sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Eu sei que você tem dificuldade em se expressar emocionalmente e também sei que você tem dificuldade em dizer não". Ouvi e fiquei pensando que era verdade, eu não sei me expressar emocionalmente nem qualquer que seja o oposto de emocionalmente. Não sabia o que dizer, então respondi com toda a sinceridade do mundo que eu era uma acumuladora emocional e de tralha.
Estou de férias! Isso significa que eu tenho tempo pra cozinhar mas também pra comer fora, que eu posso meditar de manhã cedo, que eu posso tomar café calmamente lendo o jornal, significa que eu posso cochilar a tarde e acordar de boca aberta e curtir domingos preguiçosos pensando num possível sexo que não rolou, enfim, tem vários significados.
Acho que devia ter um mês e alguma coisa após o seu aniversário quando vi um livro que era a sua cara. Putz, era a sua cara. O título, a capa, o prefácio... Tudo transbordava você. Comprei, fiz um bilhete bonitinho porque não curto fazer dedicatórias no próprio livro, embrulhei e guardei. Guardei porque achei que seria esquisito te dar de Natal, eu mesma nunca ganhei presentes de Natal ou fui ludibriada com a existência de Papai Noel, mas o seu aniversário já tinha passado e seria esquisito dar um presente com tanto atraso ainda que fosse a sua cara. Atraso é a minha cara, mas a sua cara é de pontualidade britânica.
O tempo passou e eu esqueci, nós nos esquecemos, nós nos afastamos e o livro ficou perdido em meio a tanta tralha. Mas em mim eu guardo todos os sentimentos do mundo e bons sentimentos são atemporais... Acontece que o seu aniversário já passou de novo. Só espero não perder seu endereço de vez.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Estávamos sentadas numa calçada e tava meio frio, eu acho. Eu pensava naquelas coisas que a gente não pode ver ou pegar - apenas sentir - como, por exemplo, o meu extremo desconforto físico presente naquele momento em função do melhor abraço do mundo. Mas estava tão bom aquele abraço, tão quente que parecia que eu estava em casa. E eu não queria me desprender daquele abraço apertado e desconfortante porque naquele momento era tudo o que eu tinha, até que eu fui afrouxando aos poucos, disse que tava morrendo de sono e ela disse "e a gente vai se despedir e o problema é que eu nunca sei quando eu vou te ver de novo".
O tempo passou, a vida correu e a gente se viu se novo algumas vezes sempre com tudo em cima da hora e sem data marcada. O abraço ainda tinha todo o carinho e amor do mundo mas era diferente porque nós também mudamos. Mas você tinha que se afastar do abraço, sorrir pra mim e dizer "quando eu vou te ver te novo?" no seco. Por um segundo eu não soube o que responder porque foi como se novamente tudo o que eu tivesse no mundo fosse aquele momento, aquele desconforto, depois daquele abraço, daquele dia, daquela noite, naquele frio, naquelas cinco horas da manhã.