domingo, 25 de março de 2012

Estava na fila do caixa para pagar os meus pãezinhos e café. A fiscal de caixa se aproxima da caixa, que diz a seguinte frase (juro!):
— Não gosto que você fale muito palavrão.
— Palavrão? Que palavrão que eu falo, menina?
— Não é bem palavrão.
— Como assim? Ou é palavrão ou não é palavrão, né?
— É você fala muita safadeza...
— (...)
— E eu não gosto.
— Eu hein, Carla, você deve estar na TPM.
— Não estou na TPM! E, mesmo que tivesse, só estou dizendo que você é muito depravada.
— (...) o que eu sou.
A fiscal me olha e dá um sorrisinho e eu dou um sorrisinho de volta, porque né, wtf.
— O que eu não gosto no pastor da igreja da mamãe é que ele pega o modelo de uma palestra motivacional e aplica pros cultos dele e é óbvio que funciona... nada contra, mas não tem uma mensagem específica. E parece que eu que sou a implicante, mas só eu enxergo com um olhar racional. Ele tem programa de tevê, essas coisas...
— Putz, ostentação todo mundo quer, né?
— A última foi algo do tipo "três passos para chegar aos céus", aí ele pegava palavras-chave como fé e...
— Nessa hora ele apontava pro telão e aparecia "FÉ"?
— Não.
— É, isso seria meio bizarro.
— É, soou meio Jordan Chase.
— No final todos os presentes tinham que repetir infinitamente as três palavras-chave em voz alta, até ficar um uníssono, sabe?
— Bizarro.
— É... pior que só eu reparo, mamãe me convida e tals, vou de bom grado para fazê-la feliz, mas né. Surreal. Eu até acredito em Deus e parará, mas 23 palmas para Jesus num intervalo de uma hora é meio beirar ao ridículo.
— Sério que é assim?
— Lá é assim.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Anonymous said

Suspiros.
Primeiro dia verdadeiramente lindo no Rio de Janeiro desde que o ano começou. Esse céu escuro, essa chuva, porra... me dá uma vontade de ficar com alguém, tomar chocolate, de andar quilômetros, de ficar parada olhando, sei lá, sei lá.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A teoria de Pior Virada do Século XXI está em vigor. Esse ano está sendo muito cheio de emoções. Dia 3 de janeiro de 2012, fiz uma viagem roots ao Maranhão, de onde provém a família da mamãe, foi uma experiência enriquecedora pra caralho, eu reflexi tanto e olha que eu sou uma pessoa cheia de reflexões, altos pensamentos nessa vida corrida, no metrô, no ônibus, almoço corrido.

Aí você pensa, filhinha modernosa do sotaque carioca forte, garotinha de apartamento... sei não, hein, deve ser metidinha, Nordeste quente pra caralho... mas nem é, ó, o coração é humilde, dorme em qualquer chão e não tá nem aí. Inclusive, quando eu era criança, eu só dormia no chão, adormecia de tanto brincar, essas coisas.

Uma consideração: eu sou a mulher mais alta da família, isso porque eu não devo ter nem um e setenta. A segunda consideração é que a menor tem um metro e quarenta e cinco centímetros e isso me chocou muitíssimo. E a minha avó era super gata e eu tô meio que com a fixação de tatuá-la na coxa.

É bacana uma tia que mal te conhece te dizer "eu te amo porque você é sangue e sangue é uma parada muito forte e, mesmo que não fosse, o nosso sobrenome é o mesmo". Todos os tios-avôs choraram quando me conheceram.

Horas e horas de estrada pra conhecer a família inteira: o tio-avô riquíssimo de 84 anos, que bebe e tem a saúde perfeita, dizendo que "mandou buscar uma índia" pra cuidar dele; o outro tio-avô que teve mais de 30 (!) filhos; o outro que se derreteu todo e ficou pegando na minha mão pra mais de meia-hora e sorrindo, dizem que é o mais emotivo, que chorou horrores quando soube que um tio meu passou pelo município e não foi visitá-lo... tá que esse fato me fez ter uma crise de riso no avião e aquela peninha branca. Um tio falou que ficou cheirando a minha cabeça enquanto eu dormia só pra chegar a conclusão que a pequena cheira bem demais. A outra tia contando que quando alguém morria e tinham aqueles velórios de corpo presente, ela dava um jeito de ver a cara do morto, um dia cruzou com uma cara meio... meio assim e nunca mais conseguiu e que ela era tipo a feminista da época, andava a cavalo, pescava... e não queria nem saber.

Putz. É que eu não sei me expressar, mas pensa, você escutando Canto do Mundo do Caetano Veloso, não me perguntem o porquê eu cruzei com essa música, nem chegada nesse cara eu sou, mas tava lá, eu tava lá, num lugarzinho chamado Outeiro... onde dormi numa rede literalmente a beira-mar, olhando a ressaca do mar e o céu estrelado, porra, lindo.
"Então, eu sou um bobo. O meu Deus é o dos bobos, Ele não vem para aqueles que não o necessitam, Ele não vem para os que não possuem um pingo de desespero. Ele vem para todos aqueles que anseiam por algo, para os que precisam de força para seguir em frente... ele não é o Deus dos Espertos, não é para aqueles que se fazem as custas dos outros, se você acha que não precisa, então... você não precisa, eu sempre fui bobo mesmo".
Faz tempo que eu não encho o saco aqui, vou nem fingir que é a milésima vez "alguém me lê?", mas aí é bom se ninguém ler... eu posso falar qualquer coisa, contar qualquer segredo.