segunda-feira, 14 de novembro de 2011

— Você não precisa me salvar toda a vez que a gente se vê.
— Sabe o que o seu nome significa, o real, não aquele que você diz as pessoas? Bondosa.
Muito antes de você me notar ou dirigir a palavra a mim, estivemos muitas vezes no mesmo ambiente; mesmo grupo de pessoas; mesma hora. Você me incomodava, me incomodava não conseguir te enxergar. Sua profundidade me incomodava e eu não podia me fixar em você até aprender a te ler. Você não me enxergava também, talvez por ignorar a maioria das pessoas ao seu redor. Aquela vez, eu te vi sozinha e você estava do meu lado. Eu disse a primeira coisa que me veio a cabeça "você tem um cigarro?". Seu rosto de iluminou. O nome com o qual você se apresenta a maioria das pessoas — aquelas que não te conhecem de verdade e nunca conhecerão —, significa iluminada. Você me pegou pela mão e disse "vem comigo" e fomos... eu não sabia o que esperar, mas posso dizer que não imaginava um bar, com uma música péssima, uma única mesa de sinuca. Eu me sentia sufocada. Um amigo passou e eu não disse nada, somente fui atrás dele, respirar aliviada. Duas horas depois, você me puxou pelo ombro e disse "você foi embora sem falar comigo!" e, de fato, eu não achei que se importasse. Pedi desculpas. Bastou você sorrir e eu consegui, finalmente, te ler. A sua ambiguidade esvaiu-se. Algumas vezes, você só parece uma criança birrenta.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sabe uma coisa que eu sempre quis fazer?
Fala.
Beijar alguém na chuva.
Eu também. Deve ser muito bom, sei lá, o gosto amargo da água. Acontece algum evento semi-traumático e a pessoa vai transtornada na casa da outra, aquele temporal, porra... lindo, tipo filme.
Acho que não vai rolar tão cedo.
É, o meu cabelo não fica tão bem molhado, aquele climinha acabei-de-sair-do-motel. Eu só me enxergo indo pra casa sozinha, com aquele jeitinho de esqueci o guarda-chuva em casa, mãos nos bolsos.
A gente devia tentar qualquer dia desses.
Mas eu não quero romantismo não, hein, quero uma parada mais hard.

Querido Diário,

Tem dias que eu acordo com uma mensagem do tipo "saudade de você" no celular. Fico sem palavras e acabo não dizendo nada, mas eu penso sobre. Meio que anima o meu dia, eu fico pensando, porra, sou sortuda demais. Saudade, sabe? Sentir falta, coisa e tal.
Tem dias como hoje, nada de especial, mas que eu fico daquele jeito meio escroto, como aquelas mulheres que escrevem pro Alberto fucking Goldin dizendo que só conseguem se relacionar com homens casados, ou que tem fantasias sexuais com desconhecidos e desconhecidas, perguntando por que não podem ser felizes se são bem-realizadas, lindas, inteligentes, ricas, whatever. Humildade pra quê, né? Hoje eu tô assim, tipo elas, sabe? Pensando por que caralhos ninguém consegue me amar na real, afinal, eu não sou tão ruim assim, eu sei dar o sorriso mais doce ou sacana, conversar sobre vários assuntos, ter o humor Prozac a maior parte do tempo, ser bonitinha às vezes... esse monte de gente me rodeando se apaixonando pelas pessoas mais estúpidas e desinteressantes da Terra e eu aqui, de pista, esperando por qualquer sinal. Tudo errado.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Me desculpe ser assim, é que às vezes eu não sei medir palavras, acabo esquecendo o peso e valor que elas possuem. Hoje um dia péssimo e acho que tudo o que eu ignorei por muito tempo, aos poucos, começa a me afetar. É difícil ser inquebrável e, algumas vezes, cansa.