quinta-feira, 28 de abril de 2016

Penso que os bairros pelos quais ando diariamente não são os mesmos pelos quais você anda diariamente, então sem chance de encontro. Respiro aliviada, sigo meus dias, me censuro a cada ensaio de saudade. Aos poucos vou me acostumando as ausências, me adapto e, em um rompante, te envio uma mensagem e me arrependo no mesmo instante. Anos atrás eu me torturaria porque tinha mania de mandar cartas, então o sofrimento durava a quantidade de dias até chegar ao destinatário. Hoje sou moderna, tecnológica, imediata. Recebo uma resposta polida. Começo a achar que o motivo do não querer permanecer está relacionado a uma impressão errada. Eu também sei ser polida. Polida e diplomática. Que nossos caminhos não se cruzem mais, amém. Talvez eu não devesse parecer tão caótica, tão bagunçada, hedonista, tão leviana, tão visceral, sei lá. Talvez você buscasse eixo, talvez você buscasse solo firme. Pedi tanto ao Universo que nos transformássemos linhas paralelas, mas com um tapa de luva de pelica na minha cara, a resposta que tive foi "você não dita as regras". Meu coração acelerou, a boca secou. Eu não dito as regras.