terça-feira, 10 de junho de 2014

Tava comentando esse lance de ambientes gente como a gente porque queria pontuar o meu passeio no Rio Sul. Fiz vários posts porque tô com preguiça de criar uma relação que faça sentido entre os assuntos sem perder o fio da meada.
Ah sim, Rio Sul tem esse lancezinho de sou-melhor-que-você, sei lá... a campanha de Dia dos Namorados de uma loja aleatória tem um manequim comendo alguém em pé, coisa fina e rica. Enfim, daí a minha irmã me convidou pra comer algo que parecia um pastel de forno, mas também parecia uma empada e parecia um monte de outras coisas e eu não vou lembrar o que era, mas era em um lugar que tinha umas pizzas bacaníssimas.
Na mesa do lado, começo o meu hobbie favorito, o qual é escutar conversas alheias. São dois caras sentados na mesa ao lado com fenótipos totalmente diferentes, mas irmãos, assim como minha irmã e eu (*pausa flashback* "Desculpa perguntar, mas vocês são namoradas, né? Quê? Ela é sua irmã? Então você foi adotada, né?").
O cara ao lado da minha irmã diz que odeia pizza com borda grossa, aí eu páro e penso que eu amo pizza de borda fina, mas que a minha irmã também odeia borda grossa. E aí eles começam a conversar sobre a vida, sobre destino, sobre signos, assuntos que eu particularmente adoro. Até que o que está ao meu lado diz que o aniversário dele é na quinta-feira. Daí eu páro, penso, faço as contas enquanto como e penso "putz, meu aniversário é na quinta-feira também", olho pra minha irmã que está semi-boquiaberta com as coincidências. A vontade era de cumprimentar e falar "olá, prazer, Raquel, nós não nos conhecemos mas...", mas eu fiquei ali, parada, chocada com essas pequenas coincidências. Como não há de existir destino, minha gente? Que coincidência da puta que pariu.
Não sei se já contei aqui, mas eu cresci numa rua que ficava entre Lapa, Santa Teresa e Glória, que é Centro do Rio e eu me entendi por gente no eixo Centro-Zona Sul. Lá pelas tantas da minha vida, eu me mudei pra um bairro minúsculo que as pessoas inexplicavelmente desconhecem (e ainda tem metrô, hein) chamado Estácio, ainda no Centro, mas eixo Centro-Zona Norte. E, na moral, que amor morar aqui, bairro com cara de gente como a gente, é silencioso a noite mas nem é perigoso nem nada, tem um monte de velhinhos, executivos e árvores.

Dia desses eu fui no mercado, cuja fila do pão era longa e imóvel, o que me deixou bem amarga. De repente, ouço atrás de isso:

- Que isso, maluco... 200g de manteiga a R$ 16,00? Que porra de manteiga é essa? Tem um fio de ouro escondido aí dentro? Só se for, né... sás paradas não são pra mim não, que isso, se eu comer é até capaz de eu passar mal pq né, ó as coisa que eu como, né... mocotó e tals... sás coisas tem de ser vendidas na Zona Sul, que isso, só o povo de lá pra comprar isso.


Muito amor.
Tô pra contar isso há uns 10 dias.

— O senhor não vai me deixar entrar?
— Não, senhorita.
— Mas ainda não são 17h.
— Mas não entra mais ninguém.
— Por favor, é muito importante, eu preciso enviar essa correspondência.
— Não insista, por favor.

E minha única alternativa era sentar na calçada e chorar. E foi isso o que eu fiz, só que em pé. Frustração pura e simples. Eu precisava enviar aquela merda, andei pra caralho, corri pra caralho e o porra do cara da agência dos Correios fechou a agência na minha cara (tão linda) Resolvi ligar pra minha irmã.

— Não pude enviar o pacote, acredita?
— Jura? O que ocorreu?
— Eles fecharam a agência alguns poucos minutos antes das 17h. Achei uma filhadaputagem tão grande que eu até chorei, acredita?
— Acredito. Mas não seja por isso, a gente vai na agência dos Correios que tem no Rio Sul, ela funciona até as 22h.
— *silêncio* (...) Tá de sacanagem?
— Não, tô falando sério.
— Jura?

Aquele sentimento de quando você desperdiça aquele fluido lacrimal composto de água, proteínas, sais minerais e gordura, também chamado de lágrima.