quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Existiam três mulheres: uma chamada Mágoa; outra chamada Raiva; outra chamada Tristeza, muito distintas, tão distintas que há alguém que um dia se perguntou como Deus ou o Destino foram capazes de reuni-las. A Mágoa era de Escorpião, signo marcado pela luxúria, mas também pela incapacidade de perdoar, de deixar para trás, esquecer. A Mágoa foi cultivada com o tempo e, algumas vezes, manifesta(va)-se em momentos delicados, como se fosse um tecido muito fino que, algumas vezes, devido ao tempo de uso, rompia-se.
A Raiva era de Virgem, o que significa muitas coisas. Por exemplo, a Raiva não é afeita a receber críticas, a ser questionada, ela simplesmente é. E é forte, o auge da tempestada. Mas ela é dotada da incrível capacidade de alívio, ela é a própria válvula de escape. Ela alivia-se de maneira externa, com objetos e gestos, gritos. Ela é diferente das outras, passa. Depois da tempestade há calmaria.
A Tristeza é de Gêmeos, a dualidade dentro de um corpo. Entre a Tristeza e a Mágoa, apesar de não ser claro para a maioria das pessoas, existe uma linha tênue. Ambas exigem dor e tempo, ambas minam o hospedeiro pouco a pouco, algumas vezes te faz querer parar a vida por um longo tempo. A Tristeza surge do amor, talvez da ingenuidade que vem junto a ele. O sentimento mais próximo do amor não é a paixão, como muitos pensam, é o ódio. Essa proximidade de sentimentos que quase se confundem, também quase confundem entre Tristeza e a Mágoa. A Tristeza algumas vezes é indescritível, algumas vezes busca o que há de mais puro em você, bruto. Também o que há de bonito, afinal, ela é interna. Ela é como se fosse um cristal tão fino que, se você o tocasse, quebraria. É como o ar, você não pude ver ou tocar, só sentir. Você não tem certeza quando acaba, mas não há riso ou lágrima que sejam eternos.

sábado, 24 de setembro de 2011

Porque eu fico dizendo que eu não me importo e tal, tá tudo bem, isso não me atinge, não sei porque o coração e cérebro tentam me enganar o tempo todo, sendo que um tempo depois eles revelam "eu menti" e você quer ir pro banheiro chorar o que você não chorou durante esses anos.
Estou cansada do amor que vem aos pedaços.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eu fico lembrando de quando eu era criança, as pessoas eram tão maiores que eu. Eu no elevador com três flamenguistas tristes, afinal, o Flamengo tinha perdido, eu virei e disse "eu sou vascaína!", um arregalou os olhos, me estendeu a mão e deu os parabéns. Naquele momento eu me senti grande. Ou quando eu andava pela Cinelândia com a minha mãe me puxando pela minha mão (ela também era grande naquele tempo) e eu vi uma mulher com a cabeça raspada do lado e eu fiquei olhando, curiosa, e ela sorriu pra mim, eu fiquei "viu, mãe? aquela mulher assim e assado, sorriu pra mim", mas a mamãe não viu, sempre distraída. Hoje eu cruzei com uma criança que ficou me olhando com um olhar curioso e, então, eu percebi: pra ela, eu também era grande.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

“Eu realmente gostaria de te dar um beijo agora, mas eu quando eu te vi, você estava espirrando e eu não posso ficar doente.”
— Então fala!
— É que parece que vai soar estúpido se eu disser isso em voz alta. Eu prefiro guardar pra mim, e esperar a hora certa.