terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Máquina do Tempo

Houve diversos momentos em que já pensei o que eu faria se eu tivesse uma máquina do tempo. Voltar no passado e salvar a humanidade de uma tragédia horrível?  Acho que não, afinal,  a história tem o seu propósito de nos guiar para que não cometamos os erros do passado novamente —  fora a grande probabilidade de fazer uma grande merda e voltar ao presente com o mundo tipo 1984 do G. Orwell. Melhor não,  né? Talvez em um aspecto mais egoísta funcionaria melhor.
Eu já me arrependi de zilhões de coisas ditas e atitudes que geraram culpa e constrangimento desnecessário e que me doem tão intensamente quando penso nelas que parece sinto-as pela primeira vez. E eu fico remoendo, remoendo, remoendo até cansar e provavelmente as pessoas envolvidas não lembram dos ocorridos mas eu lembro… sempre dizendo “nunca mais bebo” ou “nunca mais traio minha natureza retraída em prol de atos impulsivos que podem ou não resultar em algo” e até mesmo “nunca mais te penso com carinho”. Eu sou a que é apegada ao passado e traumatizada pelas lembranças e ao mesmo tempo nostálgica delas… ouvi boatos que a culpa é do tal Vênus em Câncer.
Te dizer que eu perdi minutos e até horas delirando sobre qual momento da minha vida eu mudaria com uma máquina do tempo. De certa forma pensar nisso ameniza meus sentimentos de culpa e arrependimento que me rodeiam e me empurram pro seguir em frente. Quem recusaria uma nova chance? Uma chance de recomeçar do zero e virar a mesa. A possibilidade te traz sensação tão boa que se transforma em quase uma experiência extra corpórea,  como se eu pudesse ser espectadora da minha vida medíocre (porém contada com graça por mim). Uma amiga me contou que tem um amigo que aposta toda semana na Mega Sena e ele disse que só os momentos em que ele pensa o que faria com tanto dinheiro já valem o investimento e, pensando por esse aspecto, qual o valor de um sonho? Qual o valor de fugir um pouquinho da sua realidade?
Foi essa semana que eu tive certeza do grande momento a ser escolhido na minha espetacular volta ao passado, momento esse que não traz nenhuma má lembrança ou sentimento em especial, muito pelo contrário…  Eu voltaria ao início da minha dramática adolescência e diria “primeiro: você é lindíssima! Segundo: sabe essa paixão louca, platônica e desprovida de sentido e/ou lógica que cê tá sentindo? Então... vai fundo e mergulha nesses olhos”.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Enjoativo

Outro dia ouvi uma discussão de pessoas que disseram que ela irrelevante manter contato com colegas de trabalho, que são apenas colegas, cuja relação nunca será além do basicão profissional, blá blá blá. Devo dizer que discordo. Hoje eu estava compenetrada em meus afazeres sendo workaholic quando um dos meus colegas de trabalho parou ao meu lado e, sem dizer nada, mordeu um bombom na metade — inclusive babando-o levemente — e estendeu o braço com a metade que sobrou para mim.
— Ownnnnnnnnnnn, Juan! Que fofinho! Não sabia que você nutria um carinho tão grande pela minha pessoa… valeu mesmo!
— Não é fofura... é que esse bombom é enjoativo.

Nessas horas que a gente pensa “esse é meu amigo mesmo”.