem-graça.
“Sei lá, ela se emociona com qualquer coisa, se bem que ela nunca fica sem graça com nada, é mais cínica que eu”…
— Deixa eu ler?

“ALGUMAS MANEIRAS DE FAZER ALGUÉM FELIZ: :­)

Dê um beijo. Um abraço. Um passo em sua direção.
Aproxime-se sem cerimônia. Dê um pouco de calor, do seu sentimento.
Assente-se bem perto e deixe ficar, algum tempo ou muito tempo.
Não conte o tempo de se dar. Aprenda a burlar a superficialidade.
Sonhe o sonho sem duvidar.
Deixe o sorriso acontecer. Liberte um imenso sorriso.
Rasgue o preconceito.
Olhe nos olhos.
Aponte um defeito, com jeito.
Respeite uma lágrima.
Ouça uma história ou muitas, com atenção.
Escreva uma carta e mande.
Irradie simplicidade, simpatia e energia.
Num toque de três dedos, observe as não meras coincidências.
Não espere ser solicitado, preste um favor.
Lembre-se de um caso. Converse sério ou fiado. Conte uma piada.
Ache graça.
Ajude a resolver um problema.
Pergunte : Por quê? Como vai? Como tem passado?
Que tem feito de bom? Que há de novo?
E preste atenção. Sugira um passeio, um bom livro, um bom filme
Ou mesmo um programa de televisão.
Diga, de vez em quando, desculpe, muito obrigado, não tem importância,
Que há de se fazer, dá-se um jeito.
Tente, de alguma maneira.
E não se espante se a pessoa mais feliz for você!”

Sexta-feira passada, eu descobri que estava atrasada para uma reunião. E eu fiquei puta comigo, passando a mão no cabelo incessantemente. Puta comigo. Na estação de metrô de São Cristóvão, porque o metrô está um absurdo de caro, mas era o meio de transporte mais rápido. Puta mesmo. Metrô chegando, putz, odeio chegar atrasada, todo mundo olhando pra minha cara… Peguei os fones… pensei: “vou ligar pra mamãe, ouvi-la me faz bem”. Quando, instintivamente, tateei a minha mão pela minha bunda, não senti o celular. Eu perdi de novo, eu sempre perco as coisas, puta que pariu. E as pessoas do mundo estão todas perdidas, mas acho que depois passo no Achados e Perdidos para desencargo de consciência.

A noite, quando eu cheguei em casa, a mesma amiga do almoço me ligou.
— Perdeu o celular, vadia?
— Perdi.
— Anota um nome e um número: o nome dele é Glauco e o número é 88…
— Como? Como assim?
— Eu te mandei uma mensagem e ele respondeu com um “avisa pra dona…”.

Hoje a noite, eu mandei uma mensagem: “Obrigada, Glauco. Da próxima vez eu deixo uma caixa de bombons na portaria”. Eu só esqueci de acrescentar o “por existir” ao lado do obrigada.

domingo, 15 de maio de 2011

— Tem um cigarro?
— Não, eu não fumo.
— Pois não parece.
— É, dizem que eu tenho cara de fumante. Quer dizer, fumar é até legal, dá uma certa leveza… que é o que eu tô precisando, já que eu ando chumbo. Mas eu não posso me viciar em nada. Vício, a grosso modo, é uma compulsão. Isso significa que café, álcool, sexo, intervalo de almoço… tudo isso vai me lembrar cigarro e eu vou criar uma compulsão fodida e a longo prazo isso vai me foder. Também tédio. E eu sinto muito tédio, apesar de manter a minha cabeça ocupada o tempo todo pensando em um monte de coisas que não deveria.
Hoje eu desci as mesmas escadas e lembrei. Eu lavei o cabelo hoje.

— Desci as escadas e tava chovendo.
— É mesmo?
— É… Eu não queria sair nessa chuva, lavei meu cabelo ontem.
— Eu também. Sabe, eu achava que você era diferente.
— É mesmo?
— Achava que o seu cabelo era mais curto. Cruzada com você e visualizava essa cara…
— Que cara?
— A única que você tem. Porra, não sei dizer. Não é bem a sua cara, é mais esse olhar, imponente, cheio de significados. Qual é o seu signo?

Porra, será que dá pra chover pra sempre? Não quero acabar com essa conversa, não tão cedo. Aos poucos, a chuva foi parando. Adoro chuva, adoro quando chove forte assim, mas me sinto mal depois porque eu sei que alguém tá se fodendo em algum lugar. A chuva parou.

— É, eu vou indo pra casa, muito bom conversar com você.
— Eu vou ver se ela vai parar definitivamente, aquele negócio com o cabelo, sabe.

A verdade era que: eu.poderia.ter.ido.a.qualquer.momento. E se você não estivesse lá, eu não pensaria duas vezes em ir debaixo daquela chuva torrencial. Mas, eu te encontrei no final das escadas e você estava lá. Eu poderia ter sorrido, dado boa noite e ido. Andando devagar, como eu sempre faço, como acontece quando meu cérebro, de maneira inconsciente, me faz deixar o guarda-chuva em cima da mesa porque eu meio que sinto o futuro. Meio que sinto que algumas horas depois vai acontecer algo e eu vou lembrar meses depois. Mas você sorriu, não disse boa noite e me deu uma informação que nos tornava dois seres com algo em comum. Queria hoje estivesse assim… o céu está roxo. É maio. Tá tudo errado.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

— Cê sabe, Raquelzinha, que quando eu fazia curso de inglês aos sábados lá em São Gonçalo, tinha uma menina linda linda que doía. Ela entrava e chegava as meninas tinham inveja. E o moço chegou pra ela e disse que ela ia ganhar um dinheiro bom só dizendo sim, sabe? Casa de prostituição, segunda a sexta, acho… Mas ela tinha um objetivo, porque se ela dizia a gente somos por outro lado, por outro ela tinha que esquecer e aprender we are, sabe, Raquelzinha? Porque ela precisava daquele cursinho merreca em São Gonçalo aos sábados pra aprender a falar money, money good, porque sem isso ela não ia saber o que os gringos queriam que ela dissesse. Mas, o que eu queria dizer contando isso? Todo mundo tem um objetivo na vida.